Letra
debruçada no parapeito
vestida com um certo desleixo
a sombra a giz desenhada no chão
apenas durmo mal
alguma informação
um mapa mal desenhado
serei suprema
nunca serei nada
todo o teatro inútil
o razoável insucesso
não tenho jeito para estas coisas
nunca devia ter hesitado
meti-me para dentro
roupa interior feia
a menina devia ser fuzilada
juntamente com as suas companheiras
Letra
A viúva bebe do cipreste
e é na orla da espuma,
na maré negra celeste
a estrela que se arruma
Fosco abat-jour de enfados,
falhas de luz desafinada,
um relógio de estragados
ponteiros em debandada.
Um saco de mercearia
nervosa de asa sem par:
um só prato para o jantar,
Água de Agosto cortada,
cimo de escada ofegante
e um livro fora da estante
Letra
Ele há gente que vive de si
Ele há vícios de que a gente se ri
Todos me falam nunca os conheci
Assisto ao seu enterro metam-nos pr'aí
Os meus sentidos pêsames
Que pena não viveres mais aqui
Ele há músicos qu'eu nunca ouvi
Ele há estilistas qu'eu nunca vesti
Ele há críticas que eu nunca percebi
E até managers de quem não recebi
Os meus sentidos pêsames
Sinceros parabéns por desistires de vencer
Os meus sentidos pêsames
Saudades de quem não se sabe vender aqui
Onde eu já vivi. Sem saber como nem quando. Onde eu já dormi
Condolências para quem continua sem saber. O que faz aqui
Como eu só vivi. Também já acordei um dia sozinho
E no entanto lembrei-me de ti. Aceita as
Condolências deixa-te morrer. Não fazes falta aqui.
Quando te fores haverá sempre elogios. E alguém
Que se riu de ti. Onde eu já vivi.
Letra
Porque tenho eu
Frieiras se nunca tiro as luvas?
Porque tenho eu arranhões
Se os meus gatos são meigos?
Como dizia uma pobre rapariga
Que era criada e mal sabia ler
Também eu vou dizer
Coração partido
Pé dormente
Vou para a cama
Que estou doente
Porque me traíste tanto
Se os meus gatos são meigos?
Porque me traíste tanto
Se eu nunca tiro as luvas?
Letra
Está um rapaz a arder
em cima do muro,
as mãos apaziguadas.
arde indiferentemente à neve que o encharca
Outros foram capazes
de lhe sabotar o corpo,
archote glaciar
nunca ninguém apagou esse lume
Letra
A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes
São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas
Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho
Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Cá dentro inqueitação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda
Álbum de versões, «As Canções d'A Naifa», dá origem ao novo espetáculo do grupo
O grupo A Naifa inicia a 8 de fevereiro, no Barreiro, uma nova digressão pelo país, que assinala dez anos de vida e um novo espetáculo, com o repertório do álbum «As Canções d'A Naifa».
Entre fevereiro e maio, Mitó Mendes, Luís Varatojo, Sandra Baptista e Samuel Palitos celebrarão na estrada uma década d'A Naifa, que incluirá repertório de eleição de outros artistas, espelhado no mais recente álbum.
«As Canções d'A Naifa» reúne nove músicas, do pop rock português ao fado, entre as quais «Libertação», gravada por Amália Rodrigues, «Inquietação», de José Mário Branco, «Sentidos Pêsames», dos GNR, «Tourada», de Ary dos Santos e Fernando Tordo, e «Bolero do Coronel Sensível que Fez Amor em Monsanto», com letra de António Lobo Antunes.
Na digressão, o grupo irá ainda repescar temas dos álbuns «3 Minutos Antes de a Maré Encher», «Uma Inocente Inclinação Para o Mal» e «Não Se Deitam Comigo Corações Obedientes».
A digressão começa a 8 de fevereiro, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Barreiro, seguindo depois para Coimbra, Ponta Delgada, Évora, Estarreja, Seixal, Almada, Caldas da Rainha e Braga, a 10 de maio.
