Segunda-feira, 15.07.13

Carlos do Carmo


Carlos do Carmo grava disco único com os maiores fadistas da actualidade no ano em que celebra 50 anos de carreira

 

Quando, há dois anos, a Universal começou a planear as comemorações dos 50 anos de carreira de Carlos do Carmo, deu-se início a um jogo de sedução que tinha em vista a gravação de um disco de duetos. A ideia foi abraçada pelo artista, e levada em ombros como uma celebração do caminho deixado nas carreiras de quem veio a seguir.

E foi assim que o fadista se viu rodeado de uma juventude que a ele deve, em parte, a assunção plena das suas vozes. E faz sentido que o fadista tenha endereçado convites para a celebração deste aniversário a Aldina Duarte, Ana Moura, Camané, Carminho, Cristina Branco, Mafalda Arnauth, Marco Rodrigues, Mariza, Raquel Tavares e Ricardo Ribeiro acompanhados sempre pelo trio milagroso formado por José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola de fado) e Marino de Freitas (viola baixo). Afinal, não se comemora sozinho e fazê-lo teria sido pouco condizente com a sua postura de generosa contribuição para a redefinição constante dos padrões por que se rege o fado.

O álbum, ainda sem nome, tem edição prevista para final de Outubro.

No âmbito das comemorações dos 50 anos de carreira de Carlos do Carmo, esta semana, foram ainda editados, física e digitalmente, todos os seus discos de estúdio. No total são 16 álbuns, numa nova embalagem, três dos quais remasterizados, apresentando também uma nova capa.



publicado por olhar para o mundo às 21:57 | link do post | comentar

Terça-feira, 04.12.12

 

 

letra

 

Quando eu tinha o teu amor
Não me sentia à vontade
Para dizer quanto te queria.
Mas não podia supor
Que, por guardar a verdade
Tu julgasses que eu mentia.

 

Podia continuar mudo
Que as palavras não são tudo
Mais importa o que é vivido,
Mas digo-te cá do fundo
Que ainda dava a volta ao mundo
Na roda do teu vestido.

 

Quando estiveste ao meu lado,
Faltou-te da minha boca
Uma jura de paixão
E, ao veres-me assim tão calado
Cismaste até ficar louca,
Numa história de traição.

 

Agora, que já te entendo,
Confesso que me arrependo
Do meu coração tão fraco
E digo sem hesitar:
Gostava mais de cantar
Com as bandas do teu casaco.



publicado por olhar para o mundo às 11:39 | link do post | comentar

Domingo, 02.12.12
 


letra


Não encontrei a letra desta música


publicado por olhar para o mundo às 23:25 | link do post | comentar

Sexta-feira, 30.11.12

 

 

letra

 

Quando o sol sobe no céu,
Chegam ao jardim os velhos,
Honoráveis presidentes
Dos bancos de pau vermelhos;

 

Analisam movimentos,
Conferem as florações,
Medem o canto das aves,
Dão aval às estações.

 

Não há nada no universo
Que aconteça sem o não e sem o sim
Dos velhos do jardim.

 

Depois, chamam os pombos…

De pão e milho dão festins
E os pombos falam com eles
Na língua dos querubins.

 

Quando a tarde se despede,
Voltam de novo a ser velhos;
Seguem o rasto do sol,
No lago feito de espelhos

 

Não há nada no universo
Que aconteça sem o não e sem o sim
Dos velhos do jardim.

 

O dia vai-se acabando
No seu lento e frio afago,
Um dia vão subir ao céu
Montados nos cisnes do lago.

