Letra
[Refrão: Rael]
Por onde for, vivo a calçada
Transmite amor, mas ninguém viu nada
Que em cada calçada que eu estava, estava lá mudando o mundo
Muitos não percebiam que ali havia som de conteúdo
[Verso 1: Valete]
Errático como o Éder, tu és maçarico
Sou acrobático na batida, como o Frederico
Neneh Cherry com Paula Perry
A mescla daquele puro movimento anti-fashion
No rap podia ser John Legend ou Chuck Berry
Mas na verdade, eu quero ser Tigerman, o Legendary
O ativista que nunca se agacha
Pelo povo da Síria continuamos na marcha
Tu achas engraçado chachar lá no bar
E dizer que não tem portas, como Bashar Al Assad
Ele só difama a ordem lusitana do R.A.P
Difama mas nunca tira o pijama
Nunca trabalha, só joga na cama
Por isso é que não está no nosso organigrama
Eu represento o IKONO e rimo com idioma
Que destrona wannabes e deixa
Deixa o teu rap nas lonas
Não estás na caderneta, és só cromo da zona
Queres ser vedeta, então estuda os meus cromossomas
É música de encanto que te causa tanta dor
E como se este cantautor rimasse num matadouro
[Refrão: Rael]
Por onde for, vivo a calçada
Transmite amor, mas ninguém viu nada
Que em cada calçada que eu estava, estava lá mudando o mundo
Muitos não percebiam que ali havia som de conteúdo
[Verso 2: Emicida]
Eu tenho o que cães vadios têm: tudo
A eles, a fama, a nós, o mundo
Sarjeta de plateia, calça véia
Nessa dimensão, quebra a cabeça, monta os coração
Por isso as crianças dão atenção
Minha transa é com o som pasmo
Benze que sou Kendrick
Ou Hendrix fazendo a guita com orgasmo
Mente que independe de asno dispersa
Por isso eles visse, a gente versa
Sou rádio sem conversa
Ligo o extremo sem pedágio, igual a porra da Dersa
Sozinho no quarto, uma porrada dessa
É tipo trabalho de parto, mas fico e aqui começa
Gordo Rick Rozay, peso nas caneta
A pele preta estoca flow rei
Não é superficial estilo lá Dr. Ray
Calçadas e barulhos sacam hip-hop hooray
[Refrão: Rael]
Por onde for, vivo a calçada
Transmite amor, mas ninguém viu nada
Que em cada calçada que eu estava, estava lá mudando o mundo
Muitos não percebiam que ali havia som de conteúdo
[Ponte: Capicua]
Toda gente olhou a pedra
E ninguém viu o diamante
(Toda gente olhou a pedra
E ninguém viu o diamante)
Toda gente olhou a tela
E ninguém viu ali a arte
(Toda gente olhou a tela
E ninguém viu ali a arte)
Chapéu vazio no chão e um céu cheio de estrelas
(Chapéu vazio no chão e um céu cheio de estrelas)
E um milhão de sonhadores a tentar ser uma delas
(E um milhão de sonhadores a tentar ser uma delas)
[Refrão: Rael]
Por onde for, vivo a calçada
Transmite amor, mas ninguém viu nada
Que em cada calçada que eu estava, estava lá mudando o mundo
Muitos não percebiam que ali havia som de conteúdo
[Outro: Rael]
Ninguém viu, ninguém viu
Ninguém viu, ninguém viu
Ninguém viu, ninguém viu
Ninguém viu, ninguém viu
Ninguém
Letra
[Refrão: Rael]
Aos meus amigos de verdade
Seja no sol ou tempestade
Só age na sinceridade
Sempre por inteiro e nunca na metade
Aos meus amigos de verdade
Até o final, não só de passagem
Sem diz me diz, triste ou feliz
Irmão de raiz, essa aqui eu fiz em tua homenagem
[Verso 1: Emicida]
Skate no terminal, no pente, uns instrumental
É quente, nóiz viu o Kamau
Né, Tico? Ô, daora
Chegou agora, conto 'pucêis'
Imagina, eu, Rashid, Projota
Rachando um dog em três
Djose de Acid, PCs à lenha com Zala
Discos na mala, indo depois da Penha
Tribo do tape deck, fez-se rap, cote
Sente, e o gerente do MC era o Fióti
Nyack nem pick-up tinha, band
Mundiko na Santa Efigênia, trampando em algum stand
Nunca esqueço quando eu vi DJ Vand, chapei
E a mão que nóiz tombou KL Jay
O Brown colou na Olido, cusão, cé loko
Nesse dia nóiz até perdeu o último busão
Norte, celeiro do suingue sujão
Edi Rock, Spainy & Trutty
Relatos da invasão
Gratidão
[Verso 2: Capicua]
Ei, amiga, foste embora, deixaste-nos sós
Mas eu não vou falar da morte, eu vim falar de nós
Que nos braços dos outros apertamos muito
E que na hora do aperto nós ficamos juntos
No fim brindámos a ti, contando histórias
Rimos e chorámos por ti, falamos horas
Da velha casa, as nossas fotos das recordações
E até da sesta no sofá e dos teus palavrões
E quando nada era real ou fazia sentido
Nós corremos uns para os outros para estar contigo
Na falta, na espera, na perda, na merda
Na vida ou na morte, amizade é eterna
E na hora do aperto, apertou-se o laço
E não na mão como um balão, coração ao alto
À tua volta ali à porta em conjunto
Foi claro, foste embora, mas deixaste-nos juntos
[Refrão: Rael]
Aos meus amigos de verdade
Seja no sol ou tempestade
Só age na sinceridade
Sempre por inteiro e nunca na metade
Aos meus amigos de verdade
Até o final, não só de passagem
Sem diz me diz, triste ou feliz
Irmão de raiz, essa aqui eu fiz em tua homenagem
[Verso 3: Valete & Rael]
Na abundância e nas migalhas
Te chamo de meu mano ou de my bro
No meio do perigo e da escumalha
É nóis, até o final
Amigo que é amigo nunca falha
É pra qualquer parada, demorô
Sempre contigo em qualquer batalha
É nóis, até o final
Na abundância e nas migalhas
No meio do perigo e da escumalha
Amigo que é amigo nunca falha
Sempre contigo em qualquer batalha
Na abundância e nas migalhas
No meio do perigo e da escumalha
Amigo que é amigo nunca falha
Sempre contigo em qualquer batalha
[Refrão: Rael]
Aos meus amigos de verdade
Seja no sol ou tempestade
Só age na sinceridade
Sempre por inteiro e nunca na metade
Aos meus amigos de verdade
Até o final, não só de passagem
Sem diz me diz, triste ou feliz
Irmão de raiz, essa aqui eu fiz em tua homenagem
Letra
[Refrão: Rael]
Não tem padrão nem clichê
A minha visão é livre
Há quem diga que a vida
Pra você não é ideal
Ideal, ideal, ideal
Mas vem comigo que eu te passo a visão
[Verso 1: Capicua]
És como sorvete, eu quero sorver-te
Eu quero derreter-te e ter-te por perto
Mas tu não sabes disso, que eu nunca te disse
Mas também não é preciso: olha o meu sorriso
É chocolate e menta, batimento aumenta
Tu deitas pimenta, e a receita bate certo
Mas sem compromisso que eu não gosto disso
É que o abstracto nisto, vai ser muito mais concreto
[Verso 2: Rael]
Olha os discos na minha prateleira, [?]