Letra
apanhada a roubar
como uma criança
de vestido branco e sandálias
consertei a figurinha
um homem assim humilde
lançado aos cães
não sinto quase nada
uma ligeira dor de cabeça
gostavas de ser feliz
farei o que puder para te impedir
a cada novo dia o duro preço
não consigo resistir
nesse dia beijei muita gente
se te magoei não foi intencional
espero ainda que me perdoes
uma inocente inclinação para o mal
Letra
Ai como eu quero viver no plural
este singular é pior que mal
cavaleiro ignoto na eternidade
exílio nos mares da minha saudade
Ignorar em mim a maior solidão
mesmo na rua sem tecto nem chão
enganar o espelho com retratos de mim
não tenham certezas, eu não sou assim...
Achado no Espaço esquecido pelo mundo
não tenho cansaço, Sou Eco profundo
Quero ser plural, Crescente, minguante
Viver num segundo o Eterno instante
não tenham certezas, eu não sou assim...
não tenham certezas, eu não sou assim...
não tenham certezas, eu não sou assim...
não tenham certezas, eu não sou assim...
Nascer larva, morrer borboleta, lagarta
crisálida de cor violeta, ser águia, luar
com mãos de veludo, desta saudade de
nunca ser tudo
Lembrar de Deus a voz num jardim imenso
ser poeta do Espaço, do Ser que me penso
ser do Oriente da ave que me espalha
trazer comigo a Luz numa medalha
Achada no Espaço esquecida pelo mundo
não tenho cansaço, Sou Eco profundo
Quero ser plural, Crescente, minguante
Viver num segundo o Eterno instante
não tenham certezas, eu não sou assim...
não tenham certezas, eu não sou assim...
não tenham certezas, eu não sou assim...
não tenham certezas, eu não sou assim...
Letra
Eu que me comovo
Por tudo e por nada
Deixei-te parada
Na berma da estrada
Usei o teu corpo
Paguei o teu preço
Esqueci o teu nome
Limpei-me com o lenço
Olhei-te a cintura
De pé no alcatrão
Levantei-te as saias
Deitei-te no banco
Num bosque de faias
De mala na mão
Nem sequer falaste
Nem sequer beijaste
Nem sequer gemeste
Mordeste, abraçaste
Quinhentos escudos
Foi o que disseste
Tinhas quinze anos
Dezasseis, dezassete
Cheiravas a mato
À sopa dos pobres
A infância sem quarto
A suor a chiclete
Saíste do carro
Alisando a blusa
Espiei da janela
Rosto de aguarela
Coxa em semifusa
Soltei o travão
Voltei para casa
De chaves na mão
Sobrancelha em asa
Disse: “fiz serão”
Ao filho e à mulher
Repeti a fruta
Acabei a ceia
Larguei o talher
Estendi-me na cama
De ouvido à escuta
E perna cruzada
Que de olhos em chama
Só tinha na ideia
Teu corpo parado
Na berma da estrada
Eu que me comovo
Por tudo e por nada
Letra
Alfama
de cacos pintados
de tintas e trocas
e ventos no rio
no rio
de pontos picantes
e pontas de faca
com laca e alpaca
Alfama
com alma e alfafa
e gente de fama
que cai na galhofa
do pátio da esquina
da feira da ladra
de cacos picantes
e contas correntes
de tretas e pintas
de gente com laca
nas pontas da fama
e ventos de faca
que cortam Alfama
em portas pintadas
com a fama do fado
com a fama de alfama
com alma e alfafa
e gente de fama
que cai na galhofa
do pátio da esquina
da feira da ladra
de cacos picantes
e contas correntes
de tretas e pintas
de gente com laca
nas pontas da fama
e ventos de faca
que cortam Alfama
em portas pintadas
com a fama do fado
com a fama de do fado

«As Canções d'A Naifa» inclui temas celebrizados por Fernando Tordo, Simone de Oliveira, GNR e Amália Rodrigues
Chegou esta semana às lojas «As Canções d'A Naifa», novo disco em que a banda de Maria Antónia Mendes (voz), Luís Varatojo (guitarra portuguesa), Sandra Baptista (baixo) e Samuel Palitos (bateria) interpreta clássicos da música portuguesa celebrizados por Fernando Tordo, Simone de Oliveira, GNR e Amália Rodrigues, entre outros.
