Sábado, 09.03.13

O fado de Marco Rodrigues é jovem, mas respeita a tradição

No novo disco de Marco Rodrigues tanto cabe um texto escrito há mais de 500 anos como um passeio, com ténis All-Star, entre o Chiado e o Bairro Alto, conta o fadista em entrevista ao SAPO Música.

"Do Chiado ao Bairro Alto" segue "um pintas à antiga, com um malmequer na lapela, mas que, ao mesmo tempo, podia ter uns ténis All-Star", revela-nos Marco Rodrigues ao apresentar uma das canções de "Entretanto" que interpretou no showcase exclusivo para o SAPO Música.

Um tema como esse é uma boa amostra do que podemos encontrar no terceiro álbum do fadista lisboeta: um fado "à antiga" que não rejeita acompanhar os ares dos tempos. É por isso que também ouvimos por aqui uma canção assinada por Luisa Sobral, "A Rosa e o Narciso", vincada por "um tipo de escrita bastante fresco".

Há outras mulheres nos créditos destas canções, como Isabel Noronha ou Inês Pedrosa, parte de uma equipa de colaboradores que conta ainda com Tiago Torres da Silva, nas letras, ou Tiago Machado, na composição. E as mulheres são também o objeto de alguns fados, caso de "Coração olha o que queres", o primeiro single, nascido de uma composição de Custódio Castelo e de um texto com mais de 500 anos de Francisco Rodrigues Lobo. A ideia é "quase como por as mulheres num pedestal" e "retratá-las como elas são, apaixonantes", conta-nos Marco Rodrigues:

 

Entrevista @Gonçalo Sá/ Edição @Inês Mendes

 

Retirado de Sapo Música



publicado por olhar para o mundo às 12:21 | link do post | comentar

Quarta-feira, 04.07.12

Há poucos assim. Com carreira já consolidada em Portugal e com algumas experiências bem sucedidas além-fronteiras, não esquecem, nas suas deambulações pelos cantinhos do nosso país, os primeiros passos dados no concorrido mundo da música, o trabalho árduo que os fez alcançar o lugar de topo que hoje ocupam no panorama musical português, a sorte com que, a certa altura dum difícil percurso, foram brindados, e a persistência quase desumana de que se valeram ao longo dos anos - ferramenta sempre essencial, garantem, a quem, como eles, insiste, contra todos os prognósticos, em vingar na sua tão sua arte. Motivos não lhes faltariam, na verdade, mas vaidade é coisa que não lhes assiste. Pelo contrário. Encaram o palco com a descontração de uma criança, com a simpatia única das Donas-não-sei-das-quantas-que-todos-os-dias-se-põem-à-janela-a-cumprimentar-todos-os-que-passam, com as piadas de um promissor aspirante a cómico, sem pretensiosismos, com toda a graça possível... e mais alguma. Surpreenderam ao primeiro álbum, com cantorias que depressa viraram hinos de verão e inverno, mas o segundo, "Doce Lar", recentemente editado, não lhe fica atrás em génio, criatividade e força. Impossível não nos apaixonarmos pelos Virgem Suta! Do Alentejo, com muito amor, com certeza!

 

 

Sara Novais, Filipa Oliveira e Inês Mendonça

 

Retirado de Sapo Música



publicado por olhar para o mundo às 21:25 | link do post | comentar

Sexta-feira, 14.10.11

Sara Tavares

 

Sara Tavares irá protagonizar, amanhã, no Centro Cultural Olga Cadaval, um dos concertos mais aguardados da edição 2011 do Sintra Misty.

 

Depois de ter interrompido a sua carreira durante um ano, por motivos de saúde, a cantora regressa aos palcos recuperada, pronta para o triunfo e para o calor dos aplausos. Recentemente galardoada com o prémio para Melhor Voz Feminina, no âmbito do Cabo Verde Music Awards, Sara Tavares irá recuperar, em Sintra, o seu mais recente disco de originais, "Xinti", sobre o qual falou ao Palco Principal.

