Terça-feira, 13.06.17

terrassemsombra.jpg

Coro e solistas da Gulbenkian encerram Terras sem Sombra

A edição de 2017 do Terras sem Sombra termina na cidade de Beja, nos dias 16 e 17 de Junho, após uma programação intensa de música e passeios pelo património e biodiversidade por sete vilas do baixo Alentejo.
 
Durante esta temporada, com a duração de sete meses, o festival apresentou solistas e agrupamentos de referência internacional num programa, estratégico para a afirmação do Alentejo como destino de arte e natureza, em que Espanha foi o país convidado.
A iniciativa abriu as portas, pela primeira vez, de palácios, igrejas, conventos, mosteiros e outros locais raramente acessíveis ao público e pôs em evidência aspectos fundamentais do património natural da região.
 
No maior edifício de Beja: o Colégio dos Jesuítas, hoje Comando Territorial da GNR

A visita da tarde de sábado inicia-se, às 14h30, tendo como ponto de encontro a catedral. O alvo da visita, sob a orientação do historiador da arte José António Falcão, é uma obra-prima da arquitectura jesuítica, o antigo colégio de S. Francisco Xavier ou “Seminário Velho”. Este edifício, que continua a ser o mais vasto de Beja, está intimamente ligado à história da cidade, a começar pelas circunstâncias que rodearam a sua fundação.
 
 
Bach, interpretado por Michel Corboz

O Coro Gulbenkian e solistas da Orquestra da mesma instituição (Fernando Miguel Jalôto, Sofia Diniz, Marta Vicente), sob a direcção de Michel Corboz, apresentam na catedral, às 21h30 do dia 17, um programa consagrado aos motetos e prelúdios corais de J. S. Bach que contará com a presença do ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes.

Estas peças, fulcrais para o conhecimento da obra do grande compositor alemão, granjearam-lhe lugar destacado na história da música. Ao mesmo tempo, permitem acompanhar o seu percurso profissional, desde os primeiros anos como organista em Weimar, Arnstadt e Mühlhausen (1703-08) e Konzertmeister da corte de Weimar (1708-17), até ao apogeu, como Kappellmeister dos príncipes de Köthen (1717-23) e Kantor da cidade de Leipzig (1723-50).
 
 
Através das águas do Guadiana, o grande rio do Sul

Esta etapa do Festival culmina, no domingo, com uma acção prática, orientada para a compreensão das relações entre o homem e o Guadiana, enquanto elementos que estruturam a paisagem. A partida faz-se das Piscinas Cobertas de Beja, às 9h30.
O grande rio do Sul impõe-se, à escala regional, em vários aspectos. Tendo uma das maiores bacias hidrográficas da Península Ibérica, os seus humores moldaram, ao longo de milhões de anos, a peneplanície. Por outro lado, o seu vale antigo e erodido preserva uma biodiversidade muito rica, funcionando como corredor privilegiado para inúmeras espécies de aves, mamíferos, peixes e plantas.
Mas a dinâmica hidrológica do Guadiana está também presente nos elementos culturais que o pontuam, como as peculiares azenhas de submersão e os fortins. Apesar da intensificação da agro-indústria que decorre nas áreas envolventes a jusante de Alqueva, este rio ainda mantém estruturas patrimoniais relevantes, como as que se podem observar na zona de Quintos, fortificada na época da Guerra da Restauração, para defender Beja dos exércitos castelhanos.
O desafio lançado pelo Terras sem Sombra para esta iniciativa visa um percurso de notável valor paisagístico, o PR1, Azenhas e Fortins do Guadiana, do Município de Beja, que finaliza no rio. Aqui, far-se-á a avaliação do elemento água, recorrendo a equipamentos de análise, e ponderar-se-á, no seio do Parque Natural do Vale do Guadiana, o futuro de um dos grandes recursos do Alentejo.

De entrada livre, o Festival é organizado pela Pedra Angular e termina a edição de 2017 em Sines, no dia 1 de Julho, com a cerimónia de entrega do Prémio Internacional Terras sem Sombra.
 
Programa Beja
17 Junho
Património
14:30 – 17:30 – Visita guiada ao Centro Histórico
Local em destaque - Colégio de São Francisco Xavier
Ponto de encontro – Catedral de Beja
 
Música
21H30 – Caminho, Verdade e Vida: Motetes e Prelúdios Corais de J. S. Bach
Local – Catedral de Beja
Coro Gulbenkian
Órgão Fernando_ Miguel Jalôto
Viola da gamba_ Sofia Diniz
Contrabaixo barroco_ Marta Vicente
Direcção musical_ Michel Corboz
 
18 de Junho
Biodiversidade
O Homem e o Guadiana, elementos que estruturam a paisagem
9H30 – Partida – Piscinas Cobertas de Beja


publicado por olhar para o mundo às 23:13 | link do post | comentar

Quarta-feira, 31.05.17

ensemble.jpg

 

Ensemble do Festival de Lucerna em Sines

A 13.ª edição do Terras sem Sombra prossegue com entusiasmo a sua viagem por cidades e vilas do Alentejo, tendo como próxima etapa Sines. A terra natal de Vasco da Gama encontra-se sob escrutínio no fim-de-semana de 3 e 4 de Junho e acolhe um programa aliciante, que começa, sábado à tarde, com uma visita ao centro histórico, sob a orientação do historiador de arte José António Falcão e do arquitecto Ricardo Pereira. Património, música e biodiversidade dão assim, mais uma vez, as mãos.
 
Na rota de Vasco da Gama

Tendo o mar por horizonte, o percurso inicia-se, às 14h30, na igreja matriz de São Salvador, que forma um conjunto harmonioso com o castelo quatrocentista. O objectivo é conhecer de maneira informal, a muito antiga história da cidade e os seus valores patrimoniais, mas também descobrir os seus segredos, olhar a costa e a serra, o porto e as unidades industriais, conhecer a realidade piscatória, descobrir os segredos da gastronomia e da doçaria.
O alvo principal do périplo, é um espaço habitualmente não aberto ao público: a torre de menagem do castelo, onde nasceu e viveu o almirante. Acessível por corredores tortuosos e misteriosas escadarias ao caminho de ronda, este edifício reserva muitas surpresas e rasga perspectivas sobre o panorama atlântico e a urbe.
 

Sob o signo impar de Mozart e Beethoven

Às 21h30, regressa-se à igreja matriz, para a actuação do Ensemble ]W[, um agrupamento de músicos de primeira fila da Orquestra do Festival de Lucerna, na Suíça: Lucas Macías, Vicent Alberola, José Vicente Castelló, Higinio Arrué e Nicholas Rimmer. O programa, intitulado As Afinidades Electivas: Mozart & Beethoven, é consagrado a duas famosas obras para sopros – oboé, clarinete, trompa, fagote – e piano, verdadeira raridade na história da música: um quinteto de Wolfgang Amadeus Mozart (Quinteto em Mi bemol maior, Op. 16) e outro de Ludwig van Beethoven (Quinteto em Mi bemol maior, KV. 452).
Trazer a Sines os solistas de Lucerna, palco do mais importante festival de música clássica da Europa, constitui um acontecimento para o Alentejo. Sines recebe, assim, o privilégio de uma actuação previsivelmente inesquecível e que já está a despertar, pelo carácter inédito, o interesse do público e da crítica internacionais.
Redescobrir um oásis da biodiversidade

Esta jornada culmina domingo, a partir das 10h00, nas imediações da Praia de S. Torpes, com uma acção de salvaguarda da biodiversidade, orientada pela Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha. A fronteira entre o Atlântico e o Mediterrânico – À descoberta dos monges eremitas da Junqueira é o tema para uma deslocação à antiga Provença, um mosteiro de Eremitas da Ordem de São Paulo da Serra de Ossa, habitado entre os séculos XV e XVII, a pouca distância do Atlântico, no limite do Parque Natural do Sudoeste Alentejano. Ainda hoje perduram traços dessa histórica presença, tão próxima como desconhecida, desde a ermida de Nossa Senhora dos Remédios, em ruínas, à fonte santa e às terras outrora cultivadas pelos religiosos. Nas várzeas fertilizadas pela ribeira da Junqueira existem habitats muito favoráveis à flora e à fauna.

Aqui, as dunas representam um ambiente de transição por excelência, marcando a fronteira entre as influências marinha e continental. A zona é fértil em sistemas dunares, sobretudo a sul da ribeira da Junqueira, zona com uma ocupação ancestral e, consequentemente, com uma história de modelação do solo em terra arável. Nas imediações de um dos maiores complexos industriais de Portugal, a central termoeléctrica de Sines, iremos à procura dos vestígios do mosteiro de Santa Maria da Junqueira, fundado em 1447. Como viviam e como interagiam os seus monges com o ambiente é o ponto de partida para um percurso de descoberta da biodiversidade local. Pretende-se, no futuro, recuperar e abrir à visitação este aprazível lugar.

De entrada livre, o Festival é organizado pela Pedra Angular e prolonga-se até  2 de Julho, realizando-se em Beja a sua última etapa.

Programa Sines
 
Património
14:30 – 17:30 – Visita guiada ao Centro Histórico
Local em destaque - Torre de menagem do castelo de Sines
Ponto de encontro – Igreja Matriz de São Salvador
 
Música
21H30 – As Afinidades Electivas: Mozart & Beethoven
Local - Igreja Matriz de São Salvador
]W[ ENSEMBLE & Nicholas Rimmer
Fagote Higinio Arrué
Oboé Lucas Macías
Clarinete Vicent Alberola
Trompa José Vicente Castelló
Piano Nicholas Rimmer
 
28 de Maio
Biodiversidade
A fronteira entre o Atlântico e o Mediterrânico – à descoberta dos monges eremitas da Junqueira
10H00 – Partida - Igreja Matriz de São Salvador


publicado por olhar para o mundo às 20:13 | link do post | comentar

Segunda-feira, 03.04.17

tosquia.jpg

 

Tosquia de Ovelhas e o Castelo de Barba Azul em Castro Verde

 
O Terras sem Sombra vai já a meio da sua temporada e nos dia 8 e 9 de Abril será a bela vila de Castro Verde a acolher o Festival.
Está mais uma vez preparado um programa único que invoca a descoberta das tradições ancestrais do ciclo da lã, uma visita guiada pelas ruas e caminhos de Castro Verde e uma ópera em versão concerto que apela à reflexão sobre a sociedade actual.

As iniciativas previstas começam no sábado, às 14h30, com uma visita ao centro histórico de Castro Verde, que terá início na magnífica Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição. O périplo pelas ruas e caminhos de Castro passa pelo Museu da Lucerna que nos oferece uma colecção única de Lucernas de época romana (Século I-III d.C.) descobertas em 1994, na localidade de Santa Bárbara dos Padrões. A Igreja da Misericórdia será aberta neste dia, exclusivamente para esta visita, onde se pode admirar um conjunto de pinturas no tecto, alusivas ao Livro do Apocalipse, verdadeiramente surpreendentes.

Na aposta de projecção do Terras sem Sombra para outras geografias, a escolha deste ano não pode ser mais excitante, uma vez que em Castro Verde vai estar representada a Academia Franz Liszt, de Budapeste, viveiro de brilhantes solistas, que deleitarão o público com um programa húngaro, uma ópera em versão de concerto, O Castelo do Barba Azul de Béla Bartók, na magnífica Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição.

Na manhã de domingo, às 10h00, será percorrido Os passos do ciclo da lã. A zona de Castro Verde integra o Campo Branco, um território terminal da rota da transumância dos grandes rebanhos da Mesta. Nesta actividade iremos apanhar e tosquiar com as nossas mãos ovelhas e armaremos a lã segundo o método tradicional, com a ajuda de antigos pastores; e seguiremos o ciclo da lã, até à produção de mantas no recentemente inaugurado pólo do Lombador do Museu da Ruralidade, dedicado à tecelagem.O passeio termina com um almoço de sopas dos pastores.
 
Programa Castro Verde
 
8 Abril
 
Património
14:30 – 17:30 – Visita ao Centro Histórico
Local em destaque – Igreja da Misericórdia
Ponto de encontro - Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição
 
Música
21H30 – Escalando as Muralhas: O Castelo de Barba-Azul, de Béla Bartók
Local: Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição
 
Tenor Antal Cseh
Mezzosoprano Apollónia Szolnoki
Piano András Rákai
 
9 de Abril
 
Biodiversidade
Os passos do ciclo da lã
10:00 – Partida _ Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição


publicado por olhar para o mundo às 10:13 | link do post | comentar

Terça-feira, 14.03.17

terrassemsombra.jpg

 

Três razões para ir a Santiago de Cacém:
Avejões, o melhor quarteto de cordas do mundo e a plantação de sobreiros

Após Almodôvar e Odemira, o Terras sem Sombra muda agora de cenário para Santiago do Cacém, onde está preparado mais um programa intenso de descobertas em torno do património, música e biodiversidade.

Nos dias 25 e 26 de Março, as atenções concentram-se na história e na arte de uma terra que pertenceu à Ordem militar de Santiago da Espada, sem esquecer a rica “mitologia” local e, claro está, as pessoas que aqui habitam – e que se irão envolver na plantação de sobreiros, ajudando a salvar a mata do antigo convento de Nossa Senhora do Loreto.
O Festival conta ainda com a presença de um agrupamento musical de excepção, vindo dos Estados Unidos.

 

Mistérios de uma cidade repleta de segredos

Como é já hábito, o evento começa sábado, às 14h30, com uma visita ao centro histórico de Santiago do Cacém, terra senhorial, onde igrejas, palácios e mansões guardam tesouros históricos.

A matriz, no alto do castelo, é o ponto de encontro de um percurso que visitará esta fortaleza, a tapada do Palácio dos Condes de Avillez, a antiga judiaria, a capela das Almas, a igreja da Misericórdia, a mais do que centenária Sociedade Harmonia e outros monumentos pouco conhecidos, sem esquecer um moinho de vento, recentemente recuperado nas Cumeadas. O foco do passeio, no entanto, será o palácio dos Condes de Bracial, belo edifício da época romântica, e que abre as portas ao público, pela primeira vez, neste dia.

Mas andar pelas ruas antigas da cidade é também a ocasião para conhecer histórias de outros tempos e confrontar usos e tradições. Por exemplo, a lenda do túnel que liga o castelo de Santiago às ruínas de Miróbriga, desafiando as leis da gravidade. Ou o medo causado pela aparição de avejões (fantasmas), que se manifestavam, sobretudo em noites de Lua cheia, em duas encruzilhadas da povoação, os Cantos do Meio-Dia e os Cantos de Santo António. Ou os sustos causados pela alma penada da “condessa velha” aos que se aventuravam, fora de horas, na rua em cotovelo, junto à Casa das Heras...