O single de apresentação escolhido foi «A Tourada» (letra de Ary dos Santos e música de Fernando Tordo), cujo tema original representou Portugal no festival da Eurovisão, em 1973.
«Sentidos Pêsames» (GNR), «Libertação» (Amália Rodrigues), Desfolhada Portuguesa (Simone de Oliveira), «Inquietação» (José Mário Branco) e «Subida aos Céus» (Três Tristes Tigres) são outras das canções de um disco composto por nove temas que têm feito parte dos concertos ao vivo d'A Naifa durante os quase dez anos do grupo.
«As Canções d'A Naifa» sucede a «Não Se Deitam Comigo Corações Obedientes», álbum distinguido pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) com o Prémio Autores para Melhor Disco de 2012.
O próximo ano será de celebração de uma década de vida d'A Naifa e levará a banda aos principais teatros do país numa digressão nacional de apresentação de «As Canções d'A Naifa».
Letra
Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
espera.
Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais
são tretas.
Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão
não pega.
Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.
Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.
Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.
Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...
Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.
E diz o inteligente
que acabaram asa canções.
Letra
Não digas nada - a tua boca já me pertenceu
E agora tenho ciúmes das palavras. o que
Disseres será um beijo pousado nos lábios de
Outra mulher, dor e mais dor, traição maior
Para quem acreditou que o teu amor era para
A morte. não fales - tenho também ciúmes
Da tua voz; ouvir-te é ficar só uma vez mais.
Letra
amanhã serei
jornais antigos
doente de amor
fabriquei um romance
amanhã morrerei
em voz baixa
pequena de destino
no banco traseiro
ama com egoísmo
começarei por mim própria
imagino-me mais alta
na página seguinte
filha de cabeleireira
sinto-me sempre culpada
a técnica minuciosa
nunca me serviu de nada
amanhã serei
sem abrigo
banco de jardim
com vista para o mar
amanhã morrerei
lição de história
o corpo da criada
ao serviço da casa

A Naifa edita a 4 de novembro um novo álbum, no qual revisita canções da música portuguesa, do pop rock ao fado, e cujas escolhas traçam também a identidade musical da banda.
"As canções d'A Naifa" reúne nove músicas, entre as quais "Libertação", gravada por Amália Rodrigues, "Inquietação", de José Mário Branco, "Sentidos Pêsames", dos GNR, e "Subida aos céus", gravada pelos Três Tristes Tigres.
"Desde 2004 que temos vindo a fazer versões de uma ou outra canção, para os espetáculos ao vivo. Como já tínhamos algumas, decidimos gravar, mas num registo que fosse mais ao vivo", afirmou à agência Lusa o guitarrista Luís Varatojo.
O álbum apresenta canções escolhidas "segundo o critério de gosto" dos músicos - "tinha de ser assim, músicas que gostamos de ouvir" - e que "corresponde também ao percurso da banda", explicou.
São canções que tanto os acompanham desde sempre como fazem parte de afinidades recentes: "No fundo, também são as nossas canções, emprestadas dos outros artistas".
Para primeiro tema a divulgar, A Naifa escolheu "A tourada", de Fernando Tordo, com letra de José Carlos Ary dos Santos, metáfora sobre situação social da ditadura do Estado Novo em 1973, que a censura deixou escapar. "Escolhemos por, entre outras razões, ter uma leitura mais exata do que se passa hoje no país", afirmou Luís Varatojo.
