Terça-feira, 12 de Abril de 2016
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O Brasil em destaque no Terras sem Sombra
 
Uma brilhantíssima interpretação de Alberto Zedda na igreja matriz de Santiago do Cacém, a 2 de Abril, elevou o Alentejo à primeira linha da música sacra internacional. Este concerto memorável correspondeu, em pleno, ao que o director do Festival, Juan Ángel Vela del Campo, definiu como a essência do Terras sem Sombra: “uma experiência única dos sentidos”. O programa segue, agora, com outros músicos de excepção, na igreja matriz de Ferreira do Alentejo.
 
A 12.ª edição do Festival Terras sem Sombra recebe, como país convidado, o Brasil – uma escolha que reflecte a sua ligação histórica, construída ao longo de séculos e renovada nos últimos tempos, ao Alentejo. Desde a era de Quinhentos que o território brasileiro tem sido o destino de inúmeros alentejanos, boa parte dos quais (ou dos seus descendentes) voltaram à região onde tinham as origens.
Tudo isto viria a traduzir-se num verdadeiro movimento de “torna-viagem”: muitas das ideias, das crenças, das manifestações artísticas e culturais e, particularmente, das tradições musicais que transitaram de Portugal para o Brasil, regressaram até nós, já transformadas e já profundamente enriquecidas, não só pelos contributos das nações ameríndias e da extraordinária herança africana, mas também pela afirmação da própria identidade brasileira.
 
Jean-Christophe Frisch e Le Baroque Nomade desvendam diálogos musicais
 
Foi a consciência destas e de outras ligações, profundas, mas esquecidas, que levou o director artístico a traçar, dentro da programação do Festival em 2016, um ciclo coerente que permite ao público europeu ter uma perspectiva bastante completa da identidade musical brasileira, desde o tempo do Barroco até aos grandes criadores actuais.

A igreja matriz de Ferreira do Alentejo, localidade que o Terras sem Sombra visita este ano pela primeira vez, acolhe a 16 de Abril, às 21h30, o primeiro concerto dedicado ao Brasil, a cargo doensemble francês Le Baroque Nomade, um dos agrupamentos mais famosos, pela interpretação historicamente informada do extraordinário diálogo que ocorreu, no século XVIII, entre o repertório europeu e as tradições musicais de outros tempos e de outros lugares, como a China, a Turquia, a Etiópia – e, claro está, o Brasil.

Dirigido por Jean-Christophe Frisch e norteado pelo propósito de revelar autores e partituras votados ao esquecimento, Le Baroque Nomade apresenta um projecto cheio de significado: convida a conhecer o extenso período de intercâmbios musicais que medeia entre o século XVIII e a actualidade. A presença de intérpretes de excepção, como a soprano Cyrille Gerstenhaber, a meio-soprano Sarah Breton, o tenor Vincent Lièvre-Picard, o barítono Emmanuel Vitorsky e o organista Mathieu Dupouy, todos eles personalidades bem conhecidas do meio artístico internacional, oferece um passaporte seguro para esta singular “torna-viagem”.

Pelo Mar, pelo Sertão: Música do Brasil nas Épocas do Reino Unido e do Império é o título do concerto que coloca, lado a lado, obras de Luís Álvares Pinto, um dos primeiros compositores brasileiros, natural de Recife e formado na catedral de Lisboa; do P.e José Maurício Nunes Garcia, o grande mestre do Rio de Janeiro no tempo em que D. João VI estabeleceu a sua corte nesta cidade, alguém que ombreou com alguns dos melhores músicos da época; e de um artista europeu, o austríaco Sigismund von Neukomm que viveu na capital brasileira entre 1816 e 1821 e conheceu de perto as tradições musicais do Novo Mundo.
Preservar uma ilha de biodiversidade no meio do oceano da agro-indústria
 
Na manhã de domingo, 17 de Abril, às 10h00, músicos, espectadores e comunidade local vão associar-se para uma acção de salvaguarda da biodiversidade, sob o mote Hospedaria de Peregrinos: A Lagoa dos Patos, Ilha de Biodiversidade no Oceano Olivícola, que procura identificar práticas de gestão favoráveis à biodiversidade num contexto de agricultura intensiva dos blocos de rega beneficiados pela albufeira de Alqueva.

Embora conhecida como Lagoa dos Patos, a zona húmida alvo da iniciativa, na fronteira dos concelhos de Ferreira do Alentejo e Alvito, agrupa duas albufeiras, resultantes de açudes destinados a acumular água para abastecer os arrozais situados a sul e oeste destas. Esta actividade visa caracterizar a diversidade primaveril de aves aí existentes, relacionando-a com as características muito próprias de um local tão singular, mas ameaçado pela multiplicação das áreas consagradas à agro-indústria e aos seus potentes meios tecnológicos, por vezes problemáticos para a conservação da natureza.

A acção, aberta a todos os interessados, é coordenada pelo Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, em parceria com o Município de Ferreira do Alentejo.

De entrada livre, o Festival é organizado pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja prolonga-se até  2 de Julho e segue para Odemira, Serpa, Castro Verde e Beja. Um hino ao Baixo Alentejo: à beleza dos seus espaços naturais e ao prazer da descoberta cultural.

Programa FERREIRA DO ALENTEJO

16 de Abril de 2016 [21H30]
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção
Pelo Mar, pelo Sertão: A Música do Brasil no Tempo do Reino e do Império
 
XVIII-21/Le Baroque Nomade
Soprano Cyrille Gerstenhaber
Meio-soprano Sarah Breton
Tenor Vincent Lièvre-Picard
Barítono Emmanuel Vitorsky
Órgão e piano Mathieu Dupouy
Flautas, serpentão e direcção musical Jean-Christophe Frisch
 
17 de Abril [10:00]
Hospedaria de Peregrinos: A Lagoa dos Patos, Ilha de Biodiversidade no Oceano Olivícola


publicado por olhar para o mundo às 23:13 | link do post

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