 
 
 

De Nova Iorque para o Alentejo: Brentano String Quartet

Para o serão está reservado um grande concerto, com aquele que é considerado pela crítica como um dos melhores – senão o melhor – quartetos de cordas da actualidade. Depois de visitar algumas das principais capitais europeias, esta formação termina a sua itinerância no Alentejo, com o concerto “Perpétuo Movimento: Em torno d’A Arte da Fuga”. Trata-se de um tributo a J. S. Bach em que o célebre compositor alemão vai ser escutado a par de Gesualdo, Kurtag, Gubaidulina e Britten. 

O Brentano String Quartet é actualmente o quarteto titular residente da mítica Yale School of Music, sucedendo ao Tokyo Quartet nessa posição. Desde a sua criação, em 1992, tem sido muitíssimo aplaudido pelo público e pela crítica. Nas últimas temporadas, tem viajado incansavelmente, percorrendo os Estados Unidos, Canadá, Europa, Japão e Austrália – e actuando nos teatros mais prestigiosos do mundo. A propósito do programa que foi anunciado para o Terras sem Sombra, escreve o Washington Post: “gratificante em todos os sentidos”. E o London Independent vai ainda mais longe, ao classificá-lo como “apaixonante e fascinante”.
 
 
 
Defender o antigo convento do Loreto e a sua mata de sobro
 
Na manhã de domingo, às 10h00, o alvo será a paisagem cultural em torno do antigo convento de Nossa Senhora do Loreto. Aproveitando a proximidade ao dia mundial da floresta, a jornada será consagrada à salvaguarda do montado de sobro, incidindo num aspecto fulcral da sua continuidade – a renovação. Para tal, serão plantadas várias dezenas de sobreiros, provenientes da Mata Nacional de Valverde, em Alcácer do Sal. Pretende-se ainda definir um “caderno de encargos” para o acompanhamento das plantas, assegurando a sua protecção. Esta iniciativa irá envolver a comunidade local: quem plantar um sobreiro será o seu protector e compromete-se a regá-lo no próximo Verão, de modo a garantir a sua sobrevivência. Uma placa assinalará o nome do “padrinho” de cada árvore.
Programa Santiago do Cacém
25 de Março
Património
14:30 – 17:30 – Visita ao Centro Histórico
Local em destaque – Palácio dos Condes de Bracial
Ponto de encontro - Igreja Matriz de Santiago Maior
 
Música
21H30 – Brentano String Quartet
Perpétuo Movimento: Em torno d’A Arte da Fuga
Local: Igreja Matriz de Santiago Maior
 
Viola_ Misha Amory
Violino_ Serena Canin
Violoncelo_ Nina Lee
Violino_ Mark Steinberg
 
26 de Março
 
Biodiversidade
A Paisagem Cultural em torno do Convento do Loreto – assegurar a sua continuidade
10:00 – Saída _ Igreja Matriz de Santiago Maior


publicado por olhar para o mundo às 21:13 | link do post | comentar

Domingo, 26.02.17

terras sem sombra.jpg

 

Passeio de Barco pelo Rio Mira e estreia do ensemble Polyphõnos em Odemira

O Terras sem Sombra parte agora à descoberta, em Odemira, dos segredos do rio Mira (com destaque para os habitats das lontras, que aí encontram um santuário, e para as pradarias marinhas), apresenta o concerto de estreia do ensemble Polyphōnos e abre as portas da igreja da Misericórdia e de outros monumentos e sítios de referência, para uma visita guiada nos dias 4 e 5 de Março.

Este festival tem a particularidade de associar a cada concerto uma acção de voluntariado para a salvaguarda da biodiversidade dos diversos concelhos que o Terras percorre, a qual acontece aos domingos de manhã, congregando músicos, espectadores, membros das comunidades locais, autarcas e técnicos. E, também, uma visita, na tarde de sábado, à vila de Odemira, o que representa uma magnífica oportunidade para conhecer o património edificado mais representativo do Baixo Alentejo.

 

Conhecer a música portuguesa de inspiração mariana

O segundo fim-de-semana da 13.ª edição do Terras sem Sombra começa às 14h30 do dia 4, com uma visita guiada ao património do centro histórico de Odemira, onde é dada a oportunidade de se conhecer, entre outros valores patrimoniais ainda pouco conhecidos do público, a surpreendente igreja da Misericórdia, que possui extraordinárias pinturas murais. A orientação é dos historiadores António Martins Quaresma e José António Falcão.

Às 21h30 deste mesmo dia, Polyphōnos, o ensemble recentemente fundado pela soprano Raquel Alão e cuja direcção artística se encontra a cargo do barítono e musicólogo José Bruto da Costa, tem a estreia em Odemira. Polyphōnos é um termo grego que designa a coexistência de muitos sons ou vozes, o que se revela muito apropriado a um agrupamento vocal e instrumental de excelência no campo da música antiga, que se propõe resgatar da sombra reportórios nacionais que são escassamente ouvidos entre nós.

Para o concerto na igreja de São Salvador, o ensemble inclinou-se para a música portuguesa de invocação mariana dos séculos XVI, XVII e XVIII, com autores da craveira de Estêvão de Brito, Duarte Lobo, D. Pedro da Esperança, Diogo Dias Melgás, João Rodrigues Esteves ou Francisco António de Almeida. Alguns são naturais do Baixo Alentejo: por exemplo, Brito nasceu em Serpa, ao redor de 1570, e Diogo Dias Melgás em Cuba, em 1638. Trata-se, pois, de uma espécie de “regresso” às origens, fazendo justiça ao grande destaque alcançado pela música no Alentejo durante esses períodos.

 
 
De barco, pelos meandros do rio Mira
 
Na manhã de domingo, o percurso dedicado à biodiversidade explorará, numa viagem a bordo de barcos, os meandros do Mira, propondo um olhar renovado sobre os gradientes do grande rio do Sudoeste. Este tem a particularidade de, tal como o Sado, empreender um curso de sul para norte. Nascendo na serra do Mú, percorre cerca de 150 km, ao longo dos quais se podem encontrar habitats muito distintos.
 
É precisamente no troço inferior do rio, já próximo do estuário, que se localizam algumas das características únicas deste curso de água: as pradarias marinhas e uma população de lontra peculiar muito. As pradarias marinhas representam alguns dos habitats mais ameaçados a nível mundial. 

Ao longo de um percurso de barco, serão reconhecidos, os pontos mais relevantes deste rio, que se caracterizam pela sua espectacular cenografia, e analisadas as principais ameaças que se fazem sentir sobre eles. A iniciativa, organizada com a colaboração do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e da Câmara Municipal de Odemira, conta com a presença de investigadores das universidades de Lisboa e Algarve.
 
De entrada livre, o Festival é organizado pela Pedra Angular (Associação dos Amigos do Património da Diocese de Beja) e pelo Departamento do Património desta Diocese e prolonga-se até  2 de Julho, seguindo para Ferreira do Alentejo, Santiago do Cacém, Castro Verde, Serpa, Sines e Beja, sob o título Do Espiritual na Arte Identidades e Práticas Musicais na Europa dos Séculos XVI-XX.
Um hino ao Baixo Alentejo: à beleza dos seus espaços naturais e ao prazer da descoberta cultural.
Programa Odemira
4 de Março

Património
14:30 – 17:30 – Visita ao Centro Histórico
Ponto de encontro: Igreja de São Salvador
Local em destaque – Igreja da Misericórdia
 
Música
21H30 – Polyphōnos
De Beata Virgine Maria: Música Portuguesa de Invocação Mariana
Local: Igreja de São Salvador
 
Soprano Raquel Alão
Alto Carolina Figueiredo
Tenor Marco Alves dos Santos
Baixo Tiago Mota
Violoncelo barroco Ana Raquel Pinheiro
Órgão Sérgio Silva
Mónica Antunes, Rosa Caldeira, Manon Marques, Patrícia Mendes, Rui Miranda
Direcção musical José Bruto da Costa
 
5 de Março
Salvaguarda da Biodiversidade
Pelos meandros do Mira – um olhar sobre os gradientes do grande rio do Sudoeste
10:00 – Saída – Cais de Vila Nova de Milfontes


publicado por olhar para o mundo às 21:13 | link do post | comentar

Quarta-feira, 08.02.17

terras sem sombra.jpg

 

O Consulado-Geral de Portugal em Sevilha, foi o palco, no passado fim-de-semana, de uma mostra do que será possível desfrutar, ao longo de seis meses no Festival Terras Sem Sombra. Ante um público entusiástico que enchia por completo o salão nobre da representação diplomática actuaram o Rancho dos Cantadores de Aldeia Nova de São Bento (Serpa), os Cantadores do Desassossego, (Beja), a cantaora Esperanza Fernandez, o guitarrista flamenco Miguel Ángel Cortés e o ensemble Accademia del Piacere.

Foi um concerto profundamente íntimo e emotivo, marcado pelo emergir da natural fusão entre o flamenco, de que Esperanza Fernández e Miguel Ángel Cortés são dois intérpretes excepcionais (actuarão a 6 Maio, no Terras sem Sombra, em Serpa), e o cante, de que os grupos corais são dignos representantes. O encontro das vozes portuguesas e espanholas foram o momento alto da noite, que ainda contou com uma surpresa especial, a presença da soprano Raquel Alão (actuará a 4 de Março, em Odemira), que cantou com os dois grupos corais.

 

Património, música e biodiversidade em foco

O Terras sem Sombra arranca às 14h30 de dia 11 de Fevereiro, em Almodôvar, com a novidade deste ano: as visitas ao património do centro histórico. Desenvolvido por especialistas no estudo do património cultural e natural, o percurso tem como ponto de encontro a igreja matriz de Santo Ildefonso. Aos participantes na deambulação é dada a oportunidade de se familiarizarem com um bem patrimonial ainda pouco conhecido do público, neste caso o convento franciscano de Nossa Senhora da Conceição. Haverá ainda tempo para se observarem, a partir de um ponto alto, os arredores da vila branca, com as suas características cercas.

O concerto de inauguração do Festival cabe à Accademia del Piaccere, um grupo de vanguarda da música antiga espanhola que já é considerado um dos principais conjuntos do género na Europa. Este ensemble tem como maestro Fahmi Alqhai, que a crítica aclama como um dos mais brilhantes e prestigiados jovens intérpretes de viola da Gamba no mundo, pela sua abordagem pessoal e comunicativa dos repertórios históricos. Em Almodôvar, apresenta-se uma fusão músico-espiritual de Barroco e Flamenco, com a participação do cantaor cigano Arcángel, uma das grandes vozes andaluzas da actualidade, a que se associa ainda o percussionista Pedro Esteban.

 

A primeira etapa do Festival temina com o passeio pela biodiversidade na Serra do Mú ou Caldeirão que depois do grande incêndio de 2004, no qual arderam cerca de 30 mil hectares, perdeu população, viu transformar o seu capital florestal, mas assistiu também a um incremento dos trabalhos de prevenção e ao surgimento de novas oportunidades em torno dos recursos silvestres. Nesta actividade procura-se compreender o significado de tais mudanças, do ponto de vista da biodiversidade e, dando uma mão à natureza em algumas tarefas, apontar caminhos para o futuro.

De entrada livre, o Festival é organizado pela Pedra Angular (Associação dos Amigos do Património da Diocese de Beja) e pelo Departamento do Património desta Diocese e prolonga-se até  2 de Julho, seguindo para Odemira, Ferreira do Alentejo, Santiago do Cacém, Castro Verde, Serpa, Sines e Beja, sob o título Do Espiritual na Arte Identidades e Práticas Musicais na Europa dos Séculos XVI-XX. Um hino ao Baixo Alentejo: à beleza dos seus espaços naturais e ao prazer da descoberta cultural.

 

Programa Almodôvar
11 de Fevereiro
 
Património
 
14:30 – 17:30 – Visita ao Centro Histórico
Partida – Igreja Matriz de Santo Ildefonso
Local em destaque – Convento de Nossa Senhora da Conceição
 
Música
 
21H30 - Accademia del Piacere
Da pacem, Domine: Música Espiritual nas Tradições do Barroco e do Flamenco
Local: Igreja Matriz de Santo Ildefonso
 
Cantaor Arcángel
Viola da gamba e direcção musical Fahmi Alqhai
Guitarra flamenca Miguel Ángel Cortés
Percussão Agustín Diassera
Viola da gamba Rami Alqhai e Johanna Rose
 
Biodiversidade
 
12 de Fevereiro
Pelas alturas do Mú – o Alentejo Serrano

10:00 – Saída _ Igreja Matriz de Santo Ildefonso



publicado por olhar para o mundo às 12:13 | link do post | comentar

Quarta-feira, 01.02.17

terras sem sombra.jpg

 

Cante alentejano e Flamenco em Sevilha

Feita a apresentação, em Serpa, do programa do festival para 2017, será a vez de Espanha – o país convidado deste ano – receber, em Sevilha, de 2 a 4 de Fevereiro, uma “Embaixada Cultural” do Alentejo no Consulado-Geral de Portugal na capital andaluza.

Num concerto único, o Terras sem Sombra une, a tradição alentejana e alguns dos principais vultos do cante jondo. Puro flamenco, de que a sevilhana Esperanza Fernández, o granadino Miguel Ángel Cortés ou Arcángel, filho de Huelva, mas intrinsecamente ligado à capital andaluza, são expoentes máximos. Sevilhano é também Fahmi Alqhai, filho de pai sírio e mãe palestiniana, um grande senhor da música antiga que ama as virtualidades expressivas do cante jondo. Do Baixo Alentejo irão o Rancho dos Cantadores de Aldeia Nova de S. Bento, acompanhados por Pedro Mestre, e os Cantadores do Desassossego. Um acto de geminação entre o cante e o flamenco, duas manifestações artísticas distinguidas pela UNESCO, com o reconhecimento de Património Imaterial da Humanidade.
 
O Terras sem Sombra é, assumidamente, o festival do território do Baixo Alentejo, e tem vindo a afirmar-se, a nível internacional, como um rosto e uma porta aberta para o conhecimento desta região. Música, património e biodiversidade dão o mote para divulgar a cultura, a paisagem, a gastronomia, a economia e o empreendedorismo locais. Em 2017, a programação artística valoriza a espiritualidade na arte, propondo uma viagem espácio-temporal pela música dos séculos XVI a XXI, guiada por grandes intérpretes espanhóis e portugueses, mas também norte-americanos, húngaros e franceses.

Uma característica que este projecto conseguiu ao longo dos anos prende-se com a articulação das forças vivas da região para levar a cabo tanto um festival de referência internacional como esta “embaixada”, a qual reúne, a uma só voz, os municípios de Almodôvar, Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja.

