Segunda-feira, 23.06.14

 

 

Letra

 

Surges do mar como uma ninfa alada
E pairas sobre mim sem te deteres
És como uma gaivota ou pomba ou nada
E sei que não é meu o que me deres

E eu, de pés na terra, olhando o mar
Da solidão desse teu voo rasgado
Sinto escorrer por dentro o teu olhar
E vais partir de mim sem ter chegado

Chamar-te esperança, ou sonho, já não sei
Se te hei-de dar o nome donde vens
Que me saibas mostrar que te inventei
E só eu sei o nome que tu tens

Vou-te buscar ao futuro, que só aí
Posso saber se existes no meu fado
Foi em sonhos apenas que te vi
É tempo de te ver estando acordado!



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Domingo, 15.06.14
Edições especiais comemoram os 70 anos de Maria João Pires
As editoras discográficas Deutsche Gramophon e Erato Recordings decidiram assinalar os 70 anos de Maria João Pires com edições especiais.

A alemã Deutsche Gramophon editará este mês uma caixa, com vinte CD, reunindo todas as gravações a solo da artista portuguesa para a etiqueta. Somando mais de vinte horas de gravações, a caixa inclui interpretações de composições de Wolfgang Amadeus Mozart, Frédéric Chopin, Ludwig van Beethoven, Franz Schubert, Johannes Brahms, Robert Schumann e Johann Sebastian Bach.

Contém ainda as primeiras gravações de Maria João Pires para a Deutsche Gramophon - sonatas de Schubert e Mozart - depois de ter assinado um contrato de exclusividade com a editora em 1989, ano em que ganhou o Prémio Pessoa.

Associando-se também ao 70º. aniversário de Maria João Pires, a editora Erato Recordings - incluída no grupo Warner - edita este mês uma caixa com 17 CD, composta pelas gravações que a pianista fez para a etiqueta entre 1972 e 1987, o período que antecedeu a relação com a Deutsche Gramophon.

Esta edição especial - cujo repertório inclui praticamente os mesmos compositores registados na caixa da Deutsche Gramophon - inclui solos, duetos e atuações ao vivo.

Considerando que Maria João Pires foi "uma das artistas que definiu o catálogo da Erato nos anos 1970 e 1980", a etiqueta destaca nesta edição as parcerias da pianista portuguesa com o pianista turco Hüseyin Sermet (nos duetos de Schubert) e com os maestros Michel Corboz, Armin Jordan, Claudio Scimone e Theodor Guschlbauer.

Maria João Pires nasceu em Lisboa a 23 de Julho de 1944. É a mais internacional e reputada das pianistas portuguesas, com um percurso artístico que remonta a finais dos anos 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público com quatro anos.

Entre os prémios conquistados pelo talento artístico contam-se o primeiro prémio do concurso internacional Beethoven (1970), o prémio do Conselho Internacional da Música, pertencente à UNESCO, (1970) e o Prémio Pessoa (1989).

Tocou com as mais importantes orquestras e nas mais relevantes salas de espectáculos do mundo e fundou o projecto artístico Associação Belgais, que fechou portas em 2009.

Em 2010, a pianista adquiriu nacionalidade brasileira.Numa entrevista ao jornal espanhol El Pais em 2011, Maria João Pires afirmou que gostaria de se retirar dos palcos até 2014."Eu e o meu agente fixámos uma data: 2014, que é quando cumpro 70 anos", disse na entrevista.
Retirado de HardMúsica


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Segunda-feira, 09.12.13



A pianista Maria João Pires voltou a ser nomeada como Melhor Intérprete a Solo para os prémios de música norte-americanos Grammy, foi hoje divulgado.

 

Maria João Pires foi nomeada na categoria de Melhor Intérprete a Solo pelo álbum Sonatas n.ºs 16 e 21 de Franz Schubert, editado em fevereiro último pela Deutsche Grammophon.

 

A nomeação de Maria João Pires para a 56.ª edição dos Grammy sucede à nomeação da pianista para a mesma categoria dos prémios de música norte-americanos em 2009.

