Segunda-feira, 22.07.13

 

Letra

 

Trabalha noites inteiras

o Almeida Varredor

enxotando a varejeira

pelas ruas ao rigor.

Perguntei-lhe a começar

pela vida e ele disse:

“(…)Eu danço quando ouço cantar

Afina a corda, ó tocador

Que eu vou-me pôr a contar

a vida dum varredor.

Tudo se passa e resume

entre um esgoto que arrota,

o cheirete e o azedume sem sabor

desta vida que se enxota,

e Portugal tem o costume.

 

E varre, varre senhor varredor,

pois com o teu varrer

assim faz outro mundo

 

Portugal tem o costume

de viver com dois extremos

os que lucram com o estrume

do lixo em que nós vivemos.

Também nos caixotes de lixo

tem o País seu retrato

ao lixo atira o rico e muito mais

o que lhe ofende o olfacto –

para o pobre é mata-bicho.

 

Para o pobre é mata-bicho

o que à fome vai sobrando

mas faz das sobras do rico

o bicho que vai matando.

Não tem a cara lavada

quem vive desta sujeira

que é ver gente governada assim,

por outra viver da lixeira,

e ser Almeida sem mais nada.”

 

E varre, varre senhor varredor,

pois com o teu varrer

assim faz outro mundo

Disse então a despedir-me

“muita coisa há p’ra varrer”

Respondeu-me “uma das coisas é

Quem nos faz apoderecer;

Neste trabalho braçal

de tudo varre o varredor :

gato morto e um aborto semanal

o que nos falta em rigor, sim senhor,

é varrer o capital.”

                                (Fausto)



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Domingo, 21.07.13

 

Letra

 

Sete saias tem Mariana 
e um emprego em Miraflores 
viveu ontem de recados 
mas hoje vive de amores 

sete carros vão chegando 
pelas tardes de Belém 
com sete homens que a beijam 
entre Sintra e o Cacém 

não tenho amores 
nem tenho amantes pois 
quantos amados não sei 
tenho alguns amadores 
olha para mim 
lá na terra onde morei 
escutava 
pela rádio o folhetim 

sete saias tem Mariana 
à noite no Parque Mayer 
dança bolero em dó menor 
ali num cantinho qualquer 

«ai de mim» - diz Mariana 
se um dia amor me faltar 
ao almoço eu já não como 
e como menos ao jantar 

não tenho amores 
nem tenho amantes pois 
quantos amados não sei 
tenho alguns amadores 
e sustento dois 
lá na terra onde morei 
sem trabalho 
que é da vida p´ra depois 

sete saias tem Mariana 
nesta roda de contraste 
a tua vida serve bem 
aqueles que nunca amaste 

Mariana das sete saias 
se sopra o vento suão 
deixas de ser uma almofada 
entre o mandado e o mandão 

cai-te essa flor do cabelo 
e amores do coração




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Quinta-feira, 25.04.13

 

Letra

 

Não canto porque sonho. 
Canto porque és real. 
Canto o teu olhar maduro, 
teu sorriso puro, 
a tua graça animal. 

Canto porque sou homem. 
Se não cantasse seria 
mesmo bicho sadio 
embriagado na alegria 
da tua vinha sem vinho. 

Canto porque o amor apetece. 
Porque o feno amadurece 
nos teus braços deslumbrados. 
Porque o meu corpo estremece 
ao vê-los nus e suados.



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Letra

 

Lembra-me Um Sonho Lindo

Fausto

 

Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado

Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada

Canta rouxinol canta
não me dês penas,
cresce girassol cresce
entre açucenas

Afoga-me o corpo todo
se te pertenço,
rasga-me o vento ardendo
em fumos de incenso

Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado

Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada

Ai como eu te quero,
ai de madrugada,
ai alma da terra,
ai linda, assim deitada

Ai como eu te amo,
ai tão sossegada,
ai beijo-te o corpo,
ai seara, tão desejada 



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Sexta-feira, 29.03.13

 

 

Letra

 