Com o intuito de aprofundar os laços já criados, esta “embaixada” contempla ainda, sob a égide do Consulado-Geral de Portugal, um encontro entre autarcas e agentes culturais e económicos de ambos os lados da raia.

Programa completo da Embaixada do Alentejo a Sevilha
Local: Consulado Geral de Portugal em Sevilha
2 de Fevereiro
12:00 - Conferência de imprensa de apresentação da 13.ª edição do Festival Terras sem Sombra
3 de Fevereiro
10:00 - Reuniões entre os representantes autárquicos e o Alcalde de Sevilha.
4 de Fevereiro
20:00h - Concerto “ Imenso Sul “
Programa 2017 (descarregar)


publicado por olhar para o mundo às 23:13 | link do post | comentar

Terça-feira, 03.01.17

terrassemsombra.jpg

 

Terras sem Sombra,
o Festival do território do Baixo Alentejo

O Terras sem Sombra regressa em 2017 para promover, mais uma vez, um território que sobressai pelos valores ambientais, culturais e paisagísticos e apresenta um dos melhores índices de preservação na Europa. Este festival tem como pano de fundo o Baixo Alentejo, realizando-se, em itinerância, nos concelhos de Almodôvar, Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja, de 11 de Fevereiro a 1 de Julho.
 
Considerado um dos cinco melhores festivais do género na Europa, o Terras sem Sombra assenta em três pilares: Música, Património e Biodiversidade. A 13.ª edição pretende sobrelevar ainda mais estes três eixos, explorando e indo ao encontro de um território de gentes, cultura, inovação e empreendedorismo.

A música continua a ser a “porta” para o conhecimento desta região. “Do Espiritual na Arte: Identidades e Práticas Musicais na Europa dos Séculos XVI-XX” é o mote para esta edição que, lembrando o título de uma célebre obra W. Kandinsky, se centra no diálogo entre a Arte e o Sagrado, numa perspectiva aberta e ecuménica, em que convivem o Cristianismo, o Judaísmo e o Islão, como foi timbre, durante séculos, na Península Ibérica. Depois do Brasil, em 2016, o presente ano tem Espanha como País Convidado.
 
Os concertos programados realizam-se aos sábados, sempre em monumentos, maioritariamente igrejas que sobressaem pelo valor patrimonial e pelas condições acústicas. Mantêm-se também, nas manhãs de Domingo, as acções de voluntariado para a salvaguarda da biodiversidade dos concelhos que o Festival percorre.
Estas acções, nesta edição, vão apresentar novas rotas, pois as caminhadas realizadas passarão ou terão por destino espaços que se destacam por serem exemplos de boas práticas, ao nível do empreendedorismo ou da inovação: turismos rurais, comunidades autóctones, unidades transformadoras, etc.

Este ano, como novidade, o Terras sem Sombra abre as portas, em exclusivo, de espaços que estão normalmente fechados ao público, através de uma visita guiada, no sábado à tarde, pelas cidades e vilas que acolhem o Festival, o que representa uma magnífica oportunidade para conhecer o património mais representativo do Baixo Alentejo.

Na sua missão de incentivar e dar a conhecer os produtos regionais, todos os anos, o Terras sem Sombra destaca um produto de inquestionável referência. Em 2017, o protagonista é o azeite da Cooperativa Agrícola de Beja e Brinches. Lembrando a inquestionável importância do azeite de qualidade para a cozinha portuguesa. Aliás, ele tem presença obrigatória em qualquer despensa do nosso país – e tem vindo a ganhar terreno no resto mundo.

De entrada gratuita, o projecto Terras sem Sombra, fundado em 2003, é da responsabilidade da Associação Pedra Angular, em estreita ligação com o Departamento do Património da Diocese de Beja que resulta da parceria entre várias entidades. Une-as o amor pelo Alentejo, pela sua arte, história, monumentos e música e o desejo de fazer com que esta mensagem chegue a um público cada vez mais vasto.


publicado por olhar para o mundo às 21:13 | link do post | comentar

Quarta-feira, 15.06.16

terrassemsombra.jpg

 

 

Concerto de encerramento do Festival Terras sem Sombra em Beja

 

 

 

 

http://festivalterrassemsombra.org/



publicado por olhar para o mundo às 12:13 | link do post | comentar

Terça-feira, 14.06.16

terrassemsombra.jpg

 

 
Beja encerra a edição de 2016 do Terras sem Sombra
 
Quando os músicos de Portugal faziam carreira na Espanha dos Filipes:
La Grande Chapelle apresenta acervo musical único

O Festival Terras sem Sombra termina com “chave de ouro” uma temporada de concertos que fizeram história no Baixo Alentejo. Numa iniciativa levada a cabo em parceria com o Município de Beja, a catedral desta cidade, alvo de restauro e aberta recentemente ao público, será a anfitriã do último espectáculo, no dia 18 de Junho, pelas 21h30, com o ensemble vocal e instrumental de música antiga La Grande Chapelle, dirigido pelo maestro Albert Recasens.

Natural de Cambrils (Tarragona), Albert Recasens iniciou, em 2005, um ambicioso projecto de recuperação do património musical peninsular, com a fundação de La Grande Chapelle e da etiqueta Lauda, de cuja direcção artística se ocupa desde 2007. Consagrando especial atenção ao repertório dos séculos XVI a XVII, tem dado a conhecer obras inéditas dos grandes mestres deste período, com estreias ou primeiras gravações mundiais.

Pela excelência artística, os discos de La Grande Chapelle obtiveram galardões e prémios nacionais e internacionais de reconhecido prestigio no âmbito da música antiga, como dois Orphées d'Or (Academia do Disco Lírico de Paris, em 2007 e 2009), “4 stars” do BBC Magazine ou “Critic's Choice” de Gramophone, etc.
 
Redescobrir um período esquecido da música ibérica
A união de Portugal e Espanha na denominada “Monarquia Hispânica” ou “Monarquia Católica” (1580-1640), com a consequente perda da autonomia lusa, assim como a crise económica provocaram o êxodo de artistas e músicos portugueses para o reino vizinho.

La Grande Chapelle tem vindo a revelar três compositores portugueses que fixaram residência em Madrid ou em Sevilha, no século XVII – Manuel Machado, Fr. Manuel Correa e Fr. Filipe da Madre de Deus –, pondo em confronto a sua música com a do espanhol Juan Hidalgo, harpista, à época, da Capela Real, o qual se tornara célebre por ser o criador, com Calderón de la Barca, das duas primeiras óperas espanholas.

O programa que vai ser interpretado em Beja, em larga medida inédito, deleita-nos com uma selecção do magnífico repertório de alguns dos principais músicos ibéricos do século XVII que revelam características estilísticas comuns, entre elas o uso dos géneros em voga (tonos, vilancicos e romances), a ousadia harmónica ou a ênfase na retórica e na expressão do texto.

Trata-se, sem dúvida, de um acervo único, digno de resgate, tanto mais que à beleza da música destas singulares peças se une a beleza das letras, da autoria de alguns dos melhores poetas que escreveram em castelhano na época, fossem eles espanhóis ou portugueses. A tradução para o nosso idioma, também ela inédita, deve-se ao poeta alentejano Ruy Ventura (Portalegre, 1973).

Entre as ribeiras de Terges e Cobres: turismo da natureza e sustentabilidade
 
Paralelamente aos concertos, o Festival Terras sem Sombra promove o conhecimento da biodiversidade da região através de percursos que sensibilizam para a preservação da natureza e o reconhecimento de boas práticas ambientais. Assim, na manhã de 19 de Junho, músicos, espectadores, membros das comunidades locais, unem-se para uma iniciativa de voluntariado, que tem por mote Entre Ribeiras: Na Confluência das Ribeiras de Terges e Cobres – Turismo de Natureza e Sustentabilidade.

Esta acção decorre num itinerário entre os cursos fluviais e um barranco afluente, cuja vegetação foi salvaguarda ao longo de gerações pelos proprietários da herdade. No final, em torno de uma unidade de agro-turismo, denominada Xistos, esperam-nos um conjunto de descobertas: o potencial natural e o saber fazer. Esta acção tem a colaboração do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (Parque Natural do Vale do Guadiana) e da Câmara Municipal de Beja.

Irá realizar-se, no final da jornada, uma evocação, pelos seus amigos e colegas, de Armando Sevinate Pinto [1946-2015]. E será igualmente lembrado outro amigo do FTSS, Manuel de Castro e Brito, nascido em 1950, em Beja, e falecido em Março passado.

Concerto de Encerramento | Beja
18 de Junho [21H30]
Catedral (Igreja de Santiago Maior)
Inesperado Resgate: Compositores Portugueses na Espanha do Siglo de Oro
La Grande Chapelle
Direcção musical Albert Recasens


19 de Junho [10:00]
Entre Ribeiras: Na Confluência das Ribeiras de Terges e Cobres – Turismo de Natureza e Sustentabilidade


publicado por olhar para o mundo às 10:13 | link do post | comentar

Terça-feira, 31.05.16
terrassemsombra.jpg
 
O Festival Terras sem Sombra caminha para o término da sua 12.ª edição. Dos oito concertos e actividades de biodiversidade programadas, estão por concretizar duas etapas. Desde Fevereiro, este projecto, que associa a música sacra ao património religioso e à defesa da biodiversidade, já passou por Almodôvar, Sines, Santiago do Cacém, Odemira, Ferreira do Alentejo e Serpa, levando até estas localidades do Baixo Alentejo momentos únicos e memoráveis, apresentando intérpretes e músicos de excelência à escala mundial – e integrando, assim, a região nos circuitos nacionais e internacionais das artes.

Paralelamente, tem vindo a protagonizar um papel de relevo na defesa da biodiversidade, ao desvendar tesouros ambientais com as acções que realiza em prol da natureza.
CANTES DE ÁFRICA EM CASTRO VERDE
 
A 4 de Junho, o Festival traz à Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição, em Castro Verde, o concerto Polirritmias: Ligeti Africano. O transilvano György Ligeti é um dos compositores fundamentais da música europeia do século XX. A sua vasta obra definiu algumas das mais importantes tendências da vanguarda do nosso tempo, mas não deixou de conquistar um público alargado, com o Requiemque Stanley Kubrick utilizou no filme 2001: Odisseia no Espaço.

Reconhecendo o génio da música tradicional de África, Ligeti inspirou-se, para a concepção de algumas das suas peças, em aspectos marcantes desta ancestral herança. No concerto de Castro Verde é possível apreciar o resultado dessas influências, através de um cruzamento artístico entre o pianista Alberto Rosado e três notáveis músicos da Guiné-Conacri e Camarões.

Shyla Aboubacar, Justin Tchatchoua e Bangura Husmani executam as peças originais da tradição africana, em que são peritos, e, por sua vez, Rosado mostrará o resultado das transformações levadas a cabo pelo compositor húngaro, falecido em Viena, em 2006. Percussionistas e pianista tocarão juntos em alguns momentos, improvisando a partir de temas consuetudinários. Polo Vallejo, o etnomusicólogo e referência no campo da pedagogia e da musicologia experimental, actualmente a viver na Tanzânia, fará a apresentação, acompanhada por imagens, de modo a contextualizar o repertório em palco.
O espectáculo Polirritmias, além do interesse que suscita pelas músicas, mostra a singularidade de cada tema e dos elementos mais significativos das obras que o conformam, revelando, assim, os parentescos que existem entre ambas as linguagens – a africana e a ocidental. Ao destacar os aspectos que tanto chamaram a atenção de György Ligeti e o genial uso que ele fez dos mesmos, perscruta-se como concebeu e construiu as suas obras.

Em certos momentos, poder-se-à comprovar de que forma a improvisação, longe de parecer um exercício arbitrário, corresponde a critérios de selecção e variação de uma matéria musical que parte de princípios assaz regulados; isto permitirá que os intérpretes, por seu turno, encontrem espaços comuns onde, em atmosfera de diálogo, se torna possível experimentar e partilhar músicas diferentes, mas dispostas sobre “estruturas” similares. Todas as músicas, afinal, não são mais do que uma mesma e única música.
 
A transumância e as suas canadas reais, um património ibérico a redescobrir
 
No domingo, 5 de Junho, com partida às 10h00 da Basílica Real, poder-se-á acompanhar uma jornada de trabalho de um pastor do Campo Branco. Esta actividade do programa do Festival para a salvaguarda da biodiversidade tem por mote a transumância e visa descobrir os segredos dos antigos moirais de ovelhas das planícies imensas de Castro Verde.
Hoje são muito raros os pastores que ainda passam largas temporadas no campo; a actividade adaptou-se à evolução social, mas não deixa de integrar os ensinamentos do passado, ainda bem presentes na paisagem de Campo Branco.

Aos participantes nesta iniciativa será dada a oportunidade de acompanhar uma jornada de trabalho por um moiral (“maioral”), pastor sénior de Campo Branco. Esta atividade conta com a colaboração do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (Parque Natural do Vale do Guadiana), o apoio da Câmara Municipal de Castro Verde e a Associação de Agricultores do Campo Branco. É uma excelente ocasião para conhecer algumas das paisagens mais deslumbrantes do Sul, junto a S. Pedro de Cabeças onde, segundo a tradição, teve lugar, em 1139, a batalha de Ourique.
PROGRAMA CASTRO VERDE

4 de Junho [21H30]
Basílica Real de Nossa Senhora da Conceição

Polirritmias: Ligeti Africano
 
Piano Alberto Rosado
Balafão, camani nguni, kalimba Shyla Aboubacar
Tum laah, balafão, sanza Justin Tchatchoua
Cabaça, nkul, sheker, ngogoma Bangura Husmani
Apresentação e textos Polo Vallejo
 
 
5 de Junho [10:00]
Construtores de Paisagem: Acompanhando Uma Jornada de Trabalho de Um Pastor do Campo Branco


publicado por olhar para o mundo às 10:13 | link do post | comentar

Quinta-feira, 12.05.16

terras.jpg

 

 
ESTREIA NO ALENTEJO ÓPERA ONHEAMA SOBRE A AMAZÓNIA
 
O Festival Terras sem Sombra valoriza os recursos naturais e dá a conhecer um território que sobressai pelos valores ambientais, culturais e paisagísticos e que apresenta um dos melhores índices de preservação na Europa. Nesta comunhão de valores, introduz no seu programa para 2016, uma ópera infanto-juvenil com uma mensagem ecológica, tendo como pano de fundo a temática amazónica.Onheama, ópera em três actos de João Guilherme Ripper, sobe à cena no Cineteatro Nicolau Breyner, em Serpa, nos dias 21 e 22 de Maio, pelas 21h30 e 16h00, respectivamente, com entrada livre, sujeita à lotação da sala.