De contra-cultura maneira, que nem os punk
Mostrando a visão verdadeira, que não te tranque
Cê é louco cachorreira, Perera Funk
Te tiro de toda a sujeira... virtual
Te faço uma rima ligeira... marginal
Você se derrete inteira... natural
Tá bom, já entendeu que o meu mundo é ideal
[Refrão: Rael]
Não tem padrão nem clichê
A minha visão é livre
Há quem diga que a vida
Pra você não é ideal
Ideal, ideal, ideal
Mas vem comigo que eu te passo a visão
[Verso 3: Emicida]
Eu já vi mais infernos do que Constantine
Lutando por amor igual Patrine
[?] cair me seca as mágoas
Redefine a vida amarga, agora é sublime
Se entrega, se a poesia é boa a ferrugem não pega
Pois é, dizem que um homem precisa de um vício
Então vem ser o meu cigarro, meu café
Aquele beijo foi um pause, o que que eu faço?
To de mudança, eu vou morar no seu abraço
Cabuloso, Pixinguinha, carinhoso, tá delícia, tá gostoso
Eu vim chavoso pruns amasso
Uma pá de coisa má pra desunir
Pra resumir fiz sumir, por Uni Duni Tê
[?] na chegada, cata um vinho
Toca o "Fado" da Carminho, sai a rodada
[Refrão: Rael]
Não tem padrão nem clichê
A minha visão é livre
Há quem diga que a vida
Pra você não é ideal
Ideal, ideal, ideal
Mas vem comigo que eu te passo a visão
[Outro : Capicua]
Manjericão, abacaxi e chocolate
Morango, limão, maracujá e abacate
Baunilha, melão, café, avelã e menta
Coco com banana, caramelo com pimenta
Manjericão, abacaxi e chocolate
Morango, limão, maracujá e abacate
Baunilha, melão, café, avelã e menta
Coco com banana, caramelo com pimenta
Manjericão, abacaxi e chocolate
Morango, limão, maracujá e abacate
Baunilha, melão, café, avelã e menta
Coco com banana, caramelo com pimenta

No próximo sábado, dia 20 de Maio, o festival parisiense “Chantiers d’Europe” recebe Sérgio Godinho para um concerto de características muito especiais – a acompanhar o “escritor de canções” estará o compositor e pianista Filipe Raposo e com o estatuto de “convidada” a rapper Capicua.
Tratar-se-á de um concerto inédito já que será a primeira vez que os três se cruzarão em palco ainda que esta não seja a primeira vez que Sérgio Godinho recebe Capicua nos seus espectáculos – em 2014 a rapper portuense participou nos concertos de apresentação de “Liberdade” no Rivoli – ou que é acompanhado pelo pianista com quem aliás tem realizado apresentações em Portugal e no estrangeiro ao longo do último ano.
Num artigo publicado na semana passada no Le Monde, o jornalista Patrick Labesse destaca no título que Sérgio Godinho “canta males e maravilhas” e evocando a biografia de Sérgio, nomeadamente a vivência em França quando do “Maio de 68”, descreve a sua experiência de assistir à apresentação realizada no passado dia 29 de Abril no âmbito do evento “Dias da Música” e de ter acompanhado Sérgio Godinho até Grândola para a inauguração da exposição “Sérgio Godinho – Escritor de Canções” que a edilidade local tem em exibição nos Antigos Paços do Concelho.
De volta a Portugal, Sérgio Godinho efectuará uma apresentação no Porto integrada na iniciativa “Cultura em Expansão”, cujo objectivo é a descentralização dos eventos culturais, que terá lugar na Associação de Moradores da Bouça no bairro emblemático portuense com o mesmo nome.
