Domingo, 11.12.11

 

Letra

 

Sejam bem-vindos senhoras e senhores ao teatro dos horrores
Palhaços assassinos no palácio dos espelhos
Ilusões, incríveis aberrações

Sejam bem-vindos meninas e meninos, circo demoníaco
O jogo teve início, fogo de artifício
Fantoches são levados ao altar do sacrifício

Quem, quem quer ser, quem quer ser milionário?
Quem, quem quer ser o primeiro voluntário?
O primeiro concorrente ponha a língua no prego
Ao primeiro americanismo vai cair um martelo
Há um vasto arsenal, tecnologia cruel
Cuidado com o ego, ouve o chocalho da cascavel
Manancial medieval nesta velha masmorra
E se não quiser jogar então corra
Em liga de honra Sodoma e Gomorra
E quem vacilar agora então morra
E eu lamento Otomano bem pior que Guantanamo
Envergonha o movimento, a estaca vai até ao lamago
Juntas deslocadas pelas rimas roubadas
Tendões rompidos pelos plágios cometidos
Castigos físicos e mentais suplícios
Sacrifícios de indivíduos subreptícios

Sejam bem-vindos ao parque de diversões
Brinquedos de fogo, fábrica de ilusões
Animais racionais amestrados deliciam as massas
Permanecem enjaulados dentro de suas carapaças
Viciados no jogo verdade ou consequência
Resposta errada, guilhotina é sentença
Rolam bustos humanos neste circo demoníaco
Corpos sem cabeça são produto lucrativo
Duendes e anões, órgãos e acordeões
Lutadores inexperientes são atirados aos leões
Montanha russa cinco giros de gravidade
Não aconselhável a fracos de estômago e a menores de idade
No palácio de espelhos infinitas aberrações
São shows de marionetas e ventrílocos sem pulmões
Palhaços assassinos fabricantes de caixões
Óbitos garantidos rubricam certidões

Sejam bem-vindos senhoras e senhores ao teatro dos horrores
Palhaços assassinos no palácio dos espelhos
Ilusões, incríveis aberrações

Sejam bem-vindos meninas e meninos, circo demoníaco
O jogo teve início, fogo de artifício
Fantoches são levados ao altar do sacrifício

É o vosso aniversário
A festa acaba quando entro de avental em sangue mascarado de homem do talho
?????
Com bandana preta e facalhão do mato
Mais um público sem músico ?? seguidas
As palmas batem como caçadeiras no ouvido
Piso, segundo, gaseificamos ???
? morres com isolamento acústico
Querem boleia para o norte
Agarra-te à minha ??
Às voltas como o poço da morte
Saiu te o prémio de maior réplica dilemática
Escolhe: a serra elétrica ou a cadeira elétrica?
Há clones com a puta da mania
Atenção acidente na secção de ??
Batismo público com ácido sulfúrico
Tornamos o vosso laboratório num crematório

Entra na trituradora, esquece a música
A tua alma é sugada pela indústria
És posto à prova na hora da tua morte
Nem sobra memória da tua obra e glória, corre
Esta é a nossa arena, dealema
Aqui és atirado aos leões, nao temos pena
Mais um peão vítima do sistema
Capitalista, espião é morte do artista
Foste amestrado, ou até castrado
Manuseado pelos mecos das marionetas em vídeos caretas
É temporário, visual
És usado e deitado fora como lixo industrial
Eis o pecado na tua canção
Cortamos-te a mão
Último ato, extrema unção
Dissecação, masmorra musical
Entra o próximo na trituradora, é o ritual

 

Do disco A grande tribulação



publicado por olhar para o mundo às 23:20 | link do post | comentar

Letra

 