Abraça-me bem, cobre meu corpo enfin nesse agasalho
São os teus braços sim, cuida de mim
Basta-me um gesto, porém, abraça-me bem
Bem no teu colo
Chega-me mais a ti, um pouco mais...
Suavemente assim tudo por fim são mágoas que eu consolo bem no teu colo

Todo este céu de pássaros e tons muito assombrados traz o teu ser tão bom, todo este som, decerras o meu véu...todo este céu

Lançado à Terra sob restingas e ilhéus, nas sombras de asas... Lembram a ausência de um beijo, um último adeus
Só teu afago me espera lançado à Terra

E qualquer coisa acontece no mais alto dos céus
Qualquer coisa no fundo do meu coração,mas não sei das trevas nem da luz
Pois sem ti não há nem céu nem chão
E se a noite já ronda a minha cruz luz nas trevas, minha paixão

Abraça-me bem,Cobre meu corpo enfin nesse agasalho
São os teus braços sim, cuida de mim
Basta-me um gesto, porém, abraça-me bem
Chega-me mais a ti, um pouco mais...
Suavemente assim tudo por fim são mágoas que eu consolo bem no teu colo
Bem no teu colo...




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letra

 

O tempo tem lá dentro uma espiral
uma espiral que se chama história
e que num andar natural
e por força de vontade
resolveu ter um capricho
chamado liberdade
tão material
como qualquer planeta
num constante movimento
em harmonia universal

A história tem lá dentro um mecanismo
habitado por homens tão diferentes
e que me perdoem o aforismo
se os mais pobres da nação
resolveram ter um desejo
chamado revolução
acto imortal
de quem torce o rumo à vida
arrasando baionetas
na direcção sideral

Em todo o espaço-tempo percorrido
se encontra a inteligência criadora
e que no corpo do oprimido
forja a ideia e o canhão
contra o tirano e o ludíbrio
também chamado traição
é mandarete
“no tiroteio de banquetes”
onde se enfeitam burlões
“com discursos e foguetes”

E eu a querer-te cantar
com afecto e sentimento
a harmonia em tom menor
num compasso mais lento
mas o amargo vem à boca
vingador
como disse o escritor
“isto dá vontade de morrer”
se eles te matam atam
a gente luta labuta
e até apetece viver

Quando existe coragem à mão cheia
recordo a Maria da Fonte
ainda mais a Patuleia
que num passo popular
conquistou vale e montanha
para se perder no mar
numa traição
de tribunos setembristas
que da revolta venderam
a alma e o coração

Se a história é longa e nunca se repete
tem pelo menos algo semelhante
e à consciência é que compete
saber quantos “liberais”
entram a matar Abril
tal qual ontem os Cabrais
são rabanetes
de ceias à americana
com a liberdade a juros
custeando beberetes

E eu a querer-te cantar



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Segunda-feira, 07.01.13

 

 

letra

 

Navegar navegar 
Mas ó minha cana verde 
Mergulhar no teu corpo 
Entre quatro paredes 
Dar-te um beijo e ficar 
Ir ao fundo e voltar 
Ó minha cana verde 
Navegar navegar 


Quem conquista sempre rouba 
Quem cobiça nunca dá 
Quem oprime tiraniza 
Naufraga mil vezes 
Bonita eu sei lá 

Já vou de grilhões nos pés 
Já vou de algemas nas mãos 
De colares ao pescoço 
Perdido e achado 
Vendido em leilão 
Eu já fui a mercadoria 
Lá na praça do Mocá 
Quase às avé-marias 
Nos abismos do mar 


navegar navegar... 