AGENDA CONCERTOS:
20 MAI / CHANTIERS D’EUROPE / ESPACE PIERRE CARDIN / PARIS (com Filipe Raposo e participação especial de Capicua)
27 MAI / CULTURA EM EXPANSÃO / ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DA BOUÇA / PORTO (com Filipe Raposo)
03 JUN / NORTH MUSIC FESTIVAL / ESTÁDIO D. AFONSO HENRIQUES / GUIMARÃES (“JUNTOS” com Jorge Palma)
Letra "Ela":
(Capicua)
Meu nome é Ana e sou viciada em música
É ela quem me chama quando eu já não estou lúcida
Quando o mundo desaba e o coração se quebra é ela
Que o cola e sara, ela é que me devolve à terra
Ella como Fitzgerald, dura como a battle
Eu gosto dela negra como heavy metal
Bela com som ou a capella, zuka como novela
Tuga como a minha terra ou afro como o Fela
Ela é como um exorcismo e eu cismo em viver dela
É imprevista como um sismo e eu finjo conhecê-la
Sê-la é o que eu faço hoje, foi a única saída
E foi um DJ, de facto, que salvou a minha vida
(Emicida)
Noite camufla
Sumo, supra-sumo
Eu, rumo ao abismo
Tipo Gizmo batismo
Domínio, uno
Luzes do globo
Cores do todo diz
Dá até a impressão que todo mundo é feliz
Os ladrão e as meretriz
Brindes de fel
Lembrei da voz do Blue
Os passarinho e as cascavel
Veneno é mel no inferno
Sou Xangô sem alarde
Minha alma não vai se fundir com os covarde
Vim pelo som
Meu bom, meu dom, meu deus
Zoom no piston, toca, alvo da fé dos ateus
Tonelada e mais tonelada de tretas, sujeira
Solidão como karma e a música de companheira
Fui
(Rael)
Ela surge como um vendaval
Força que me faz existir
És enredo do meu Carnaval
Ela é Jamelão, Zé Keti
Ela quem me afasta do mal
Me livra dos pé de breque
Minha oração, ritual
Ela é quem é
(Valete)
Pra mim biográfico, pra ti cinematográfico
Eu estava nos barracos dos bairros problemáticos
Meus putos estavam na batida do dinheiro rápido
A tentar sair do buraco através do narcotráfico
Meu mano Dida disse Viris, vê se te resguardas
Fica na retaguarda, nesta vida não te enquadras
Aquié só vender quartas, fugir dos guardas
Correria e esquadras, a tua cena são as quadras
Larguei a rua insana, resolvi rimar o panorama
Hoje sentes os quilogramas de versos que eu kamasutro
Divulgo a trama nesta minha rotina suburbana
Componho dramas tão vívidos, chamam-me de dramaturgo
Metade dos meus manos hoje estão encarcerados
Meu mano Osvaldo, baleado e enterrado
Tenho sempre as caras deles nos meus pesadelos
Se não me tivesse afastado teria acabado como eles
Hoje sou eremita, veículo da rima honesta
Compenetrado como um islamita na mesquita
E eu limo arestas nestas palavras funestas
Lágrimas e luto, não há festa nesta escrita
(Rael)
(4x)
Ela, ela é
Ela, ela, ela é quem é
Ela
Ela surge como um vendaval
Força que me faz existir
Letra
Não encontrei a letra desta música
Letra
Não encontrei a letra desta música
Letra
Não encontrei a letra desta música
Tema: "A Cor da Rosa"
Letra e Voz: Capicua
Música: Pedro Geraldes
Letra
"Lúcia-lima cheira a limão
Com seu nome de menina
E casa bem com o Príncipe
Que dá nome à erva prima.
O Manjerico é tão cheiroso
Que todos passam a mão
E se tem a folha grande
Já vira Manjericão.
Camomila é uma flor
Que acalma o coração
Que deixa o cabelo loiro
Quando bate o sol no verão.
O Orégão cheira a pizza
Ou a pizza é que vice-versa
Tem a folha pequenina
Mas perfuma uma travessa!
No chá, no champô, na chiclete
No elixir, no xarope
Erva de cheiro cheirosa
Crescida no chão do bosque!
Senhor Coentro e Dona Salsa
São um casal caricato
Ele é um pacato alentejano
Ela baila salsa no prato.
O Funcho é como um luxo
Chamado de erva-doce
E na beira do caminho
Cheira a xarope da tosse.
O Louro largou as folhas
Lá o fundo da panela
Mas até imperadores
Faziam coroas delas.
A Hortelã é muito fresca
E usada em rebuçados
De mentol, menta, pimenta
Pra dar beijos perfumados.
No chá, no champô, na chiclete
No elixir, no xarope
Erva de cheiro cheirosa
Crescida no chão do bosque!
A Alfazema cheira bem
Como a gaveta da mãe
E deixa o melhor perfume
Que a natureza tem.
A Cidreira é erva boa
Que serve pra fazer chá
E só faz mal à pessoa
Se a pessoa for má!
No chá, no champô, na chiclete
No elixir, no xarope
Erva de cheiro cheirosa
Crescida no chão do bosque!"
Letra
Tu fumas à janela, olho pra ti espelhado nela,
A noite é longa e dentro dela, a chuva pinta uma aguarela
Somos tu e eu, só tu e eu, tu e eu, só tu e eu...
E é quando me tocas que eu sei. Eu sei.
Porque é que eu ainda não te ultrapassei. E sei...
Que nada eu que eu vivi ou viverei
Pode ser maior que o nosso fogo e neste jogo todo és rei.
O lume, o fumo, o perfume, o cheiro...
O lume, o fumo, o perfume, o cheiro...
O lume, o fumo, o perfume, o cheiro...
O lume... o cheiro...
E é quando me falas que eu sinto...
Que as palavras são amargas como o tinto
E esses lábios doces cor de vinho
Só me mentem ao dizer “Eu não te minto”!
E nesses olhos verdes absinto
Eu só consigo ver um labirtinto.
E é quando tu te calas que eu penso...
Porque é que não és feito de silêncio?
Dás-me um copo que eu dispenso
Estendo o corpo e adormeço
sono tenso, sonho intenso
entre nós só fumo denso
fumo denso...
é só fumo denso...
fumo denso...
Dás-me um copo que eu dispenso
Estendo o corpo e adormeço
sono tenso, sonho intenso
entre nós só fumo denso
só fumo denso...
fumo denso...
é só fumo denso...
...
Tu fumas à janela, olho pra ti espelhado nela,
A noite é longa e dentro dela, a chuva pinta uma aguarela
Somos tu e eu, só tu e eu, tu e eu, só tu e eu...
O lume, o fumo, o perfume, o cheiro...
O lume, o fumo, o perfume, o cheiro...
O lume, o fumo, o perfume, o cheiro...
O lume... O cheiro...