Inspirada no poema A Infância de Um Guerreiro, de Max Carphentier, Onheama significa eclipse em língua tupi. A mitologia indígena interpreta o eclipse como a acção maléfica de Xivi, a terrível onça celeste, que devora Guaraci, o Sol, e depois sai à caça das estrelas e de Jaci, a Lua. O dia em que Xivi conseguir engolir tudo o que reluz no céu e saciar a sua fome tremenda, o mundo acabará. Somente um guerreiro corajoso e de coração puro como Iporangaba poderá salvar a Amazónia e a Terra do terrível monstro. Triunfa a luz numa perspectiva infantil; triunfa, afinal, a vida.

A peça de João Guilherme Ripper, um dos mais importantes autores musicais brasileiros dos nossos dias – compositor, director de orquestra, professor e presidente da Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro –, estreou em 2014, no Festival Amazonas, de Manaus, com grande êxito, e foi reposta no ano seguinte, atingindo, de novo, enorme sucesso.

Trata-se de uma ópera dos nossos dias, com um alcance sociológico notável, ao integrar o público infantil entre os possíveis espectadores – e, evidentemente, ao promover a criação de novos públicos. A parceria, na realização do espectáculo com o Teatro Nacional de São Carlos, realça ainda mais o repto desta aventura artística. Serpa abre as portas do seu teatro (que correu, o risco de ser fechado e transformado num centro de negócios, e ao qual esta iniciativa deu um passaporte para sobreviver) a uma experiência, no mínimo, surpreendente.

Mas esta aventura estende-se também à construção de toda a ópera, cuja encenação é da responsabilidade do dramaturgo argentino que trabalha em Portugal, Claudio Hochmann. Os figurinos e a cenografia são de Miguel Costa Cabral. Os primeiros são elaborados, em Serpa, pela Oficina do Traje, uma academia sénior que já produziu os trajes para o corso histórico e etnográfico da cidade. Quanto aos cenários e adereços, serão construídos na oficina de metais da Câmara Municipal.

Em cena estarão mais de uma centena de pessoas, incluindo dispositivos do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, do Coro Juvenil do Instituto Gregoriano de Lisboa e da Orquestra Sinfónica Portuguesa, a que se juntam crianças e jovens das escolas de Serpa. A direcção corre a cargo do maestro brasileiro Marcelo de Jesus e o elenco dos solistas reúne algumas vozes de referência da cena operática do nosso país.

Do imaginário universal da Amazónia parte-se, na manhã de domingo, para uma acção de salvaguarda da biodiversidade dirigida à Serra de Serpa, ao microclima de Limas e ao acidente geológico do Pulo do Lobo, no Parque Natural do Vale do Guadiana. São duas as metas fundamentais desta iniciativa do Terras sem Sombra, em colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza, o Município de Serpa e o Laboratório Nacional de Energia e Geologia: a interpretação geomorfológica dos locais visitados e a busca de vestígios milenares da presença humana gravados na rocha e de crustáceos contemporâneos dos dinossauros.

Nas margens do vale antigo do rio, encontramos os segmentos de habitat menos tocados do Parque Natural do Vale do Guadiana: o Matagal mediterrânico. Percorrendo uma paisagem única, vão ser observados vestígios de cheias antigas e, no céu, as espécies de aves emblemáticas da área protegida: cegonha-preta, águia-real e águia-de-bonelli.
 
PROGRAMA SERPA
Onheama, de João Guilherme Ripper
Ópera para o público infanto-juvenil, baseada em A Infância de Um Guerreiro, de Max Carphentier
 
21 de Maio de 2016 [21H30]
22 de Maio de 2016 [16:00]
Cineteatro Nicolau Breyner
 
Ficha Técnica
Direção musical | Marcelo de Jesus
Encenação | Claudio Hochmann
Cenografia e Figurinos | Miguel Costa Cabral
 
Iara | Carla Caramujo
Nhandeci e Xivi | Inês Simões
Boto | Marco Alves dos Santos
Tuxaua | Nuno Pereira
Iporangaba | Carolina Andrade
 
Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Maestro Titular | Giovanni Andreoli 
Coro Juvenil do Instituto Gregoriano de Lisboa
Maestrina Titular | Filipa Palhares
Orquestra Sinfónica Portuguesa
 
 
22 de Maio [10:00]
No Coração do Parque Natural do Vale do Guadiana: A Serra de Serpa, o Microclima de Limas e o Acidente Geológico do Pulo do Lobo


publicado por olhar para o mundo às 21:13 | link do post | comentar

Quarta-feira, 04.05.16

quaternaglia.jpg

 

 
Quaternaglia Guitar Quartet em Odemira
Violões no Alentejo
 
O Terras sem Sombra dedica ao Brasil, como país convidado do Festival, em 2016, um ciclo musical impar. Entre a tradição e a modernidade, chegou a vez dos grandes virtuosos do violão.

Após o concerto, em Ferreira do Alentejo, consagrado ao Barroco e ao Romantismo, com o ensemble Le Baroque Nomade, sob a direcção de Jean-Christophe Frisch, que valorizou o diálogo ocorrido, nos séculos XVIII e XIX, entre os reportórios europeus e as tradições de outros tempos e de outros lugares, do Recife ao Rio de Janeiro, eis que se abrem as portas da matriz de Odemira a algumas das mais belas e profundas páginas da música brasileira dos nossos dias, com a presença de Quaternaglia Guitar Quartet, de São Paulo.

Estas sonoridades desembarcam no Alentejo pela mão daquele que tem sido aclamado como um dos mais importantes agrupamentos de violões (guitarras) da actualidade, sob a liderança do maestro Sidney Molina. As suas brilhantes interpretações, com destaque para as Bachianas Brasileiras, de Villa-Lobos, causam sensação; mas o repertório que irá ser interpretado na igreja de São Salvador, a 7 de Maio, oferece ainda um mosaico das obras de compositores brasileiros contemporâneos, como Leo Brouwer, Almeida Prado, Egberto Gismonti e Paulo Bellinati.
 
De Villa-Lobos ao vigor transcendente de um novo Brasil
 
A força da música de Heitor Villa-Lobos (1887-1959) tornou-a uma imagem sonora do próprio Brasil, uma espécie de vector originário que passou a ser reconhecido como marca da afectividade brasileira.
A investigação das possibilidades de expansão do repertório para quarteto de guitarras através de novas obras e arranjos constitui a proposta central do Quaternaglia Guitar Quartet desde a formação do grupo. De facto, a compreensão – tanto formal como afectiva – é uma figura que não se esgota em Villa-Lobos, está bem patente nas composições pioneiras de Almeida Prado e Ronaldo Miranda e foi amplamente desenvolvido por mestres mais próximos de nós, como Egberto Gismonti, Marco Pereira, Chrystian Dozza e Paulo Bellinati – autores que também integram o programa do Quaternaglia nesta edição do Festival.

A igreja de São Salvador, matriz de Odemira, uma referência da vida local, pontuada por singulares obras de arte e dotada de características acústicas impares, oferece um quadro já de si motivador para esta embaixada musical brasileira. O concerto integra-se no programa da visita pastoral de D. João Marcos, bispo coadjutor de Beja, ao arciprestado de Odemira, tem lugar às 21h30 e é de acesso livre, resultando da colaboração do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja com o Município e as Paróquias de Odemira.
 
O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, um hotspot de biodiversidade em Portugal
 
No dia 8 de Maio, domingo, às 10h00, músicos, espectadores e membros da comunidade local envolvem-se numa iniciativa de conservação da natureza. Ao longo de um percurso de cerca de 5 km, partindo de um porto de pesca – o Portinho do Canal –, realiza-se um transecto de reconhecimento das comunidades vegetais do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Criado em 1988, este abrange territórios nos concelhos de Aljezur, Odemira, Sines e Vila do Bispo, desde São Torpes, a sul de Sines, até ao Burgau, já na costa meridional algarvia; incidindo numa faixa marítima de 2 km de largura que acompanha a área protegida em toda a sua extensão.

O percurso, guiado por investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, foca as principais cambiantes de habitat que caracterizam o Parque Natural: arribas, dunas, charnecas litorais e charcos temporários. Nesta oportunidade de conhecer um dos principais tesouros de biodiversidade do Portugal atlântico, proceder-se-á à sinalização e ao controlo de núcleos pioneiros de espécies vegetais invasoras. A acção, aberta a todos os interessados, decorre em parceria com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e a Câmara Municipal de Odemira.

Trata-se de uma ocasião para debater o futuro de uma subregião biogeográfica que é, simultaneamente, uma reserva de biodiversidade, reconhecida ao nível internacional, mas ainda pouco conhecida entre nós. Um património natural de certo modo único e que pode vir a estar ameaçado de destruição, se não existir um planeamento cuidado e um envolvimento da sociedade civil.

Programa Odemira

7 de Maio [21H30]
Igreja Matriz de São Salvador
 
Anjos ou Demónios? Novas Tendências da Música Brasileira

Quaternaglia Guitar Quartet
Chrystian Dozza
Fabio Ramazzina
Thiago Abdalla
Sidney Molina
Direcção musical Sidney Molina
 
8 de Maio [10:00]
Um Hotspot de Biodiversidade Vegetal em Portugal: O Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.


publicado por olhar para o mundo às 10:13 | link do post | comentar

Terça-feira, 12.04.16
terrassemsombra.jpg
O Brasil em destaque no Terras sem Sombra
 
Uma brilhantíssima interpretação de Alberto Zedda na igreja matriz de Santiago do Cacém, a 2 de Abril, elevou o Alentejo à primeira linha da música sacra internacional. Este concerto memorável correspondeu, em pleno, ao que o director do Festival, Juan Ángel Vela del Campo, definiu como a essência do Terras sem Sombra: “uma experiência única dos sentidos”. O programa segue, agora, com outros músicos de excepção, na igreja matriz de Ferreira do Alentejo.
 
A 12.ª edição do Festival Terras sem Sombra recebe, como país convidado, o Brasil – uma escolha que reflecte a sua ligação histórica, construída ao longo de séculos e renovada nos últimos tempos, ao Alentejo. Desde a era de Quinhentos que o território brasileiro tem sido o destino de inúmeros alentejanos, boa parte dos quais (ou dos seus descendentes) voltaram à região onde tinham as origens.
Tudo isto viria a traduzir-se num verdadeiro movimento de “torna-viagem”: muitas das ideias, das crenças, das manifestações artísticas e culturais e, particularmente, das tradições musicais que transitaram de Portugal para o Brasil, regressaram até nós, já transformadas e já profundamente enriquecidas, não só pelos contributos das nações ameríndias e da extraordinária herança africana, mas também pela afirmação da própria identidade brasileira.
 
Jean-Christophe Frisch e Le Baroque Nomade desvendam diálogos musicais
 
Foi a consciência destas e de outras ligações, profundas, mas esquecidas, que levou o director artístico a traçar, dentro da programação do Festival em 2016, um ciclo coerente que permite ao público europeu ter uma perspectiva bastante completa da identidade musical brasileira, desde o tempo do Barroco até aos grandes criadores actuais.

A igreja matriz de Ferreira do Alentejo, localidade que o Terras sem Sombra visita este ano pela primeira vez, acolhe a 16 de Abril, às 21h30, o primeiro concerto dedicado ao Brasil, a cargo doensemble francês Le Baroque Nomade, um dos agrupamentos mais famosos, pela interpretação historicamente informada do extraordinário diálogo que ocorreu, no século XVIII, entre o repertório europeu e as tradições musicais de outros tempos e de outros lugares, como a China, a Turquia, a Etiópia – e, claro está, o Brasil.

Dirigido por Jean-Christophe Frisch e norteado pelo propósito de revelar autores e partituras votados ao esquecimento, Le Baroque Nomade apresenta um projecto cheio de significado: convida a conhecer o extenso período de intercâmbios musicais que medeia entre o século XVIII e a actualidade. A presença de intérpretes de excepção, como a soprano Cyrille Gerstenhaber, a meio-soprano Sarah Breton, o tenor Vincent Lièvre-Picard, o barítono Emmanuel Vitorsky e o organista Mathieu Dupouy, todos eles personalidades bem conhecidas do meio artístico internacional, oferece um passaporte seguro para esta singular “torna-viagem”.

Pelo Mar, pelo Sertão: Música do Brasil nas Épocas do Reino Unido e do Império é o título do concerto que coloca, lado a lado, obras de Luís Álvares Pinto, um dos primeiros compositores brasileiros, natural de Recife e formado na catedral de Lisboa; do P.e José Maurício Nunes Garcia, o grande mestre do Rio de Janeiro no tempo em que D. João VI estabeleceu a sua corte nesta cidade, alguém que ombreou com alguns dos melhores músicos da época; e de um artista europeu, o austríaco Sigismund von Neukomm que viveu na capital brasileira entre 1816 e 1821 e conheceu de perto as tradições musicais do Novo Mundo.
Preservar uma ilha de biodiversidade no meio do oceano da agro-indústria
 
Na manhã de domingo, 17 de Abril, às 10h00, músicos, espectadores e comunidade local vão associar-se para uma acção de salvaguarda da biodiversidade, sob o mote Hospedaria de Peregrinos: A Lagoa dos Patos, Ilha de Biodiversidade no Oceano Olivícola, que procura identificar práticas de gestão favoráveis à biodiversidade num contexto de agricultura intensiva dos blocos de rega beneficiados pela albufeira de Alqueva.

Embora conhecida como Lagoa dos Patos, a zona húmida alvo da iniciativa, na fronteira dos concelhos de Ferreira do Alentejo e Alvito, agrupa duas albufeiras, resultantes de açudes destinados a acumular água para abastecer os arrozais situados a sul e oeste destas. Esta actividade visa caracterizar a diversidade primaveril de aves aí existentes, relacionando-a com as características muito próprias de um local tão singular, mas ameaçado pela multiplicação das áreas consagradas à agro-indústria e aos seus potentes meios tecnológicos, por vezes problemáticos para a conservação da natureza.

A acção, aberta a todos os interessados, é coordenada pelo Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, em parceria com o Município de Ferreira do Alentejo.

De entrada livre, o Festival é organizado pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja prolonga-se até  2 de Julho e segue para Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja. Um hino ao Baixo Alentejo: à beleza dos seus espaços naturais e ao prazer da descoberta cultural.