 

O novo álbum da pianista integra a sonata n.ºs 16 em Lá menor e a Sonata n.º 21 em Si bemol maior. A Sonata n.º 16 foi apresentada pelo compositor austríaco como a sua "Primeira Grande Sonata" quando a deu para imprimir no outono de 1825, tendo-a dedicado ao arquiduque Rudolfo da Áustria, em sinal de gratidão para com o mecenas da música.

 

Já a Sonata n.º 21, a derradeira de Franz Schubert, foi terminada pouco antes da morte do compositor e é considerada uma das mais substanciais obras para piano da última fase de Schubert, escreve o musicólogo Michael Kube, na apresentação do disco.

 

A pianista portuguesa gravara já a última Sonata de Schubert, com alguns "Impromptus", na década de 1980. Este disco, um duplo CD da pianista, publicado em 1997, vendeu mais de 100.000 unidades.

 

Nascida a 23 de julho de 1944, em Lisboa, Maria João Pires é a mais internacional pianista portuguesa, tendo chamado a atenção do público e da crítica com a vitória no Concurso Beethoven, em Bruxelas, em 1970, após o que gravou, na íntegra, as Sonatas para piano, de Mozart.

 

A pianista, que também inclui no seu repertório Chopin, Bach, Schumann e Beethoven, entre outros compositores, tem-se apresentado com regularidade nas principais salas de concerto, a nível mundial.


Retirado do Expresso



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Domingo, 13.10.13

Maria João Pires com Orquestra de Câmara Escocesa no Festival de Artes de Hong Kong

A pianista Maria João Pires vai atuar em fevereiro do próximo ano no Festival de Artes de Hong Kong com a Orquestra de Câmara Escocesa.

O 42.º Festival de Artes de Hong Kong, que vai decorrer entre os dias 18 de fevereiro e 22 de março e cuja reserva antecipada pode ser feita a partir de hoje, vai juntar cerca de 1.600 artistas oriundos de diversos pontos do mundo, da Ásia à à América, em mais de 130 espetáculos.

 

Segundo o programa, Maria João Pires, que vai tocar obras de Schumann e Chopin, regressa a Hong Kong como um dos "destaques" da digressão do 40.º aniversário da Orquestra de Câmara Escocesa, cujo repertório para as noites dos dias 20 e 21 de fevereiro na antiga colónia britânica abre com Mendelssohn, num alinhamento que inclui também peças de Beethoven e Webern.

 

Na sua página oficial, aquela que é reconhecida internacionalmente como uma das melhores orquestras de câmara do mundo, anuncia a realização de uma "grande digressão" pelo Extremo Oriente em 2014, como parte das celebrações dos seus 40 anos, com o maestro Robin Ticciati e Maria João Pires, a qual inclui, além da atuação no Festival de Artes de Hong Kong, concertos no Japão e na Coreia.

 

Nascida em Lisboa, Maria João Pires, de 69 anos, chamou A atenção do público e da crítica com a vitória no Concurso Beethoven, em Bruxelas, em 1970, uma distinção imediatamente seguida da gravação da integral das Sonatas para piano de Mozart.

 

A pianista tem-se apresentado, com regularidade, nas grandes salas de concerto mundiais.

 

Retirado do Sapo Música



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Sábado, 16.02.13

Maria João Pires regressa à derradeira Sonata para piano de Schubert

O novo álbum da pianista Maria João Pires é constituído pelas Sonatas n.ºs 16 e 21, de Franz Schubert, compositor falecido há 114 anos, em Viena, que tem vindo a incluir nos seus recitais.


A Sonata n.º 16, em Lá menor, foi apresentada pelo próprio compositor como a sua “Primeira Grande Sonata”, quando a deu à impressão, no outono de 1825, tendo-a dedicado ao arquiduque Rudolfo da Áustria, em sinal de gratidão ao mecenas da música. Esta é uma Sonata que Maria João Pires grava pela primeira vez, segundo a editora da pianista, a alemã Deutsche Grammophon.