Letra
Não encontrei a letra desta música
Letra
Hoje a minha dor é esta
No cosmo dos dois caminhos
Querer deitar fogo à floresta
sem queimar os ninhos
nem o sol da sesta
Tu conheces as minhas faces todas como a lua
E desconheces que a vida muda até a tua lupa
E que eu não sou a única que está diferente
E que não não há uma só critica ou vítima em julgamento
Eis o reconhecimento, vamos começar de novo
Reconhecermos os erros é conhecermos o outro
Faz o que é suposto recomeço é necessário
Seco as lágrimas do rosto em mais um aniversário
E confio que por muito que isto tudo seja um erro
Tem de haver a recompensa para se ser tão ingénuo
E eu juro finjo que páro, digo que saiu, mas não vou
Eu calo e quando falo eu nunca abro o jogo todo
Eu fico achando que arco mas depois mato o que restou
Não queimo então não chega porque amor para mim é fogo
Insisto, eu não desisto, ainda resisto a mais um teste
Senão é isto, não existe porque amor tem de ser este
E eu deitava fogo à casa com palavras se pudesse
Eu punha o pé na estranha e não voltava mais a ver-te
Eu rezava se soubesse, ou se desse algum resultado
E se houvesse alguma prece que mudasse o meu passado
Para não te ter tatuado a ferro quente no colo
Com a frieza de quem queima a mata com uma lupa ao sol
P'ra não te ter sempre ao lado em fantasma quando não estás
Sentindo que olhar para a frente, é voltar a andar para trás
Tatuado a ferro quente
Queima mata lupa ao sol
O passado à minha frente
E o fantasma no meu colo
Hoje a minha dor é esta
No cosmo dos dois caminhos
Querer deitar fogo à floresta
sem queimar os ninhos
nem o sol da sesta
Tatuado a ferro quente
Queima mata lupa ao sol
O passado à minha frente
E o fantasma no meu colo (2x)
Hoje a minha dor é esta
No cosmo dos dois caminhos
Querer deitar fogo à floresta
sem queimar os ninhos
nem o sol da sesta
nem o sol da sesta
E eu juro finjo que páro, digo que saiu, mas não vou
Eu calo e quando falo eu nunca abro o jogo todo
Eu fico achando que arco mas depois mato o que restou
Não queimo então não chega porque amor para mim é fogo
Letra
Não encontrei a letra desta música
Capicua edita esta semana "Medusa", um álbum de remisturas de músicas do disco anterior, "Sereia louca", e que inclui duas canções inéditas, uma delas sobre violência contra as mulheres.
"É um disco coletivo, de remisturas feitas por várias tribos, e é para celebrar um ano de vida de 'Sereia Louca'", diz a rapper portuense.
O disco tem 14 remisturas e dois originais, 'Medusa', com Valete, e 'Egotríptico', com M7 e DJ Ride", explicou a artista à agência Lusa.
O álbum abre precisamente com "Medusa", um tema que inclui excertos de poemas ditos por Sophia de Mello Breyner Andresen: "Já queria escrever há muito tempo sobre a violência contra as mulheres, não só violência doméstica, mas sobre 'cyberbullying', sobre abuso sexual, sobre a liberdade sexual e como coletivamente a reprimimos, sobre a culpabilização da vítima".
Para o tema, Capicua recorreu à figura da Medusa, da mitologia grega, "uma história poderosa sobre a culpabilização da vítima, uma mulher que foi castigada e transformada num monstro [cujo cabelo foi transformado em serpentes e cujo olhar petrifica]. E a medusa remete também para o universo aquático da 'Sereia louca'".
Segundo a artista, o tema "Medusa" representa também aquilo que esteticamente quer fazer no futuro: "Uma escrita com mais silêncios, entre um rap e a 'spoken word'".
O álbum de remisturas agora editado conta com a participação de vários DJ e produtores, que reinventaram alguns dos temas de "Sereia Louca" (e também do álbum anterior), tendo apenas por base a voz de Capicua.
Entre os convidados estão os Octa Push, White Haus (João Vieira), Sam The Kid, DJ Ride, Expeão e DJ Marfox, na reinvenção de temas como "Vayorken", "Mão Pesada", "Lupa" e "Soldadinho", este com a participação de Tamin, vocalista dos Cais Sodré Funk Connection.
"Medusa", "um disco mais elétrico, mais dançável", sai um ano depois de "Sereia louca", álbum que fez chegar o rap a "públicos muito diferentes, a muitas tribos urbanas e que teve uma expansão geográfica maior", recorda a artista.
O disco de remisturas serve ainda para Capicua - nome artístico de Ana Matos Fernandes - voltar à estrada, com o arranque de uma nova digressão pelo país marcado para 11 de abril na Casa da Música, no Porto, e, no dia 16 desse mês, na discoteca Lux, em Lisboa.
Letra
(Capicua)
Ela é medusa.
A vítima que toda a gente acusa.
E de quem a vida abusa.
Ela é Medusa e recua e recusa
E resiste, ele insitiste e arranca-lha a blusa e usa-a
Escusa, ela acua, sozinha na rua
Seminua
Semi-sua
Semi- morta
Porque mais ninguém se importa!
Ela é Medusa
O corpo pra que toda a gente aponta
Que posta, não gosta,
faz troça, desmonta
Comenta, ali exposta na montra,
De fita métrica pronta
Examina-se a carne
E critica-se a “coisa”.
O resto não conta
É uma sombra...
É uma sombra...
É uma sombra...
_
Por cada vítima acusada
E transformada em monstro
Em cada casa, cada caso,
Cada cara e cada corpo
Em mais um dedo apontado ao outro,
Cresce a ira da Medusa que me vês no rosto
_
(Valete)
Em cima da ponte está a tua irmã desaparecida
em interação com aqueles instintos suicidas
abatida na depressão duma história nunca esquecida
vencida por um trauma de uma violação aos 15
Em cima da ponte está a mulher que bombardeiam
Por usar a liberdade sexual tão proclamada
Degolada por tantas ofensas que vocês fraseiam
Exterminada por aquele nojo daqueles que a rodeiam
Em cima da ponte está Maria Conceição
Vítima de uma relação e de um amor tirano
Marcada pela opressão e traumatismos cranianos
Golpeada por quase 20 anos de agressão doméstica
Em cima da ponte está a tua vizinha acanhada
Há muito aniquilada por esperanças que se esfumam
Há muito rebaixada por vexames que se avolumam
Envergonhada pelo próprio corpo que todos repugnam
Em cima da ponte...
