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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

 

Letra

 

nasci no ano errado, na parte errada da cidade,
a avó e a doença dela são gritos no quarto ao lado.
e eu quero dormir, mas nestas carcaças não cabem pássaros,
é a fugir ou a tremer que as mãos dela agarram maços.
... e ela sopra a morte aos poucos,
naquele fumo branco que invade o mundo e me deixa rouco.
os gestos são dos loucos. e os lábios seda gasta.
o pouco na mesa não basta: a pobreza que chega e te afasta,
e te mata...

e há pontes sobre Tejo, pontos do meu medo,
infinitos como nós e como o tempo.

e eu nasci no ano errado, 7 de Março e o tempo
constrói o inventário das poucas coisas que temos.
à noite no Saldanha regressados do cinema,
nós esquecemos por inteiro todas as coisas que lemos.
uma dança que só flui entre dois corpos tão finitos,
num amor que se dilui entre o grotesco e o bonito.
e há monstros que nós comem o coração e interiores.
os corpos são um do outro: decoração de interiores.

pontes sobre o Drina, pontes sobre o Tamisa,
solidão em casas tão cheias que crias.

e sem saber o que se passa lá fora na terra,
sei que aquilo que vem do nada ao nada regressa.
e isso basta. as massas são tão loucas e eu sei,
então obrigo-me a escrever mesmo sem me ler ninguém.
e ela jura tanto, tanto, mas tanto que a vida é bela,
e eu de olhos tão cerrados até acredito nela.
e não no metro. cegos apressados para o trabalho,
e as ordens que tu me berras não valem o meu ordenado.

casas em Veneza, afogam-te a tristeza,
tu és delicadeza entre o mal da realeza.

nasci na casa errada, 7 de Março e neste bairro,
onde a tua pele se arrasta em tudo aquilo que é errado.
e demoramos na maldade e nela criamos vícios,
vê a vida chegar a velha só com o ordenado mínimo.
e as flores que acalmam dores, são pedras ou são lírios?
tu leva-me para onde fores: as tuas quedas têm sítios.
sereno que a vida é monstra e acalma-me para não ruir,
os teus dedos tapam-me a boca para a alma não me fugir.

barcos sobre o Sena, navegam em rios de pedra,
7 de Março cedo chega, leva as coisas que me restam.

 

Escrito e gravado por João Tamura;

 

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