Já é tempo de partir 
Adeus morenas de Goa 
Já é tempo de voltar 
Tenho saudades tuas 
Meu amor 
De Lisboa 
Antes que chegue a noite 
Que vem do cabo do mundo 
Tirar vidas à sorte 
Do fraco e do forte 
Do cimo e do fundo 
Trago um jeito bailarino 
Que apesar de tudo baila 
No meu olhar peregrino 
Nos abismos do mar



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Domingo, 06.01.13

 

 

letra

 

O barco vai de saída
Adeus ó cais de alfama
Se agora vou de partida
Levo-te comigo ó cana verde
Lembra-te de mim ó meu amor
Lembra-te de mim nesta aventura
P´ra lá da loucura
P´ra lá do equador


Ah! mas que ingrata ventura bem me posso queixar
Da pátria a pouca fartura
Cheia de mágoas ai quebra mar
Com tantos perigos ai minha vida
Com tantos medos e sobressaltos
Que eu já vou aos saltos
Que eu vou de fugida


Sem contar essa história escondida
Por servir de criado a essa senhora
Serviu-se ela também tão sedutora
Foi pecado
Foi pecado
E foi pecado sim senhor
Que vida boa era a de lisboa


Gingão de roda batida
Corsário sem cruzado
Ao som do baile mandado
Em terras de pimenta e maravilha
Com sonhos de prata e fantasia
Com sonhos da cor do arco-íris
Desvairas se os vires
Desvairas magia


Já tenho a vela enfunada
Marrano sem vergonha
Judeu sem coisa sem fronha
Vou de viagem ai que largada
Só vejo cores ai que alegria
Só vejo piratas e tesouros
São pratas são ouros
São noites são dias


Vou no espantoso trono das águas
Vou no tremendo assopro dos ventos
Vou por cima dos meus pensamentos
Arrepia
Arrepia
E arrepia sim senhor
Que vida boa era a de lisboa


O mar das águas ardendo
O delírio dos céus
A fúria do barlavento
Arreia a vela e vai marujo ao leme
Vira o barco e cai marujo ao mar
Vira o barco na curva da morte
Olha a minha sorte
Olha o meu azar


E depois do barco virado
Grandes urros e gritos
Na salvação dos aflitos
Esfola, mata, agarra
Ai quem me ajuda
Reza, implora, escapa
Ai que pagode
Reza tremem heróis e eunucos
São mouros são turcos
São mouros acode


Aquilo é uma tempestade medonha
Aquilo vai p´ra lá do que é eterno
Aquilo era o retrato do inferno
Vai ao fundo
Vai ao fundo
E vai ao fundo sim senhor
Que vida boa era a de lisboa.



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Sexta-feira, 19.10.12

Fausto apresenta


O mais recente disco de Fausto Bordalo Dias traduz o final de uma aventura em formato de triologia. "Por Este Rio Acima" foi o começo, em 1982, seguindo-se "Crónicas da Terra Ardente", em 1994.


"Em Busca das Montanhas Azuis" foi editado no final do ano passado. 


Um disco duplo, onde Fausto descreve a entrada dos portugueses em terra firme no continente africano.

Um trabalho que revela uma nova aproximação à música tradicional portuguesa.

 

Os bilhetes estão disponíveis nos locais de venda habituais.

 

Sofia Silva

 

Noticia do HardMúsica



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Quarta-feira, 25.04.12

 

Letra

 