 

Não há nada no universo
Que aconteça sem o não e sem o sim
Dos velhos do jardim.



publicado por olhar para o mundo às 23:12 | link do post | comentar

Domingo, 25.11.12
Carlos do Carmo canta como quem faz surf por cima do piano de Maria João Pires

Fez como vê os netos fazer: o canto de Carlos do Carmo surfou por cima do piano de Maria João Pires, encontrando a liberdade nos fados “vienenses” de António Victorino de Almeida.
Carlos do Carmo acredita que muitos o vejam como louco, como alguém que não mede exactamente o que faz, que é guiado por decisões inusitadas, levado por ondas inesperadas do instinto. Uma loucura, acredita, própria de quem se entrega às artes e tenta que o presente não seja mero espelho do passado. "Tenho esta cara que deus me deu, com um ar muito certinho, mas sou completamente passado dos carretos", diz-nos candidamente, sentado em sua casa. Há um prazer claro do fadista em perceber que o seu trajecto é visto não apenas como mais um, mas como elemento de dissonância e de arrojo relativamente à tradição em que se insere.

Esta loucura, entenda-se, não é incapacitante, medicada ou dessintonizada com a realidade. É aquela que vai pedindo licença para entrar quando o fadista se atira a tocar com uma orquestra de sopros numa terra fronteiriça alemã - aconteceu, sob a batuta de Thilo Krassman, há uns anos -, quando inventa discos de fado numa ode a uma Lisboa pós-Revolução descrita por Ary dos Santos (Um Homem na Cidade, 1977), a cidade ainda a acordar de um sono profundo, num espreguiçar lento. Ou quando apresenta à sua editora planos de gravar álbuns com pianistas - primeiro Bernardo Sassetti, agora Maria João Pires - e suspeita que, do outro lado, se quereria ouvir antes um típico disco à guitarra e à viola, sem sobressaltos.

É uma constante da História. A diferença, diz, é que "dantes não tomavam comprimidos para ver se se equilibravam: um era surdo, outro era não sei quê, um batia na tia, outro batia na avó. A gente pega na história destes tipos clássicos que ficaram, em todas as áreas, e são histórias um bocado loucas. Vemos naquele filme do Milos Forman que o Mozart é um bipolar, um ciclotímico. Mas genial. O Lennon era um sujeito especialíssimo. Um dia apareceu todo nu na cama com a senhora japonesa ao lado, e as pessoas diziam ‘este gajo é doido'. Claro que é doido! Não era exibicionismo. Exibicionismo é outra coisa".

Fados de Viena

"Isso é tão seguro como eu ir amanhã a Singapura". Esta é a resposta que se imagina a dar a alguém que, logo após a gravação do seu disco em duo com Bernardo Sassetti, visitando as canções-cicatrizes da sua vida, sugerisse que o seu disco seguinte, pouco depois, seria novamente num registo de voz e piano. Mas aconteceu que a mais inesperada das situações se lhe apresentou, irresistível como poucas. Em Linda-a-Velha, onde está sediado o seu Intervalo Grupo de Teatro, o ex-fundador do Teatro Moderno de Lisboa Armando Caldas homenageia anualmente figuras da vida artística portuguesa, perguntando sempre aos visados se gostariam de contar com alguém a abrilhantar musicalmente a cerimónia. Carlos do Carmo já fora chamado a participar nas homenagens a Júlio Pomar ou Carmen Dolores, frequentadores dos seus afectos. Mas ficou boquiaberto quando Caldas lhe contou que a homenageada em 2009, a pianista Maria João Pires, respondeu: "Ah, eu gostava tanto que fosse o Carlos do Carmo". "Fiquei surpreendido porque não tenho convivido com ela ao longo da vida, embora no meu percurso internacional muitas vezes veja quanto ela é um nome sólido mundial na música erudita".