 

A Sonata n.º 21 em Si Bemol maior, a derradeira do compositor, concluída pouco tempo antes da sua morte, é uma das mais substanciais obras para piano da última fase de Schubert, como escreve o musicólogo Michael Kube, na apresentação deste disco.

 

O texto que acompanha o CD dá conta de um conceito da pianista portuguesa, na abordagem da obra de Schubert, segundo a qual reconhece que, ao tocar, como instrumentista, "há a tendência de tomar" as obras "como um todo" e interpretá-las cada uma "à sua maneira".

 

No novo disco, Maria João Pires apresenta ainda uma segunda hipótese de interpretação, "não tomar [cada obra] como um todo, mas simplesmente tocá-la tal como ela é dada”.

 

A pianista portuguesa gravara já a última Sonata de Schubert, com alguns "Impromptus", na década de 1980.

 

Segundo a discográfica alemã, com a edição deste CD, a pianista “aprofunda a sua relação musical com o compositor austríaco, relação que muito tem cativado críticos e público, ao longo da sua carreira”, em particular desde a integral dos "Impromptus", reunidos em "Le Voyage Magnifique". Este disco, um duplo CD da pianista, publicado em 1997, vendeu mais de 100.000 unidades.

 

Maria João Pires, 64 anos, é a mais internacional pianista portuguesa, tendo chamado à atenção do público e da crítica, com a vitória no Concurso Beethoven, em Bruxelas, em 1970, uma vitória imediatamente seguida da gravação da integral das Sonatas para piano, de Mozart.

A pianista, que também inclui no seu repertório Chopin, Bach, Schumann e Beethoven, entre outros compositores, tem-se apresentado com regularidade nas principais salas de concerto, a nível mundial.

 

retirado de Sapo Música



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Terça-feira, 04.12.12

 

 

letra

 

Quando eu tinha o teu amor
Não me sentia à vontade
Para dizer quanto te queria.
Mas não podia supor
Que, por guardar a verdade
Tu julgasses que eu mentia.

 

Podia continuar mudo
Que as palavras não são tudo
Mais importa o que é vivido,
Mas digo-te cá do fundo
Que ainda dava a volta ao mundo
Na roda do teu vestido.

 

Quando estiveste ao meu lado,
Faltou-te da minha boca
Uma jura de paixão
E, ao veres-me assim tão calado
Cismaste até ficar louca,
Numa história de traição.

 

Agora, que já te entendo,
Confesso que me arrependo
Do meu coração tão fraco
E digo sem hesitar:
Gostava mais de cantar
Com as bandas do teu casaco.



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Domingo, 02.12.12
 


letra


Não encontrei a letra desta música


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Domingo, 25.11.12
Carlos do Carmo canta como quem faz surf por cima do piano de Maria João Pires

Fez como vê os netos fazer: o canto de Carlos do Carmo surfou por cima do piano de Maria João Pires, encontrando a liberdade nos fados “vienenses” de António Victorino de Almeida.
Carlos do Carmo acredita que muitos o vejam como louco, como alguém que não mede exactamente o que faz, que é guiado por decisões inusitadas, levado por ondas inesperadas do instinto. Uma loucura, acredita, própria de quem se entrega às artes e tenta que o presente não seja mero espelho do passado. "Tenho esta cara que deus me deu, com um ar muito certinho, mas sou completamente passado dos carretos", diz-nos candidamente, sentado em sua casa. Há um prazer claro do fadista em perceber que o seu trajecto é visto não apenas como mais um, mas como elemento de dissonância e de arrojo relativamente à tradição em que se insere.

Esta loucura, entenda-se, não é incapacitante, medicada ou dessintonizada com a realidade. É aquela que vai pedindo licença para entrar quando o fadista se atira a tocar com uma orquestra de sopros numa terra fronteiriça alemã - aconteceu, sob a batuta de Thilo Krassman, há uns anos -, quando inventa discos de fado numa ode a uma Lisboa pós-Revolução descrita por Ary dos Santos (Um Homem na Cidade, 1977), a cidade ainda a acordar de um sono profundo, num espreguiçar lento. Ou quando apresenta à sua editora planos de gravar álbuns com pianistas - primeiro Bernardo Sassetti, agora Maria João Pires - e suspeita que, do outro lado, se quereria ouvir antes um típico disco à guitarra e à viola, sem sobressaltos.