Programa FERREIRA DO ALENTEJO

16 de Abril de 2016 [21H30]
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção
Pelo Mar, pelo Sertão: A Música do Brasil no Tempo do Reino e do Império
 
XVIII-21/Le Baroque Nomade
Soprano Cyrille Gerstenhaber
Meio-soprano Sarah Breton
Tenor Vincent Lièvre-Picard
Barítono Emmanuel Vitorsky
Órgão e piano Mathieu Dupouy
Flautas, serpentão e direcção musical Jean-Christophe Frisch
 
17 de Abril [10:00]
Hospedaria de Peregrinos: A Lagoa dos Patos, Ilha de Biodiversidade no Oceano Olivícola


publicado por olhar para o mundo às 23:13 | link do post | comentar

Domingo, 03.04.16
 
terrassemsombra.jpg
 
A interacção entre o património edificado, a música sacra e a conservação da natureza são os traços que distinguem o Terras sem Sombra que conjuga uma acção sistemática de salvaguarda da biodiversidade com os concertos programados, educando, sensibilizando e actuando em prol da natureza.

A igreja matriz de Santiago Maior, uma obra-prima do Gótico quatrocentista, estreitamente vinculada ao Caminho de Santiago, será palco da Petite Messe Solennelle, de Gioachino Rossini, dirigida por Alberto Zedda, antigo director musical do Teatro alla Scala, de Milão, e uma das grandes figuras da música internacional dos nossos dias.
Prevê-se que esta Missa seja um espectáculo tocado pela magia e ofereça o ponto de partida para o passeio de biodiversidade que se realiza no dia seguinte ao concerto, no domingo pela manhã: De Santiago do Cacém a Santiago de Compostela - Conhecer, Salvaguardar e Valorizar o Caminho Português no Sudoeste.

Esta iniciativa percorre um troço histórico do Caminho de Santiago, nos arredores de Santiago do Cacém, ligando esta cidade ao antigo convento de Nossa Senhora do Loreto, outrora um importante apoio aos peregrinos vindos do Cabo de São Vicente.
O caminho é o grande protagonista da iniciativa – pelo que significa em si mesmo, pois caminhar na natureza é também uma forma essencial de alertar para o reconhecimento e a salvaguarda da biodiversidade, e pela ligação à antiga via de peregrinação a Compostela, o “Caminho de Santiago”, primeiro Itinerário Cultural da Europa.
A partir destas duas premissas, a acção propõe uma leitura atenta da paisagem e dos seus valores culturais e naturais, com realce para o montado, habitat através do qual discorre, e, muito especialmente, do sobreiro, referência primordial deste ecossistema, que hoje enfrenta um severo problema de declínio.
O montado, o sobreiro, a cortiça e tudo o que gira ao redor destes elementos constituem eixos privilegiados das acções do Terras sem Sombra. É de salientar que estamos numa zona que constitui uma retaguarda fundamental da plataforma industrial e portuária de Sines e de uma triangulação de três cidades: Santiago do Cacém – Vila Nova de Santo André – Sines.
O convento do Loreto, há longos anos em ruína, é circundado por uma extensa mata de sobro plantada pelos frades franciscanos no século XVI, uma operação florestal documentada. Urge recuperar os vestígios desta casa religiosa e do património a ela associado, tornando o local um ponto privilegiado de contacto com a natureza.

Recentemente o Ministro da Cultura manifestou o seu compromisso “entusiasta” para tudo o que significa o Caminho de Santiago e estão a ser feitos esforços de valorização do Caminho Português de Santiago, que pretende ver classificado pela UNESCO até 2021. O FTSS chama assim a atenção para o Caminho Português de Santiago no Sudoeste, alertando para o facto de que este não pode continuar a privilegiar-se, em exclusivo, os seus segmentos no Norte do País, sob pena de se amputar uma parte considerável da história das peregrinações na Península Ibérica. O Caminho de Santiago é um fenómeno redivivo no Alentejo e no Algarve e são cada vez mais os peregrinos que redescobrem a beleza e o alcance patrimonial e religioso das vias que se dirigem para Compostela.
 
De entrada livre, o Festival é organizado pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja e prolonga-se até  2 de Julho. De Santiago do Cacém segue para Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja, sob o título Torna-Viagem: o Brasil, a África e a Europa (Da Idade Média ao Século XX). Um hino ao Baixo Alentejo: à beleza dos seus espaços naturais e ao prazer da descoberta cultural.
 

Programa Santiago do Cacém

2 de Abril de 2016 [21H30]
Santiago do Cacém Igreja Matriz de Santiago Maior
Petite Messe Solennelle, de Gioachino Rossini

Soprano Isabella Gaudí
Meio-soprano Cecilia Molinari
Tenor Sunnyboy Dladla
Barítono Pablo Ruiz
Coro de Cámara de El Molino
Direcção coral Eugenia Durán
Piano-harmónio Ruben Sánchez-Vieco, Josu Okiñena
Direcção musical Alberto Zedda
 
3 de Abril [10:00]
De Santiago do Cacém a Santiago de Compostela: Conhecer, Salvaguardar e Valorizar o Caminho Português no Sudoeste


publicado por olhar para o mundo às 23:13 | link do post | comentar

Segunda-feira, 28.03.16

albertozedda.jpg

 

ALBERTO ZEDDA
O Maestro mais antigo do mundo actua em Portugal aos 88 anos
 
O Terras sem Sombra tem na sua génese a descentralização cultural, a formação de novos públicos e a irradiação do Alentejo, assim, e depois de dois fins-de-semana de programação do Festival em Almodôvar e Sines, no dia 2 de Abril, cabe a Santiago do Cacém acolher, na sua igreja matriz gótica –,Petite Messe Solennelle, de Gioachino Rossini, dirigida por Alberto Zedda, antigo director musical do Teatro alla Scala, de Milão, uma das grandes figuras da música internacional dos nossos dias.

Alberto Zedda é um fenómeno da natureza e um exemplo de dedicação à ópera: aos 88 anos, continua em pleníssima actividade. Considerado o grande maestro de tudo o que diz respeito à produção rossiniana, vê-se aclamado em todos os palcos que pisa. Apresenta-se agora no Alentejo, na companhia de quatro notáveis solistas formados na Accademia Rossiniana de Pesaro, a cidade natal de Rossini, e do Coro de Cámara de El Molino

Alberto Zedda desenvolveu uma intensa actividade operística nas principais salas do mundo. Gravou um vasto conjunto de discos de música sinfónica, de câmara e ópera.
Dedica parte do seu tempo à actividade musicológica, realizando edições críticas de óperas, oratórias e cantatas, com particular incidência em Gioacchino Rossini.

Da sua obra escrita, salienta-se o livro Divagazioni Rossiniane (2012). Membro do Comité Editorial da Fondazione Rossini desde os primórdios, foi director do repertório italiano na New York City Opera; director musical do Festival della Valle D’Itria, de Martina Franca; asessor artístico do Rossini Opera Festival, de Pesaro, e do Festival Mozart, da Corunha; director artístico do Festival Barocco, de Fano, do Teatro Carlo Felice, de Génova, e do Teatro alla Scala, de Milão.

Actualmente, é o director artístico do Rossini Opera Festival, de Pesaro; dirige também a Academia Rossiniana, com sede nesta cidade.
Petite Messe Solennelle em Santiago do Cacém
 
A Petite Messe Solennelle nasceu em 1863, poucos anos antes da morte de Rossini que chegado ao final de uma existência no decurso da qual tinha podido observar como as maiores satisfações andavam a par com a desilusão da interpretação errada e o drama da renúncia ao teatro, Rossini regressou então à temática religiosa.

Esta surpreendente obra, concebida para dois pianos, um harmónio, um coro de doze cantores e quatro solistas, vai ser interpretada em Santiago do Cacém pela soprano Isabella Gaudi, pela meio-soprano Cecilia Molinari, pelo tenor Sunnyboy Dladl e pelo barítono Pablo Ruiz, além do Coro de Cámara de El Molino e de Ruben Sánchez-Vieco e Josu Okiñena ao piano e ao harmónio.

A igreja matriz de Santiago Maior, uma obra-prima do Gótico quatrocentista, estreitamente vinculada ao Caminho de Santiago, será palco desta Missa que se prevê um espectáculo tocado pela magia e será o ponto de partida para o passeio de biodiversidade que se realiza no dia seguinte ao concerto.
 
Conhecer, Salvaguardar e Valorizar o Caminho Português no Sudoeste
 
Um dos traços que distingue o Terras sem Sombra é a divulgação do património edificado, da música sacra e da natureza, logo, no domingo pela manhã, artistas, espectadores e membros da comunidade local, estarão ao serviço da defesa da biodiversidade, na acção De Santiago do Cacém a Santiago de Compostela - Conhecer, Salvaguardar e Valorizar o Caminho Português no Sudoeste.
Serão percorridos cerca de 5 km até às ruínas do convento franciscano de Nossa Senhora do Loreto, seguindo uma etapa da Rota Vicentina que acompanha o Caminho histórico de Santiago.

De entrada livre, o Festival é organizado pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja e prolonga-se até  2 de Julho. De Santiago do Cacém segue para Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja, sob o título Torna-Viagem: o Brasil, a África e a Europa (Da Idade Média ao Século XX). Um hino ao Baixo Alentejo: à beleza dos seus espaços naturais e ao prazer da descoberta cultural.
 

Programa Santiago do Cacém

2 de Abril de 2016 [21H30]
Santiago do Cacém Igreja Matriz de Santiago Maior
Petite Messe Solennelle, de Gioachino Rossini

Soprano Isabella Gaudí
Meio-soprano Cecilia Molinari
Tenor Sunnyboy Dladla
Barítono Pablo Ruiz
Coro de Cámara de El Molino
Direcção coral Eugenia Durán
Piano-harmónio Ruben Sánchez-Vieco, Josu Okiñena
Direcção musical Alberto Zedda
 
3 de Abril [10:00]
De Santiago do Cacém a Santiago de Compostela: Conhecer, Salvaguardar e Valorizar o Caminho Português no Sudoeste


publicado por olhar para o mundo às 01:13 | link do post | comentar

Sábado, 05.03.16
terrassemsombra.jpg
 
Depois de Almodôvar o festival ruma a Sines
 
A 12.ª edição do Festival Terras sem Sombra (FTSS), começou no dia 27 de Fevereiro com a Orquestra Barroca Divino Sospiro a actuar na igreja matriz de Almodôvar que apesar do frio intenso, foi pequena para a multidão que afluiu ao concerto de estreia. Os músicos e espectadores, no Domingo, com a presença de representantes do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, do Município e da Confraria do Sobreiro e da Cortiça aprenderam a podar sobreiros e azinheiras, de modo a valorizar o montado, o mote para esta acção de biodiversidade.
Sempre/Ainda 
ÓPERA "sem vozes" de reflexão sobre a Síria
 
E assim, partimos para Sines, para o segundo fim-de-semana do Festival, que se realiza nos dias 11, 12 e 13 de Março. Três criadores que ostentam os prémios nacionais espanhóis de Design,Composição e Interpretação Musical coincidem no que será, talvez, o espectáculo mais insólito do Terras sem Sombra deste ano: uma “ópera sem vozes”, Sempre/Ainda, a partir de textos procedentes de Damasco Suite, de Alberto Corazón, com música composta por Alfredo Aracil e interpretação ao piano por Juan Carlos Garvayo. Na realização multimédia, inspirada por pinturas de Alberto Corazón, colabora também Simón Escudero.

A “ópera sem vozes” Sempre/Ainda é um espectáculo singular em que a música para piano solo e as imagens projectadas num ecrã nos vão revelando, pouco a pouco, um texto; a sua matéria-prima resulta de umas anotações, tiradas dos seus cadernos de viagem, pelo autor do texto, durante uma transcendental estadia em Damasco antes da tragédia que a assola.

Com uma duração aproximada de pouco mais de uma hora, esta criação estreou-se, em Outubro de 2015, no Museo Universidad de Navarra, em Pamplona, desenhado por Rafael Moneo. Vai ser possível vê-la e ouvi-la, no Centro das Artes de Sines, ainda antes da sua apresentação em Madrid ou Sevilha, o que constitui também uma forma de realçar a contemporaneidade deste projecto cultural.

Preparando a apresentação da ópera, realiza-se a 11 de Março, sexta-feira, às 21h30, na cafetaria do Centro das Artes, uma mesa-redonda com Alberto Corazón, Alfredo Aracil, Juan Carlos Garvayo, Juan Ángel Vela del Campo – director artístico do FTSS –, Ruy Ventura – tradutor do libreto para português – e José António Falcão – director-geral do FTSS. A moderação corre a cargo de José Carlos Seabra Pereira, professor da Universidade de Coimbra.
 
Recolha de lixo marítimo em Sines
 
Após cada concerto - artistas, espectadores e membros das comunidades locais - no domingo, pela manhã, estarão presentes em acções ao serviço da defesa da biodiversidade e no dia 13 de Março, pelas 10h00, realiza-se a acção Mãos à Obra em Sines: O Projecto Coastwatch e a Monitorização Voluntária da Beira-mar com a colaboração do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e do GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente e com o apoio da Câmara Municipal de Sines.
 
Coastwatch é um inovador projecto, de âmbito europeu, que permite obter uma caracterização geral da faixa costeira, envolvendo inúmeros voluntários, a título individual ou em grupo. O seu grande objectivo prende-se com a caracterização, ao longo do litoral, de fenómenos-chave, relacionados com os seguintes aspectos: salvaguarda da biodiversidade; zonamento costeiro (zona entre marés, zona supratidal e zona interior contígua); erosão costeira; resíduos; contaminação; pressões antrópicas.
O Festival Terras sem Sombra associa-se à iniciativa com a realização de várias unidades de monitorização na orla costeira de Sines. Paralelamente, será recolhido o lixo marinho encontrado ao longo dos percursos litorais.
 
De entrada livre, o Festival é organizado pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja prolonga-se até  2 de Julho, e segue para Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja sob o título Torna-Viagem: o Brasil, a África e a Europa (Da Idade Média ao Século XX). Um hino ao Baixo Alentejo: à beleza dos seus espaços naturais e ao prazer da descoberta cultural ao alcance de quem o deseje.

Programa Sines
11 de Março [21H30]
Centro das Artes
Mesa-Redonda Memória e Criação
 
12 de Março [21H30]
Centro das Artes
Sempre/Ainda: Ópera sem Vozes, de Alfredo Aracil
Textos e imagens Alberto Corazón
Música Alfredo Aracil
Realização multimédia Simón Escudero
Piano Juan Carlos Garvayo
 
13 de Março [10:00]
Mãos à Obra pelo Litoral de Sines: O Projecto Coastwatch e a Monitorização Voluntária da Beira-mar.


publicado por olhar para o mundo às 21:13 | link do post | comentar

Quarta-feira, 24.02.16
divinosuspiro.jpg

 

 
Obras de Avison, Avondano e García Fajer em estreia no Alentejo

Divino Sospiro abre Festival Terras sem Sombra
 
O Festival Terras sem Sombra de Música Sacra do Baixo Alentejo inicia a sua 12.ª edição no próximo sábado, dia 27, às 21h30, na igreja de Santo Ildefonso, matriz da vila de Almodôvar.Como as Árvores na Primavera: Avison, Avondano, García Fajer é o título deste concerto de abertura, que reúne a lusitana orquestra barroca Divino Sospiro, sob a batuta de Massimo Mazzeo.