Uns vão bem e outros mal

Senhoras e meus senhores, façam roda por favor
Senhoras e meus senhores, façam roda por favor, cada um com o seu par
Aqui não há desamores, se é tudo trabalhador o baile vai começar
Senhoras e meus senhores, batam certos os pézinhos, como bate este tambor
Não queremos cá opressores, se estivermos bem juntinhos, vai-se embora o mandador
Vai-se embora o mandador
Faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres
Folha seca cai ao chão, folha seca cai ao chão
Eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres,
Que eu sou doutra condição, que eu sou doutra condição
De velhas casas vazias, palácios abandonados, os pobres fizeram lares
Mas agora todos os dias, os polícias bem armados desocupam os andares
Para que servem essas casas, a não ser para o senhorio viver da especulação
Quem governa faz tábua rasa, mas lamenta com fastio a crise da habitação
E assim se faz Portugal, uns vão bem e outros mal
Faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres
Folha seca cai ao chão, folha seca cai ao chão
Eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres,
Que eu sou doutra condição, que eu sou doutra condição
Tanta gente sem trabalho, não tem pão nem tem sardinha e nem tem onde morar
Do frio faz agasalho, que a gente está tão magrinha da fome que anda a rapar
O governo dá solução, manda os pobres emigrar, e os emigrantes que regressaram
Mas com tanto desemprego, os ricos podem voltar porque nunca trabalharam
E assim se faz Portugal, uns vão bem e outros mal
Faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres
Folha seca cai ao chão, folha seca cai ao chão
Eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres,
Que eu sou doutra condição, que eu sou doutra condição
E como pode outro alguém, tendo interesses tão diferentes, governar trabalhadores
Se aquele que vive bem, vivendo dos seus serventes, tem diferentes valores
Não nos venham com cantigas, não cantamos para esquecer, nós cantamos para lembrar
Que só muda esta vida, quando tiver o poder o que vive a trabalhar
Segura bem o teu par, que o baile vai terminar
Faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres, faz lá como tu quiseres
Folha seca cai ao chão, folha seca cai ao chão
Eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres, eu não quero o que tu queres,
Que eu sou doutra condição, que eu sou doutra condição


Fausto, in Madrugada dos Trapeiros, 1978



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Sábado, 21.04.12

 

Letra

 

Meu amor adeus 
Tem cuidado 
Se a dor é um espinho 
Que espeta sozinho 
Do outro lado 
Meu bem desvairado 
Tão aflito 
Se a dor é um dó 
Que desfaz o nó 
E desata um grito 
Um mau olhado 
Um mal pecado 
E a saudade é uma espera 
É uma aflição 
Se é Primavera 
É um fim de Outono 
Um tempo morno 
É quase Verão 
Em pleno Inverno 
É um abandono 
Porque não me vês 
Maresia 
Se a dor é um ciúme 
Que espalha um perfume 
Que me agonia 
Vem me ver amor 
De mansinho 
Se a dor é um mar 
Louco a transbordar 
Noutro caminho 
Quase a espraiar 
Quase a afundar 
E a saudade é uma espera 
É uma aflição 
Se é Primavera 
É um fim de Outono 
Um tempo morno 
É quase Verão 
Em pleno Inverno 
É um abandono



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Segunda-feira, 26.03.12

 

letra

 

Quando eu morrer

Não me dêem rosas

Mas ventos

Quero as ânsias do mar

Quero beber a espuma branca

Duma onda a quebrar

E vogar

 

Ah, a rosa dos ventos

A correrem na ponta dos meus dedos

A correrem, a correrem sem parar.

Onda sobre onda infinita como o mar.

Como o mar inquieto

Num jeito

De nunca mais parar.

 

Por isso eu quero o mar.

Morrer, ficar quieto,

Não.

Oh, sentir sempre no peito

O tumulto do mundo

Da vida e de mim.

 

E eu e o mundo.

E a vida.

Oh mar

O meu coração

Fica para ti

Para ter a ilusão

De nunca mais parar



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Domingo, 25.03.12

 

letra

 

Lembra-me Um Sonho Lindo

Fausto

 

Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado

Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada

Canta rouxinol canta
não me dês penas,
cresce girassol cresce
entre açucenas

Afoga-me o corpo todo
se te pertenço,
rasga-me o vento ardendo
em fumos de incenso

Lembra-me um sonho lindo
quase acabado,
lembra-me um céu aberto
outro fechado

Estala-me a veia em sangue
estrangulada,
estoira num peito um grito,
à desfilada

Ai como eu te quero,
ai de madrugada,
ai alma da terra,
ai linda, assim deitada

Ai como eu te amo,
ai tão sossegada,
ai beijo-te o corpo,
ai seara, tão desejada 



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Sábado, 03.12.11

Letra

 

Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com a letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar

e dando calor ao sumo das mangas.
sua pele macia - era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
tão rijo e tão doce - como o maboque...
Seu seios laranjas - laranjas do Loge
seus dentes... - marfim...
Mandei-lhe uma carta
e ela disse que não.

