Quinta-feira, 15.05.14

Festival de Música para todos na «vila mágica» de Marvão

O Festival Internacional de Música de Marvão, que se realiza em finais de julho naquela vila alto-alentejana, é um certame “de alta qualidade musical destinado a todos, numa vila mágica”, afirmou o seu diretor artístico, Christoph Poppen.

 

Em declarações à Lusa, o maestro e violinista disse que “o festival é um projeto de futuro, cuja programação será tão eclética quanto possível, nunca descurando um elevado nível de exigência artística”.

 

A primeira edição realiza-se de 25 a 27 de julho próximo, e a programação conta “essencialmente com compositores como Mozart, Bach, Mendelssohn, Strauss, Brahms, Verdi e Puccini”, afirmou.

 

O maestro disse à Lusa que tem “uma visão bastante alargada, em termos musicais, para as próximas edições”, nas quais conta programar concertos de música contemporânea, fado, jazz e cante alentejano.

 

Já na edição deste ano - realçou Christoph Poppen - está previsto um concerto de guitarra portuguesa, pelo Ricardo Gordo Trio, que recentemente editou o álbum “Mar Deserto”.

 

Os concertos do Festival acontecerão no castelo medieval e nas igrejas da vila e, do programa - disponível em www.marvaomusic.com/concertos - fazem parte, além do Ricardo Gordo Trio, a Orquestra Gulbenkian, que será dirigida por Christoph Poppen, em dois concertos, a violinista alemã Veronika Eberle, o clarinetista Jörg Widmann e a soprano Juliane Banse.

 

O projeto de guitarra, voz e percussão Felix Maria Woschek & Paulo Santos, o conjunto de flautas paleolíticas Susanne Schietzel-Mittelstral e o sul-coreano Novus String Quartet são outras formações anunciadas para a primeira edição do festival.

 

Christoph Poppen, que tem uma residência em Marvão, considera a vila “ideal para acolher este tipo de eventos, pois a beleza natural irá atrair público, e não só de Portugal, como da Espanha, que fica mesmo do outro lado”. Trata-se de "um local incrível que é o cenário ideal para um festival clássico, que imaginei quando há alguns anos visitei a região, como turista”, contou à Lusa.

 

Segundo o maestro a “magia de Marvão” e uma "programação de elevada qualidade" são a “chave” para atrair público.

 

O violinista defendeu um “trabalho em conjunto” com outras iniciativas idênticas, designadamente o Festival Terras Sem Sombra, organizado pela diocese de Beja, e alvitrou a possibilidade de “uma coordenação geral mais efetiva com todo o Alentejo, a pensar na internacionalização”.

 

Christoph Poppen auspiciou um “grande futuro” para o Festival de Marvão que “não deve depender de questões políticas”, nomeadamente alterações de poder na Câmara, mas advertiu que “não pode acontecer sem apoio internacional”, apesar de considerar “que todos querem apoiar o Festival e que, se é importante o apoio público, há que atrair e contar com o dos privados”.

 

Fonte da organização do Festival disse à Lusa que o orçamento “ronda os 60.000 euros”, tendo destacado o “forte apoio mecenático de duas fundações alemãs”, a Anja Fichte Stiftung e Interkulturelle Friendsstiftung.

 

Christoph Poppen, de 56 anos, recebeu em 2010 o Prémio Saarland de Artes, dirigiu até 2011 a Orquestra Sinfónica da Rádio Alemã e dirige regularmente orquestras sinfónicas de referência, como as de Berlim e de Viena, de Baden-Baden e a da Rádio Holandesa.

 

O maestro e violinista alemão, fundador do Quarteto Cherubini, no final da década de 1970, trabalhou com formações como a Capela Estatal de Desden, a Camerata de Salzburg, a Orchestra dei Pomeriggi Musicali de Milão, a Haydn Orchestra, as Sinfónicas da RTVE, de Singapura, Nacional da Estónia, de Indianapolis e de Frankfurt.

 

Em 2012 dirigiu, de Mozart, “A Flauta Mágica”, em Frankfurt, e o “Rapto do Serralho”, em Essen, também na Alemanha, assim como várias outras produções operáticas do compositor de Salzburgo, em Innsbruck, na Áustria.

 

Christoph Poppen tem uma discografia extensa, que vai do repertório pré-romântico ao contemporâneo, compreendendo, entre outros, obras de Sofia Gubaidulina, Karl Amadeus Hartmann, Giacinto Scelsi, Mozart e Schubert.

 

Com o Hilliard Ensemble, no disco "Morimur", Poppen contextualiza a segunda Partita para violino Solo de Bach, com a obra coral do compositor, de acordo com a investigação musicológica da época.

 

Retirado do Sapo Música



publicado por olhar para o mundo às 15:35 | link do post | comentar


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