Desde a sua fundação em 2004, este ensemble tem-se apresentado em importantes palcos nacionais e internacionais. O trabalho de investigação e recuperação do património musical português ou ligado a Portugal, nomeadamente, o do século XVIII, tem sido uma das primordiais prioridades das actividades dos Divino Sospiro. 

Lembrando a tradição italianizante de Charles Avison, mestre britânico pouco ouvido entre nós, Divino Sospiro no Festival Terras Sem Sombra, não só vai recriar uma música portuguesa tão formosa como a do lisboeta Pedro António Avondano, como interpreta uma obra-chave da música espanhola, Las Siete Palabras de Cristo en la Cruz, do riojano Francisco García Fajer.

Um dos traços essenciais do Festival assenta na trilogia Património-Música-Natureza. Após cada concerto – todos os espectáculos ocorrem nos serões de sábado – artistas, espectadores e membros das comunidades locais, no domingo, pela manhã, estão em acções ao serviço da defesa da biodiversidade, tendo por palco diferentes espaços naturais dos concelhos visitados. Isto representa uma excelente oportunidade para conhecer o património natural e cultural desta região, que apresenta alguns dos mais altos índices de preservação da Europa do Sul.

Assim, no dia 28 de Fevereiro, pelas 10h00, realiza-se a acção No Fio da Navalha: Conciliar o Montado com a Agricultura e a Pastorícia, com o objectivo de contribuir para a valorização do montado português. Uma sessão prática de demonstração do método que se deve aplicar na poda de quercíneas. A actividade visa a intervenção num projecto de arborização jovem, permitindo compreender a essência da engenharia florestal, avaliar densidades de povoamento, medir árvores e executar podas de formação.

De entrada livre, o Festival é organizado pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja prolonga-se até  2 de Julho, e segue para Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja sob o título Torna-Viagem: o Brasil, a África e a Europa (Da Idade Média ao Século XX). Um hino ao Baixo Alentejo: à beleza dos seus espaços naturais e ao prazer da descoberta cultural ao alcance de quem o deseje.


publicado por olhar para o mundo às 12:13 | link do post | comentar

Segunda-feira, 15.02.16

terrassemsombra.jpg

 

 

O Festival Terras Sem Sombra foi apresentado, ontem, dia 11 de Fevereiro, em conferência, à imprensa espanhola. O espaço La Quinta de Mahler, local de referência dedicado à Música Clássica foi pequeno para acolher os 29 Jornalistas de meios como o El País, Europa Press, Radio 3 e Hola Viagens, entre outras personalidades relevantes da música das quais destacamos Santiago Salaverri e Juan Lucas.

O Embaixador de Portugal em Madrid, Francisco Ribeiro de Menezes, deu as boas vindas aos presentes e chamou a atenção para o carácter abragente e cosmopolita mas ao mesmo tempo carregado de identidade e de diferença do FTS, que considerou uma realidade firmada no panorama cultural ibérico.

O Presidente da Agência Regional de Promoção Turística do Alentejo, Vitor Fernades da Silva enfatizou a importância desta região como um destino qualificado, cuja oferta assenta em larga medida num touring cultural e ambiental que valoriza a diversidade e a sustentabilidade.

Já o Director geral do Festival, José António Falcão, aproveitou para sublinhar que o Terras Sem Sombra confere protagonismo ao território como um todo, a partir dos seus pilares Património, Música Sacra e Biodiversidade valorizando as suas especificidades. Acrescentou ainda que o Brasil é o país convidado desta edição sendo que, a responsável pelos assuntos culturais da Embaixada do Brasil em Madrid, Rita Bered de Curtis esteve, também, presente na conferência.

Por sua vez, o director artístico, Juan Angel Vela del Campo realçou os intercâmbios hispano-portugueses do programa e a vontade de ir mais longe no futuro e passou a palavra a dois músicos convidados: Albert Recasens, director de La Grande Chapelle e ao compositor Alfredo Aracil, que descreveram o processo criativo dos projetos a  apresentar em Beja e Sines respectivamente.

As autarquias envolvidas são parceiros determinantes do FTSS, provindo deles uma participação activa e muito dedicada. Assim, na mesma conferência, estiveram também presentes o Presidente CM de Castro Verde, Francisco Duarte, o Presidente CM Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha, o Presidente CM Sines, Nuno Mascarenhas, o Presidente CM Serpa, Tomé Pires, o adjunto do Presidente da CM de Beja, Manuel Dias, o vice presidente da CM Almodôvar,  Luís Gaiolas e o vereador Ricardo Colaço.
O Festival Terras Sem Sombra é também uma plataforma para a promoção do que o Alentejo tem de único, a começar pelos seus produtos regionais. Desta forma, a conferência de imprensa terminou, com a oferta de um talego aos jornalistas e foi servido o vinho Antão Vaz, monocasta da vidigueira, elogiado pelos presentes.

A 12.ª edição do Festival tem como título Torna-Viagem: o Brasil, a África e a Europa (Da Idade Média ao Século XX), realiza-se em Almodôvar, Sines, Santiago do Cacém, Ferreira do Alentejo, Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja, com início a 27 de Fevereiro, prolongando-se até  2 de Julho.

 



publicado por olhar para o mundo às 12:13 | link do post | comentar

Domingo, 17.01.16

terras sem sombra.jpg

 

 

12ª Edição do Festival Terras Sem Sombra apresentada em Madrid

O Festival Terras sem Sombra (FTSS) – Festival de música sacra do Baixo Alentejo, cuja 12.ª edição tem como título Torna-Viagem: o Brasil, a África e a Europa (Da Idade Média ao Século XX), realiza-se em Almodôvar, Sines, Santiago do Cacém, Ourique, Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja, com início a 27 de Fevereiro, prolongando-se até  2 de Julho.

A programação do FTSS foi apresentada em Novembro no CCB, no âmbito da Mostra Espanha 2015, a convite do Governo espanhol, que tem vindo a mostrar um grande interesse e a colaborar activamente com o festival, estando, inclusivamente envolvido na apresentação do mesmo em Madrid.

Assim e em colaboração com a Agência de Promoção Turística do Alentejo, terá lugar no dia 11 de Fevereiro, pelas 12h00, uma conferência de imprensa, na Embaixada de Portugal em Madrid, com o propósito de promover o Festival e o Alentejo, levando à capital espanhola uma mostra do que existe na região.

Esta iniciativa, conta com o patrocínio do embaixador de Portugal em Espanha, Francisco Ribeiro de Meneses e será seguida de uma degustação de produtos regionais alentejanos. Estarão presentes os presidentes das câmaras municipais de todos os concelhos envolvidos no Festival e a equipa do FTSS.

Mas a promoção ao evento não irá ficar por aqui, no dia 13 de Fevereiro, e pela primeira vez, o Cante Alentejano poderá ser ouvido em Madrid. Num concerto que se realiza no Teatro do Círculo de Bellas Artes – um dos mais prestigiosos espaços culturais da capital espanhola – com os Cantadores de Vila Nova de São Bento (Serpa) e os Ganhões de Castro Verde. Estará igualmente presente um instrumento muito associado ao Cante, a viola campaniça, interpretada pelos Moços D`uma Cana.
 
 
Música e Biodiversidade

O evento realiza-se desde 2003 e resulta de uma parceria de sucesso do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja com um leque alargado de entidades públicas e privadas, além de voluntários que lhe dão corpo organizativo e participativo. Um casamento feliz entre o Património, a Música e a Biodiversidade, um cartaz de concertos de nível internacional e um conjunto de actividades que reforçam a consciência ambiental.

O Festival promove o diálogo entre as grandes páginas do passado e a criação contemporânea, apresenta  jovens compositores e intérpretes e encomenda novas obras a compositores. A componente musical é reforçada pela força do património construído – os concertos têm lugar em igrejas e no Teatro de Serpa – e pela vitalidade de um conjunto de iniciativas de assumida reivindicação ecológica, proporcionando uma grande variedade de temas, expondo as problemáticas da ecologia, da biologia, da paisagem e da biodiversidade alentejana,  envolvendo espectadores, artistas, membros das comunidades locais e público em geral que acompanha fielmente o Festival.

Apesar de ser identificado como um festival de música erudita, o programa do FTSS tem um âmbito bastante mais alargado, dialogando com outras tradições musicais, apostando no desenvolvimento cultural, na defesa da biodiversidade e no conhecimento da paisagem, dando a conhecer as grandes páginas da música sacra, o património construído, o património natural e o infinito horizonte dos campos alentejanos. Como pano de fundo, a excelência da gastronomia e dos produtos regionais de um território a explorar.

De Fevereiro a Junho de 2016, o Alentejo será uma verdadeira Terra da Música.
 
 


publicado por olhar para o mundo às 12:13 | link do post | comentar

Terça-feira, 25.03.14

Terras sem sombra 

 

 

“UM REQUIEM ALEMÃO”, DE BRAHMS, MARCA O INÍCIO DO NOVO FESTIVAL TERRAS SEM SOMBRA

 

n A abertura da décima temporada do Festival Terras Sem Sombra – festival de música sacra do Baixo Alentejo – será assinalada com Ein Deutsches Requiem (“Um Requiem Alemão”) de Johannes Brahms [1833-1897], com interpretação a cargo da soprano Raquel Alão e do barítono Luís Rodrigues, acompanhados pelo Coro do Teatro Nacional de São Carlos e pelos pianistas João Paulo Santos e Kodo Yamagoshi, sob batuta do maestro Giovanni Andreoli. O concerto, de entrada livre, tomará lugar na igreja de Santo Ildefonso, matriz de Almodôvar, no dia 29 de Março, pelas 21h30.

 

A sensibilidade romântica conduziu a uma redescoberta dos valores espirituais que desenvolveria, por seu turno, um novo entendimento do humanismo como “pedra de toque” para a compreensão das relações entre o indivíduo, a sociedade, a natureza e o próprio Deus. Uma aposta em valores como a autenticidade, a intimidade, a fraternidade, sinais de outra empatia artística com as vivências de uma época – o século XIX – marcada pelo progresso, mas também por profundos sentimentos de perda da liberdade, de afastamento das raízes, de injustiças sociais… Tudo isto está presente em Ein Deutsches Requiem, uma das mais famosas obras de Johannes Brahms (1833-1897), que anuncia, em tom comovente, inspirado por um sentido dramático da beleza, mas cheio de expectativa, os “tempos modernos” do século XX.

 

Foi este singularíssimo momento da música europeia o escolhido por Paolo Pinamonti, director artístico do Terras sem Sombra, para o concerto de abertura da 10.ª edição do Festival – o festival de música sacra do Baixo Alentejo –, iniciativa do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja que, realizada em parceria com as câmaras municipais e as “forças vivas” da região, vem dando assinalável impulso à sua vida artística e cultural, permitindo, ao mesmo tempo, o conhecimento de alguns dos principais monumentos, paisagens e santuários da vida selvagem do Sul do país.

 

O espectáculo terá como cenário privilegiado a igreja de Santo Ildefonso, matriz de Almodôvar, no dia 29 de Março, pelas 21h30. Serão intérpretes dois grandes cantores portugueses, a soprano coloratura Raquel Alão e o barítono Luís Rodrigues, acompanhados pelo Coro do Teatro Nacional de São Carlos (que comemora 70 anos em 2014) e pelos pianistas João Paulo Santos e Kodo Yamagoshi, sob a direcção do maestro Giovanni Andreoli. A entrada, como sucede em todos os concertos do Festival Terras sem Sombra, é livre. A igreja matriz abrirá as portas pelas 21h00; recomenda-se essa hora para a entrada, pois não há lugares reservados e este festival caracteriza-se por encher completamente os seus espaços.

 

Um Requiem pelos vivos

 

Composto entre 1865 e 1868 e estreado, a 18 de Fevereiro de 1869, em Leipzig, Um Requiem Alemão foi a primeira composição por Johannes Brahms para grande orquestra, coro e solistas. Apesar do nome, não se destina à liturgia, visando a criação de uma obra majestosa, que servisse de meditação sobre a morte, baseada em fragmentos da Bíblia, na versão de Lutero. Ao escrevê-la numa síntese que une o legado cristão à espiritualidade contemporânea e “laica”, Brahms terá querido homenagear a memória de outro músico genial com quem manteve intensos laços de amizade, Robert Schumann, que perdeu a razão em 1854 e veio a falecer, em 1856, num asilo psiquiátrico.

 

Esta peça, segundo explica Bernardo Mariano, “assume a subjectividade da proposta e dissipa qualquer pretensão normativa; remete, obviamente, para a língua em que é cantado, mas igualmente para a especificidade alemã e luterana”. A palavra Requiem, que significa “repouso”, “descanso”, mostra que o compositor pretendeu aplicá-la mais aos que ficam do que aos que partiram. No fundo, trata-se de “Um Requiem pelos Vivos”. Algo que constitui um mote apropriado aos desafios que a sociedade de hoje enfrenta, dividida entre o desespero e a esperança, mas que encontra no regresso às origens um poderoso estímulo vital.

 

A sua escolha revela o intuito traçado por Paolo Pinamonti para o lançamento de uma temporada preparada com todo o cuidado. “Este é um ano de comemorações e, como tal, o concerto inaugural representa, antes de mais, uma celebração da vida”, explica Sara Fonseca, coordenadora do Terras sem Sombra. Em 2014 celebra-se o 200.º aniversário da morte de D. Fr. Manuel do Cenáculo, o primeiro bispo de Beja, figura de referência do Iluminismo, que imprimiu notável avanço à cultura portuguesa do seu tempo. Uma estreita associação entre a salvaguarda da herança religiosa, a valorização dos produtos locais e a conservação da natureza tem sido o fio condutor do trabalho do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, que comemora, em 2014, trinta anos de trabalho, sob a direcção de José António Falcão.

 

A ribeira do Vascão, alvo do voluntariado de artistas, público e comunidade local

 

Do ADN do Festival faz parte, desde 2011, a realização de acções práticas, no terreno, em favor da salvaguarda da biodiversidade, envolvendo, como voluntários, músicos, espectadores e membros de cada comunidade visitada pelo Terras sem Sombra. Isto tem produzido resultados muito interessantes para a causa da protecção da natureza, o que faz todo o sentido numa região com altos índices de preservação ambiental, reconhecidos a nível internacional. Não se trata de meros passeios por belas paisagens: os intervenientes arregaçam as mangas e colaboram com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, autarquias e instituições locais em tarefas concretas.