O quarteto apropriou-se ainda, por exemplo, de "Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto", de Vitorino, com letra de António Lobo Antunes, "Imenso", de Paulo Bragança, e "Desfolhada portuguesa", que Simone de Oliveira interpretou com letra de Ary dos Santos e música de Nuno Nazareth Fernandes.
Para Luís Varatojo, o álbum poderá ser um exercício interessante para os que já conhecem as canções, mas também se dirige aos mais novos, que possivelmente desconhecem este repertório.
O disco, que será lançado oficialmente no dia 30, no Bar Popular, em Alvalde, Lisboa, é editado cerca de um ano depois do álbum "Não se deitam comigo corações obedientes".
Para os concertos, Luís Varatojo, Mitó Mendes (voz), Sandra Baptista (baixo) e Samuel Palitos (bateria) preparam um alinhamento focado sobretudo no novo álbum, ao qual adicionarão algumas canções do repertório original.
Retirado do Sapo Música
Letra
José Mário Branco
A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes
São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas
Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda
Letra
Inquietação
José Mário Branco
A contas com o bem que tu me fazes
A contas com o mal por que passei
Com tantas guerras que travei
Já não sei fazer as pazes
São flores aos milhões entre ruínas
Meu peito feito campo de batalha
Cada alvorada que me ensinas
Oiro em pó que o vento espalha
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Ensinas-me fazer tantas perguntas
Na volta das respostas que eu trazia
Quantas promessas eu faria
Se as cumprisse todas juntas
Não largues esta mão no torvelinho
Pois falta sempre pouco para chegar
Eu não meti o barco ao mar
Pra ficar pelo caminho
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda
Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda
Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

O grupo que reúne Mitó Mendes, Luis Varatojo, Sandra Baptista e Samuel Palitos deu a conhecer o seu novo trabalho que originou uma digressão de apresentação nacional.
Entre Março e Maio, A Naifa passou por 14 dos principais Teatros e cidades portuguesas.
No verão, a banda marcou presença em diversos Festivais e eventos do norte ao sul do país. Entre a Festa do Fado no Castelo de S. Jorge (Lisboa), o Festival Bons Sons de Tomar, o Festival Noites Ritual (Porto), o Festival do Crato e a Festa do Avante!, A Naifa esteve presente com concertos a saber a calor.
Agora, já no final do ano, é altura d'A Naifa regressar aos teatros. Será uma nova digressão de Outono que marcará a sua despedida dos palcos de Portugal.
2013 será para a banda o ano dedicado à consolidação da carreira internacional.
As próximas datas agendadas são: a 31 de Outubro em Tondela (Acert), 03 de Novembro em Sintra (Misty Fest), 09 de Novembro em Castelo Branco (Teatro Avenida) e 30 de Novembro em Leiria (Teatro José Lúcio da Silva).
Em Dezembro, vão estar presentes em mais três concertos para finalizar a tournée: Santarém a 06 (Teatro Sá da Bandeira), Setúbal a 07 (Forum Municipal Luísa Todi) e Figueira da Foz a 15 (casino).
