Letra
Eu tenho um xale encarnado
É uma lembrança tua
Tem um segredo bordado
Que ás vezes eu trago á rua
Tem as marcas de uma vida
Que a vida marca no rosto
Mas ganha uma nova vida
Nas noites que o trago posto
Já foi lençol e bandeira
Vela de barco, também
Tem marcas da vida inteira
Mas dizem que me cai bem
Se pensas que me perdi
Nalgum destino traçado
Para veres que não esqueci
Eu ponho o xaile encarnado
Letra: João Monge
Música: Armandinho
Letra
Ai meu amor se bastasse
Saberes que eu te amo tanto
E cada vez que eu cantasse
Ai meu amor se bastasse
Saberes que é por ti que eu canto
Ai meu amor se bastasse
O que a cantar eu consigo
E mesmo que eu não cantasse
Ai meu amor se bastasse
O que a falar eu não digo
Ai meu amor se bastasse
Eu saber que te não basta
E na vida que eu gastasse
A cantar eu reparasse
Que a nossa vida está gasta
Se o que eu tenho p'ra te dar
Quando eu canto te chegasse
Se isso pudesse bastar
Se me bastasse cantar
Ai meu amor se bastasse
Letra: Manuela de Freitas
Música: Pedro Rodrigues
Letra
Amei-te com os laços da virtude
Prendi-me nos teus braços que beijei
Bebi do teu olhar a juventude
À pele da tua boca murmurei
Bebi do teu olhar a juventude
À pele da tua boca murmurei
Impossível cantar a realidade
do dia em que disseste o que não digo
matei dentro de mim toda a saudade
e tudo o que era teu ficou contigo
matei dentro de mim toda a saudade
e tudo o que era teu ficou contigo
O quarto um agasalho uma mesa
os restos pela casa do esquecimento
num canto o desenho da tristeza
lembranças de uma vida feita ao vento
num canto o desenho da tristeza
lembranças de uma vida feita ao vento
Composição de Acácio Gomes
Letra de Aldina Duarte
Letra
Letra
Quando as duas raparigas
Cruzaram o seu caminho
Vinham perdidas de riso
Entre a graça das amigas
Ele, que vinha sozinho
Ficou bastante indeciso
Parou pra melhor as ver
E, nesse olhar reparando
Pararam elas também
E, se uma era fogo a arder
Pois a outra, em lume brando
Queimava como ninguém
Loira uma, outra morena
Uma acendia desejos
Na outra havia mistério
E, enquanto da mais pequena
Queria abraços e beijos
Com a alta o caso era sério
Ao pé delas tarde fora
Dessas duas raparigas
Foi só uma que escolheu
E quem se riu chora agora
Pois entre invejas e brigas
Quase tudo se perdeu
E hoje chegou a hora
De vos contar as intrigas
Porque a escolhida fui eu
Letra
Andas tão outro estes dias
Que dou por mim a cismar
Que vivo ao lado de um estranho
Se chego a rir, desconfias
Mas, se me dá p'ra chorar
Nem queres saber o que tenho
Já não sei o que fazer
Se chego tarde, protestas
Se venho cedo, não estás
Ai, quem me dera entender
Porque o que agora contestas
Mais logo tanto te faz
Andas tão longe estes dias
Que ainda agora pensei
Que fui eu que me perdi
Se não estou onde tu querias
Basta dizeres-me onde errei
E volto a correr para ti
A mim não me pesa a culpa
Mas, se culpada me crês
Eu confesso o que não fiz
E até te peço desculpa
Mesmo não tendo de quê
Só p'ra te ver mais feliz
Letra de Maria do Rosário Pedreira / M: Frederico de Brito (Fado Britinho)
Letra
Não são palavras vãs, a carta que te deixo
Dizendo que me vou, pra nunca mais voltar
Ao morderes a maçã, tu perdeste o meu beijo
Já abraços não dou, a carta há de chegar
Nem vou esperar por ti, as malas estão à porta
Só me resta ir embora, a história chega ao fim
Se esqueceres que existi, não julgues que me importa
O homem que és agora, já não presta para mim
São tudo coisas minhas, aquelas que hoje levo
As mágoas e as penas não tás posso deixar
Entre as ervas daninhas, se encontrares o meu trevo
Tem três folhas apenas e só me deu azar
Letra de Maria do Rosário Pedreira / M: Joaquim Campos (Fado Alexandrino Joaquim Campos)