Como a agenda não o recordava de nenhum outro compromisso prévio, aceitou o convite e na noite em questão, perante um auditório cheio, lá foi desfiando os seus fados, entremeados de tiradas humorísticas. "Eu dizia os maiores disparates e ela saltava da cadeira, parecia uma criança, bem-disposta, feliz da vida", lembra. Ao cair do pano, subiram os dois ao palco, mais o mestre de cerimónias António Victorino de Almeida, e o espanto de Carlos do Carmo foi-se prolongando ao ouvir a pianista virar-se para o maestro e dizer: "António, sabes do que gostava? Que tu me fizesses umas músicas de fado para tocar com o Carlos do Carmo, gostava de o acompanhar. Tens aqui os poetas na plateia, poesia não te falta". "Isto não é verdade", beliscou-se o cantor. "Esta senhora é uma solista, não faz este tipo de trabalho". Mas o desafio não foi, afinal, uma simpatia de circunstância e Victorino de Almeida arregaçou as mangas da casaca, os poetas mais ou menos experientados que ali estavam (Nuno Júdice, Fernando Pinto do Amaral, Vasco Graça Moura, entre outros) desataram a juntar palavras e, quando deu por isso, Carlos do Carmo tinha um disco novo à sua espera. "Isto surgiu e alterou até a programação da minha gravadora porque para o ano faço 50 anos de carreira", desabafa. "Mas não sei estar nisto a brincar".

Trabalho, trabalho

A diferença dos mundos de Carlos do Carmo e Maria João Pires fez-se então sentir desde a primeira hora. Para a pianista, o contacto prévio com as notas escritas por Victorino de Almeida não implicava grande trabalho preparatório; para o fadista era colocar o pé em terreno lodoso, onde havia que assinalar antecipadamente as armadilhas. "Tive de me preparar muito bem porque alguns fados não são pêra doce. Há mudanças de tonalidade no ar, sem rede. Trabalhei muito, muito. Tenho uma sessão com os fados gravados em casa que foi o meu elemento de trabalho. Comecei com humildade a aprender, a memorizar". Depois, foi repeti-los até à exaustão - sendo que a exaustão, neste caso, foi sobretudo a da mulher de Carlos do Carmo, "desesperada", brinca ele, de ouvir tanta repetição enquanto o fadista ensaiava de auscultadores, cantando por cima da música, mas cantando por cima do silêncio aos ouvidos de Maria Judite.

As sessões de trabalho a dois, propriamente ditas, foram apenas três. "Fizemos três sessões de trabalho. Gravámos os fados que estão no disco, fez-se uma pequena filmagem enquanto ensaiávamos e tirámos umas quantas fotografias para o booklet. Jantámos, beijinhos e ela voltou para a casa dela". Isto vezes três, tantas quantas as vezes que Carlos do Carmo lhe entregou uma flor, chegado ao estúdio ao início da tarde - "que não é a minha hora mais forte para cantar" - depois de a pianista passar toda a manhã a aquecer as mãos e a preparar-se. O difícil, então, foi encontrar o tom, a forma de a voz se relacionar com o piano. "Esta senhora não está talhada para acompanhar, como o seu currículo o demonstra ao longo da vida. É uma solista presente nas grandes salas de concertos e é uma belíssima executante. Esta coisa de querer comigo gravar fados deve ter sido um esforço gigantesco. Ouvi-a com atenção, e eu que nunca fiz isso na minha vida porque já era tarde para aprender tal desporto, surfei. Esta é a imagem: surfei. Se ela está rigorosamente a tocar aquilo, eu, para não deixar de ser fadista, não posso estar a fazer rigorosamente aquilo, porque então estava a vender a minha alma ao diabo. E tenho de procurar esse grito de liberdade".

Nem todos os temas deste encontro, admite, serão fados, mas outros há que o são, "puros e duros", algo que se comprovará quando os interpretar à guitarra e à viola. Mas os fados de Victorino de Almeida, diz, "estes fados alegres não têm um sabor a fado de revista, mas sim um sabor a cabaret de Viena".

A dívida

Este seu eterno pagamento da dívida que diz ter para com o fado - "deu-me uma vida boa, ajudou-me a construir uma família, deu-me a conhecer o mundo, tive durante muitos anos ua vida desafogada, deu-me imensas alegrias" -, Carlos do Carmo fá-lo no entanto com um arrojo mais aguçado que muitos dos novos fadistas que vão aparecendo a montante e a jusante, e para quem diz que "o quinto disco é o diabo". E o diabo, explica, porque "já não mais espaço para deixar de ser aquilo que se é. Na história do fado anterior à minha geração, fala-se de cinco ou seis pessoas e eu ouvi dezenas e dezenas de pessoas. Tiveram mais sorte? Não, eram os melhores, é a selecção natural. E é isso que acho que o quinto disco vai determinar. O quinto disco é uma imagem. Quem eu não ponho neste campeonato é o Camané. Começou com 11 anos de idade, é da raiz do fado, é um fadista genuíno, com grande musicalidade que pode tranquilamente ir à pop e voltar. Só peço a Deus que me dê saúde e vida porque quero assistir aos quintos discos todos".