_
Por cada vítima acusada
E transformada em monstro
Em cada casa, cada caso,
cada cara e cada corpo
em mais um dedo apontado ao outro, Oh!’
Cresce a ira da Medusa que me vês no rosto
_
(Capicua)
Ela é Medusa
A miúda de que toda a gente fala.
Na rua, na sala de aula, e à baila
Vem ela, a cadela, a perdida, sem trela,
Vadia, cautela com ela,
Que é livre, e vive
A vida dela
Como se atreve?
Aquela...
Como se atreve?
Aquela...
Como se atreve?
Aquela...
Ela é Medusa
Aquela de que mais ninguém tem pena
Que apanha, sem queixa, que deixa e aguenta
Aquela que pensa que o amor é pra sempre,
E na crença, sofre em silêncio...
Só.
Completamente só.
Esconde a nódoa negra com o pó.
Só.
Completamente só.
Esconde a nódoa negra com o pó.
_
Por cada vítima acusada
E transformada em monstro
Em cada casa, cada caso,
cada cara e cada corpo
em mais um dedo apontado ao outro, Oh!’
Cresce a ira da Medusa que me vês no rosto
é a minha ira, a nossa ira, a ira...
a minha ira, a nossa ira, a ira...
a minha ira, a nossa ira, a ira...
Letra
Não encontrei a letra desta música
letra
Quando for grande, vou ser prof. de windsurf
E quando danço, rodo e faço "brinc-dance"
Que como a Jane Fonda, é de Vayorken
E Vayorken, a gente diverte-se imenso! (x2)
Era para ser Artur e nasci Ana
(Ana quê?) Ana só.
(Ana só?) Sim, sou a Ana.
Era percentil noventa nos anos oitenta
E entre colheradas chorava sempre faminta
Sempre vestida como um mini comunista
Com roupas que a mãe fazia com modelos da revista
Eu queria ser pirosa, vestir-me de cor-de-rosa
Vestir Jane Fonda na ginástica da moda
Com sabrina prateada, licra collant
Cria de pequeno pónei bem escovadas, espampanante
Tinha a mania de pôr as cores a condizer
No meu entender, rosa com vermelho não podia ser
Uma noctívaga que não dormia a sesta
E, de manhã, sempre quis menos conversa
Uma covinha só de um lado da bochecha
Adormecia com o pai e a mesma canção do Zeca
"Dorme, meu menino, a estrela-d'alva"
Era sempre mais Mafalda do que Susaninha
Ai de quem dissesse mal do Sérgio Godinho!
Ainda tenho alguns postais para a gentil menina
Enviados pelos pais de um qualquer destino
E se alguém me perguntar pelo pai, pela mãe
Eu sei, sei, foram para Vayorken, Vayorken
Foram para Vayorken, Vayorken, Vayorken
Quando for grande, vou ser prof. de windsurf
E quando danço, rodo e faço "brinc-dance"
Que como a Jane Fonda, é de Vayorken
E Vayorken, a gente diverte-se imenso! (x2)
Com dois anos, o primeiro palavrão
Cheia de medo, em cima do escorregão
Mau feitio bravo, vício de gelado
Todo sábado sagrado, mesmo durante o inverno
Acabava com a arca do café ao pé do prédio
Ainda comi os gelados que eram do meu primo Pedro
Ana da bronca, sempre do contra!
E coragem de fechar duas miúdas na arrecadação
Às escuras, pobres criaturas!
Por me serem impingidas como amigas à pressão
(Ó Ana, onde é que está a Rita e a Joana?)
(Sei lá! Não sei.)
No infantário dei o meu primeiro beijo
Ainda me lembro como se fosse hoje
Contei à minha avó que tanto se riu
Que até debaixo da mesa com vergonha me escondi eu
O tal espigueiro e o gato amarelo
No meu poema, no novo caderno
Muito elogio pela redacção
E muita paciência para o poder de argumentação
Quando for grande, vou ser prof. de windsurf
E quando danço, rodo e faço "brinc-dance"
Que como a Jane Fonda, é de Vayorken
E Vayorken, a gente diverte-se imenso! (x2)
O "brick-dance" vem de Vayorken
O graffiti vem de Vayorken
O hip-hop vem de Vayorken
Vayorken, Vayorken, Vayorken, Vayorken
O "brick-dance" vem de Vayorken
A Jane Fonda vem de Vayorken
O windsurf não,
O windsurf não vem de Vayorken
Quando for grande, vou ser prof. de windsurf
E quando danço, rodo e faço "brinc-dance"
Que como a Jane Fonda, é de Vayorken
E Vayorken, a gente diverte-se imenso! (x4)
São vários os atributos que podemos encontrar reunidos num MC. Uns mais importantes do que outros (uma análise que é sempre subjetiva), mas, ao mesmo tempo, todos indispensáveis. No que toca ao storytelling,Capicua já atingiu uma destreza notória. De tal forma que nos deixamos ser sequestrados pelas suas narrativas, partindo em viagens longas e cativantes, pautadas pelo seu especial à vontade nos domínios da palavra. A verdade é que Ana Matos Fernandes, nome que figura no seu bilhete de identidade, consegue transmitir aquilo que sente de forma direta, sem truques, pura e transparente como a água que canta em "Líquida". Que o digam aqueles que lotaram por completo o Musicbox, no fim-de-semana passado, aquando da apresentação oficial de "Sereia Louca", o segundo disco de originais de Capicua.
Tal e qual como no álbum, o espetáculo dividiu-se em duas metades completamente distintas. A primeira, ligada à mesa de mistura de D-One, DJ que acompanha a artista ao vivo, trouxe canções do novo álbum; a segunda, acústica, secundada pela viola de Mistah Isaac, repescou temas antigos. Mas, como todas as boas histórias, esta também teve um início. E foi através de um discurso pré-gravado que Capicua introduziu o concerto, relatando aos presentes o sonho que deu origem a "Sereia Louca", e lançando-se, logo de seguida, à faixa-título do álbum, provocando os primeiros acompanhamentos vocais da noite.
