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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

29 Mai, 2015

KARA - OLVS

 

 

Letra

 

1ºparte

olivais , antigo vale de relva densa
coberta por alcatrão há uma historia em cada fenda

o sitio onde a canalha usa a navalha e as mortalhas
onde os pássaros já não cantam porque não sobram migalhas




um café e um bagaço faz com que um braço trema
em cheirinho e mais um traço põe o braço numa algema

corpos tocam se excitados em relações que duram um dia
amor? só pela mãe , o sexo é que os alicia

acordar ás 4 da tarde como se fosse normal
porque é a noite que desempregado ganha o salário mensal

corpos deambulados que a beata acaricia
um filtro de um cigarro velho que lhes sabe pela vida

e se tens vida? já todo o mundo sabe..
porque aqui a Quadrilhice é hobby da terceira idade

gritos aflitos que te acordam de madrugada
lembram que nem a dormir o mundo faz para a mágoa

aqui a felicidade faz se de coisas acessíveis
pequenas conquistas fazem parece los incríveis

prédios cinzentos que por dentro trazem cor
que nunca falte o pão a uma casa cheia de amor

mostra me o melhor de ti, traz essa roupa á maneira
aqui mostramos te a barriga o nosso griff é tela cheia


REFRÃO

eu sou do lugar , do andar
onde este corpo é chão
e é onde eu vou estar, a esperar ate chegar a mão

que me leve a maldade a maldade
e me encha o coração
tornar a dor em arte em arte o que estes prédios são




2º parte

olivais , o pulmão da cidade
aqui respiramos vida ate que a morte nos evade

e nos chorámos como qualquer homem chora
ao saber-mos que o gatilho foi mais forte nessa hora

já nada importa nem o que o coração diz
no bairro que brinca connosco ao faz de conta que és feliz

entre historias e suecas o idoso limpa a ferida
fez da vida arte que não foi reconhecida

e os jovens já nascem com uma perna a menos
rotelados como marginais sem sequer sabermos

correm atrás do destino e a policia para os logo
porque para eles correr é porque já roubaram algo

onde formos reconheces é notório
pelos berros e alcunhas e o assobio próprio

pelas casas degradadas e o amor que há nelas
pelas velas em igrejas, pelas roupas nas janelas

aqui mães levam os filhos ao aeroporto ver a vista
e quando os putos crescem cedo se fazem á pista

vão para a escola obrigados mas não levam a mochila
o bairro já os fez sentir o que a escola não ensina

e os que partem , nunca é por vontade
arranjam sempre tradução para a palavra saudade

somos felizes com pouco, só sabendo o motivo
não ter onde cai morto mas ter onde me manter vivo

 

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