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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

Na passada quinta-feira à noite, os melhores e mais jovens bigodes de Lisboa estavam concentrados no pequeno auditório da sala à beira Tejo. Estes e os seus portadores, esperavam ansiosos o regresso dos Capitão Fausto, em palco.

 

O alinhamento abre com “Litoral”, com toda a sua pujança rítmica, destacada pela máquina animalesca que é Salvador Seabra.

 

“Nunca Faço Nem Metade” marca uma sonoridade próxima de Tame Impala, ácida, distorcida, psicadélica e garra punk de Yeah Yeah Yeahs. Entre a tempestade e a bonança, os Faustos, apresentam-se melódicos, mesmo enquanto Tomás Wallenstein se adapta a um novo pedal para a guitarra.

 

Depois de uma corda partida e a sorte de haver mais uma telecaster, escondida atras de um amplificador, quebra-se a apresentação de Pesar O Sol, para tocar “Supernova".  A esta hora já pouco era o público que aproveitava o conforto da cadeira e todos se deixavam levar pelo rock intelectual, vestido com casacos de cabedal.

 

Entre distorções, dinâmicas sonoras explosivas e progressivas, o caminho foi-se construíndo, maduro e certeiro. “Flores do mal" foi planeada para ser uma experiência apropriada ao auditório, para ouvir de saborear sem vontade de moches ou crowdsurfing que, mesmo assim, não ficaram longe de acontecer. Uma dedicatória, sobre o brilho de um olhar, explorada numa viagem sonora e visual.

 

Uma jornada intergaláctica, partilhada pelo quarteto, antecede “Célebre Batalha de Formariz”. Sem tempo para retomar o fôlego, em cada intervalo entre canções, há sempre um instrumental presente.

 

A "Febre” pelo revisitar do repertório passado, encheu os corpos de felicidade mesmo antes dos devaneios praticados por Francisco Ferreira, o homem das teclas e do casaco de lantejolas a tocar o final de “Ideias” em cima do banco, com o pé sobre as teclas. A brotar de imagens de tanques de guerra, bombas e carroceis, ouvem-se riffs gritantes e o baixo metálico e encorpado do também estudante de Relações Internacionais, Domingos Coimbra.

 

À Gazela e à manga, vão buscar os truques harmoniosos, de onde vem “Santa Ana”, pronto a alimentar-se da plateia sedenta de sons dançantes. O capitão Salvador, perdeu-se num solo de bateria, onde a única maneira de tocar na perfeição seria com o cabelo á frente dos olhos.

 

Entra o Diogo do baixo, seguido pelas as teclas cósmicas do maestro Ferreira, sucedido pela inconfundível lead guitar de Manuel Palha e por último chega Tomás, o rei da camisa de folhos, da voz hipnótica e sorriso rasgado.

 

“Maneiras Más” embala e leva as palavras a passear pelos lábios de quem era iluminado pelos flashes do palco. Com um turbilhão de varias fases, o compasso foi crescendo...até se dissipar.

 

Wallenstein introduz os lisboetas amigos e entusiastas, a uma canção “antiga mas actual”. “Verdade”, pronta para a festa, foi a música de despedida.

 

O truque do encore volta a funcionar sem  complicações. “Lameira” vem calma, sublime e leve, ideal para refrescar um dia de calor, numa roadtrip pelo interior de Portugal.


Duas horas depois, sem margem para dúvidas, a conclusão era certa: estes são os filhos do rock dos dias de hoje.

 

Texto: Sara Fidalgo

 

retirado do Palco Principal

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