Mandei-lhe um cartão
que o Maninjo tipografou:
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou.

Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigénia,
me desse a ventura do seu namoro...
E ela disse que não.

Levei à avó Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu...
E o feitiço falhou.

Esperei-a de tarde, à porta da fábrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos...
falei-lhe de amor... e ela disse que não.

Andei barbado, sujo, e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
" - Não viu...(ai, não viu...?) Não viu Benjamim?"
E perdido me deram no morro da Samba.
E para me distrair
levaram-me ao baile do sô Januário
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso às moças mais lindas do Bairro Operário

Tocaram uma rumba dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: "Aí Benjamim!"
Olhei-a nos olhos - sorriu para mim
pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.


Viriato da Cruz



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Sábado, 26.11.11

«Em busca das montanhas azuis» traz Fausto de volta às edições

 

Vinte e três composições, uma das quais instrumental, integram «Em busca das montanhas azuis», o duplo álbum do músico Fausto, que chegou ao mercado esta semana.


Com este duplo CD, que integrará ainda um DVD com imagens das gravações numa edição limitada, Fausto Bordalo Dias encerra a trilogia «Lusitana Diáspora», iniciada em 1982 com o álbum «Por este rio acima» e continuada em 1994 com «Crónicas da terra ardente».

 

O instrumental «Aproximação à terra» é o tema com que Fausto abre o disco que conclui a trilogia, baseada nas viagens relatadas na «Peregrinação», de Fernão Mendes Pinto, obra presente desde «Por este rio acima», que a crítica considera um dos álbuns mais marcantes da música popular portuguesa das últimas décadas.

 

Depois do tema instrumental, que ilustra a aproximação dos portugueses ao continente africano, Fausto começa por interpretar «E fomos pela água do rio», num ritmo lento, a que se sucede «Velas e navios sobre águas», com um ataque mais forte e uma batida mais rápida, seguindo-se «E viemos nascidos do mar», uma sucessão de canções nas quais impera a inspiração das chulas e dos malhões da expressão tradicional do Norte de Portugal.

 

Alguns dos temas que integram o primeiro disco do duplo álbum não serão totalmente desconhecidos do público, uma vez que o cantor os apresentou no espetáculo do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, em junho de 2010. Dos temas então interpretados, destaca-se ainda «Por altas serras de montanhas», que encerra o primeiro CD.

 

Além dos temas que Fausto mostrou ao público no espetáculo de junho do ano passado, o primeiro CD do duplo álbum inclui também «A mais débil das lágrimas»«De um crescendo dourado» e «Bárbaras iguarias», intervalando ritmos mais lentos e outros mais intensos.

«Ocultam à claridade da luz» é a canção que abre o segundo álbum, sobre tema lento, seguindo-se «A enxurrada», canção em que o ritmo volta a aumentar.

 

Das onze canções que preenchem o segundo disco, destaque ainda para «Pelos rios de Cuama», em que o autor aborda o rio Zambeze e os "cinco braços" deste.

 

Segue-se «Nesta selva do Guinéu», um tema em que o autor enumera uma série de nomes de etnias e de povos africanos com que os portugueses se depararam quando chegaram a África.

 

«No brasileiro da Mourama», «Tempo claro e vento galeno» e «Quase em tons de cristal» são as canções seguintes, seguindo-se «De costa à contracosta», na qual é relatada a incursão dos portugueses nas regiões de Cazembe e Tete, em Moçambique.

 

«O perfume das chuvas» é a canção com que Fausto termina a trilogia sobre a diáspora portuguesa, um tema no qual o cantor fala de uma planta ameaçada que só existe no deserto da Namíbia e em Angola.

 

De acordo com uma nota da editora, «a conclusão do tríptico reforça a importância máxima da criação de Fausto. Não só num formato de retrospetiva da história de Portugal, mas incidindo muito profundamente no tempo presente e nas relações mantidas entre Portugal e o continente africano, num momento de reflexão sociológico, musical e político que sempre fez parte do código de composição de Fausto Bordalo Dias».