É uma constante da História. A diferença, diz, é que "dantes não tomavam comprimidos para ver se se equilibravam: um era surdo, outro era não sei quê, um batia na tia, outro batia na avó. A gente pega na história destes tipos clássicos que ficaram, em todas as áreas, e são histórias um bocado loucas. Vemos naquele filme do Milos Forman que o Mozart é um bipolar, um ciclotímico. Mas genial. O Lennon era um sujeito especialíssimo. Um dia apareceu todo nu na cama com a senhora japonesa ao lado, e as pessoas diziam ‘este gajo é doido'. Claro que é doido! Não era exibicionismo. Exibicionismo é outra coisa".

Fados de Viena

"Isso é tão seguro como eu ir amanhã a Singapura". Esta é a resposta que se imagina a dar a alguém que, logo após a gravação do seu disco em duo com Bernardo Sassetti, visitando as canções-cicatrizes da sua vida, sugerisse que o seu disco seguinte, pouco depois, seria novamente num registo de voz e piano. Mas aconteceu que a mais inesperada das situações se lhe apresentou, irresistível como poucas. Em Linda-a-Velha, onde está sediado o seu Intervalo Grupo de Teatro, o ex-fundador do Teatro Moderno de Lisboa Armando Caldas homenageia anualmente figuras da vida artística portuguesa, perguntando sempre aos visados se gostariam de contar com alguém a abrilhantar musicalmente a cerimónia. Carlos do Carmo já fora chamado a participar nas homenagens a Júlio Pomar ou Carmen Dolores, frequentadores dos seus afectos. Mas ficou boquiaberto quando Caldas lhe contou que a homenageada em 2009, a pianista Maria João Pires, respondeu: "Ah, eu gostava tanto que fosse o Carlos do Carmo". "Fiquei surpreendido porque não tenho convivido com ela ao longo da vida, embora no meu percurso internacional muitas vezes veja quanto ela é um nome sólido mundial na música erudita".

Como a agenda não o recordava de nenhum outro compromisso prévio, aceitou o convite e na noite em questão, perante um auditório cheio, lá foi desfiando os seus fados, entremeados de tiradas humorísticas. "Eu dizia os maiores disparates e ela saltava da cadeira, parecia uma criança, bem-disposta, feliz da vida", lembra. Ao cair do pano, subiram os dois ao palco, mais o mestre de cerimónias António Victorino de Almeida, e o espanto de Carlos do Carmo foi-se prolongando ao ouvir a pianista virar-se para o maestro e dizer: "António, sabes do que gostava? Que tu me fizesses umas músicas de fado para tocar com o Carlos do Carmo, gostava de o acompanhar. Tens aqui os poetas na plateia, poesia não te falta". "Isto não é verdade", beliscou-se o cantor. "Esta senhora é uma solista, não faz este tipo de trabalho". Mas o desafio não foi, afinal, uma simpatia de circunstância e Victorino de Almeida arregaçou as mangas da casaca, os poetas mais ou menos experientados que ali estavam (Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral, Vasco Graça Moura, entre outros) desataram a juntar palavras e, quando deu por isso, Carlos do Carmo tinha um disco novo à sua espera. "Isto surgiu e alterou até a programação da minha gravadora porque para o ano faço 50 anos de carreira", desabafa. "Mas não sei estar nisto a brincar".

Trabalho, trabalho

A diferença dos mundos de Carlos do Carmo e Maria João Pires fez-se então sentir desde a primeira hora. Para a pianista, o contacto prévio com as notas escritas por Victorino de Almeida não implicava grande trabalho preparatório; para o fadista era colocar o pé em terreno lodoso, onde havia que assinalar antecipadamente as armadilhas. "Tive de me preparar muito bem porque alguns fados não são pêra doce. Há mudanças de tonalidade no ar, sem rede. Trabalhei muito, muito. Tenho uma sessão com os fados gravados em casa que foi o meu elemento de trabalho. Comecei com humildade a aprender, a memorizar". Depois, foi repeti-los até à exaustão - sendo que a exaustão, neste caso, foi sobretudo a da mulher de Carlos do Carmo, "desesperada", brinca ele, de ouvir tanta repetição enquanto o fadista ensaiava de auscultadores, cantando por cima da música, mas cantando por cima do silêncio aos ouvidos de Maria Judite.