 

Palco Principal - Este ano, pisaste o palco do Delta Tejo, para um dueto com Nelly Furtado. Também participaste no concerto de Joss Stone no Festival dos Oceanos. Contudo, já há muito que não ofereces aos portugueses um concerto só teu. Isto acontece por algum motivo especial?
 
Sara Tavares – Não propriamente. Estive afastada dos palcos durante algum tempo e tem demorado um pouco para as pessoas se aperceberem que eu já estou bem e que já regressei ao ativo. O último concerto que dei em Lisboa foi em outubro de 2010, nos jardins de Belém, a convite do Presidente. Esse foi também o primeiro concerto que fiz depois da minha longa paragem, que se prolongou por 2010. Foi esse o pontapé de saída para voltar aos palcos. E agora que surgiu esta oportunidade para cantar no Sintra Misty, espero voltar a agendar concertos em Lisboa e Portugal. Felizmente para mim, tenho tido solicitações lá fora, mas por cá, nem por isso.

 

PP - Em 2009 fez uma grande digressão fora de portas. Esteve no Canadá e passou por vários países europeus. Como é recebida lá fora? Sente-se acarinhada pelo público europeu?

 

ST – Muito acarinhada. Já atuei no Canadá três vezes e fui sempre muito bem recebida, mas nesta última passagem, em 2009, senti que as pessoas já iam enchendo as salas, que já conheciam algumas músicas, e havia, aliás, alguns fãs que apareciam de concerto para concerto. Foi pena termos parado em 2010 e não termos conseguido continuar esse trabalho, mas agora estamos de volta e iremos retomá-lo, com disco novo na bagagem.

 

PP – São muitas as saudades de subir, assiduamente, aos palcos?

 

ST – Sim, são muitas. Cantar é a minha identidade. Quando fico muito tempo sem cantar, sinto-me perdida, sem saber muito bem quem sou. A música é que me define e revela a minha identidade.

 

PP – O que podemos esperar do concerto no Sintra Misty, na medida em que será o palco do reencontro com o público português, que muito aguarda uma performance da Sara Tavares em solo nacional?

 

ST – Bem, a novidade é que vou ser acompanhada por uma banda nova, o que se reflete numa nova interpretação das canções. Vou insistir nas músicas do meu último disco, “Xinti”, porque o álbum teve apenas seis meses de vida, na medida em que chegou às lojas na primavera de 2009, tendo eu parado com os concertos logo em dezembro. Aqui em Lisboa só fiz mesmo o Delta Tejo 2009, mas as coisas ainda estavam verdes, ainda estava em plena fase de transição do estúdio para o formato “ao vivo”. Também não esqueçamos que era um concerto de festival, com canções mais mexidas, mais festivas. No Sintra Misty, numa sala como o Centro Cultural Olga Cadaval, haverá lugar para uma maior intimidade, para o acústico, para um calor humano ainda maior em termos de recetividade.

 

PP – Como olhas para “Xinti”, dois anos depois da sua edição?

 

ST – Em “Xinti” falo muito de mim, da necessidade de ouvirmo-nos a nós próprios. Falo muito de um estado de alma, em que as coisas estão alinhadas, estão a fluir. Creio que em todas as canções acabo por abordar uma postura positiva e aberta para a vida, na qual deixamos que esta nos indique o caminho.

 

PP – Revês-te nessa postura, atualmente?

 

ST – Sim, até porque nasci em Portugal, sendo filha de pais estrangeiros. E porque não cresci com os meus pais. Houve muito trabalho, da minha parte, em termos de integração, aqui em Lisboa. Mas este trabalho não é só meu, mas também de uma série de jovens, filhos de pais estrangeiros, que acabaram por forjar uma cultura própria de Lisboa, uma cultura lusófona com traços multiculturais, uma cultura que parte da integração.

 

PP – Para quando um novo registo? Teremos que esperar os quatro anos – dois deles já passaram – que distanciam “Balancê” e “Xinti”?