Por agora, convoca as energias dos seus 72 anos para a celebração do meio século de carreira em 2013 e manifesta o desejo de seguir a mãe num abandono dos palcos antes de "deixar uma imagem de decadência". Mas confessa que chegou igualmente o tempo para "uma outra coisa fundamental: ter uma grande disponibilidade para lutar". "Vai ser preciso outra vez uma grande luta política. Eu não estive de folga, nunca se está de folga. Mas acho que ainda tenho essa missão também, da participação cívica. Há tudo isto concreto à nossa volta: a fome, o desemprego, esta tristeza, esta ansiedade, esta angústia. É muito injusto fazer-se isto a este povo. Mas não brinquem que este povo é do caraças. Estejam atentos".

Retirado do Público


publicado por olhar para o mundo às 21:28 | link do post | comentar

Domingo, 01.07.12

Carlos do Carmo canta em Coimbra, Galiza, Cascais e Guimarães em julho

Carlos do Carmo prossegue com a sua digressão no mês de julho. Depois de um concerto em São Tomé e Príncipe no passado dia 9 de junho, a convite da embaixada portuguesa, e de outras participações especiais em Portugal, Carlos do Carmo prepara-se agora para uma nova série de concertos.


Já na próxima terça-feira, 3 de julho, às 21:30, estará em Coimbra, no âmbito do concerto «Tanto Mar Tanta Música», uma celebração da lusofonia, na companhia do galardoado Coro dos Antigos Orfeonistas do Orfeon Académico de Coimbra e do compositor e intérprete Ivan Lins, nome de referência da música popular brasileira, com quem Carlos do Carmo tem colaborado ao longo dos anos.

 

De seguida, no dia 12, às 20:30, é a vez da Galiza (Espanha) receber o Fado de Carlos do Carmo numa das salas consideradas mais emblemáticas - o Palacio de La Ópera, na Corunha, por onde já passaram grandes figuras da música de todo o mundo, desde a clássica ao pop.

A 20 de julho regressa a Portugal, onde canta, pelas 22:00, no Hipódromo Manuel Possolo, enquadrado no cartaz do «Cascais Music Festival», evento que tem este ano a sua primeira edição.

 

Por último, Carlos do Carmo junta-se à Orquestra Chinesa de Macau, a 27 de julho, às 22:00, no Centro Cultural Vila Flor, um concerto especial no âmbito da programação «Guimarães 2012 Capital Europeia da Cultura».

 

Fundada pelo Instituto Cultural de Macau, em 1987, a Orquestra Chinesa de Macau cobre um largo espectro de géneros musicais, desde as melodias tradicionais chinesas a composições contemporâneas.

 

O programa apresentado em Guimarães inclui alguns dos mais emblemáticos temas de fado, como «Duas Lágrimas de Orvalho», «Gaivota», «Homem na Cidade» ou «Canoas do Tejo».

 

Noticia do Sapo Música



publicado por olhar para o mundo às 12:21 | link do post | comentar

Sexta-feira, 11.05.12

 

Letra

 

Eu fui ver a minha amada 
Lá p'rós baixos dum jardim 
Dei-lhe uma rosa encarnada 
Para se lembrar de mim 

Eu fui ver o meu benzinho 
Lá p'rós lados dum passal 
Dei-lhe o meu lenço de linho 
Que é do mais fino bragal 


Minha mãe quando eu morrer 
Ai chore por quem muito amargou 
Para então dizer ao mundo 
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou 

Eu fui ver uma donzela 
Numa barquinha a dormir 
Dei-lhe uma colcha de seda 
Para nela se cobrir 