As sessões de trabalho a dois, propriamente ditas, foram apenas três. "Fizemos três sessões de trabalho. Gravámos os fados que estão no disco, fez-se uma pequena filmagem enquanto ensaiávamos e tirámos umas quantas fotografias para o booklet. Jantámos, beijinhos e ela voltou para a casa dela". Isto vezes três, tantas quantas as vezes que Carlos do Carmo lhe entregou uma flor, chegado ao estúdio ao início da tarde - "que não é a minha hora mais forte para cantar" - depois de a pianista passar toda a manhã a aquecer as mãos e a preparar-se. O difícil, então, foi encontrar o tom, a forma de a voz se relacionar com o piano. "Esta senhora não está talhada para acompanhar, como o seu currículo o demonstra ao longo da vida. É uma solista presente nas grandes salas de concertos e é uma belíssima executante. Esta coisa de querer comigo gravar fados deve ter sido um esforço gigantesco. Ouvi-a com atenção, e eu que nunca fiz isso na minha vida porque já era tarde para aprender tal desporto, surfei. Esta é a imagem: surfei. Se ela está rigorosamente a tocar aquilo, eu, para não deixar de ser fadista, não posso estar a fazer rigorosamente aquilo, porque então estava a vender a minha alma ao diabo. E tenho de procurar esse grito de liberdade".

Nem todos os temas deste encontro, admite, serão fados, mas outros há que o são, "puros e duros", algo que se comprovará quando os interpretar à guitarra e à viola. Mas os fados de Victorino de Almeida, diz, "estes fados alegres não têm um sabor a fado de revista, mas sim um sabor a cabaret de Viena".

A dívida

Este seu eterno pagamento da dívida que diz ter para com o fado - "deu-me uma vida boa, ajudou-me a construir uma família, deu-me a conhecer o mundo, tive durante muitos anos ua vida desafogada, deu-me imensas alegrias" -, Carlos do Carmo fá-lo no entanto com um arrojo mais aguçado que muitos dos novos fadistas que vão aparecendo a montante e a jusante, e para quem diz que "o quinto disco é o diabo". E o diabo, explica, porque "já não mais espaço para deixar de ser aquilo que se é. Na história do fado anterior à minha geração, fala-se de cinco ou seis pessoas e eu ouvi dezenas e dezenas de pessoas. Tiveram mais sorte? Não, eram os melhores, é a selecção natural. E é isso que acho que o quinto disco vai determinar. O quinto disco é uma imagem. Quem eu não ponho neste campeonato é o Camané. Começou com 11 anos de idade, é da raiz do fado, é um fadista genuíno, com grande musicalidade que pode tranquilamente ir à pop e voltar. Só peço a Deus que me dê saúde e vida porque quero assistir aos quintos discos todos".

Por agora, convoca as energias dos seus 72 anos para a celebração do meio século de carreira em 2013 e manifesta o desejo de seguir a mãe num abandono dos palcos antes de "deixar uma imagem de decadência". Mas confessa que chegou igualmente o tempo para "uma outra coisa fundamental: ter uma grande disponibilidade para lutar". "Vai ser preciso outra vez uma grande luta política. Eu não estive de folga, nunca se está de folga. Mas acho que ainda tenho essa missão também, da participação cívica. Há tudo isto concreto à nossa volta: a fome, o desemprego, esta tristeza, esta ansiedade, esta angústia. É muito injusto fazer-se isto a este povo. Mas não brinquem que este povo é do caraças. Estejam atentos".