Letra
Alma e sangue, amor
No teu mundo, amor
São a terra e a dor
Que aproximam dois céus
O teu, o meu
O silêncio é ouro, amor
Ouro que pesa como o céu
O teu rosto faz o meu
Os teus passos um caminho
Que é meu, e teu
Alma e sangue, amor
O silêncio é dor, amor
É meu, e teu
Obrigado ao Marco pelo envio da letra
Letra
Certa noite o meu destino
Vi nos teus olhos fatais
E fiquei tão pequenino
Que desde então imagino
Segui-los por onde vais
Não sei voltar ao passado
Nesta noite derradeira
Vejo-te ainda a meu lado
Mas neste fado bailado
Arde a minha vida inteira
Coração da minha vida
Vida do meu coração
Em cada noite perdida
Uma promessa esquecida
Naquele olhar sem perdão
Vou contigo, coração
A morrer dentro de mim
Se ainda bates coração sem razão
Não te sei dizer que não
Vou contigo até ao fim
Letra
Antes da chuva no rio
Antes de ser primavera
Antes do corpo vazio
Nunca estive á tua espera
Antes do corpo vazio
Nunca estive á tua espera
Antes da areia quebrar
Nas ondas da maré alta
Senti o cheiro do mar
Não senti a tua falta
Senti o cheiro do mar
Não senti a tua falta
Antes do mal que passei
Antes do bem que vivi
Nunca de ti me lembrei
Nem nunca pensei em ti
Nunca de ti me lembrei
Nem nunca pensei em ti
Antes da estrela cadente
Riscar o céu doutras luas
Antes do quarto-crescente
Não tive saudades tuas
Antes do quarto-crescente
Não tive saudades tuas
Não sei como, nem porquê
Antes *não sei* de que instantes
Meu amor antes de quê
Antes fosse como antes
Meu amor antes de quê
Antes fosse como antes
letra
Há um véu no meu olhar
Que a brilhar dá que pensar
Nos mistérios da beleza
Espelho meu que aconteceu
Do que é teu e do que é meu
Já não temos a certeza
A moldura deste espelho
Espelho feito de oiro velho
Tem os traços de uma flor
Muitas vezes foi partido
Prometido e proibido
Aos encantos do amor
Espelho meu diz a verdade
Da idade da saudade
À mulher envelhecida
Segue em frente na memória
Mata a glória dessa história
Da princesa prometida
letra
Deste-me tudo o que tinhas
Nos meus lençóis de cetim
Mais a raiva quando vinhas
Desencontrado de mim
O meu corpo dependente
Bebia da tua mão
Aquela mistura quente
De desejo e perdição
Jurei que um dia mudava
Que de tudo era capaz
Já nem o sangue me lava
E tu nem raiva me dás
Parti os saltos na rua
Dei a vida pela vida
Mas agora, olho a lua
E não me sinto perdida
Esqueci a tua morada
E tu nem raiva me dás
Agora que não me dás nada
Deste-me um pouco de paz
Letra
Diz quem já me ouviu cantar
Que, quando soa o meu canto
A terra inteira estremece
E os rios perdem o mar
E as pedras rolam de espanto
E até o mal se enternece
Diz quem meu Fado conhece
Que ele enfeitiça, e encanta
E comove, e tira o sono.
É a paixão que entretece
Os fios de quem o canta
Porque o meu Fado tem dono.
Eu canto para procurar
Aquele que já foi meu
E a morte me arrebatou.
Não desisto de cantar,
Chamando o nome de Orfeu
Em todo o lado aonde vou.
Mesmo que o saiba fechado
No Inferno mais profundo
E não me aguarde outra sorte
Levo comigo o meu Fado-
Vou até ao fim do mundo
Para morrer da sua morte
Letra
Mais uma vez prometeste
levar-me de braço dado
por Alfama a passear.
Eu esperei tu não vieste,
ficou velho e desbotado
o vestido por estrear;
Vezes sem conta juraste
dançar comigo no baile
às portas da Mouraria
eu fui mas nunca chegaste,
sabem as pontas do xaile
o que chorei nesse dia
Vezes sem fim sugeriste
ouvirmos fados juntinhos
num beco do Bairro Alto
de todas elas mentiste
eu gastei por maus caminhos
os meus sapatos de salto
Hoje vens para me propor
casarmos na Madragoa
como eu sempre te pedi
não pode ser meu amor
já sabe meia Lisboa
que eu não acredito em ti.

