Vídeo de “Estranha Forma de Vida”, por Helder Moutinho, já disponível
Grandes nomes do fado unem-se ao jazz latino no disco “JazzInFado”, que já se encontra nas lojas
“JazzInFado”, o disco que reúne as melhores canções do fado e os seus melhores intérpretes a alguns dos mais importantes músicos do jazz latino já se encontra à venda nas lojas e está também disponível nas plataformas digitais. Acaba também de ser revelado o vídeo da surpreendente versão que o fadista HelderMoutinho fez do clássico “Estranha Forma de Vida” para este disco inovador. O vídeo foi realizado por Marcos Cosmos.
“JazzInFado” procura alargar as fronteiras do fado, reunindo grandes fadistas, nomeadamente CarlosdoCarmo, HélderMoutinho, Carminho, AntónioZambujo, RaquelTavares, MarcoRodrigues, AnaBacalhau, CucaRoseta, MariaBerasarte e JoanaAlmeida.
A ideia de juntar estes grandes nomes do fado às harmonias do jazz partiu de ÓscarGomez, músico e produtor cubano, vencedor já de cinco Grammys, membro do Board da Academia dos Grammys Latinos e cujas produções já venderam mais de 20 milhões de discos em todo o mundo.
“JazzInFado” foi gravado entre Madrid e Lisboa e nas gravações os fadistas foram acompanhados de músicos maioritariamente cubanos, como é o caso de Pepe Rivero ou de Ivan “Melon” Lewis.
“JazzInFado” é um objeto único que evidencia a imensa riqueza do fado, mas mostrando como esta música também dialoga de forma inovadora com o jazz.
Sim, o amor é vão É certo e sabido Mas então (porque não) porque sopra ao ouvido O sopro do coração Se o amor é vão Mera dor Mero gozo Sorvedouro caprichoso
No sopro do coração... No sopro do coração...
Mas nisto o vento sopra doido E o que foi do corpo num turbilhão Sopra doido E o que foi do corpo alado nas asas do turbilhão Nisto já nem de ar precisas Só meras brisas, Raras Raras Raras
Corto em dois limão Chego ao ouvido Ao frescor Ao barulho Á acidez do mergulho
No sangue do coração Pulsar em vão É bem dele É bem isso E apesar disso eriça a pele
No sopro do coração... No sopro do coração...
Mas nisto o vento sopra doido E o que foi do corpo num turbilhão Sopra doido E o que foi do corpo alado nas asas do turbilhão Nisto já nem de ar precisas Só meras brisas, Raras Raras Raras
No sopro do coração...
Sim, o amor é vão Todo o amor é vão Mas nisto o vento sopra doido E o que foi do corpo num turbilhão Sopra doido E o que foi do corpo alado nas asas do turbilhão Nisto já nem de ar precisas Só meras brisas raras
Sopra doido E o que foi do corpo alado nas asas do turbilhão Nisto já nem de ar precisas
Sexta-feira, 3 de Maio às 21h, com a sala a três quartos, Helder Moutinho apresentou 1987, ao vivo, em Lisboa, no Teatro Municipal São Luiz. 4,5 estrelas
Helder Moutinho já está fadado para cantar em dias assim. Lembra-se que, noutra vez, estava ele a cantar no CCB e estava o primeiro-ministro a anunciar “coisas horríveis” ao país. Na noite de sexta-feira, 3 de Maio, sucedeu o mesmo. Cantava ele o segundo fado da História de um desencontro quando o país lá fora escutava os fados da austeridade.
Mas isso não perturbou, de modo algum, a estreia ao vivo de 1987. Dias depois da confirmação na excelência de Camané (o seu irmão mais velho) num CCB superlotado e na mesma sala do São Luiz onde, na véspera, Anamar assinalara com um concerto enérgico e muito aplaudido o seu regresso aos palcos e aos discos, Helder Moutinho apresentou com sobriedade, elegância e sobretudo um grande espírito fadista, 1987, disco arrojado onde se alinham quatro histórias cada qual composta por quatro fados, todos eles escritos com um empenho e uma emoção que transparecem na música e no canto.
O roteiro, distribuído à entrada da sala, com a ficha do espectáculo e a sequência dos fados, foi cumprido à risca. O que quer dizer que os fados foram “baralhados” na sua sequência original, acabando as histórias por darem origem a uma história nova. E essa história é a do canto de Helder, cada vez mais depurado e perto da perfeição. Do início, com Pequeno amor, ao final, com Escrito no destino, temas de João Monge com música de Helder (o primeiro) e do Fado menor (o segundo), ouviu-se a quase totalidade dos temas do disco (só ficou de fora Maria da Mouraria, primeiro tema da história homónima, escrita por Pedro Campos) tendo, pelo meio, A saudade, de Linhares Barbosa e Fontes Rocha, que Helder foi buscar ao seu terceiro disco,Que fado é este que trago? (2008). Foi buscar e bem, porque entre a Noite em claro (da História de um desencontro) e o Luto inteiro (do Luto de uma relação), a saudade foi o sentimento exacto. E ele deu a este fado a alma e a garra que o fado pedia.
De resto, Helder começou a ser aplaudido efusivamente logo ao segundo fado,Vida, ouvindo vários “bravo!” inteiramente merecidos, como em Volta a darou em Já não te espero. Num cenário sóbrio mas engenhoso, com vários patamares (palcos dentro do palco) a sugerirem as “casas” das diferentes histórias, Helder teve o suporte condigno no trabalho dos músicos que o acompanharam, também eles já com trabalhos a solo ou projectos próprios: Ricardo Parreira, na guitarra portuguesa; Marco Oliveira, na viola de fado; e Ciro Bertini, na viola baixo. E que brilharam quando a voz lhes cedeu o lugar.
