Sexta-feira, 27.01.17

 

Letra

 

[Verso Slow J]
Eu 'tou tão longe da verdade pura. Dura
À procura da sanidade do outro lado da loucura
Eu 'tou tão longe da verdade pura. Dura
À procura da sanidade do outro lado da loucura
Diz o monge que a verdade cura. Jura
Mas por mais que eu sorria volta sempre chuva

E volto a ser humano e para onde é que ele volta?
Se não és rico, nem pobre, nem preto, nem branco
Qual a camisola, brother? Só me isola, brother
'Tão-me a meter etiquetas, gavetas só tretas
'Pa ver se a minha sola cola

Isto é de solo a solo
O meu caminho a mim pertence
Isto é 'pa toda a gente e eu repito "toda a gente"

Nada nos une, nada nos separa, preso, penso
Teoria insana em que eu vivo, clinicamente tenso

Eu 'tou pronto 'pa conversarmos a sério
E se eu tiver a errar o passo no terraço do prédio
Dá-me a verdade crua e cristalina
Dá-me a tua perspectiva, a chave
Eu já nasci com um olho fechado

Isto não é comida, brother, mas espero que te alimente
A fome desta alma, que aguça o meu pensamento
Abrupta voz da calma, nunca dorme, nunca mente
Passado não alimenta o meu presente, eu paro o tempo

Pernoito raramente em casa, a cota sente a falta
Meus putos no café já dizem que eu esqueci da malta
Eu acho que senti saudade até uma certa idade
Mas lá 'pá sétima mudança o sentimento é claramente bloqueado pela cabeça, eu 'tava mais calado

Puto anestesiado, mo pai 'tá informado
Chegava a casa cada dia, 10 anos cansado
20 anos, 30 anos, nunca o ouvi queixar-se

E vi tão pouco, 18 anos dessa fé dos outros
Se Deus alguma vez me ouviu
Não me culpou pelos loucos amargurados
Já fui tão manipulado, que hoje em dia eu nunca sei se sou culpado, então eu nunca paro

Eu sempre fui diferente, eu não escolhi prová-lo
Eu minto raramente a gente que me ouviu no rádio
Exactamente o mesmo, que me mente a mim o sábio
O mesmo que me minto ao espelho, é tão dúbio o meu lábio

Eu dava tudo por frases de Hemingway
E por falar comigo próprio, honestamente como eu sei que
Poderei um dia vir a ser, eu acredito
Eu sou o meu pior inimigo, o que eu não consigo é
Aceitar as minhas falhas, ver o ser humano
Pensar na escada, passo a passo, quanto tempo tenho?

Chamam-me hipócrita
Apregoador de calma incógnita a mim próprio
Evito viver sóbrio, evito ver que as tenho
Nego ser ignorante, nego ser abençoado
Nego limites, não me imites, acabarás magoado
Nego doutores e horas de sono aconselhado pela ciência, boy

Meu dia tem bem mais que 24
O quarto, o parto, o dar-to um lar, tirar-to
Eu vivo vidas entre linhas, J o encarnado

Achei que isto era really real rap do Tibete
Vai dizer ao Dalai Lama
Que eu hoje 'tou a iluminar a track, nigga

Peace 'pa todo o ser humano que procura paz
Eu 'tou a procura da minha e tanta falta faz
Hoje eu 'tou num daqueles dias em que é complicado
Pensei em enrolar a minha e deixar-te um recado

Tu és da rima ou do canto, tu és preto, ou és branco
Tu vais para qual das gavetas, concentra-te no importante
Se eu viver irrelevante
Leva daqui que eu vi vida a cada instante

Em cada nota do piano
Em cada frase Nach'iana que eu decorei
Cada beat de Dr. Dre, cada Kid Cudi
Cada track de K. dot, rap de tentar

Se não foi 'pa legendary, foi 'pa quê?
Antes de apontar gun, aponta no caderno o teu porquê
Se não der para acabar com a fam' em Saint-Tropez
Quem sabe aos domingos atacarmos o buffet

E chegar a velhinhos, sermos quentes dentro, sorridentes lentos me'mo, orgulhosamente, como cotas no presente
Que só se encontram raramente e isso assusta-me
E muitas outras coisas igualmente

Porque eu não faço sons, nunca ousarei ser tão eloquente
Eu só rezo por música diferente
Eu nunca fui guloso, só quis algo mais que amigo
Fazer ao Rui Veloso o que o Ronaldo fez com o Figo
Fome de ser colosso circulou e o ser colou-se
Ao ser que só queria ser feliz, mesmo que sem abrigo

Eu devo ser um ser antigo
Para parecer-me, deves parecer-te só contigo
Eu devo ser um ser antigo
Para parecer-me, deves parecer-te só contigo

Ligo o mic barro o pão, 80 barras para degustação
Já ninguém me agarra sem a vocação
Isto é de coração
Designs vindos do interior
Nigga, eu faço isso por amor, não por bajulação

Icónico é o ócio de homens que desdenham
O lógico da corja pela imaginação
Se o tópico é um top e cu tópicos nos trópicos
és cómico e tens cotação

Eu sou um homem ou uma mutação
Eu sou óptimo, o óbito da perfeição
Eu não me prendo nessa caixa, eu sou libertação
Eu não sou quente, eu só ostento a minha lentidão

Dá-me uma prenda e sente a pulsação
'Mo mano aguenta tudo o que é pressão
Forjado a aço
No meu braço eu tenho traços de quem nunca faz as pazes com essa estagnação
Hoje eu aprendo mais uma lição
Isto nem é damn, só demonstração

É assim que eu encho tracks tipo bolsos, mãe
97, 98, 99, 100

 



publicado por olhar para o mundo às 17:13 | link do post | comentar


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