A fadista Aldina Duarte apresenta terça-feira à noite, dia 29 de Novembro, na Culturgest, em Lisboa, o seu mais recente álbum, “Contos de Fados”, editado há seis meses, o primeiro em que canta o “desamor”.
"Nunca cantei o desamor, o vazio, como é o caso de ‘Ainda Mais Triste’ [de Manuela de Freitas a partir de “Longa Jornada para a Noite” de Eugene O’Neill]. É muito difícil cantar o vazio. Uma mulher que tem tudo para amar e não é capaz de amar”, afirmou.
O álbum, o quarto da carreira da fadista, é apresentado como um livro, com prefácio (do editor Manuel Valente), introdução (do musicólogo Rui Vieira Nery) e um poema de abertura de Pedro Mexia, “A Balada do Café Triste” que é “uma síntese do disco”, explicou Aldina Duarte.
No palco da Culturgest, acompanhada por José Manuel Neto na guitarra portuguesa e Carlos Manuel Proença, na viola, Aldina Duarte, distinguida há dois anos com o Prémio Amália Melhor Poeta, irá interpretar fados tradicionais como o Cigano, Pagem, Pedro Rodrigues, Cravo, Amora, Manuel Maria Marques, Menor do Porto, Vento, Esmeraldinha, Alberto, Franklin Godinho e João.
Os letristas escolhidos “são amigos”, o que para a fadista facilita a interpretação pelo conhecimento que têm da própria cantora. Aldina defende que se deve cantar letras e não tanto poemas, pois a letra “adapta-se mais facilmente à música que a ajuda também e é a linguagem de todos os dias”.
Manuela de Freitas, Maria do Rosário Pedreira, José Mário Branco e José Luís Gordo são os poetas que desafiou a escrever “pensando numa obra literária”, além de uma letra de sua autoria, “Que amor é este?”, a partir do romance “O Eterno Marido”, do russo Fiódor Dostoiévski que foi o primeiro escritor estrangeiro que leu e como ninguém escreveu a partir dele, sentiu a “urgência de o fazer".
Aldina Duarte afirmou: “Cuido dele [do fado] diariamente, quer cantando na casa de fados [no Senhor Vinho há 16 anos], quer ouvindo discos, é um amor tão a sério que acumula com a paixão que se reacende”.
Para a fadista o universo de 140 fados tradicionais é “um jogo de espelhos que se pode levar até ao infinito”.
Via HardMúsica
«Mulheres ao Espelho», álbum que a fadista Aldina Duarte traz ao Theatro Circo este sábado, 19 de Fevereiro, a partir das 21h30, reúne 11 temas que, tanto individual como colectivamente, traduzem o desejo de contar uma história. Uma história feminina.
Neste terceiro trabalho discográfico, Aldina Duarte escolheu várias mulheres como reflexos do seu fado. Desta forma,Hermínia Silva, Lucília do Carmo ou Maria José da Guiasão algumas das fadistas que Aldina, aqui acompanhada por Carlos Manuel Proença (viola) e José Manuel Neto (guitarra portuguesa), adoptou como cúmplices para dar voz aos temas que compõem este espectáculo.
Como vozes preponderantes da sua interpretação, metáforas poéticas e mesmo alinhamento, a fadista que se assume «apaixonada incondicional do lado tradicional do fado» elegeu «a afamada complexidade feminina que contém segredos e coragem, subtilezas e dúvidas legítimas, transgressões ousadas, impulsos e emoções incontidos e incontáveis, confiança e frontalidade».
Editado em 2008, «Mulheres ao Espelho» sucedeu a «Crua» (2006) e «Apenas o Amor», álbum que em 2004 assinalou a estreia da fadista lisboeta.
Natural de Chelas, Aldina Duarte iniciou as lides fadistas no Clube do Fado.
Em simultâneo, e já depois de ter participado no filme «Xavier», de Manuel Mozos, onde interpretava o fado«A Rua do Capelão», trabalhou na editora EMI e colaborou em vários álbuns do também fadista Camané.
Fadista residente no Sr. Vinho (Lapa, Lisboa) Aldina Duarte tem vindo a distinguir-se por um reportório predominantemente composto por fados tradicionais.
Via Sapo Música
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