 

A 30 de Março, artistas e outros voluntários vão ter a oportunidade de conhecer de perto o mundo extraordinário dos invertebrados e de compreender a sua importância nos ecossistemas, através de uma jornada ao longo Ribeira do Vascão, afluente do rio Guadiana que constitui verdadeiro laboratório vivo da biodiversidade. Celebrando ainda a recente classificação deste curso de água como Zona Húmida de Importância Internacional (Convenção de Ramsar), realizar-se-á um percurso para observação de libélulas e libelinhas, grupo que contribuiu para a integração da ribeira na Rede Natura 2000. O percurso será guiado por especialistas e reflecte o trabalho em curso no local, apoiado com êxito pelo Festival.



publicado por olhar para o mundo às 12:03 | link do post | comentar

Terça-feira, 16.07.13

A estreia nacional do ensemble Camerata Boccherini trouxe este fim-de-semana a Sines obras do famoso compositor Luigi Boccherini raramente ouvidas em Portugal. A soprano María José Moreno encantou, com uma das melhores actuações da temporada musical do país, o público que encheu a igreja matriz do Santíssimo Salvador.

 

ensemble Camerata Boccherini estreou-se em Portugal este fim-de-semana, no concerto de encerramento do Festival Terras Sem Sombra 2013. O agrupamento italiano, cuja génese constituiu uma homenagem ao compositor Luigi Boccherini [1743-1805], abriu o concerto com a obra com dois famosos quintetos para cordas deste mestre do Classicismo, emoldurando de seguida a voz única da soprano espanhola María José Moreno que interpretou, de modo sublime, uma obra-prima de Boccherini, o Stabat Mater para quinteto de cordas e soprano, maravilhando as centenas de pessoas que assistiram ao espectáculo.

 

Paolo Pinamonti, director artístico do Festival, lembrou a importância deste concerto de encerramento, quando se prepara a celebração da primeira década do Terras sem Sombra: “o nível de exigência a que chegou o Festival, com os seus quase dez anos de existência, permitiu trazer aos palcos do Alentejo repertórios e artistas de grande importância internacional, com a apresentação de importantes obras da história da música, algumas das quais nunca antes ouvidas em solo português. Boccherini é um exemplo do enorme virtuosismo da época clássica e o modo exímio como a Camerata o revela, com instrumentos de época, permite uma verdadeira viagem até ao âmago da grande tradição do século XVIII”.

 

No dia seguinte, o porto de Sines abriu portas aos músicos e à comunidade local para a última actividade inscrita no programa de conservação da natureza promovido pelo Festival. “Biodiversidade marinha num porto industrial” foi o mote para uma manhã em que, com a colaboração da Administração do Porto, do Laboratório de Ciências do Mar e do Centro de Oceanografia da Universidade de Évora e do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas, os participantes subiram a bordo de uma moderna embarcação da autoridade portuária, o “Porto Covo”, para observarem a compatibilização das indústrias no porto com a conservação dos recursos naturais sineenses.

 

Posteriormente, já em terra, continuando um trabalho de monitorização da biodiversidade litoral, procedeu-se à colheita e análise de amostras de plâncton marinho, um sistema natural de alerta permanente e um garante da sustentabilidade ambiental. Como referiu o presidente da Administração do Porto de Sines, João Franco, “é um enorme prazer colaborar em iniciativas deste foro, em especial pelo modo como o Festival contribui, de modo simples, mas eficaz, para a preservação de um património natural único. A responsabilidade social do Porto de Sines tem em si os princípios da salvaguarda da biodiversidade, valores partilhados com o Terras Sem Sombra e, por isso, aplaudimos e acolhemos esta iniciativa, que conta já com um impacto significativo para a região”.

 

Muitas dezenas de pessoas, incluindo músicos, espectadores e membros da comunidade local, quiseram associar-se, como voluntários, à iniciativa. Em jeito de síntese, José António Falcão, o director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, a entidade promotora do Festival, concluiu assim a etapa de 2013: “chegámos a um patamar de afirmação de uma ideia que começou por ser para a comunidade e que agora, dez anos depois, se tornou da comunidade. O progresso é evidente, pois cada vez mais contamos com o apoio das gentes das terras e, em particular, das forças vivas da região, sem as quais, não se teria conseguido atingir este ponto. Chegados ao término da sua 9.ª edição, observamos que o Terras sem Sombra está já inscrito em lugar de destaque no calendário da música europeia e o seu contributo para a internacionalização do Alentejo tornou-se significativo a vários níveis”.

 

Quanto à próxima edição, o futuro está ainda em aberto. Para já, José António Falcão tem uma certeza: “o maestro Paolo Pinamonti aceitou o desafio para 2014 e fica connosco”. Se associarmos isto ao facto de que, além das cidades e vilas que são já localidades-âncora do Festival, há várias terras interessadas em aderir, tudo indica que o próximo ano representará outro ponto alto para o projecto Terras sem Sombra. Uma boa notícia em tempos de grave crise para a cultura portuguesa.

 

Um acontecimento dinamizador:


O Festival Terras sem Sombra atrai, todos os anos, milhares de visitantes à nossa região. É também um acontecimento de significativa projecção mediática, em que participam personalidades e instituições de relevo.

 

Marcaram presença, no concerto de encerramento, entre outros protagonistas, a Assessora para os assuntos diplomáticos e a consultora para os assuntos culturais da Presidência da República, Embaixadora Luísa Bastos de Almeida e Dr.ª Ana Bustorff Martinho, o Ministro Conselheiro da Embaixada de Espanha em Lisboa, Embaixador Antonio Pedauyé González, a Directora do Istituto Italiano di Cultura em Lisboa, Dr.ª Lidia Ramogida, o antigo Ministro da Cultura, Dr. Pedro Roseta, o Presidente da Câmara Municipal, Dr. Manuel Coelho Carvalho, e o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Sines, Luís Venturinha.



publicado por olhar para o mundo às 19:38 | link do post | comentar

Sábado, 01.06.13

Terras sem Sombra vai à Vidigueira ouvir Haydn


Terras sem Sombra vai à Vidigueira ouvir Haydn

Vila de Frades, uma histórica vila, passe a redundância do concelho de Vidigueira, acolherá pelas 21:30 do dia 01 de Junho na igreja matriz de S. Cucufate, o próximo concerto da 9.ª edição do Festival Terras Sem Sombra.

A soprano Carmen Romeu, o barítono Luís Rodrigues e o tenor Mário João Alves, figuras relevantes do panorama musical ibérico, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de S. Carlos interpretarão, com direcção musical de Donato Renzetti, a oratória “Die Jahreszeiten” (As Estações), de Franz Joseph Haydn. 

Esta composição grandiosa , que não podemos deixar de comparar com “As Quatro Estações” de Vivaldi, uma obra exemplar do período barroco, tem a majestade inerente às composições alemãs, carregadas do espírito sério e pesado que se vivia na corte austríaca e que não atingia as cortes italianas.


Mas Hydn embora vivendo e trabalhando na corte austríaca do conde Eszterházy, subordinado às regras de composição que lhe eram impostas deixava transparecer na sua música a alegria e o optimismo que eram inerentes á sua forma de estar e viver.

Daí que a escolha desta peça de Haydn, num Festival onde a natureza e a música se encontram, a mesma sente-se e ouve-se nesta belíssima oratória, desde o canto dos pássaros e o coaxar das rãs, até ao lavrador que semeia, do toque do sino e do zumbido dos insectos, até ao pastor que toca uma melodia numa cana ou à canção da roda de fiar, será talvez segundo Pinamonti, director artístico do Festival, o equilíbrio perfeito, entre o homem e o Mundo, numa sintonia idílica”.

 

Talvez por isso, Pinamonti tenha organizado um espectáculo grandioso, com a orquestra e o coro do Teatro Nacional de São Carlos, solistas de reconhecida qualidade e a presença de um dos mais importantes maestros da actualidade, Donato Renzetti, célebre pela sua actuação à frente da Chicago Opera House. 

José António Falcão, director-geral do Terras sem Sombra, justifica a escolha de Vidigueira como palco primordial para um momento musical sem dúvida singular: “As Estações de Haydn adquirem aqui um significado muito especial; encontramo-nos numa zona de excepcional riqueza agrícola, e especialmente vinícola, em que a interacção do homem com a terra modelou, ao longo de muitos séculos, uma paisagem notável. A villa romana de S. Cucufate, que deu lugar, na Idade Média, a um mosteiro famoso, é extraordinária prova disso, tal como o património religioso que chegou aos nossos dias”.

 

E mais não há a crescentar. O espectáculo tem lugar pelas 21:30 do dia 01 de Junho na Igreja Matriz de São Cucufate, em Vila de Frades, com a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, com direcção artística de Donato Renzetti a interpretarem a oratória de Haydn “Die Jahreszeit”.

 

Retirado do HardMúsica



publicado por olhar para o mundo às 17:10 | link do post | comentar

Sábado, 18.05.13

Terras sem sombra


FESTIVAL ASSOCIA GRANDES NOMES DA MÚSICA

À DEFESA DA BIODIVERSIDADE ALENTEJANA

 

“O programa de biodiversidade do Festival Terras Sem Sombra foi considerado um “exemplo perfeito” na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que teve lugar no Rio de Janeiro, em 2012 – o maior evento já realizado pela ONU neste sector. Graças à intervenção de um perito muito ouvido, o espanhol Amalio de Marichalar, serviu para suportar a 4.ª recomendação do respectivo plano: promover a cultura como pilar central da sustentabilidade.”

 

No Alentejo estão a ser dados passos inéditos no sentido de unir música, património e biodiversidade, com o projecto Terras sem Sombra. Através da parceria que associa o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja – a entidade promotora – e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), aos municípios, universidades e “forças vivas” presentes no terreno, desde 2011 que a região é alvo de acções-piloto para a salvaguarda da biodiversidade, envolvendo músicos, espectadores e outros voluntários, com uma ligação forte aos agrupamentos escolares e às famílias. Da sua magna carta fazem parte os princípios da inclusão e da sustentabilidade. Concertos e demais actividades são de acesso livre, dentro dos condicionalismos impostos pela defesa dos monumentos e sítios visitados.

 

É certo que o Alentejo se apresenta como um dos territórios com melhores índices de preservação do Sul da Europa, mas não deixa de ser verdade que se trata, igualmente, de um espaço onde a desertificação do interior e o declínio do mundo rural levantam sérios desafios. Perante um património natural tão rico – basta lembrar que a costa alentejana é uma das zonas europeias com maior biodiversidade florística –, este Festival aposta na projecção dos tesouros ainda pouco conhecidos da região e na intervenção das comunidades locais, tirando partido da vinda, até nós, de um conjunto de intérpretes, jornalistas e “opinion makers” internacionais, que são convidados a associarem-se aos residentes para iniciativas muito concretas de voluntariado.

 

“O Terras sem Sombra pretende salvaguardar, através de concertos de música sacra nas principais igrejas da região, o património religioso – isso, por si só, já seria de louvar; mas vai mais longe; no dia seguinte aos concertos é desenvolvida uma acção de sensibilização ambiental”, explica Armando Sevinate Pinto, que preside, desde 2010, ao Conselho de Curadores do Festival. O ex-ministro da Agricultura e actual consultor da Presidência da República para os Assuntos Agrícolas e o Mundo Rural conclui, afirmando que “estas iniciativas permitem que voluntários de origens ou perfis muito diversos colaborem, ombro com ombro, em actividades úteis à preservação da biodiversidade”.

 

Algumas iniciativas são muito práticas e visam colmatar lacunas, como identificar espécies protegidas nos cursos de água, marcar árvores jovens no montado, remover infestantes nas dunas costeiras, instalar ninhos para aves ou morcegos, limpar fontes indispensáveis à vida selvagem ou reconstruir infra-estruturas de apoio à visitação, destruídas pelo vandalismo. Outras têm um carácter simbólico, mas nem por isso menos impactante, como trabalhar num apiário tradicional, cantar às plantas, fomentar a criação de um banco para a troca de sementes, anilhar aves ou baptizar sobreiros e azinheiras com o nome dos artistas que participam no Festival – e se tornam seus padrinhos, assumindo o compromisso de serem embaixadoras da iniciativa.

 

José António Falcão, responsável geral pelo Festival, salienta que “as acções têm impacto ao nível da consciencialização das comunidades em torno da promoção dos recursos endógenos do Alentejo, com realce para a biodiversidade, valorizando um sentimento de pertença em torno da herança natural”. E o director do Património da Diocese de Beja acrescenta: “a participação de artistas internacionais justifica-se pelo seu perfil altamente sensível às questões ambientais e aos bens imateriais e, também, pela possibilidade de alcance além-fronteiras.” Isto traduz-se, igualmente, em resultados palpáveis ao nível do tecido social e económico da região, permitindo dar a conhecer locais, actividades e produtos que de outro modo permaneceriam pouco acessíveis.

 

Até agora já intervieram no projecto nomes do panorama mundial, como os maestros Marcello Panni, Donato Renzetti e Giovanni Andreoli, as sopranos María Bayo e Marifé Nogales, o ensemble laReverdie, o barítono Marc Mauillon ou o flautista Pierre Hamon. No âmbito nacional, foram convidados o actor Luís Miguel Cintra, os maestros António Lourenço César Viana, a soprano Raquel Alão e a ministra da Agricultura, Assunção Cristas. Espera-se este ano a colaboração de muitos outros convidados, como a soprano Carmen Romeu, o Cuarteto Casals e a Camerata Boccherini. Um entusiasta das acções pró-biodiversidade é o responsável artístico do Festival, Paolo Pinamonti, professor na Universidade de Veneza. Figura bem conhecida do meio português – foi brilhante director do Teatro Nacional de São Carlos, que nunca recuperou após o seu afastamento –, dirige o Teatro de la Zarzuela, em Madrid.

 

Tendo um vasto território abrangido pela Rede Natura 2000, boa parte dele classificado como área protegida, o Alentejo está a dar passos importantes na sustentabilidade dos recursos biodiversos. Pedro Rocha, director regional do ICNF, considera que o projecto desenvolvido com o Terras sem Sombra constitui uma oportunidade única. “Se, por um lado, a intervenção humana é necessária para a manutenção do estado de conservação de determinados habitats, por outro lado esta actividade pode levar à sua destruição. Coloca-se, assim, a necessidade de garantir, num contexto territorial de áreas predominantemente privadas, boas práticas de carácter agrícola, silvícola e pecuário.” Para isso, torna-se fundamental “que os instrumentos de apoio ao mundo rural (como o PRODER 2014-2020) incorporem as necessidades de conservar espécies e habitats da Rede Natura 2000 e sistemas florestais de alto valor de conservação.”