Retirado do Público


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Sábado, 22.09.12

Maria João Pires regressa a Mozart com Claudio Abbado

Gravações ao vivo de dois concertos de Mozart captadas em 2011 surgem num novo disco que acaba de ser editado pela Deutsche Grammophon

São dois nomes de vulto no catálogo da Deutsche Grammophon. E voltam a cruzar os seus caminhos. Já gravaram juntos concertos de Schumann ou Mozart. E é a este último compositor que regressam, numa gravação captada ao vivo, em 2011, no Auditorium Teatro Manzoni, em Bolonha e no auditório da Konzerthaus, em Bolzano.

 

Acompanhados pela Orchestra Mozart, a pianista e o maestro apresentam aqui interpretações dos Concertos para Piano números 20 e 27 de Mozart. Claudio Abbado e Maria João Pires tinham já gravado os concertos números 17 e 21 há cerca de dez anos, em Ferrara. O novo disco, como descreve Jed Distler no booklet, é uma "feliz reunião mozartiana dos dois músicos em Bolonha, com a nova orquestra do maestro", referindo ainda o texto que os diálogos entre solista e orquestra sobressaem com uma vivacidade particularmente especial nestas gravações.

 

A cidade de Bolonha, onde decorreram parte das gravações deste disco, acolheu em 1770 a visita de um muito jovem Mozart, ainda com 14 anos. Acompanhado pelo pai, Leopold, o jovem músico foi acolhido com entusiasmo pelo circuito intelectual e artístico da cidade. E depois de passar num exame, Mozart tornou-se membro da Accademia Filarmonica.

 

Noticia do DN



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Domingo, 20.05.12

Carnegie Hall aplaudiu de pé Maria João Pires

Carnegie Hall, emblemática sala de espetáculos de Nova Iorque, encheu na noite de sexta feira para ouvir a orquestra de Philadelphia conduzida pelo maestro Charles Dutoit, e ovacionou de pé a pianista portuguesa Maria João Pires.

 

A interpretação do 2.º Concerto para piano e orquestra de Frédéric Chopin valeu a Maria João Pires a maior ovação da noite da orquestra de Philadelphia no Carnegie Hall, tendo sido chamada ao palco do grande auditório Isaac Stern por três vezes, perante a insistência do público.

 

Quebrando o "protocolo" de palco, o maestro dirigiu-se à pianista e abraçou-a de forma efusiva logo após a interpretação.

 

A pianista informou o Carnegie Hall de não indisponibilidade para prestar declarações à imprensa, alegando compromissos de agenda.

 

A interpretação de Maria João Pires teve lugar depois da Abertura "Ruslan e Ludmilla", do compositor russo Mikhail Glinka.

 

A noite encerrou com o bailado "Daphnis et Chloé", do francês Maurice Ravel, com o grupo coral de Philadelphia.

 

Fundada em 1900, a Orquestra de Filadélfia é uma das "cinco maiores" norte-americanas, com as de Nova Iorque, Chicago, Boston e Cleveland, contando entre os seus diretores artísticos e musicais maestros como Leopold Stokowski, Eugene Ormandy ou, mais recentemente, Riccardo Muti e Christoph Eschenbach.

 

Maria João Pires substituiu o pianista italiano Maurizio Pollini, que teve de cancelar o concerto por motivos de saúde.

 

Pollini e Pires destacaram-se entre os principais pianistas surgidos nos anos de 1970, em particular na interpretação de Mozart e de compositores do Romantismo, como Franz Schubert ou Frédéric Chopin, como destaca a orquestra norte-americana.

 

O programa do Carnegie apresenta a pianista portuguesa como uma das mais destacadas intérpretes da sua geração, que "continua a impressionar o público com a integridade irrepreensível, eloquência e vitalidade da sua arte".

 

Este ano, a pianista tem participado em recitais de música de câmara com o violoncelista brasileiro António Meneses. E tem vindo a tocar com algumas das principais orquestras europeias e maestros como Bernard Haitink, Claudio Abbado e Riccardo Chailly.

 

A sua próxima gravação a ser editada, como habitualmente pela Deutsche Gramophon, será de dois concertos de Mozart conduzidos pelo maestro Claudio Abbado, prevista para o outono deste ano.

 

Noticia do JN



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