Letra
Anda por aí um bicho sem ninguém saber
Entra nos bolsos dos pobres à procura de comer
Vai roendo de mansinho, direitinho às algibeiras
Diz quem o viu ao ataque que as pode levar inteiras.
Cuidado que ele é do mais guloso
Cuidado que ele é muito perigoso
Vem, o bichinho vem
a casa de quem puder
Vem, o bichinho vem
para levar tudo o que houver.
Vai, o bichinho vai
à caça do que encontrar
Vai, o bichinho vai
sempre pronto para atacar.
Na sua dieta estranha estão impostos e acções
estão os planos de poupança, estão reformas e pensões
E não há qualquer quantia que lhe acabe com a fome
se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.
Cuidado que ele é do mais guloso
Cuidado que ele é muito perigoso
Vem, o bichinho vem
a casa de quem puder
Vem, o bichinho vem
para levar tudo o que houver.
Vai, o bichinho vai
à caça do que encontrar
Vai, o bichinho vai
sempre pronto para atacar.
Vai, o bichinho vai
à caça do que encontrar
Vai, o bichinho vai
sempre pronto para atacar.
Vem, o bichinho vem
a casa de quem puder
Vem, o bichinho vem
para levar tudo o que houver.
Vai, o bichinho vai
à caça do que encontrar
Vai, o bichinho vai
sempre pronto para atacar.
Vem, o bichinho vem
a casa de quem puder
Vem, o bichinho vem
para levar tudo o que houver.
Vai, o bichinho vai
Vai, o bichinho vai
Vem, o bichinho vem
Vem, o bichinho vem
para levar tudo o que houver.
Letra
Ela acordou tudo de uma vez
Pisou o chão com os dois pés
Para não cair no erro
De insultar superstições
Escolheu um vestido azul
Um azul do mar do sul
Um tom mais que perfeito
Para afogar preocupações
Ao sair soube esconder
Tudo o que era para esquecer
E seguiu alegremente
Sem pensar
De vez em quando ela precisa que lhe mintam
Para enfrentar os dias que lhe custam mais
Lembrar que o mundo não é tão mau quanto pintam
Imaginar que os sonhos podem ser reais
Pelas ruas não ouviu gritar
Dos berros fez gente a cantar
Canções de sol e esperança
De um imenso musical
Nos jornais deu a volta à dor
Virou-a em histórias de amor
De reis e de princesas
Das que nunca acabam mal
E as tristezas que juntou
Sacudiu-as mal voltou
E deitou-as fora
Junto ao pôr-do-sol.
De vez em quando ela precisa que lhe mintam
Para enfrentar os dias que lhe custam mais
Lembrar que o mundo não é tão mau quanto pintam
Imaginar que os sonhos podem ser reais.
De vez em quando ela precisa que lhe mintam
Para conseguir sair da cama de manhã
Acreditar que se insistir
Hão-de aparecer
Novos motivos para sorrir
Mesmo que agora seja ainda meio a fingir.
De vez em quando ela precisa que lhe mintam
Para enfrentar os dias que lhe custam mais
Lembrar que o mundo não é tão mau quanto pintam
Imaginar que os sonhos podem ser reais.
De vez em quando ela precisa que lhe mintam
Para conseguir sair da cama de manhã
Acreditar que se insistir
Hão-de aparecer
Novos motivos para sorrir
Para que um dia nada disto seja a fingir.
Letra
Sempre uma questão,
Eu sei que é sempre uma questão
De qualquer coisa,
De tempo, de cansaço ou embaraço,
Ou outro peso qualquer.
E de temer a dor que nele existe,
Cantamos o amor num canto triste
Que embala o coração num jeito de
Não querer bater.
Sempre uma questão,
Eu sei que é sempre uma questão
De qualquer coisa,
De anseios, incertezas ou receios
Que nos fazem desistir.
E de fugir à dor que tanto arrasta,
Fazemos do amor canção madrasta,
Prelúdio de um sono sem sonhos
Fácil de dormir
Se eu acordar já,
Sem chorar,
Sem temer,
Talvez possa esquecer,
Talvez saiba sorrir.
Se eu acordar já,
Sem este ar
Derrotado,
Talvez vença a teu lado
O temor de existir.
Sempre uma questão,
Eu sei que é sempre uma questão
De anseios, incertezas ou receios.