 

ST – Por acaso, tenho andado a remoer nesse assunto. Já tive vários projetos de canções e ideias. Tenho, contudo, pouca coisa acabada, e ainda não encontrei o fio condutor, aquele que será o tema do próximo disco, mas para lá caminho.

 

PP – No Sintra Misty integras um cartaz de luxo. Que nome te chama mais à atenção?

 

ST – O nosso Tiger Man é, para mim, uma grande máquina! Embora o nosso universo seja um pouco distante, geracionalmente somos contemporâneos, sendo que assisto com muito gosto ao trabalho dele. Aprendo muito com a sua atitude, aquela atitude destemida. Ainda este mês cruzei-me com ele no Brasil, porque fomos tocar no Festival de Cinema Lusófono, onde a Rita Redshoes também esteve presente. Estavam os dois a fazer a sonoplastia de um filme e, mais uma vez, fiquei bastante surpreendida com o seu trabalho. Ver os dois a tocar ao vivo, enquanto passavam imagens do filme, foi fantástico. Quem sabe se um dia não surge uma colaboração. Este universo é um livro aberto!

 

Ana Cláudia Silva

 

 

Via Sapo Música



publicado por olhar para o mundo às 09:46 | link do post | comentar

Terça-feira, 30.08.11
Está a celebrar 50 anos de cantigas. Ao SOL, falou das suas músicas e da sua vida.

 

Diz que é músico, que toca voz. É diferente um cantor de um músico que toca voz?

É, mas não é fácil explicar porquê. Digo que toco voz porque tento, em determinadas cantigas e em determinadas partes do que faço, utilizar a voz como um instrumento.

 

Tema ‘Flor Sem Tempo’: ‘Olha o mar na tarde calma, ouve o que ele diz. Canta o sol que tens na alma’. Tem sempre o sol na alma ao cantar?
Na maioria das vezes, sim. Mas há sítios em que é impossível porque não há condições para isso. Depende do lugar e do tipo de público.

 

Alguma vez sentiu que estava a mentir em cima do palco?
Já dei por mim a despachar serviço por causa da falta de condições. Mas a mentir, não. Até porque me irrito e se estou irritado não estou a mentir, não estou a fingir.

 

Deixe-me pegar na letra do ‘Gostava de Vos Ver Aqui’: ‘Às vezes, vocês daí nem sonham o que vai para aqui. Nem pensam que na vossa frente, quem canta, quem vos diz as coisas, também é gente’. Isto significa que às vezes é preciso dar concertos estando completamente destroçado por dentro?
Significa que isto é uma profissão como outra qualquer. Depois disso vem: ‘Gente que trabalha como um carpinteiro, como um camponês ou como um mineiro’. As pessoas não devem dar-nos uma importância especial. Nós cantamos e outros fazem medicina. Somos gente porque somos iguais aos outros.

 

Mas fazer música implica um outro envolvimento emocional ou não?
Sim, mas estou a falar no respeito pelas profissões. Todas as profissões merecem respeito e todas implicam dedicação e trabalho. Ser músico é igual a ser mineiro.

 

Aconteceu-lhe muitas vezes ter de cantar quando estava destroçado?
Isso leva-me a pensar num dos dias mais estranhos da minha vida a esse nível. Se não estivesse seguro de mim, provavelmente não lhe falaria disto, porque corro o risco de ser mal entendido. Eu fiz um espectáculo na noite em que a minha mãe estava a ser velada na igreja, porque sou profissional. Tive de o fazer. Estava combinado e muita gente dependia disso. Saí de carro, fui cantar e voltei para a igreja. Falta de respeito? Não. Pelo contrário. Respeito pelas pessoas. Respeito pela minha mãe, porque esses foram os princípios que ela me ensinou. Acho que só haveria uma situação em que não conseguiria cantar, que seria a morte repentina, em cima de um espectáculo, de um filho ou da minha companheira. A minha mãe já estava doente há três ou quatro meses e achei que devia fazer o concerto.