Eu vejo a nova geração levar o tempo em vão
Uma nação liderada para a escuridão
Eu vejo no futuro mano uma abominação
No novo nascimento nasce a luz para a salvação
Coração é o abrigo que aquece a solidão
Não dês uma "passa-bem" a uma criança sem mão
A indiferença, escravidão da nova educação
O egoísmo conta flores no jardim da maldição
Filhos que mendigam por afecto,
Pais não têm tempo, tempo muda para amanhã
O céu coberto, um gesto, um sorriso, uma palavra
Um cheiro, um sonho, uma infância abençoada
A inocência de uma lágrima evapora
A ferrugem que corrompe a mente humana é desumana
Ainda vamos a tempo, este é o hino
Um minuto de atenção pode mudar um destino

 

Ainda há esperança na última criança
Na sua herança mora a boa aventurança
Pró futuro da raça o ódio é uma ameaça
O amor é a chama, a hora de mudança (x2)

 

Tu és bravo, puto persegue o teu sonho
Não te limites a um cenário medonho
Imprime o teu cunho, reflecte o orgulho
Que vem do empenho do trabalho feito a punho
Tu podes ser tudo que te propuseres
Tu podes ter tudo aquilo que tu quiseres
O livro da vida está em branco á tua frente
Escreve-o sempre com o fim feliz em mente
Não permitas que o passado seja um obstáculo
Deixa essas memórias serem sugadas para o vácuo
Vive com brio, brilha neste mundo sombrio
Ilumina o caminho dos que trazes contigo
Mesmo quando pareças perdido nunca esmoreças
Mantém a visão, por favor não te esqueças
Que o futuro deste planeta depende de ti
Por isso absorve as rimas que te deixo aqui

 

Trabalho com empenho
Para um filho que ainda não tenho
Sempre puro e sem engenho
Na relação que mantenho
Dar-te-ei um lar com as condições que nunca tive
Educação exemplar, que disso ninguém duvide
Serás tu quem decide, todo o homem nasce livre
Serei o teu melhor amigo, que nada te intimide
Faremos longos passeios, o nosso melhor desporto
Vestidos a rigor, no estádio do nosso porto
Dar-te-ei conforto ate que o meu corpo caia morto
Dou por mim absorto, perdido, imaginando o teu rosto
Mostrar-te-ei ferramentas de múltipla escolha
Neste mundo selvagem, não viverás dentro da bolha
Procurarei incentivar as tuas aptidões
Estarei lá para confortar as tuas más decisões
Dou-te mimos e sermões, aniversários com balões
Entre berlindes e piões, carrinhos e aviões

 

Hoje não ligamos a televisão
Sonhamos sem nenhuma limitação
Nem me acredito que já estas ao meu lado
Estar contigo é sonhar acordado
Olho nos teus olhos e encontro o prazer de viver
Desde o dia em que eu te vi nascer
Não pode haver um sentimento mais puro
Esqueço o passado, o presente, o futuro
Antes de teres nascido tinha sonhado contigo
Dizem que é o fim do mundo, quero ser o teu abrigo
Estou aqui para ti estás no meu coração
E quando eu não estiver presente escuta esta canção



publicado por olhar para o mundo às 08:26 | link do post | comentar

Sábado, 10.12.11

 

Caso sério de culto do hip-hop português, os Dealema vão a Lisboa, hoje, e Porto, amanhã, mostrar o novo disco

 

Tiveram um êxito, "Talento Clandestino", no longínquo ano de 2003, mas os Dealema sempre foram mais do que um epifenómeno. Caso sério de culto no hip-hop português, são, com os amigos Mind Da Gap, os eternos líderes do género no Grande Porto e no Norte. E estão de regresso, com um novo álbum, "A Grande Tribulação", lançado pela Optimus Discos.

Em meados dos anos 90, quando começaram, estavam praticamente sozinhos a fazer hip-hop no Porto. O quarto de Mundo, um dos MC do grupo, em Gaia, que baptizaram de "2º Piso", ou a casa de Fuse, no Bloco 24, no bairro das Campinas, no Porto, foram os espaços onde surgiram os primeiros "beats" e rimas. Pessoas de todo o país passavam pelo 2º Piso para gravar as primeiras "mixtapes" do hip-hop luso. "Tudo começa num mítico sítio, 2º Piso/Onde se choram as mágoas ou partilho um sorriso/Em sessões de improviso, quase a perder o juízo", cantavam em "3650 dias", do álbum "V Império". 