E de fugir à dor que tanto arrasta.
Prelúdio de um sono sem sonhos
Fácil de dormir.
Se eu acordar já,
Sem chorar,
Sem temer,
Talvez possa esquecer,
Talvez saiba sorrir.
Se eu acordar já,
Sem este ar
Derrotado,
Talvez vença a teu lado
O temor de existir.
Mas se eu acordar já,
Sem chorar,
Sem temer,
Talvez possa esquecer,
Talvez tenha outro olhar.
Mas se eu acordar já,
Sem este ar
Derrotado,
Talvez vença a teu lado
O meu medo de amar.
Letra
Trouxeste o olhar baço
Entre a tristeza e o cansaço
Dizes tudo aquilo que eu já sei
Errei mas eu também
Não prometi a ninguém
Ser eternamente a solução
Esqueceste a compaixão
Há pouco espaço p'ro perdão
Nem sei como to pedir
Tremeu a tua voz
Oscilar entre o ficar e ir
E a seguir
Tu chamaste-me traidor
Mas nem me importa esse teu dedo acusador
Pois sem rodeios
Sei bem que apontar é feio
Desapontar-te é pior
Perdeu-se o nosso espaço
Agora entregue ao embaraço
Mordeste o lábio, deste um passo atrás
Caminhas contrafeita
Como quem chama e rejeita
No teu jeito inocente de querer paz
Ficámos sem guião
Neste jogo de alevão
Em que se um desistir o outro perde
E eu sinto-me tão mal
Quem em mim a culpa corre e ferve
De nada serve
Tu chamaste-me traidor
Mas nem me importa esse teu dedo acusador
Pois sem rodeios
Sei bem que apontar é feio
Desapontar-te é pior
Tu chamaste-me traidor
Mas nem me importa esse teu dedo acusador
Pois sem rodeios
Sei bem que apontar é feio mas
Desapontar-te é pior
Desapontar-te é pior
Letra
Sou imune ao teu charme
Excepto quando te ris
Excepto quando me olhas
E engelhas o nariz
Sou imune ao teu charme
Excepto quando te vejo
Mas se tu estiveres quieta
Lá bem longe, não me afecta
Eu controlo o meu desejo
Já longe vão os dias
Em que as tuas manias
Me tiravam do sério
Porque hoje eu
Sou imune ao teu charme
Já deu bem p'ra perceber
Desde que não apareças
Nem respires ou te mexas
Eu consigo te esquecer
Desde que não apareças
Nem respires ou te mexas
Eu consigo te esquecer
Sou imune ao teu charme
Excepto quando te ris
Excepto quando me olhas
E engelhas o nariz
Sou imune ao teu charme
Excepto quando te vejo
Mas se tu estiveres quieta
Lá bem longe, não me afecta
Eu controlo o meu desejo
Já longe vão os dias
Em que as tuas manias
Me tiravam do sério
Porque hoje eu
Sou imune ao teu charme
Já deu bem p'ra perceber
Desde que não apareças
Nem respires ou te mexas
Eu consigo te esquecer
Desde que não apareças
Nem respires ou te mexas
Eu consigo te esquecer
Desde que não apareças
Nem respires ou te mexas
Eu consigo te esquecer
A APPDA Coimbra (Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo de Coimbra) vai realizar um concerto solidário, no dia 16 de novembro, pelas 21 horas, no Conservatório de Música de Coimbra.
A noite conta com as atuações de Miguel Guerreiro, Gonçalo da Câmara Pereira, Anaquim e a Estudantina Universitária de Coimbra.
A Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo de Coimbra (APPDA Coimbra) tem como missão garantir respostas específicas e individualizadas a Pessoas Portadoras de Perturbações do Desenvolvimento e Autismo e suas famílias, permitindo a sua autonomia e o exercício de uma cidadania plena.