 

Enquanto cantor, como se compara hoje com aquilo que era há 20 ou há 30 anos?
Cantar, tal como viver, é um acto de inteligência. Por isso devemos preparar-nos, ao longo dos anos, para a falta de faculdades. Há cantigas do meu repertório – que sou obrigado a cantar porque as pessoas as querem ouvir e eu devo-lhes isso – que passei a cantar alguns tons abaixo. O brilho da voz perdeu-se, não é o mesmo.

 

Mas ganhou outras faculdades?
Ganhei todo um conhecimento, toda uma experiência. Até há 15 anos tremia como varas verdes quando ia para cima de um palco. Isso deixou de me acontecer. Tenho muito mais segurança.

 

Em 1963 foram formados os Sheiks – consigo, com o Fernando Chaby, o Carlos Mendes e o Jorge Barreto. Como se conheceram e como decidiram começar?
Eu trabalhava na tal companhia de seguros, na Baixa, e estudava à noite. Mas muitas vezes, em vez de estudar à noite, faltava à noite. Para fazer tempo e a minha mãe não perceber que eu andava a faltar, ia a pé para casa. Subia a Almirante Reis e parava na Alameda, onde estavam o Chaby, o Carlos Mendes, o Jorge Barreto. Começámos ali, com umas violas nuns bancos de jardim. Perguntaram-me se eu sabia tocar viola. Como disse que não, fui para a bateria.

 

Mas sabia tocar bateria?
Não, mas estupidamente pensávamos que era um instrumento facílimo de tocar. Quem não sabia tocar viola ia lá para os paus [risos]. A primeira vez que me sentei numa bateria foi uma confusão enorme. Percebi que tinha jeito, mas que não sabia tocar. A partir daí havia que aprender minimamente. E aprendi na prática, ali, a batê-las todos os dias.

 

Nos Sheiks também fazia segundas vozes. Tinha vergonha de cantar?
Tinha. Eu, aliás, tinha vergonha de aparecer em qualquer lado. Não faz ideia da dificuldade que era, depois de começar a ser conhecido, entrar num café. A malta toda a olhar para mim era uma coisa do arco-da-velha. Só venci isso há 20 ou 25 anos.

 

Quando começaram a aperceber-se do sucesso?
Com o primeiro EP, o Summertime [1965].

 

Quando formaram os Sheiks, tinham dentro de vós o imaginário dos Beatles?
Nós nem conhecíamos os Beatles. Acho muita graça a essa história dos Beatles portugueses. Nós fomos sempre ‘o qualquer coisa’ de fora.

 

Muitas vezes falam de si como o Sinatra português…
Que eu detesto. Não detesto que me chamem o Sinatra português, não gosto é do Sinatra. Admito que terá sido o pai dos cantores brancos daquele tipo de música, a sua importância está fora de questão. Mas se tivesse que escolher entre o Sinatra e o outro escolhia o outro. O outro é o Tony Bennett. Mas os meus cantores foram sempre negros. O pai de todos eles é o Ray Charles. Depois vem o Al Jarreau, o Stevie Wonder, o Bobby McFerrin. São todos pretos.

 

No início já tinha a certeza de que queria viver da música?
Não. Só tive essa certeza quando saí da companhia de seguros. Mas foi uma opção tomada contra a família. Trabalhar numa companhia de seguros era uma coisa segura e cantar era uma coisa de malucos.

 

Há muitas histórias engraçadas com as fãs dos Sheiks?
Há, com certeza, mas o tempo era outro. Não vamos pôr isto no mesmo patamar das bandas inglesas. Cá as meninas não saíam de casa com tanta facilidade.

 

E havia drogas?
Devia haver charros. Acredito que sim. Mas, palavra de honra, que só experimentei já com quarenta e tal anos. Experimentei duas vezes e aquilo não me fez nada.

 

E é verdade que, depois de ter apanhado uma bebedeira aos 15 anos, só voltou a beber aos 40?
Sim. Nessa bebedeira misturei cinco qualidades de álcool.