 

O comunicado da editora acrescenta que este novo disco de Fausto «eleva o patamar para uma nova descoberta de abordagens à música tradicional portuguesa, num trabalho intenso que Fausto tem mantido ao longo da sua carreira».

 

Videoclip de «Velas e navios sobre águas»


Via Sapo Música



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Quarta-feira, 23.11.11
Letra

quando avistaram pela primeira vez

velas e navios sobre as águas

por maravilha imaginaram

que eram brandas

asas brancas

que voavam pelas fráguas

vindas por magia

de estranhos lugares

assim levantadas

muito mais aladas

pelas entranhas das cafrarias

e nascidas de outros mares

de outros ares

e quando arreámos velas

lançámos ferro

e vendo apenas cascos de feitio

cuidaram então que fossem peixes

nunca antes tinham visto

qualquer obra de navio

vão remos ao alto

pára de vogar

e olham-nos de espanto

e nós neste quebranto

acordámos em sobressalto

se andam cafres pelo ar

a rondar a rondar

também julgavam que os olhos pintados

e pintados mesmo à proa do navio

eram verdadeiros olhos

e por esses olhos

via e andava

o navio pelo rio

pairando no escuro

era aparição

estranha criatura

na negra moldura

e na aflição do esconjuro

atropelam água

céu e chão

os pagãos

os pagãos

e cobrem o ar gafanhotos

mosquitos e moscos

pavões e patolas

libelinhas

zangões

borboletas

tabões

abelhinhas

gralhas

galinholas

e no chão

abertos os gorgomilos

há bichas e crocodilos

muito abundantes

de beiça larga

e papos grandes

e na tapada

andam leões e leopardos

entre muitos ruminantes

mirabolantes

longos focinhos de “alifantes”



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Terça-feira, 01.11.11
Letra
Diz-me agora o teu nome
se já dissemos que sim
pelo olhar que demora
porque me olhas assim
porque me rondas assim

Toda a luz da avenida
se desdobra em paixão
magias de druida
plo teu toque de mão
soam ventos amenos
plos mares morenos
do meu coração

Espelhando as vitrinas
da cidade sem fim
tu surgiste divina
porque me abeiras assim
porque me tocas assim
e trocámos pendentes
velhas palavras tontas
com sotaque diferentes
nossa prosa está pronta
dobrando esquinas e gretas
plo caminho das letras
que tudo o resto não conta

E lá fomos audazes
por passeios tardios
vadiando o asfalto
cruzando outras pontes
de mares que são rios
e num bar fora de horas
se eu chorar perdoa
ó meu bem é que eu canto
por dentro sonhando
que estou em Lisboa

Dizes-me então que sou teu
que tu és toda pra mim
que me pões no apogeu
porque me abraças assim
porque me beijas assim
por esta noite adiante
se tu me pedes enfim
num céu de anúncios brilhantes
vamos casar em Berlim
à luz vã dos faróis
são de seda os lençóis
porque me amas assim



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Quarta-feira, 19.10.11
Fausto Bordalo Dias tem uma carreira de mais de 40 anos
Fausto Bordalo Dias tem uma carreira de mais de 40 anos
 (Foto: Fernando Veludo/nFactos)

A trilogia que Fausto Bordalo Dias inaugurou em 1982, com Por Este Rio Acima, está prestes a ficar concluída. A Universal divulgou esta quarta-feira a data de lançamento do novo álbum do cantor e compositor português, que termina o seu mais ambicioso trabalho com um disco duplo, a chegar às lojas a 21 de Novembro.

 

Os quase trinta anos de espera fizeram deste um álbum anunciado e muito antecipado. Mas apenas no início deste ano é que Fausto confirmou estar a trabalhar activamente na finalização das canções. O mar fica, por fim, pelo caminho para os temas se dedicarem a narrar o percurso por terra que liga o Ocidente ao Oriente africano, “incidindo muito profundamente” nas actuais relações entre Portugal e aquele continente.