Eu fui ver uma solteira 
Numa salinha a fiar 
Dei-lhe uma rosa vermelha 
Para de mim se encantar 

Minha mãe quando eu morrer 
Ai chore por quem muito amargou 
Para então dizer ao mundo 
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou 

Eu fui ver a minha amada 
Lá nos campos eu fui ver 
Dei-lhe uma rosa encarnada 
Para de mim se prender 

Verdes prados, verdes campos 
Onde está minha paixão 
As andorinhas não param 
Umas voltam outras não 

Minha mãe quando eu morrer 
Ai chore por quem muito amargou 
Para então dizer ao mundo 
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou



publicado por olhar para o mundo às 22:31 | link do post | comentar

Segunda-feira, 23.04.12

Carlos do Carmo recebe Chave da Cidade de Santiago do Cacém

 

Amanhã, 24 de Abril, Carlos do Carmo actua na Quinta do Chafariz, em Santiago do Cacém, pelas 21:30. O concerto acontece no âmbito das comemorações do 38º aniversário do 25 de Abril. 
 
Paralelamente, Carlos do Carmo vai receber a Chave da Cidade das mãos do Presidente da Câmara Municipal, Vítor Proença. De acordo com o próprio, a homenagem visa o"reconhecimento do município a um homem de Abril que ao longo da sua vida sempre defendeu os valores da liberdade e da democracia".
 
Esta é a terceira vez que o Município atribui a Chave da Cidade: primeiro fê-lo à Associação 25 de Abril e depois ao ex-Presidente da República, Jorge Sampaio

 

Retirado de HardMúsica



publicado por olhar para o mundo às 21:54 | link do post | comentar

Terça-feira, 17.01.12

 

Letra

 

Uma bola de pano, num charco
Um sorriso traquina, um chuto
Na ladeira a correr, um arco
O céu no olhar, dum puto.

Uma fisga que atira ,a esperança
Um pardal de calções, astuto
E a força de ser, criança
Contra a força dum chui, que é bruto.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens.

As caricas brilhando ,na mão
A vontade que salta ,ao eixo
Um puto que diz ,que não
Se a porrada vier, não deixo

Um berlinde abafado ,na escola
Um pião na algibeira ,sem cor
Um puto que pede ,esmola
Porque a fome lhe abafa ,a dor.

Parecem bandos de pardais à solta
Os putos, os putos
São como índios, capitães da malta
Os putos, os putos
Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens

Mas quando a tarde cai
Vai-se a revolta
Sentam-se ao colo do pai
É a ternura que volta
E ouvem-no a falar do homem novo
São os putos deste povo
A aprenderem a ser homens



publicado por olhar para o mundo às 08:29 | link do post | comentar

Segunda-feira, 16.01.12

 

Letra

 

No castelo
Ponho o cotovelo
Em Alfama
Descansa o olha
E assim desfaz-se o novelo
De azul e mar
À ribeira encosto a cabeça
Almofada
Na cama do Tejo
Com lençóis bordados à pressa
Na cambraia de um beijo

Lisboa menina moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são colinas, varina
Pregão que me traz a porta, ternura
Cidade a ponto-luz bordada
Toalha a beira-mar estendida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida

No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar

Lisboa menina e moça, menina
Da luz que meus olhos vêem tão pura
Teus seios são colinas, varina
Pregão que me traz a porta, ternura
Lisboa do meu amor deitada
Cidade por minhas mãos despida
Lisboa menina e moça, amada
Cidade mulher da minha vida

Na praça da Figueira
Ou no jardim da estrela
Num fogareiro aceso é que ela arde
Ao canto do outono
À esquina do inverno
O homem das castanhas é eterno
Não tem eira nem beira nem guarida
E apregoa como um desafio
É um cartucho pardo a sua vida
E se não mata a fome mata o frio