Retirado do Sapo Música
Letra
Meu coração é um viajante
Que se entrega num instante
Por ai a onde for
Acha que sabe bem o que eu preciso
Prende-se a qualquer sorriso
Sem motivos de maior
O meu coração é inocente
Pensa que a vida é um mar de rosas
Mas eu que vi espinhos em toda a gente
Afasto essas certezas duvidosas
O meu coração é um bicho muito estranho
Que se esconde e não responde a quem chamei
Alérgico ao exterior vive na toca
Onde se esconde e sufoca por não ver entrar o ar
O meu coração vive trancado
Diz que atirou a chave ao mar
E eu que a procurei por todo o lado
Só me resta assim continuar
Coração triste
Não me arrastes em teu passo
Meu corpo insiste em decidir o que faço
Se eu digo que sim ele diz que não
Eu vou bem sem coração
Entre morrer de amor e viver nesta prisão
Coração louco
Não me imponhas o teu vicio
Que a pouco e pouco vou cedendo ao sacrifício
É que eu sei bem que se acordares
E procurares por ai
Encontras outro coração para ti
O meu coração é uma criança
Ansiosa pela dança de quem lhe estender a mão
Mas este é caprichoso e inclusivo
É na lista compulsivo que não chega à conclusão
O meu coração segue as novelas
Jubila com as falas das actrizes
O meu carrega histórias de mazelas
E afasta-se desses finais felizes
Coração triste
Não me arrastes em teu passo
Meu corpo insiste em decidir o que faço
Se eu digo que sim ele diz que não
Eu vou bem sem coração
Entre morrer de amor e viver nesta prisão
Coração louco
Não me imponhas o teu vicio
Que a pouco e pouco vou cedendo ao sacrifício
É que eu sei bem que se acordares
E procurares por ai
Encontras outro coração para ti
Falei primeiro a bem por ser assunto de respeito
Mas não deu ouvidos perseguiu naquele jeito
Mudei para as ameaças
Tentei que usasse a razão
Mas é palavra estranha pro meu pobre coração
Farta desses maus tratos fiz as malas e parti
E logo te encontrei com o mesmo modo que eu sofri
A mesma frustração
A mesma pose o mesmo olhar
E em teu toque senti no meu corpo a trupulsar
Juntos rimos de tudo
Só chorámos nas novelas
Fingimos ser crianças e dançámos como elas
Perdemos noite e dia entre histórias e canções
Juntámos nomes, gostos e moradas
E quase sem dar por nada
Encontrámos corações
Coração triste
Não me arrastes em teu passo
Meu corpo insiste em decidir o que faço
Se eu digo que sim ele diz que não
Eu vou bem sem coração
Entre morrer de amor e viver nesta prisão
Coração louco
Não me imponhas o teu vicio
Que a pouco e pouco vou cedendo ao sacrifício
É que eu sei bem que se acordares
E procurares por ai
Encontras outro coração para ti
letra
Ei eu tentei não mudar
Deixar que tudo fosse igual
Lembrar-me que há pior e estava bem no menos mal
Mas ele há usos e abusos que não podem continuar
Que a gente vai enchendo até um dia rebentar
(Mais, mais, sempre mais, tu queres sempre mais)
Mas que mal é que tem querermos o melhor para nós
(Mais, mais, sempre mais, tu queres sempre mais)
Será que cai o mundo ao levantar um pouco a voz
Não temos que marchar contra os canhões
Basta gritarmos a plenos pulmões
Entre as brumas da memória, ergue-se a mesma história e repetições
Deste nobre povo
Se o discurso não é novo que o sejam ações
Tragam-me o livro, tragam-me o livro, tragam-me o livro de reclamações
Tragam-me o livro, tragam-me o livro, tragam-me o livro de reclamações
Tou? Não, não, isso é com a minha colega
Do guichê 4, que só volta amanhã, está bom?
(Mais, mais, sempre mais, tu queres sempre mais)
Tão mas a senhora está-me a pedir isso para sexta-feira às 4 da tarde?
(Mais, mais, sempre mais, tu queres sempre mais)
Tch, isso agora mete-se o natal, só lá para fevereiro
Não temos que marchar contra os canhões, basta gritarmos a plenos pulmões
Entre as brumas da memória, ergue-se a mesma história e repetições
Deste nobre povo, se o discurso não é novo que o sejam acções
Tragam-me o livro, tragam-me o livro, tragam-me o livro de reclamações
Tragam-me o livro, tragam-me o livro, tragam-me o livro de reclamações
Eu já vejo a nação, largar a ambição
Deixá-la correr, e já não vejo o luar
A esfera milenar que a fez renascer
Não sei esperar pelo fim, guardar
Só pra mim esta subversão
Eu não eu não
Tragam-me o livro, tragam-me o livro
Tragam-me o livro de reclamações
Tragam-me o livro, tragam-me o livro
Tragam-me o livro de reclamações

Logo à entrada do Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), já se sentia a agitação e o nervoso miudinho de noite de estreia. Ainda na rua, a multidão que se aglomerava à porta e a placa “Lotação Esgotada”, faziam antever uma noite memorável.