Capicua adora contar-nos histórias, adora que as oiçamos e esforça-se ao máximo para que as suas ideias nos cheguem de forma clara. Por isso mesmo, recorreu à componente visual para ilustrar as suas músicas, através da veia artística de Dário Cannatá, que deu asas à imaginação e ilustrou, live on tape, recorrendo à tecnologia e a uma tela montada na traseira de palco, as temáticas abordadas (principal destaque para a recriação da "Casa no Campo", de Capicua).
Acompanhada na voz por M7, a artista percorreu "Sereia Louca" de lés a lés, contagiando o Musicbox que, completamente à pinha, não se poupou nos aplausos. "Dia 12 de abril vou estar no Jardim de Inverno do teatro São Luiz", adiantou a anfitriã, pedindo à plateia para transmitir aos amigos que não conseguiram marcar presença no Musicbox que haverá mais uma hipótese de a ouvirem ao vivo. "Vai ser um concerto com os They're Heading West, a convite do Sérgio Godinho, num formato mais acústico", acrescentou, servindo de mote para o momento que se seguiu, em que foi possível ouvir temas como "Casa no Campo", "Vinho Velho" e "Luas" a ganharem novas roupagens, confirmando a excelência de Capicua no campo da poesia falada ("Jugular", cantada a cappella, rematou o momento com chave de ouro).
Até ao final do concerto ainda houve tempo para o público se deliciar com "Medo do Medo", um dos primeiros testemunhos da grandeza lírica da rapper portuense, "Soldadinho", que contou com a participação de Gisela João (a fadista viria a oferecer um ramo de flores à MC, já em tempo de descontos) e um regresso ao passado com "Lingerie", "Maria Capaz" e "Tabu". Mas seriam "Mão Pesada", com Dário a desenhar a silhueta de Frida Kahlo na tela, "Vayorken", tema autobiográfico que encerra "Sereia Louca", e "Pedras da Calçada" os últimos temas a serem ouvidos no Musicbox, colocando, assim, um ponto final na passagem da artista por Lisboa. Para aqueles que não conseguiram ir, não há que desesperar. Para além da atuação do próximo dia 12, no teatro São Luiz, Capicua prometeu um regresso a Lisboa no próximo mês de maio. Resta esperar.
Manuel Rodrigues
Retirado de Palco Principal
Letra
Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
do outro lado do mar
Pequeno soldadinho grande
tenho saudades tuas
desses teu olhos brilhantes
sedentos de aventuras
da tua elegância britânica
num pijama anil
da tua candura titânica
mas quase infantil
mesmo se os ossos tivessem envelhecido
mesmo se os olhos tivessem escurecido
já te fui conhecer entre a morte e a tua mãe
quem te trouxe foi a música que amaste também
à livraria fui comprar o quero arte pra ti
tudo pra te dar a estrada e a liberdade
...... de saída aninhei-me naquela árvore
e ainda mais esquesita foi a vida ali buscar-me
Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
do outro lado do mar
Só querias ir pra casa
mas nunca te queixaste
para poupar os teus pais e os demais nunca choraste
amaste o mundo mesmo quando foi injusto
e só te restava o o sonho como um último reduto
mostraste que a ternura é a bravura de um homem
e que ser forte é ser doce mesmo se as horas nos comem
bravo soldado grande diante da morte
delicado com o outro quando o teu corpo sofre
porque quando nada importa é quando importa de facto
saber sorrir para a sombra que mora no mesmo quarto
na luta ou no luto lado a lado de laço apertado
ali até que o luzir muda até ser escuro até ser vácuo
Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
do outro lado do mar
Já curta outros laços
e .. de muito luto
já me levou os seus braços
pra abraçar o outro mundo
mas tu foste ainda mais cedo
e a perda custa-nos muito
a batalha que travaste
foi de longe a mais injusta puto
nem tive tempo pra te ensinar palavrões a sério
pra te ouvir a praguejar alto e a gritar impropérios
pra te ver despenteado corado à gargalhada
vim tarde mas cheguei antes e devo-te um obrigada
quando está escuro ainda volto àquela árvore
onde a um pouco mais esquisita ainda a vida vai buscar-me
na luta ou no luto lado a lado do laço apertado
na luta ou no luto lado a lado do laço apertado
na luta ou no luto lado a lado do laço apertado
ali até que o ser mude até ser escuro até ser vácuo
Menina dos olhos tristes
o que tanto a faz chorar
o soldadinho não volta
do outro lado do mar
do outro lado do mar
Letra
passa o passe pelo torniquete
espera que o portão abra assim que a hora chegue
para que o barco saia
ainda é de madrugada
o ar frio corta-lhe a cara
e no cais os sons metálicos são a banda sonora
um grito de gaivota
um puto chora de com sono
enquanto a mãe tenta calá-lo
com um biberão de leite morno
e ela lembra-se dos filhos
que ficaram sós em casa
e dos filhos da patroa
pra cuidar na outra margem
já se vê Lisboa ao fundo
que amanhece sonolenta
e o motor do barco reza numa lenga lenga lenta
come bolacha Maria
ali sentada entre as mulheres
e na revista Maria fica a par dos fadi vers
mão gretada da lixivia
pele negra cabelo curto
saudade de Cabo Verde
vontade de um mundo justo
porque é sempre mais difícil
pra ela que tem ... escolher a solidão
entre um bebado e um adulto
entre o pó e a sanita
vai limpar também as lágrimas
e vai rezar também a Fátima
prá filha não estar grávida.