 

Foi com os Sheiks?
Não, foi na despedida de um amigo que foi para Angola. Felizmente que isso aconteceu, porque até aos 40 e tal anos – apesar de fumar muito – nunca mais bebi. Depois parei de fumar e, como compensação, comecei a apreciar um bom vinho tinto. Mas não bebo bebidas brancas. E mesmo uísque só gosto do de malte, o normal não aprecio.

 

Que relação tem hoje com a noite?
A noite é o melhor que há, seja em casa sozinho a ler, a olhar para ontem, a pensar, ou numa belíssima conversa com um grupo de malta amiga. Mas a noite de rua, hoje em dia, não sei como é, não faço ideia. Deve ter encantos para a malta de agora, como tinha no meu tempo. Talvez seja menos segura, não sei.

 

Via Sol



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Quarta-feira, 18.05.11

Norberto Lobo

 

Primeiro um disco de palha, depois um disco de madeira, agora um disco de cimento e tijolos. Ninguém deita deita abaixo "Fala Mansa", terceiro álbum de Norberto Lobo. Não é a típica chegada à maturidade séria, é antes o acesso ao maravilhamento por via de uma guitarra

Um cachimbo e uma legenda: "Isto não é um cachimbo". René Magritte, 1929. Uma guitarra e uma inscrição: "Esta máquina mata fascistas". Woody Guthrie, 1940. Olhar para uma coisa e ver para além dela. Ou, pelo menos, tentar estrafegar impiedosamente a ideia fechada que temos sobre algo. Quando um músico como Fred Frith sobe ao palco, diz-nos Norberto Lobo, "senta-se e dá um concerto em que é inacreditável o que ele faz com uma guitarra e poucos pedais". "É uma máquina de fazer sons e ele toca-a como tal", acrescenta. "Uma guitarra que não é uma guitarra". Norberto Lobo sobre Fred Frith, 2011.

O concerto a solo de Frith a que Norberto assistiu tornou-se um reservatório de inspiração a que o músico recorre frequentemente. Foi em Maio de 2010, na sala La Carène, em Brest, que passaram pelo mesmo palco do festival Sonore, e aquilo que Norberto sorveu das mãos de Frith ainda hoje lhe serve de ensinamento. Também a guitarra do português incha a cada disco, as madeiras parecem dar de si, deformam-lhe as curvas e deixam circular pelas frestas uma música que transcende cada vez mais o próprio instrumento. Cada vez mais, Norberto Lobo toca guitarra porque toca guitarra. Assim como podia tocar outra coisa qualquer. "Fala Mansa", terceiro álbum, é um murro na mesa que impõe essa verdade - se as mãos de Norberto acabassem num piano, ele seria um iluminado homem do jazz; assim, é um guitarrista sem lugar, cuja abordagem ao instrumento é comparável à de Jack Rose e de John Fahey, mas também à guitarra portuguesa de Carlos Paredes.

Norberto Lobo gosta de resgatar à algibeira uma citação de John Fahey em que este dizia que o seu objectivo era hipnotizar as pessoas. Este Lobo bom não acredita em nirvanas em cima do palco, "porque se não uma pessoa estava em transcendência permanente e isso era um bocado cansativo". Prefere a versão de que a música, praticada num contínuo, se aproxima da poesia. "Fala Mansa" é, à sua maneira, uma elevação da música ao estado poético, uma sequência de tons e cores sem palavras, aceitando unicamente um murmúrio vocal indecifrável que parece um fantasma de Chet Baker a assombrar magnificamente o tema título.

Quando se lhe tira a guitarra das mãos, as palavras também parecem atrapalhar Norberto Lobo. Como aquela velha ideia indígena de que uma fotografia pode roubar a alma. Falar, discutir a música, parece ler-se no rosto de Norberto, emagrece o mistério da criação. Luz a mais queima, fere as canções.

 

 

 

Via Ipsilon 

 

 

 



publicado por olhar para o mundo às 21:59 | link do post | comentar


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