Um a um, Luís Duarte, João Santiago, Pedro Ferreira, Filipe Ferreira e José Rebola subiram ao palco do TAGV, debaixo de uma forte salva de palmas na cidade que os viu nascer para a música. O tema “Desilusionista” marcou o arranque do concerto dando o mote para as outras treze músicas do novo álbum também desfilaram pelo palco.
Neste concerto onde estiveram presentes todos os convidados do disco, à excepção de Viviane que participa no tema “Onde acaba o Oeste?”; o vocalista e letrista do grupo, José Rebola, não esqueceu um agradecimento especial. “Já te disse mais de mil vezes”, este que foi o terceiro tema da noite que, segundo Rebola; “foi o primeiro tema que os Anaquim tocaram graças ao programa Santos da Casa e à RUC” (N.R. - Rádio Universidade de Coimbra). Fausto da Silva e Nuno Ávila, mentores e apresentadores do programa, também estavam nas primeiras filas a aplaudir mais uma das bandas que deram a conhecer ao mundo.
Dos convidados da noite, o Quarteto de Cordas foi o primeiro a subir ao palco para tocar em “se eu mandasse”. Como referiu José Rebola, “esta é uma noite especial, vamos ter connosco as pessoas que nos ajudaram a gravar o disco”. Teresa Xavier, Ana Ribeiro e sara Loureiro foram as senhoras que se seguiram nos coros de “A semente do medo”.
Quebrando o alinhamento do disco e surpreendendo o público com um novo tema de critica social, os Anaquim interpretaram “Rei da máfia nacional” que estará brevemente disponível para download no facebook do colectivo.
Lá mais para meio do concerto surgiu “Desnecessariamente complicado” que dá nome ao disco, chamando a palco Adriano Franco, João Rola e Pedro Santos. A título de curiosidade, José Rebola diz aos fãs (que nesta altura já cantavam a uma só voz quase todos os temas) que o videoclip foi gravado no sótão dos avós. Aos convidados junta-se Hugo Costa, que acompanha “Nós”; um dos temas mais complexos deste álbum e que se assemelha a uma rapsódia da vida. Logo de seguida em “O jardim”, regista-se outra estreia da noite com Rebola a abandonar a sua guitarra e pela primeira vez na carreira do grupo, apenas dá voz ao tema.
Quase na recta final, foi altura para o violinista Pedro Martins acompanhar a banda em “Hoje é um bom dia”. Os Anaquim despediam-se do público com “Livro de reclamações”, num concerto em que não houve motivos de reclamações, novamente acompanhados pelos coros de Teresa, Ana e Sara.
Os fãs não os deixaram ir embora e chamaram-nos para dois encores que revisitaram canções mais antigas como o single “As Vidas dos Outros” que deu nome ao primeiro álbum da banda e foi banda sonora de uma série da televisão. Foi, também, nesta altura que se registou outro momento alto da noite com o público a dançar e a sair dos seus lugares formando um comboio que percorreu a plateia do TAGV ao som do genérico infantil de “Tom Sawyer”.
Com este novo álbum os Anaquim mostram que estão mais maduros, mas nem por isso menos críticos ou interventivos. Cresceram, estão unidos e aguentaram um concerto sem perder o ritmo apelando à participação de um público que não se fez rogado. Uma nota positiva para a equipa de som e luz. A loja de roupa Mau Maria e o Cabeleireiro Ilídio Design, responsáveis pela imagem da banda também não foram esquecidos nos agradecimentos.
O TAGV aplaudiu de pé, como os artistas merecem. A banda fez este fim-de-semana uma apresentação no Hard-Club do Porto e dia 20 toca na MusicBOX em Lisboa.
Não pudemos deixar de reparar que o concerto de apresentação do álbum de estreia “A vida dos outros” foi a 17 de Março de 2010 no TAGV, este concerto de apresentação do novíssimo “Desnecessariamente Complicado” a 16 de Março de 2012… Arriscamos apostar que os Anaquim voltam a esta sala a 15 de Março de 2014!