avé Maria cheia de graça
o senhor é convosco
bendita sois vós entre as mulheres
este balanço do barco
lembra o mar de Santiago
e ao largo do Barreiro
quase vê a ilha de Maio
quase sente o mesmo cheiro
e vai crescendo o seu desejo
de seguir no cacilheiro
é ir até Pedra Badejo
até que vê a ponte Salazar ali ao lado esquerdo
ou 25 de Abril como agora é bom dizer
e percebe que mesmo que façam pontes sobre o rio
ele é demasiado grande para que possam unir-nos
e ali no meio do Tejo
debaixo do céu azul
deu conta que até Cristo
virou as costas ao Sul
Ali no meio das mulheres
do barco da madrugada
sente a fadiga da lida
da faxina e da faina pesada
sofre da dupla jornada
pra por comida na mesa
com a força de matriarca
que arca com a despesa
e entre toda aquela gente
ela é só mais uma preta
só mais uma emigrante
empregada da limpeza
só mais uma que de longe vê a imponência imperial
do tal Terreiro do paço da Lisboa capital
mais uma que À chegada vai dispersar da manada
enquanto a cidade acorda
já elas estão na batalha à muito tempo
por que o metro, comboio, o autocarro
podem-nos faltar à gente
mas não a gente ao trabalho
são os outros cacilheiros
outras pontes do povo
porque a grande sobre o rio
mesmo se o estado é novo
tem nome de um grande herói da história colonial
e ela mais uma heroína que não interessa a Portugal
em comum só este barco o mesmo rio o mesmo mar
e a mesma fé que esta vida foi feita pra navegar
em comum só este barco o mesmo rio o mesmo mar
e a mesma fé que esta vida foi feita pra navegar
navegar é preciso viver não é preciso
navegar é preciso viver não é preciso
navegar é preciso viver não é preciso
O barco
meu coração não aguenta
tanta tormenta
Letra
Todos os dias faz anos que foram inventadas as palavras
é preciso festejar todos os dias o centenário das palavras
o preço de uma pessoa vê-se na maneira como gosta de usar as palavras
lê-se nos olhos das pessoas
as palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um
nós não somos do século de inventar as palavras
as palavras já foram todas inventadas
nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas
há palavras que fazem bater mais depressa o coração
cada palavra é um pedaço do universo
um pedaço que faz falta ao universo
todas as palavras juntas formam o universo
as palavras querem estar nos seus lugares
gasto os dias a experimentar lugares e posições para as palavras
é uma paciência de que eu gosto
é o meu gosto
agarrei uma mão cheia de palavras e espalhei-as por cima da mesa
ficaram nesta posição
Letra
Não encontrei a letra desta música
Letra
Eu calo as palavras, poupo o vocabulário, é que
Pró meu silêncio ainda não há um dicionário
E eu não falo sem pensar e não quero pensar demais
Não espero interpretações ou traduções emocionais.
Como todas as mulheres quero sentir que sou diferente
Sou todo o cliché da vida toda pela frente.
Sou carente q.b. como um domingo persistente em que
Não sei porquê a gente tem olhar ausente.
Amiga como tu tenho medo da rejeição
Chorei deitada no chão, achei que era em vão e não
Havia solução a ferida ficaria aberta,
É certo que te marca mas não mata só desperta.
Também sou insegura ponho a lupa nos defeitos,
Tenho a fúria do espelho, muitas dúvidas no peito
Ás vezes não me valorizo, não grito quando é preciso
Não tenho juízo e vivo em função doutro indivíduo
Como tu não sou perfeita mas esse é o nosso carisma
E quem cisma e não respeita não consegue ver um cisne.
A beleza não se finge é aquilo que tu emanas, mana
Como uma esfinge fica sólida a uma deusa humana.
Somos assim cheias de contradições como as tradições sem fim que nos atiram pra depois.
Vestem-nos de cor de rosa pra enfeitar um mundo que é cinzento,
Querem-te vistosa mas cagam em como estás por dentro
E não tens tempo pra te amares a ti
Tens de ser loira, boa, magra, sensual e com Q.I.
Claro que assim manter uma auto-estima dá muito trabalho.
Não sou a super-mulher e mando o mundo po caralho!
Carta fora do baralho mas serei dama de copas,
Serei rainha como tu um dia, topas?
E quando fraquejares vais repetir num sussurro
Aquilo que eu canto pra sorrir um dia escuro.
Eu cheiro a alfazema, eu sou poema
Eu sou aquela que tu querias ao teu lado no cinema
letra
"Provo da tristeza como um vinho velho
E mesmo assim eu espero, não partir o espelho, e digo
Que confio no teu bom conselho
Mas se for preciso ainda consigo esmurrar um joelho e sigo
Sinal vermelho é verde tinto, se o meu instinto
Me diz que sim, sigo o que sinto
E nem por isso serei impulsiva
E posso ser tão otimista que até Deus duvida
Eu só desisto quando há fumo branco, até à solução, pondero até à cisma
Eu ultrapasso a lebre num instante, na competição, sou tartaruga ninja
Como uma esfinge, eu finjo que sou de pedra, que sou dura na queda, mas a perda eu evito
E como a vida é como a tal caverna, nesta alegoria eu queria ter uma lanterna e um livro
Pa' ser livre é preciso ter coragem
E muitas vezes sou cobarde e suavizo na dosagem
Com eufemismo na boca, como um felino na toca
Evitando uma troca de olhar e não se nota
Que me esquivo do conflito e que finto a ruptura
Eu não domino o desapego e cedo ao peso da culpa
É que para mim é tortura ter de partir um coração
Para ser mulher madura ainda falta aventura e saber dizer que não
Não! Eu não sei dizer que não
O vinho velho, o tabaco cubano, o meu pai e o mano, a teresa e a mãe
A tua barba, a cama e a carta, as palavras da marta e toda a gente que vem
Pra ver no palco o que digo bem alto
Enquanto vejo se espanto este medo que tenho
E o papel perfumado com que tenho forrado
A gaveta do quarto onde guardo além
De uma foto do bicho, um vestido e um livro, um relógio e aquilo que tenho escrito também
Era suposto ser eu no pós-doc, ele no pós-rock
