Letra
Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Paris, Berlim, Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas foi por ela
Foi por ela que eu me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação dos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me faz falta foi por ela
Foi por ela que eu passo coisas graves
e passei passando as passas dos Algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um Deus ao rosto dela
foi por ela que eu deixei de ser quem era
sem saber o que me espera foi por ela
e elas são muito luxuriosas
na sua lascívia
e muito se animam em gestos
por luxuriar
e transluzem
na dança das pernas
pela arte das mãos
os olhos que brilham e fitam
de alto a baixo
a questão
e deslizam no ventre
dos corpos suados
os dedos
se no deleite
era muito mais doce
essa consolação
que desenha
pela curva da coxa
a sombreada elegância
e a cor do meu e do seu
à mais curta distância
leve como um beijo
leve o seu bailar
quente o seu desejo
quente
quente como o ar
roda
vira
e mexe o seu colo
gira gira
como um pião
treme como a seda
pela palma da mão
serpenteia o seu ventre
e geme como o vento suão
Letra
e muito se espantam da nossa brancura
entretanto
e muito pasmavam de olhar
olhos claros assim
palpavam as mãos e os braços
e outras partes
portanto
esfregavam de cuspo minha pele
para ver se era
enfim
uma tinta
ou se era de estampa
uma carne tão branca
vendo assim que era branco
o meu corpo e a brancura de então
extasiam
e muito se maravilham
de todo em admiração
e uns escondem as suas vergonhas
cobertas de estopas
e eram grandes e gordos
e baços
e enxutos
os pretos
pelas ventosidades
confundem traseiros e bocas
e tapam aqueles e estas
dobram calafetos
e os mais pardos
lá vão quase nus
vão ao léu gabirus
e de tetas até à cintura
há mulheres crepitantes
tão desnudas
meneiam na dança
o seu corpo dançante
e éramos brancos de assombro
e nascidos do mar
pelas naves
guiados pelos ventos do céu
e pelo voo das aves
Música
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