Via HardMúsica

Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV)
16 março, 21:30
EUR 15,00 / EUR 12,50 (-25 e + 65 anos, estudantes)
"Desnecessariamente Complicado" marca o regresso dos conimbricenses Anaquim com um álbum em que a brilhante verve poética de José Rebola está agora ainda mais afiada e em que a música está mais próxima do rock, embora sem nunca pôr de parte a paleta sonora que antes os caracterizava: o swing, a country, o jazz manouche, o cabaret ou a música portuguesa segundo os mandamentos de Sérgio Godinho ou José Afonso.
Depois do EP Prólogo (2008) e do álbum de estreia As Vidas dos Outros (2010), que integrou a lista de “Dez Melhores Álbuns Nacionais” escolhidos pelos leitores da revista Blitz, Desnecessariamente Complicado contém catorze temas originais (entre os quais um dueto com a cantora Viviane em Onde acaba o Oeste?). José Rebola é acompanhado por Luís Duarte (guitarra), Pedro Ferreira (teclas), Filipe Ferreira (baixo) e João Santiago (bateria).
Via Sapo Música
Os Anaquim voltam a colocar «o dedo na ferida» mas desta vez com recurso a uma sonoridade mais rock. A crítica social continua a ter um lugar dominante no trabalho da banda portuguesa, que agora presenteia os fãs com «Desnecessariamente Complicado».
Depois do álbum de estreia «As Vidas dos Outros», o coletivo de José Rebola apresenta um novo trabalho que segue a mesma linha de raciocínio do anterior e que, como tal, se centra na visão da personagem animada Anaquim sobre aquilo que o rodeia.
«Havendo uma personagem criada, para a qual se pressupõe uma evolução natural, e tendo por tema o recurso inesgotável da sociedade contemporânea portuguesa, fazia todo o sentido este segundo trabalho como resposta ao carinho que temos tido por parte do público», conta José Rebola, vocalista da banda. Este é um álbum que o músico define como «um caldeirão de influências e estilos musicais, e uma espécie de acupuntura social, uma vez que muitos temas são uma alfinetada em questões coletivas».
Uma das características mais diferenciadoras deste segundo trabalho é a adoção de uma sonoridade mais rock.
«Este álbum foi pensado a partir do palco, e é a nossa maneira de o trazer para o registo de estúdio. Nasceu da energia dos nossos concertos e o rock, desde a sua criação, sempre foi um dos veículos mais eficazes da transmissão de energia», afirma Rebola.
Videoclip do tema-título do álbum «Desnecessariamente Complicado»
Na capa do disco, José Rebola aparece em cima de um escadote a pintar de branco uma parede. Simplificar, é esse o mote deste trabalho dos Anaquim. «A complexidade institucional acaba por ser um entrave à execução de ideias e ao bem-estar geral», defende o músico.
«Temos um álbum que versa sobre as pessoas e não só sobre as organizações. Por piores que sejam as lutas do país, as lutas dentro de cada indivíduo também pesam imenso e este CD continua a falar sobre elas», esclarece o vocalista.
Gil Figueiredo foi o produtor deste segundo álbum e o seu principal desafio foi manter o fio condutor dada a «paixão pela versatilidade musical» que a banda tem. Por outro lado, «trouxe também um ambiente mais cinematográfico a alguns temas» que, segundo José Rebola, a banda adorou.
Um quarto de século após a morte de Zeca Afonso, a música de intervenção continua a ter lugar importante na sociedade portuguesa. José Rebola acredita que esta «contribui com o lançar de alertas, com informação e com a sugestão de alternativas» e reforça dizendo que «uma sociedade atenta e informada é o melhor sintoma de uma democracia saudável».
Os Anaquim apresentam-se no próximo dia 10 de março no Campo Pequeno, em Lisboa, e seguem depois para o Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, onde vão atuar no dia 16 de março.