Sofia Silva
Retirado do HardMúsica
Letra
na aula de dança
a audácia do par
um grande assombro
tomou conta de nós
um íntimo remorso
à porta do vizinho
uma discreta condenação
serve-me de castigo
não quero o amor
o que me entusiasma é a boa imitação
que ideia tenho eu das coisas
meu ingénuo coração
meu ingénuo coração
na aula de dança
a audácia do par
um grande assombro
tomou conta de nós
tento ler nos lábios
por detrás do espelho
um sorriso contrafeito
a tirar a aliança do dedo
não quero o amor
o que me entusiasma é a boa imitação
que ideia tenho eu das coisas
meu ingénuo coração
meu ingénuo coração
um íntimo remorso
à porta do vizinho
uma discreta condenação
serve-me de castigo
não quero o amor
o que me entusiasma é a boa imitação
que ideia tenho eu das coisas
meu ingénuo coração
meu ingénuo coração
Letra
O Ar Cansado Dos Meus Vestidos
A Naifa
o ar cansado
dos meus vestidos
a minha mão perdida
antes de tudo isto
no teu corpo adormecido
imóvel e silencioso
desenho um mapa
do nosso grande amor
já te ensinei o amor
agora há pouco a fazer
a seguir vem o sono
e eu que tinha tanto tanto para te dizer
o ar cansado
dos meus vestidos
a minha mão perdida
antes de tudo isto
os lábios ainda incertos
ao fim de cada dia
um lugar na minha cama
agora ocupado
já te ensinei o amor
agora há pouco a fazer
a seguir vem o sono
e eu que tinha tanto tanto para te dizer
no teu corpo adormecido
imóvel e silencioso
desenho um mapa
do nosso grande amor
já te ensinei o amor
agora há pouco a fazer
a seguir vem o sono
e eu que tinha tanto tanto para te dizer
letra
tenho uma estátua fluorescente da virgem maria
que me dá confiança e brilha à noite.
tenho os joelhos magoados.
o calvário dos fiéis devia ser menos árduo.
tenho trezentos e sessenta e cinco santos numa
caixa calendário daquelas em que cada dia
tem um chocolate.
tenho um lencinho branco onde limpo as
lágrimas enquanto assisto a uma vigília via tv
tenho uma estátua fluorescente da virgem maria
que me dá confiança
e brilha à noite.
tenho os joelhos magoados.
o calvário dos fiéis devia ser menos árduo.
às vezes quando o vapor é muito,
tenho o salvador no espelho.
deito-me de consciência limpa,
não me esqueci das velinhas, nem de
deixar a moedinha na caixa
dormirei o sono dos justos e talvez não acorde
quando o galo da minha vizinha cantar três
vezes e o meu senhorio o tentar apedrejar.
sinto-me bem e deus queira que consiga não
me masturbar.
tenho uma estátua fluorescente da virgem maria
que me dá confiança
e brilha à noite.
tenho os joelhos magoados.
o calvário dos fiéis
devia ser menos árduo.
tenho uma estátua fluorescente da virgem maria
que me dá confiança
e brilha à noite.
tenho os joelhos magoados.
o calvário dos fiéis
devia ser menos árduo.

De regresso ao Castelo de S. Jorge e à Festa do Fado, A Naifa apresenta um espetáculo especial com a participação de Paulo Bragança.
No ano de lançamentos do seu quarto álbum de originais, intitulado “não se deitam comigo corações obedientes”, e depois de uma digressão que passou pelos principais Teatros do País, A Naifa aposta num novo espetáculo.
As canções do projeto ganham assim uma outra vida e preparam-se para receber também a voz única e a originalidade de Paulo Bragança. Neste concerto serão revisitados os quatro álbuns d'A Naifa, bem como algumas das canções que marcaram a carreira de Paulo Bragança, o mote para uma noite que poderá incluir outras abordagens.
22 de Junho( 6ªf): Castelo de São Jorge (Lisboa), 22h00
Bilhetes: 12,5€
Retirado de Sapo Música
letra
Esta apólice, o vizinho de cima
a puxar o autoclismo
a bater na mulher e nos filhos
A água da torneira com cheiro a lexivia
sempre a pingar
o televisor com uma avaria
Talvez o canteiro das flores
sujas e maltratadas
estas zangas por tudo e por nada
QUESTÃO DA NOITE
Questão da noite
do programa que acontece
em Portugal, neste fim de século,
navegar é preciso ?
resposta:
se morar no Barreiro, sim
letra
Viste que os dias não passavam disto,
e viste bem.
Desse lado do céu,
tens o melhor miradouro
sobre a madrugada.