E ainda mais uns trocos nisto
Mas o destino trocou essas voltas e a "sereia louca"
Ficou com a lavoura e o com um disco de hip hop
E chegada à encruzilhada ficou claro que fui eu que chamei por tudo isto
E que não há nada de nada, nem uma chapada na cara que não derive daquilo que pedimos
No rap tenho trabalhado muito e tenho tido sorte
E tenho sido forte para continuar
Tendo como suporte, aquele velho mote
"Cuidado com o desejo, pode-se concretizar"
E se há coisa que me tira do sério
É se me tiram o êxito e duvidam do mérito
É que as minhas conquistas, são de rimas em pistas
De batalhas sofridas e o suor de um exército
E é por isso que as gavetas de cima são das mães
São sempre de quem, tomou primeiro a iniciativa
O trabalho é recompensado pela comodidade de não teres de ajoelhar perante vida
E a verdade da cômoda é incomoda
Mas já tenho esta gaveta cá em cima
E por norma eu trabalho para a vitória
Chego a casa, abro a mala e guardo e medalha que é minha
O vinho velho, o tabaco cubano, o meu pai e o mano, a teresa e a mãe
A tua barba, a cama e a carta, as palavras da marta e toda a gente que vem
Pra ver no palco o que digo bem alto
Enquanto vejo se espanto este medo que tenho
E o papel perfumado com que tenho forrado
A gaveta do quarto onde guardo além
De uma foto do bicho, um vestido e um livro, um relógio e aquilo que tenho escrito também
Letra
Não encontrei a letra desta música
Letra
"Eu sou a víbora, o meu nome é Dalila,
mal te vi colei em ti em modo Miss Simpatia querida,
eu quero tudo o que tens,eu sou a sonsa,
eu não sou amiga de ninguém para além da onça,
mira de ave de rapina, pratico uma boa intriga,
na trica conspirativa, traíra competitiva,
viva o mau-olhado e a facada dada nas costas,
santa do pau oco com olho gordo nas notas,
sorrindo brindo à nossa, aceitam-se apostas,
afinal qual das hipócritas sabe lamber mais botas,
eu mereço um óscar, o cachê e o poster,
sem mim a tua vida era um filme do Kevin Kostner!
Judas e Dalilas, cínicos, cobras criadas, línguas afiadas, frios, amigos das horas vagas.
Chibo-me acerca do coitado para quem me fiz passar por bom amigo.
Se eles me apanham, vou contar e sair da esquadra limpo.
Com o cadastro imaculado. Enfim,
tens sido útil, mas vais ser mais útil
a apodrecer na prisão por mim.
E agora que sais de cena, talvez seja desta que eu
desonro a tua irmã e guardo o que era teu.
Colega, isto é só love.
Espalhar a semente como um soldado.
Quando voltares, já fui com um plano novo,
concentrado noutra cidade.
Ouve, eu violo a sociedade morta que definiu as normas
antes de eu nascer e estar presente para dar a minha proposta.
Lamento, mas quando ficar rico, eu recompenso. Agora,
o que me importa é sacanear a minha situação daqui para fora.
Ah! Ah! Judas e Dalilas!"
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Já são conhecidas as datas de apresentação ao vivo do novo álbum de Capicua, “Sereia Louca”.
O disco, com edição prevista para o próximo dia 3 de março, vai ser interpretado no Plano B, no Porto, a 29 de março e, a 5 de abril, no Musicbox, em Lisboa.
Enquanto não chega às lojas, o segundo álbum da artista portuense, do qual já se conhecem os singles Mão Pesada e Sereia Louca, pode ser ouvido, em primeira mão, no Meo Music, durante esta semana.
Recorde-se que o registo está dividido em duas partes. A primeira inclui produções de D-One, Conductor, Ride, Stereossauro, Xeg e Serial e conta com as vocais de Gisela João, Aline Frazão e M7. A segunda incorpora versões acústicas de músicas de trabalhos anteriores de Capicua, feitas com Mistah, Isaac e They’re Heading West.
É “um disco que fala das mulheres, da água, da morte e dessa coisa complicada que é o passar do tempo e da idade”, pode ler-se em comunicado.
retirado do Sapo música
Letra
Não encontrei a letra desta música
Letra
Dou-te com a mão pesada,
quando é carinho ou quando é castigo
Olho de cara lavada
quando te digo que sou perigo
Eu só tenho uma palavra
dita na tua cara, clara como a água
Eu agarro, eu não abraço,
dás o dedo, quero o braço
Rosa dos ventos no cabelo, estrela polar ao peito
Porte de mulher do norte, forte, ar de respeito
Jeito de quem traça a eito, comanda a valsa,
Feito de ter graça, raça é o conceito
Manda na praça e não disfarça que é rainha altiva
Menina matriarca marca de cidade-diva
Busto de granito esculpido no fio da navalha
Curto é o pavio em rastilho, fagulha brava!
(M7)
Quem é que encanta com o sorriso de catraia
Tem mão na anca, se preciso roda a saia
Laia levada da breca, senão te curte é direta
Não consegue pôr cara de quem recebe uma caneca
Se o homem não se comporta, troca o canhão da porta
E depois sai louca pa beijar na boca à carioca
Porque tem pêlo na venta, Kahlo como a Frida
Na vida, não se lamenta, aguenta de cabeça erguida.
A prosa que enfeitiça, maga manha que conquista
Dengosa sem preguiça, atiça a cobiça à vista
Tem alma cigana, cigarra atarefada
Sem calma comanda a cidade à desgarrada.
(M7)
Guerreira, arregaça as mangas e chega onde quer
Veio mudar por estas bandas, o conceito de Mulher
Antes só a fumar charros na banheira
Que ficar a ganhar pó, com dó de si na prateleira
Tripeira, com muito orgulho, tripa por qualquer bagulho
Evita dizer "tem calma!", senão assumes barulho
Quando ama é por inteiro, ergue à volta uma muralha
Mas pensa nela primeiro, não se fica por migalha.
Para onde aponta a bússola, é o azimute
Para quando a afronta é explicita, é atitude
Não iludo trago música translúcida no clube
O zumbido ao teu ouvido é o efeito da altitude
Grito sou guerreira, desnorteio, sou nortenha
E impero porque carrego o meu sonho convicta
Tripo, sou tripeira, de ferro sou ferrenha
E não nego que mantenho o meu trono invicta!
Música
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