A História portuguesa da expansão é o mote da trilogia, que Fausto intitulou “Lusitana Diáspora”. Por Este Rio Acima (baseado na Peregrinação de Fernão Mendes Pinto) eCrónicas da Terra Ardente, o segundo tomo, editado em 1994, abordavam as viagens marítimas dos navegadores portugueses em direcção a África e à Índia. Agora, informa a editora, o músico dedica-se às viagens por “terra firme”.

No comunicado emitido esta quarta-feira, a Universal não revela o título do trabalho. Escreve apenas que, em termos musicais, "o disco eleva o patamar para uma nova descoberta de abordagens à música tradicional portuguesa”. A editora sublinha ainda o “trabalho intenso” que caracteriza as canções de Fausto, que na década passada lançou apenas um álbum de originais, A Ópera Mágica do Cantor Maldito (2003).

Fausto é um dos mais importantes nomes da música tradicional portuguesa, com uma carreira de mais de quatro décadas. Recentemente, participou no projecto Três Cantos, que o juntava a José Mário Branco e a Sérgio Godinho. De resto, não foram muitas as criações de Fausto que chegaram a público nos últimos anos – apenas a compilação 18 Canções de Amor e Mais Uma de Ressentido Protesto (2007).

 

Retirado do Publico



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Sábado, 03.09.11
Letra
Lá vem a Nau Catrineta, - Que me tem muito que contar; 
Sete anos e um dia - Sobre as águas do mar. 
Já não tinham que comer, - Nem tão pouco que manjar, 
deitaram sola de molho - pra no domingo jantar; 

A sola estava tão dura, - Não a puderam tragar. 
Ditam sortes à ventura - Qual haviam de matar. 
A sorte caiu em preto, - No tenente-general. 
- Sobe, gajeiro, assobe - áquele mastro real, 

Vê se vês terras d´Espanha, - Areias de Portugal. 
Palavras mão eram ditas, - Gajeiro caiu ao mar; 
Por milagre de Maria - Gajeiro tornou ao ar. 
- Já vejo terras d´Espanha - E areias de Portugal, 

Também vejo três meninas . Debaixo dum laranjal. 
- Todas três são minhas filhas, - Todas três tas hei-de dar 
uma para te vestir, - Outra para te calçar, 
a mais bonita delas - Para contigo casar. 

Não quero as vossas filhas, - Que lhe custa a criar, 
Quero a Nau Caterneta - Para no mar navegar. 
- Nau Caterneta não ta dou, - Que é d´El Rei de Portugal. 
Quando chegar a Lisboa - Logo lha vou entregar



publicado por olhar para o mundo às 17:53 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Sexta-feira, 29.04.11

 

 

 

Letra

 

se tu fores à praia 
se tu fores ver o mar 
cuidado não te descaia 
o teu pé de catraia 
em óleo sujo à beira-mar 

a branca areia de ontem 
está cheiinha de alcatrão 
as dunas de vento batidas 
são de plástico e carvão 
e cheiram mal como avenidas 
vieram para aqui fugidas 
a lama a putrefacção 
as aves já voam feridas 
e outras caem ao chão 

Mas na verdade Rosalinda 
nas fábricas que ali vês 
o operário respira ainda 
envenenado a desmaiar 
o que mais há desta aridez 
pois os que mandam no mundo 
só vivem querendo ganhar 
mesmo matando aquele 
que morrendo vive a trabalhar 
tem cuidado... 

Rosalinda 
se tu fores à praia 
se tu fores ver o mar 
cuidado não te descaia 
o teu pé de catraia 
em óleo sujo à beira-mar 

Em Ferrel lá p´ra Peniche 
vão fazer uma central 
que para alguns é nuclear 
mas para muitos é mortal 
os peixes hão-de vir à mão 
um doente outro sem vida 
não tem vida o pescador 
morre o sável e o salmão 
isto é civilização 
assim falou um senhor 
tem cuidado

 



publicado por olhar para o mundo às 17:38 | link do post | comentar


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