@Inês Alves
Via Sapo Música
Letra
Aceito que nem tudo é perfeito
Que este traçado estreito está fadado à colisão
Entendo que sem querer vamos cedendo
esses guias que aconselham sempre a pior direção
Mas penso que pela teima do bom senso
Podemos deixar suspenso esse trágico final
Insisto que em toda esta aventura
Não temos que ter pendura desses que nos querem mal
Desnecessariamente complicado
A gente é que gosta de complicar
Vamos maturamente analisando
O que é tão infantil de descartar
Podem vir brigadas e avarias
E encerramento das vias sem cuidado de um aviso
Que enquanto não se nos falta o asfalto
Bota-se o rádio mais alto
E conduz-se de improviso
Desnecessariamente complicado
A gente é que gosta de complicar
Vamos maturamente analisando
O que é tão infantil de descartar
E se não correrem bem os planos
Continuamos de feição
E se não correrem bem os planos, enfrentamos
A desgraça e a bonança
O cansaço e a esperança
As histórias, as fogueiras
Os penaltis, as bandeiras
Os atalhos e as placas
Os sorrisos, as ressacas
É seguir em frente sem olhar para trás
Desnecessariamente complicado
A gente é que gosta de complicar
Vamos maturamente analisando
O que é tão infantil de descartar
Letra
Vês passar o barco
rumando p’ró o sul
Brincando na proa
gostavas de estar
Voa lá no alto
por cima de ti
um grande falcão
és o rei és feliz
E quando tu
vês o Mississipi
tu saltas pela ponte
e voas com a mente
Nuvens de tormentas
Estão sobre ti
Corre agora corre
e te esconderás
entre aquelas plantas
ou te molharás
E sonharás
que és um pirata
tu... sobre uma fragata
tu... sempre à frente de um bom grupo
de raparigas e rapazes
Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer
junto ao rio a passear, Tom Sawyer
mil amigos deixarás, aqui e além
descobrir o mundo, viver aventuras (bis)
Letra
Na minha rua há restos de vidas
Restos de famílias
De mães desaparecidas
E outras há que deram vida às vidas que por ali param
Vindas de passagem e de passagem lá ficaram
Na minha rua há restos de cartazes
Restos de eleições
Do 'SIM' ao aborto e outras frases
Que eu não votei mas fiz pressão para que outro alguém votasse
Minha consciência pssa a vida num impasse
Na minha rua há restos de mim por todo o lado
Espalhados pelo tempo e pelo espaço
Na minha rua há restos de mim por toda a parte
Rasgados e atirados pelo ar
Na minha rua há restos de namoros
De beijos e abraços
De zangas e desaforos
E eu não tive ninguém que se digna-se a odiar-me
No meu mau feitio de preguiça, humor e charme
Na minha rua há restos de noites
Restos de garrafas, bebedeiras e açoites
Gemidos deifarçados pela fúria dos turistas
Á porta de boites tão baratas como ariscas
Na minha rua há restos de mim por todo o lado
Espalhados pelo tempo e pelo espaço
Na minha rua há pedaços de mim por toda a parte
Rasgados e atirados pelo ar
Na minha rua há restos de mim por todo o lado
Espalhados pelo tempo e pelo espaço
Na minha rua há pedaços de mim por toda a parte
Rasgados e atirados pelo ar
É tão bom saber que há vida assim
Faz tão bem ter histórias para contar
Eu quero ir poder então fugir
É bom para mim
É bom para quem tão bem me quer
Letra
Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
Há sempre um conselho a dar p'rás vidas dos outros
Nada é eterno e se aguentarmos todo o mal tem fim
É fácil ter calma quando a alma não me dói a mim
Eu sou tão bom a tornar todo o mal inerte
Se é aos outros que lhes custa que o passado aperte
Mas quando a inquietude vem toda para o meu lado
Deita-se, desnuda e não desgruda até me ter vergado
É tão simples quando estou de fora
A ver passar as nuvens pelo ar
Aplaudir, rever-me e concluir
Que eu também já lá estive e...
Já soube ultrapassar
Só a mim é que ninguém me entende
E a minha dor não tem como acabar
Ai quão melhor era acordar um dia
E ter as vidas dos outros todas em meu lugar
As vidas dos outros nunca me soam mal
Veêm problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão simples para mim
Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
Sempre me sei comportar nas vidas dos outros
Volta, revolta, o melhor está para vir
Solta tudo agora, não demora, tornas a sorrir
Eu são tou bom a apagar qualquer mau momento
Se é aos outros que lhes bate à porta o sofrimento
Mexe, remexe, alguma coisa hás-de encontrar
A solução é procurar
Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a cantar
Eu sou tão bom a contar as vidas dos outros
Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a curar
Tudo menos o meu próprio mal
As vidas dos outros nunca me soam mal
Veêm problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão simples para mim
Música
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