Um carro que se empurra
Um chapéu esburacado
No peito uma castanha que não arde
Cai a chuva nos olhos
E te um ar cansado
O homem que apregoa ao fim da tarde
Ao pé de um candeeiro acaba o dia
Voz rouca como o trapo da pobreza
Apregoa pedaços de alegria
E à noite vai dormir com a tristeza

Quem quer quentes e boas quentinhas
A estalarem cinzentas, na brasa?
Quem quer quentes e boas quentinhas ?
Quem compra leva mais amor pra casa

A mágoa que transporta
É miséria ambulante
Passeia pela cidade o dia inteiro
É como se empurrasse o outono adiante
É como se empurrasse o nevoeiro
Quem sabe a desventura do seu fado?
Quem olha para o homem das castanhas ?
Nunca ninguém pensou que ali ao lado
Ardem no fogareiro dores tamanhas



publicado por olhar para o mundo às 17:27 | link do post | comentar

Quinta-feira, 12.01.12

 

 

Letra

 

Avec le temps 

Avec le temps... 

Avec le temps, va, tout s'en va 

On oublie le visage et l'on oublie la voix 

Le coeur quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller 

Chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien 

Avec le temps... 

Avec le temps, va, tout s'en va 

L'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie 

L'autre qu'on devinait au détour d'un regard 

Entre les mots, entre les lignes et sous le fard 

D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit 

Avec le temps tout s'évanouit 

Avec le temps... 

Avec le temps, va, tout s'en va 

Mêm' les plus chouett's souv'nirs ça t'a un' de ces gueules 

A la Gal'rie j'Farfouille dans les rayons d'la mort 

Le samedi soir quand la tendresse s'en va tout' seule 

Avec le temps... 

Avec le temps, va, tout s'en va 

L'autre à qui l'on croyait, pour un rhume, pour un rien 

L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux 

Pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous 

Devant quoi l'on s'trainait comme trainent les chiens 

Avec le temps, va, tout va bien 

Avec le temps... 

Avec le temps, va, tout s'en va 

On oublie les passions et l'on oublie les voix 

Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens 

Ne rentre pas trop tard, surtout ne prend pas froid 

Avec le temps... 

Avec le temps, va, tout s'en va 

Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu 

Et l'on se sent glacé dans un lit de hasard 

Et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard 

Et l'on se sent floué par les années perdues 

Alors vraiment 

Avec le temps on n'aime plus.

 

“Avec Le Temps”
Letra e Música/Lyrics and Music: Léo Ferré



publicado por olhar para o mundo às 17:52 | link do post | comentar

Domingo, 08.05.11

 

Letra

 

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto.



publicado por olhar para o mundo às 17:01 | link do post | comentar


Quer ver a sua banda ou espectáculo divulgados aqui?,
envie um email para: olharparaomundo (arroba) sapo.pt
Se tem alguma letra que eu não tenha encontrado, pode enviar para o mesmo email
mais sobre mim
posts recentes

Carlos do Carmo conquista...

CARLOS DO CARMO EM GUIMAR...

Carlos do Carmo no Pax Ju...

Carlos do Carmo em Beja n...

Carlos do Carmo em concer...

Retalhos da Vida de Um Mé...

Carlos do Carmo e Carminh...

CARLOS DO CARMO Recebe ...

CARLOS DO CARMO Recebe G...

Maria João Pires e Carlos...

arquivos

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

tags

todas as tags

links
comentários recentes
Pena estes rapazes não terem mais popularidade. A ...
Nome do autor da letra?Não se escreve?Falta de res...
A LETRA É ASSIM!!!E NÃO ASSADO!!!!MaMãe, tu estás ...
As partes que não consegui perceber estão com reti...
https://www.google.pt/amp/s/www.musixmatch.com/pt/...
Vou adicionar nos meus favoritos, sou brasileira, ...
" Para que o tremoço o almoço e o alvoroço demorem...
Letra e música do SiulProdução do Siul Sotnas e Mi...
que puta de letra fdx
Epá, o que é isto?Borrei-me todo com este "Mal des...
Posts mais comentados
blogs SAPO
subscrever feeds