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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

 

Letra

 

 

Meu pai era um player
E conquistou minha mãe com arte e verborreia
De gala são tomense
Citava -lhe poemas, cantava-lhe baladas,
Minha mãe caiu na teia já toda enfeitiçada

Começaram a namorar, noites longas
Até ao luar e sexo até a alvorada
Estavam juntos todos dias,
Cada beijo uma alquimia cada olhar uma profecia

Minha mãe engravidou, meu pai bazou fugiu do filho
Que ele procriou
Minha mãe ficou sozinha com um filho na barriga
Que com descuido fecundou

Sem dinheiro para o aborto
Minha mãe resolveu ter-me apesar de devastada
Chorava todos os dias arrasada,
Sombria, despedaçada, estilhaçada

Fui crescendo na barriga dela lá dentro
Sentia as mazelas da alma fulminada
A gravidez dava-lhe dores, tonturas, enjoos,
Deixava-lhe toda esgotada

Meu pai voltou seis meses depois
Arrependido e certo que minha mãe era sua amada
Minha mãe aceitou-o de volta apesar
Da revolta continuava apaixonada
Felizes novamente, encandeados
Pelo mesmo sentimento efervescente
Nasci novembro a tarde bem perto das quatro,
Depois de 24 horas duras de trabalho de parto

Aniyah
Refrão
Se não tens amor, é só dor
Se queres prazer, dás amor
Se não tens amor, é só dor
Se queres prazer, dás amor


Yeah...
Meus pais deliciavam com cada sorriso,
Cada som, cada olhar, cada movimento
Cada gesto que eu fazia
Tudo o que eu fazia era motivo pra deslumbramento,
Encantamento empaditas de euforia
Mas um bebé custa caro dá muita despesa
E mais dureza, pra quem já vive na pobreza
Minha mãe mal se recompôs da gravidez,
Foi trabalhar na costura quatrocentas horas por mês
Meu pai estudava e trabalhava ao mesmo tempo,
Um ritmo violento por causa do seu rebento
Eu chorava todas as madrugadas, gritava,
Borrava desvairado e eles nunca dormiam nada
Estavam esgotados, secos, stressados,
Surtiam por qualquer coisa, andavam sempre alterados
Eu comecei a andar com dez meses
E aos onze meses já falava ficavam maravilhados
Encantados com cada palavra nova
Que eu dizia com evolução da minha fisionomia
Encantados com cada palavra nova
Que eu dizia com evolução da minha fisionomia

Aniyah:
Se não tens amor, é só dor
Se queres prazer, dás amor
Se não tens amor, é só dor
Se queres prazer, dás amor

Passava horas e horas a escrever no quarto
A fazer trilhas sonoras pra sair do anonimato
Mal dormia, mal saia, mal via os amigos
A escrita era minha religião, meu castigo meu abrigo
Eu rimo as dores do meu povo,
Envolvo nos versos o sofrimento que absolvo
Ela mandou-me um e-mail a dizer
Que sou o rei e que trouxe um estilo novo
Diz que chora desalmadamente,
Quando eu rimo intensamente, nos temas mais comoventes
Diz que me quer conhecer, pra ver realmente
Se eu sou o que digo ser
Encontramos num bar no vasco da gama,
Logo fiquei encantado com aquela áurea africana

Ela explana uma negritude soberana,
Imana a mesma luz que originou o nirvana
Começamo-nos a ver regularmente,
E como era evidente acabou em envolvimento
Dia sim, dia não em minha casa, entrosamento sexual
Até o esgotamento
Foram vários meses na mesma rotina,
Mas estava sem adrenalina que o puro amor origina
Eu não a amo mas o sexo é tão bom
Que eu não consigo acabar com ela e terminar nossa novela

Por isso eu minto e digo que lhe amo,
O amor dela é insano e ela nem sente que é engano
Ela ama-me perdidamente
E acha que o relacionamento durará eternamente
Passaram dois anos e fui ficando distante,
Já era flagrante aquele meu distanciamento
Ganhei coragem resolvi acabar, resolvi terminar
O que já não tinha fundamento

Ela entrou num caos depressivo,
Autopunitivo e quase vegetativo
Não comia, não dormia, não saia de casa
Entregou-se num processo corrosivo erosivo
Largou o trabalho, largou a faculdade,
Ficou esquelética e perto da insanidade
Com instintos suicidas, completamente escurecida,
Vazia e destruída.

Esta é uma música profunda irmão,
Na estrada da tua vida, o teu espírito
Estimula-te sempre a fugir da dor e ir em busca do prazer,
Mas lembre-te sempre que há muitos objectivos
Que tu não consegues sem dor, sem sacrifício,
Sem sangue. lembre-te que tu podes erguer,
Reerguer ou salvar vidas sacrificando por elas,
Sangrando por elas em actos de puro altruísmo.
Na busca pelo prazer tu podes ficar cego
E chacinar a alma de todos seres humanos
Em actos de puro egoísmo.
Por isso grandes pensadores budistas
Falavam na importância deste equilíbrios entre a dor e prazer.
O equilíbrio do planeta depende muito desse equilíbrio
Entre a dor e prazer
Que cada um de nós tem que alcançar individualmente.

Ver o sacrifício de uma mãe a criar seu filho,
Ver a história de gandhi e a sua devoção pelo seu povo,
Vá também em busca do prazer irmão,
Vá também em busca da felicidade
Mas não vás sozinho, leve outros manos consigo,
Ensine os manos a amar ensina os manos o humanismo.

David cross
Se não tens amor, és só dor
Se queres prazer dás amor
Se não tens amor, és só dor
Se queres prazer dás amor

 

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