Os anos passaram e a última vez que os ouvimos foi no EP "Arte de Viver" (2010). Ei-los de volta, desta vez com um longa duração. As canções que já pudemos ouvir antecipam um disco com amplo espaço para o lado mais negro e sombrio dos Dealema. Hip-hop "old school", repleto de elementos clássicos (pianos em "loop", ritmos secos, drama roubado a secções de cordas), tão válido em 2011 como em 1996.

Para apresentar o novo disco, os Dealema actuam hoje e amanhã, em Lisboa e no Porto, respectivamente. Na primeira parte estará o MC espanhol Nach, que também apresenta um álbum novo, "Mejor que El Silencio".

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 19:53 | link do post | comentar

Quinta-feira, 08.12.11

 

Dealama

Há uma caixinha de música e palhaços assassinos no palácio dos espelhos. Há ferrugem e uma infância abençoada. De um lado um circo demoníaco. Do outro aniversários com balões, carrinhos e piões.

 

Está na estrada “A Grande Tribulação”, o último trabalho dos Dealema — cuidado: cantado de fresco —, que tem dois lados: um luminoso; o outro obscuro, quase gore. Fuse, Maze, Mundo, Ex-peão e DJ Guse ainda brincam, mas estão mais velhos. Dois deles (Fuse e Ex-peão) já são pais e o “pentágono” já tem fãs que ainda não eram nascidos em 1996, ano do “Expresso do Submundo”, primeiro álbum do grupo. “É um bocado estranho. Já vemos pais e filhos a curtirem nos concertos”, disse Maze ao P3.

 

Por isso é que os Dealema falam do “futuro da raça”, das novas gerações e da nova educação. Por isso é que há um single “A última criança”. Por isso é que “A Grande Tribulação” tem tanto de luminoso como de sombrio. “Sempre tivemos uma visão reivindicativa. E nos tempos que correm as nossas letras infelizmente passaram a fazer mais sentido. Sentimos a crise na pele, como qualquer artista que vive na precariedade. Por isso é inevitável passarmos essas frustrações para a música”.

 

Ouvimos os Dealema falarem de frustrações, de Economia, da “bancarrota planetária” e não estranhamos. “Os problemas sociais estão espalhados pelo disco todo”, assume Maze. Pelos discos todos. “Sem tomar partido político”.

 

Parque de diversões com poço da morte

Se “A Grande Tribulação” tem um “A última criança”, também tem um “Verdade ou consequência” (tema incluído no disco a pedido de várias famílias), um sinistro “circo demoníaco” que mistura o espectro do mundo real e parte da colecção de filmes de terror (“Killjoys Revenge” e “Clownhouse”) de Fuse (aka Inspector Mórbido).

 

Essa é o lado negro da força que os Dealema, vasto arsenal, exploram até ao tutano. Sejam bem-vindos ao parque de diversões. Mas não se esqueçam que lá dentro há um poço da morte — e uma versão quase heavymetal de um álbum que é puro hip-hop.

 

“A Grande Tribulação” (com participações especiais de Ace, Guito Maldiva e Ana Correia) apresenta-se ao país em três grandes concertos. De Sul para Norte: em Faro (dia 8, na Associação dos Músicos), em Lisboa (dia 9, na Sala TMN) e no Porto (dia 10, no Hard Club). Os três concertos contam com a presença do espanhol Nach (o Hard Club junta ainda o norte-americano Rob Swift).

 

“O disco”, explica Maze, é um retrato da humanidade em pleno processo de desumanização, “é como se fosse um filme com vários capítulos”. Ainda vamos a tempo? Os Dealema acham que sim. Mas quem vacilar...

 

 
Via P3


publicado por olhar para o mundo às 21:17 | link do post | comentar


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