Terça-feira, 03.03.15

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Capicua edita esta semana "Medusa", um álbum de remisturas de músicas do disco anterior, "Sereia louca", e que inclui duas canções inéditas, uma delas sobre violência contra as mulheres.

"É um disco coletivo, de remisturas feitas por várias tribos, e é para celebrar um ano de vida de 'Sereia Louca'", diz a rapper portuense.

O disco tem 14 remisturas e dois originais, 'Medusa', com Valete, e 'Egotríptico', com M7 e DJ Ride", explicou a artista à agência Lusa.

O álbum abre precisamente com "Medusa", um tema que inclui excertos de poemas ditos por Sophia de Mello Breyner Andresen: "Já queria escrever há muito tempo sobre a violência contra as mulheres, não só violência doméstica, mas sobre 'cyberbullying', sobre abuso sexual, sobre a liberdade sexual e como coletivamente a reprimimos, sobre a culpabilização da vítima".

Para o tema, Capicua recorreu à figura da Medusa, da mitologia grega, "uma história poderosa sobre a culpabilização da vítima, uma mulher que foi castigada e transformada num monstro [cujo cabelo foi transformado em serpentes e cujo olhar petrifica]. E a medusa remete também para o universo aquático da 'Sereia louca'".

Segundo a artista, o tema "Medusa" representa também aquilo que esteticamente quer fazer no futuro: "Uma escrita com mais silêncios, entre um rap e a 'spoken word'".

O álbum de remisturas agora editado conta com a participação de vários DJ e produtores, que reinventaram alguns dos temas de "Sereia Louca" (e também do álbum anterior), tendo apenas por base a voz de Capicua.

Entre os convidados estão os Octa Push, White Haus (João Vieira), Sam The Kid, DJ Ride, Expeão e DJ Marfox, na reinvenção de temas como "Vayorken", "Mão Pesada", "Lupa" e "Soldadinho", este com a participação de Tamin, vocalista dos Cais Sodré Funk Connection.

"Medusa", "um disco mais elétrico, mais dançável", sai um ano depois de "Sereia louca", álbum que fez chegar o rap a "públicos muito diferentes, a muitas tribos urbanas e que teve uma expansão geográfica maior", recorda a artista.

O disco de remisturas serve ainda para Capicua - nome artístico de Ana Matos Fernandes - voltar à estrada, com o arranque de uma nova digressão pelo país marcado para 11 de abril na Casa da Música, no Porto, e, no dia 16 desse mês, na discoteca Lux, em Lisboa.



publicado por olhar para o mundo às 23:12 | link do post | comentar

 

Letra

 

(Capicua)
Ela é medusa.
A vítima que toda a gente acusa.
E de quem a vida abusa.
Ela é Medusa e recua e recusa
E resiste, ele insitiste e arranca-lha a blusa e usa-a
Escusa, ela acua, sozinha na rua
Seminua
Semi-sua
Semi- morta
Porque mais ninguém se importa!
Ela é Medusa
O corpo pra que toda a gente aponta
Que posta, não gosta,
faz troça, desmonta
Comenta, ali exposta na montra,
De fita métrica pronta
Examina-se a carne
E critica-se a “coisa”.
O resto não conta
É uma sombra...
É uma sombra...
É uma sombra...
_

Por cada vítima acusada
E transformada em monstro
Em cada casa, cada caso,
Cada cara e cada corpo
Em mais um dedo apontado ao outro,
Cresce a ira da Medusa que me vês no rosto
_

(Valete)
Em cima da ponte está a tua irmã desaparecida
em interação com aqueles instintos suicidas
abatida na depressão duma história nunca esquecida
vencida por um trauma de uma violação aos 15
Em cima da ponte está a mulher que bombardeiam
Por usar a liberdade sexual tão proclamada
Degolada por tantas ofensas que vocês fraseiam
Exterminada por aquele nojo daqueles que a rodeiam
Em cima da ponte está Maria Conceição
Vítima de uma relação e de um amor tirano
Marcada pela opressão e traumatismos cranianos
Golpeada por quase 20 anos de agressão doméstica
Em cima da ponte está a tua vizinha acanhada
Há muito aniquilada por esperanças que se esfumam
Há muito rebaixada por vexames que se avolumam
Envergonhada pelo próprio corpo que todos repugnam
Em cima da ponte...
_

Por cada vítima acusada
E transformada em monstro
Em cada casa, cada caso,
cada cara e cada corpo
em mais um dedo apontado ao outro, Oh!’
Cresce a ira da Medusa que me vês no rosto
_
(Capicua)
Ela é Medusa
A miúda de que toda a gente fala.
Na rua, na sala de aula, e à baila
Vem ela, a cadela, a perdida, sem trela,
Vadia, cautela com ela,
Que é livre, e vive
A vida dela
Como se atreve?
Aquela...
Como se atreve?
Aquela...
Como se atreve?
Aquela...
Ela é Medusa
Aquela de que mais ninguém tem pena
Que apanha, sem queixa, que deixa e aguenta
Aquela que pensa que o amor é pra sempre,
E na crença, sofre em silêncio...
Só.
Completamente só.
Esconde a nódoa negra com o pó.
Só.
Completamente só.
Esconde a nódoa negra com o pó.
_

Por cada vítima acusada
E transformada em monstro
Em cada casa, cada caso,
cada cara e cada corpo
em mais um dedo apontado ao outro, Oh!’
Cresce a ira da Medusa que me vês no rosto
é a minha ira, a nossa ira, a ira...
a minha ira, a nossa ira, a ira...
a minha ira, a nossa ira, a ira...

 



publicado por olhar para o mundo às 13:13 | link do post | comentar


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