Letra
Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Paris, Berlim, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela
Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela
Foi por ela que eu passo coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela
Letra
Fora de Prazo
Tu já perdeste o tom, tu já perdeste o medo
Tu estás em promoção e já não tens sossego
Nada será como dantes, estás para mim azedada
Corantes e conservantes fizeram-te mal-amada
O teu prazo terminou, causas-me indigestão
A nossa história acabou sem desconto no cartão
Tu a nada dás azo
Tu estás fora de prazo
És como um filme qualquer do Emir Kusturica
A decadência em mulher, onde o prazo não estica
Fora de validade estás já a tresandar
Sem réstia de verdade na arte de amar
O teu prazo terminou, tive uma intoxicação
O nosso amor acabou numa incineração
Tu a nada dás azo
Tu estás fora de prazo
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Letra
Meu amor o fim está perto
É para mim cada vez mais certo
Foi bom este final, este fulgor
Esta luz, este amor
Fomos tão pouco do que podíamos ter sido
Escolhemos este caminho sem sentido
Fomos apenas esta canção
Que acabou no refrão
Acabámos no refrão
Nem mais uma estrofe escrevemos ao coração
Meu amor o fim está perto
É para mim cada vez mais certo
Foi bom este final, este fulgor
Esta luz, este amor
Tivémos tudo, não guardámos nada
Tentámos escrever esta canção inesperada
E fomos tudo menos melodia
Nada restou senão a apatia
Acabámos no refrão
Nem mais uma estrofe escrevemos ao coração
Letra
Corre por aí
Corre por aí que estás diferente
Corre por mim e o coração não mente
Que podes divergir na tua conduta
E que todo o teu ser por mim ainda luta
Diz-se à boca pequena que o amor ainda te importa
Diz-se da minha boca, seca e morta
Que lhe falta a humidade dos teus beijos
Para que sejam cumpridos todos os seus desejos
Corre por aí que és a minha melhor canção
Corre por mim, berço do meu coração
Confessa-se entre dentes que ainda tens medo
Confessa-me o que sentes, que não tens sossego
E os teus dedos dizem-me que és incapaz
De alcançar a desejada paz
Corre em surdina que perdeste a cor
Corre na minha sina para onde eu for
Que és a minha melhor canção
O berço preferido do meu coração
Corre por aí que és a minha melhor canção
Corre por mim, berço do meu coração

O Sr. Inominável nasceu em 2011, em Viana do Castelo, e eis que surge agora com o primeiro EP. Uma pop abrasiva e irónica, cantada em português, que desfila uma série de elementos icónicos patentes nas relações. Tal como Samuel Beckett expunha em O Inominável, mais do que dramatizarmos as relações e o ser humano, o Sr. Inominável presta-se a exibir o absurdo das mesmas, a vê-las com a ironia própria de quem sabe pelo que está a passar, mas se recusa a fazer disso um drama. Esta é uma pop comprometida em descomprimir, que se exalta na diversão dos seus ouvintes, sugerindo-lhe que ironizem os seus problemas, pois é essa a solução para a evasão dos pequenos absurdos que nos assolam.
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