 

Com um programa muito completo, que se prolonga até 14 de Julho, as acções previstas pelo Festival Terras sem Sombra incidem em aspectos tão variados como a defesa dos ecossistemas ribeirinhos da Ribeira do Vascão, a monitorização das aves que visitam a Lagoa de Santo André, em trânsito de África em direcção ao Norte da Europa (e vice-versa), a gestão do montado de sobro, em Grândola, a sensibilização para a riqueza ecológica dos sistemas agrícolas e florestais na Vidigueira, a transumância de rebanhos, característica do Campo Branco, e, ainda, a compatibilização da indústria com a salvaguarda dos recursos naturais no litoral de Sines. Actividades que movimentam largas centenas de voluntários e encerram toda uma mensagem dirigida aos decisores e à opinião pública.



publicado por olhar para o mundo às 12:20 | link do post | comentar

Sábado, 04.05.13

Terras sem Sombra: Marc Mauillon na Igreja Matriz de Grândola


Terras sem Sombra: Marc Mauillon na Igreja Matriz de Grândola

A vila de Grândola recebe na sua Igreja Matriz a nona edição do Festival Terras sem Sombra, no próximo dia 04 de maio pelas 21:30.

 

A obra deste notável compositor e poeta constitui o fio condutor para uma estreia prometedora, com Marc Mauillon, um dos mais famosos barítonos da actualidade, acompanhado por músicos de excepção, como a violetista Vivabiancaluna Biffi, o alaudista Michaël Grébil e o flautista Pierre Hamon.

 

Ouvir-se-á, pela primeira vez em Portugal, um repertório de incomparável beleza.

 

Em “Mon chant vous envoy” (Envio-vos o meu canto), numa vertente poética, está o Amor como sentimento causador de sofrimentos e de queixas que domina o protagonista, por não ser correspondido pela sua amada.

 

Esta obra revela uma inclinação, ainda desconhecida, da obra de Machaut, que os músicos frequentemente consideravam como intelectual e de difícil acesso. Foi, muito certamente, o primeiro compositor a redigir peças com um virtuosismo e uma ambição intelectual comparáveis apenas à Arte da Fuga de J. S. Bach.

 

Guillaume de Machaut, que viveu entre 1300 e 1377, foi o grande responsável pela definição das bases rítmicas da composição polifónica e o primeiro compositor a adquirir verdadeira consciência da importância do livro para a transmissão e a difusão do seu trabalho.

 

Em Grândola, o Festival apresenta, com membros de Le Poème Harmonique, um concerto dedicado às suas canções trovadorescas, que misturam o Sagrado e o Profano, um fenómeno característico da Ars Nova, tirando partido da poesia musicada.

 

Regressa-se, assim, entre cavaleiros e damas, ao ambiente das cortes dos finais da Idade Média, um tema muito adequado a Grândola.

 

Esta localidade, famosa pelos recursos cinegéticos, foi escolhida por D. Jorge, duque de Coimbra e mestre das Ordens de Santiago e Avis, para instalar, ao redor de 1500, um dos seus paços, ponto de apoio para a caça grossa, actividade tradicional no quotidiano da nobreza.

 

Essa mansão senhorial tornar-se-ia, aliás, um foco fundamental para o desenvolvimento de Grândola, que veio a ser elevada a vila e sede de concelho, em 1544, por iniciativa de D. Jorge. 

 

Desaparecido o palácio do mestre de Santiago, permanece outro monumento por ele mandado reconstruir, a igreja matriz, uma referência do património local, que tem vindo a ser alvo de recuperação por parte da paróquia.

 

À semelhança dos outros espaços visitados pelo Terras sem Sombra, possui brilhantes condições acústicas para a interacção dos instrumentos medievais com a voz humana. 


Isto faz dela uma atmosfera ideal quando se trata da execução de peças da tradição trovadoresca, realçando a aura da luzida corte que acompanhava o duque-mestre.

 

Compositor, multi-instrumentista e cantor, Michaël Grébil dança sobre um estreito fio entre diferentes universos sonoros e poéticos. Há longos anos que colabora com agrupamentos de renome internacional, mormente Hesperion XXI.

 

Tem igualmente realizado recitais a solo em que dá a conhecer as suas pesquisas sobre a prática instrumental medieval e como ela pode ser entendida, hoje em dia, com grande modernidade. 


Foi esta modernidade, aliás, que o conduziu a terrenos ainda mais escarpados, explorando timbres estratos e dinâmicas através da música electroacústica.

 

Após ter participado com Les Arts Florissants e o ensemble Gilles Binchois no renascimento na música antiga, tornou-se um colaborador privilegiado e fiel de Jordi Savall, tocando e gravando ao seu lado em diferentes partes do mundo.

 

Co-dirigiu, com Brigitte Lesne, o ensemble Alla Franscesca. A partir de 2007, consagrou-se, com Marc Mauillon e Vivabiancaluna Biffi, a projectos em torno do músico-poeta Machaut, alvo de concertos e gravações que mereceram o aplauso da crítica internacional.

 

Retirado do HardMúsica



publicado por olhar para o mundo às 10:18 | link do post | comentar

Quarta-feira, 10.04.13

Terras Sem Sombra regressa para promover musicalmente o Alentejo


Terras Sem Sombra regressa para promover musicalmente o Alentejo

O maior festival de música sacra português está de regresso ao Alentejo. Com início este sábado, na igreja de Santo Ildefonso, matriz de Almodôvar, o programa do Festival Terras Sem Sombra (FTSS) para 2013,ora apresentado no CCB, revela a supremacia dos notáveis intérpretes que tornarão os monumentos religiosos do Baixo Alentejo, já bem conhecidas pela riqueza artística e acústica, um palco privilegiado para escutar obras-primas de Mozart, Pergolesi, Machaut, Haydn, Schönberg, Takemitsu e Ligeti, entre outros. 

Esta edição foi apresentada no CCB, na terça-feira passada, pelo director-geral do evento José António Falcão que salientou que este ano existirá uma aposta na divulgação dos produtos regionais e pensam mesmo criar um vinho com nome do festival.

Do leque diversificado de intérpretes, figuras maiores no universo da grande música, fazem parte o agrupamento italiano laReverdie, o ensemble francês de Pierre Hamon ou o Cuarteto Casals, o mais celebrado quarteto de cordas espanhol. 
Do país vizinho virá igualmente a Camerata Boccherini, de Massimo Spadano, que tem vindo a brilhar nos principais palcos europeus. 
Donato Renzetti e Giovanni Andreoli, famosos pela sua actuação como maestros, à frente da Chicago Opera House e da Arena de Verona, respectivamente, são outros destaques da presente edição, a par de protagonistas do meio artístico português, como o tenor Mário João Alves e o barítono Luís Rodrigues.

Traçando um percurso da Idade Média à contemporaneidade, o Terras sem Sombra adopta como tema-chave de 2013, a polifonia. 
Algo que assume um significado muito especial para a região, numa altura em que o cante alentejano retomou a sua candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade. 

Como salienta o director artístico do Festival, Paolo Pinamonti, "o cante destaca-se como uma das mais importantes formas de polifonia vocais, por ter sido um dos percursores do seu género." 
Para os mais curiosos, o musicólogo Rui Vieira Nery, da Universidade de Évora, aprofundará o mesmo tema no dia 18 de Maio, na conferência temática inserida no programa deste ano.

Esta viagem cultural, que passa também por Santiago do Cacém, Grândola, Vila de Frades, Beja, Castro Verde, Carvalhal e Sines, ao associar de forma directa a música ao património da região, traz outro fôlego a igrejas notáveis mas que, em tempos de dificuldades, clamam pela sua preservação. "Queremos despertar novos olhares e novas vivências em torno da música sacra, dando vida a este extraordinário legado religioso, que vibra com intensidade entre nós", explica José António Falcão, director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, o promotor da iniciativa. 

Para tal, estabeleceu uma rede de parcerias com o turismo, autarquias, misericórdias, paróquias e empresas da região. Ao Teatro Nacional de São Carlos, entidade co-produtora do FTSS, cabe também papel de realce, através da presença do seu Coro e da Orquestra Sinfónica Portuguesa e por isso mesmo foi assinado um protocolo de colaboração entre as duas entidades por João Vila-Lobos do TNSC e José António Falcão.

Uma novidade de 2013 será a abertura à vertente pedagógica da música como factor de inclusão: meio milhar de crianças, dos três aos 10 anos, das escolas de Melides, Carvalhal e Comporta, integradas nos agrupamentos de Grândola e Alcácer do Sal, estão a corresponder, durante este ano lectivo, ao desafio que o Festival lhes lançou para um programa lectivo com abrangência nas áreas das artes e da educação ambiental.
O projecto centra-se no musical "O Principezinho", de Victor Palma, adaptação da obra de Saint-Exupéry, e conta com a colaboração empenhada da Fundação Herdade da Comporta e dos dois municípios abrangidos. 

Terá a apresentação final num dos concertos do FTSS, no dia 29 de Junho, no Carvalhal. 
Os actores e os figurantes serão os alunos locais, dirigidos pelo maestro Nuno Lopes, do Teatro de São Carlos, e acompanhados pelo Coro Juvenil de Lisboa. A direcção coreográfica é de María Luisa Carles, da Companhia Nacional de Bailado. 
Pela primeira vez, o Festival extravasa a geografia da Diocese de Beja (Alcácer faz parte da Arquidiocese de Évora).

Este é, como se vê, um festival com causas. À semelhança de anos anteriores, o domingo seguinte a cada concerto será dedicado a acções de defesa da natureza e biodiversidade locais, juntando artistas, espectadores e residentes em torno da preservação da paisagem e dos recursos naturais da região. 
Por iniciativa da UNESCO, este ano celebra-se o Ano Internacional de Cooperação pela Água, e o TSS vai consagrar especial atenção à salvaguarda dos recursos aquáticos e à sustentabilidade dos recursos biodiversos que dependem desse património fundamental. 
Da frente atlântica à bacia do Guadiana e à transumância na área do Alto Sado, serão focados actividades e sítios estratégicos da relação homem/natureza. 
Um conjunto de acções que conta com o envolvimento do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e de associações locais.

Outro aspecto importante do ADN do Terras sem Sombra diz respeito à sua vocação para dar a conhecer os produtos regionais de excelência, como o vinho, a cortiça, o mel, o azeite, a carne e o peixe, o café, o pão, a fruta, a doçaria e o artesanato. 
Estes e os demais recursos económicos e sociais do território contarão, ao longo da temporada, com acções promocionais específicas. 

Terçar armas por um desenvolvimento equilibrado e sustentável do Alentejo constitui o repto lançado à vasta comunidade do Festival. “Sem economia não há pessoas e sem pessoas não há património, pelo que é nosso dever estar na primeira linha do combate à desertificação do interior”, referiu José António Falcão durante a apresentação no CCB.

O Prémio Internacional Terras sem Sombra, que todos os anos distingue três personalidades ou instituições que se destacaram nas áreas da música, do património e da biodiversidade, tem este ano como patrona a infanta D. Pilar de Borbón, Duquesa de Badajoz, irmã do rei D. Juan Carlos I de Espanha, que virá presidir à cerimónia da sua entrega, na Comporta, no dia 06 de Julho. É um sinal da forte ligação do Festival a Espanha, que constitui o País Convidado do TSS em 2013.

 

retirado do HardMúsica



publicado por olhar para o mundo às 22:12 | link do post | comentar

Quarta-feira, 11.04.12

Festival Terras sem Sombra apresenta, a 14 de Abril, na Igreja Matriz de Almodovar, a primeira estreia moderna do Te Deum, de Marcos Portugal.

 

Para  José António Falcão, director do Departamento do Património da Diocese de Beja, responsável pelo Festival Terras Sem Sombra “Marcos Portugal é o mais famoso compositor português; as suas óperas rivalizavam nos palcos internacionais, em inícios do século XIX, com as de Rossini e Mozart, divulgando o nome do nosso país”.

 

Marcos Portugal, ou Marco Portogallo, como se tornou conhecido internacionalmente, nasceu em Lisboa em 1762 e faleceu no Rio de Janeiro em 1830. 


No ano em que se comemoram os 250 anos do seu nascimento, o “Terras sem Sombra”  presta-lhe homenagem  com a estreia moderna do seu “Te Deum”.

 

Esta peça musical será  interpretada pela Orquestra Filarmonia das Beiras e o  Coro da Universidade de Aveiro sob a direcção de António Vassalo Lourenço, o Coro da Universidade de Aveiro e a Orquestra Filarmonia das Beiras.

Trata-se de um Te Deum composto por Portugal em 1802 – o “Te Deum laudamus a quatro voci com piena orchestra” que resultou de uma encomenda da Casa Real para o baptismo do infante D. Miguel no palácio de Queluz. 

Embora originalmente fosse um hino litúrgico cantado em dias festivos do calendário religioso, o Te Deum passou também a ser usado nas cerimónias litúrgicas de acção de graças. 

 

 

 

Retirado de HardMúsica



publicado por olhar para o mundo às 21:01 | link do post | comentar


Quer ver a sua banda ou espectáculo divulgados aqui?,
envie um email para: olharparaomundo (arroba) sapo.pt
Se tem alguma letra que eu não tenha encontrado, pode enviar para o mesmo email
mais sobre mim




posts recentes

Coro e solistas da Gulben...

Festival Terras Sem Sombr...

Terras sem Sombra - Tosqu...

O melhor quarteto de cord...

Terras sem Sombra - Passe...

Terras sem Sombra começa ...

Terras Sem Sombra - Cante...

Terras sem Sombra regress...

Concerto de encerramento ...

Beja encerra a edição de ...

arquivos

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

tags

todas as tags

links
comentários recentes
As partes que não consegui perceber estão com reti...
https://www.google.pt/amp/s/www.musixmatch.com/pt/...
Vou adicionar nos meus favoritos, sou brasileira, ...
" Para que o tremoço o almoço e o alvoroço demorem...
Letra e música do SiulProdução do Siul Sotnas e Mi...
que puta de letra fdx
Epá, o que é isto?Borrei-me todo com este "Mal des...
OUÇA A NOSSA RADIO EM https://goo.gl/ouzpk3
Eu queria a letra dessa música
YK é Noizz Kappa, Halloween a grande Alma, melhor ...
blogs SAPO
subscrever feeds