Dificilmente se arranjariam melhores palavras do que aquelas com que Helder fechou o espectáculo, antes de voltar para o encore. Foi João Monge que as escreveu para aquele que para muitos é o fado dos fados, o Menor: “Pus um escrito no destino/ Ninguém o quer habitar/ Só o fado é inquilino/ E paga a renda a chorar”. Que dizer, depois disto?
Talvez esperança, ou festa. Porque o fado, do outro lado da tristeza é também vida. E Helder Moutinho, que já recordara o seu pai, Manuel Paiva (que morreu em Agosto de 2012, precisamente quando ele se encontrava a masterizar este disco), homenageou ainda no encore Alfredo Marceneiro, cantando o Fado bailado (que gravara em Luz de Lisboa, de 2004), e Beatriz da Conceição, no Fado da Bia, escrito por Fernando Tordo e que surge no disco como tema extra-histórias, a título de post-scriptum.
Se para Helder este 1987 ao vivo foi uma noite de fados com F grande (a austeridade, do lado de fora, escreve-se com outras letras), para o público foi também o memorável momento em que o “irmão do meio” do clã Moutinho se fez maior no palco do fado.
Helder Moutinho edita 1987, um disco que ficará na história do fado
Algures por Alfama, durante anos, ouviu-se a voz de Helder Moutinho. Aquele recôndito lugar de Lisboa conhece-o bem e quem o frequenta também. Mas Moutinho é um cantor maior que Alfama e traz na voz a candura do nosso país.
"1987" é o disco que mostra que consolida toda a alma de fadista que o cantor têm em si.
Muito mais no que nos três discos anteriores, em "1987" percebe-se a pessoa que canta os fados nele inseridos.
Há mais de humano e mais história nas suas letras o que faz deste um dos melhores discos de fado da actualidade.
É interessante entender que o cantor, agora com 43 anos, está maduro e consciente tanto na escolha do reportório como na entrega necessária de cada canção.
Não há uma necessidade de se elevar em momentos incertos, mantendo assim o controlo certo de cada tema, e até de cada palavra.
Os poemas foram incrivelmente bem redigidos e têm a singeleza natural que o fado pede, percorrendo um pouco de todos os registos que existem dentro do próprio estilo.
“Já não te espero” é a letra de João Monge sobre o Fado Mayer que se estende por quase 13 minutos e que se ouve como se tivesse só dois.
A chefiar o álbum está “Venho de um Tempo”, a canção perfeita para ser primeiro single de um disco que tem tanto a oferecer ao fado e às gentes.
Talvez porque Moutinho esteja rodeado de grandes conhecedores, músicos e compositores de fado, este 1987 vem provar a todos que o ouvirem que Helder Moutinho não é o irmão do Camané.
É um artista sólido e competente em tudo comparável aos grandes nomes da praça pública do Fado.
O Fado é candidato a Património Cultural Imaterial da Humanidade e será já nos próximos dias 26 e 27 de Novembro que saberemos a deliberação oficial sobre esta candidatura.
Em jeito de homenagem a este género musical tão português, a marca de cafés Tofa, a EGEAC e Museu do Fado apresentaram, no dia 15 de Novembro, uma colecção de 12 pacotes de açúcar alusivos ao Fado.
O fim de tarde desta Terça-feira contou ainda com um concerto (ainda que relativamente curto) dos fadistas Ana Sofia Varela e Hélder Moutinho, para encanto dos muitos que se deslocaram até ao Museu do Fado.
Hélder Moutinho deu início a este apontamento musical com a canção “Vielas de Alfama”.
Três temas depois, foi a vez de Ana Sofia Varela, que começou o seu mini-concerto com um tema sobre o mesmo bairro lisboeta, “Alfama”. No final, os dois fadistas juntaram-se para, acompanhados por Ângelo Freire, na guitarra portuguesa, e Diogo Clemente, na viola de fado, interpretarem “Fado Corrido”.
Após terminado o concerto, Ana Sofia disse, em conversa com o Hardmusica, que o reconhecimento do Fado pela UNESCO terá uma expressão importante junto dos portugueses. “O nosso povo passará a ter ainda mais orgulho nesta música”, afirmou, acrescentando que espera que tenhamos “orgulho no nosso Fado [porque] é a nossa canção”.
Hélder Moutinho também realçou a expressão que o Fado tem vindo a ter, não só internacionalmente, como dentro do nosso país: “as pessoas estão a aproximar-se mais do Fado e a vê-lo como algo que faz realmente parte da nossa cultura e da nossa história”.
A apresentação do lançamento da colecção de pacotes de açúcar esteve a cargo do responsável de negócio de cafés torrados da Nestlé Portugal, Dr. Victor Manuel Martins, e por Miguel Honrado, Presidente da EGEAC (empresa municipal responsável pela Gestão de Equipamentos e Animação Cultural).
Miguel Honrado disse esperar que “estes pacotes de açúcar venham adoçar a possível consagração do Fado como Património da Humanidade”
Esta colecção reúne várias imagens representativas do Fado, desde antigos discos de vinil, a cartazes de teatro, partituras e capas de discos, pertencentes ao espólio do museu e datadas de 1910 a 2008.
Foi um fim de tarde agradável ao som de fado com cheiro a café, numa homenagem a um estilo musical que é marca do nosso país e, em especial, da cidade lisboeta.
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