Se encontrares o pintainho
que sepultámos,
em segredo e lágrimas,
pede-lhe o arco
da sua asa
entretanto,
vou montando
o telescópio,
põe-te à vista
combinamos um gelado
viste que os dias
não passavam disto
e viste bem
desse lado do céu
tens o melhor miradouro
sobre a madrugada
remete-me, quando puderes
nas noites de lua nova
pacotes de chuva miúda,
gosto de a ver
decalcar a terra
entretanto,
vou montando
o telescópio,
põe-te à vista
combinamos um gelado
entretanto,
vou montando
o telescópio,
põe-te à vista
combinamos um gelado
Letra
tão cansada de engolir
comprimidos sem dormir
do meu sexo que se embota
do meu coração que se esgota
esticado na horizontal
sob uma agulha sensual
e a sopa na panela
embacia-me a janela
se há uma falha um abalo
Dickinson Plath Woolf Kahlo
onde foram estavam loucas
queriam coisas eram ocas
queriam chique eram pedras
queriam arte eram merdas
tentando o voo eram estacas
punho em riste eram farpas
e a sopa na panela
embacia-me a janela
e sorbo mas sem palato
sem ter forças para o salto
tão cansada de engolir
comprimidos sem dormir
do meu sexo que se embota
do meu coração que se esgota
esticado na horizontal
sob uma agulha sensual
do meu sexo que se embota
do meu coração que se esgota
e a sopa na panela
embacia-me a janela
e sorbo mas sem palato
sem ter forças para o salto
Margarida Vale de Gato, Talvez a injecção letal

O projeto A Naifa nasceu em 2004 pela mão de João Aguardela e Luís Varatojo, músicos associados à pop portuguesa dos anos 80 e 90, aos quais se juntou uma nova voz, Maria Antónia Mendes. O repertório, totalmente original, resulta de letras de novos poetas portugueses e temas com base em referências da música de raiz portuguesa. Em cinco anos editaram três álbuns e realizaram espetáculos dentro e fora de Portugal. O ano de 2012 marca a saída do seu 4º álbum de originais, intitulado "não se deitam comigo corações obedientes", agora com uma formação nova (que inclui Sandra Baptista no baixo e Samuel Palitos na bateria) e com 11 canções compostas a partir de textos de Adília Lopes, Ana Paula Inácio, Margarida Vale de Gato, Maria do Rosário Pedreira e Renata Correia Botelho.
Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha
31 março, 21:30
Retirado de Sapo Música
Letra
Estou à espera
mais uma vez
de ser gentilmente votada
ao meu lugar de amante
intensa, grata e gozada
e é melhor
que fique assim,
nem me queixo, inconveniente
sou para todo o protocolo
e além disso algo demente;
tenha embora certo interesse
falta-me um tudo-nada, charme
aliás,
agradeço que entre portas
me deixem dedicar mil vezes,
no meio dos uivos e lodos,
a minha vulnerabilidade-
- mas se por acaso, só desta vez,
for mesmo da minha cabeça
e acontecer de outro modo,
que hei-de agradar-vos a todos.
tenha embora certo interesse
falta-me um tudo-nada, charme
tenha embora certo interesse
falta-me um tudo-nada, charme
charme e desprendimento
tenha embora certo interesse
falta-me um tudo-nada, charme
tenha embora certo interesse
falta-me um tudo-nada, charme
charme e dreprendimento
Letra
ÉMULOS
Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
o termos juntos
sexo com ternura
Foi candura
num clima de aparato e de sigilo
num clima de aparato e de sigilo
num clima de aparato e de sigilo.
Se virmos bem
ninguém foi iludido
de que era a coisa em si – só o placebo
com algum excesso
com algum excesso que acelera a líbido.
E eu palavrosa, injusta desconcebo
o zelo de que nada fosse dito
e quanto quis
e quanto quis tocar em estado líquido.
Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
num clima de aparato e de sigilo
Foi circo ou cerco, gesto ou estilo
num clima de aparato e de sigilo
Música
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Cultura
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Músicos Portugueses