Terça-feira, 04.02.14

 

 

Letra

 

Quando não estou luminosa, todos me acham invisível,
mas é aí que eu me renovo, mulher nova, invencível, procuram pela antiga face, mas são fases e eu mudo, não são disfarces simplesmente não ostento tudo, tenho um outro lado como todo o mundo lá no fundo, por outro lado não me escondo e até me exponho muito, saio destacada para quem me quer ver, mas não tentes encaixar-me, quadrada nunca hei-de ser, crescendo e minguando
como os ciclos da vida, posso ser incandescente ou
andar desaparecida, vejo passar as estrelas como carros na avenida, assim não estou perdida não me esqueço que estou viva, sou poderosa tenho a força da fecundidade,
sou orgulhosa de ser fruto da realidade, já tenho idade, tenho marcas no corpo, crateras no peito, mas sem desconforto e isso é pouco ser penso nos outros (pouco), e isso é tanto se penso nos anos (tanto), ao meu sufoco eu faço ouvidos moucos, eu não sou diferente, loucos somos todos, todos! Loucos somos todos! Atraio os solitários, atraio os apaixonados, ilumino o espaço e os passos desorientados, os gatos e os telhados, os fados e dedilhados, os casos e rendilhados dos corpos enrodilhados, faço de estrela mas a luz não é minha e finjo sê-la para não estar sozinha, sou imperfeita mas sei ser divina, sou diva, sou livre, sou Vénus, felina, mulher vivida, mulher da vida, altiva sou tida por ser mulher fina, só sei ser rainha, menos não posso, há tantas estrelas e eu brilho sem esforço... e todos para me verem vão levantar o pescoço... todos para me verem vão levantar o pescoço ...

Refrão
como a lua sou de luas, aluada do lado de lá da lua, sou a tua lua cheia, a tua lua escura, eu sou a cura e escondo a face de quem me procura, sou a loucura que não esquece quem foge à aventura, e como a lua sou a chefe desta noite nua e faço dançar as marés e as mulheres da rua! E como a lua sou a chefe desta noite nua e faço dançar as marés e as mulheres da rua!

Lua cheia, lua nova, lua cheia, lua nova,
lua cheia, lua nova...
Refrão



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Quinta-feira, 16.01.14

Capicua lança novo álbum em março

Chega às lojas em março próximo o novo álbum de Capicua, “Sereia Louca”.

 

O registo, “Sereia Louca”, está dividido em duas partes. A primeira inclui produções de D-One, Conductor, Ride, Stereossauro, Xeg e Serial e conta com as vocais de Gisela João, Aline Frazão e M7. A segunda incorpora versões acústicas de músicas de trabalhos anteriores de Capicua, feitas com Mistah, Isaac e They’re Heading West.

 

É “um disco que fala das mulheres, da água, da morte e dessa coisa complicada que é o passar do tempo e da idade”, pode ler-se em comunicado.

 

O single de avanço já foi revelado e pode ser ouvido aqui.

 

Retirado do Sapo Música



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Quarta-feira, 15.01.14

 

Letra

 

 

Ela queria usar sapatos, dançar de salto alto
Beijar a boca de um homem, embranhar-se no mastro
Queria perder as escamas e rasgar as barbatanas
até que pernas humanas lhe saissem da carne
Poder conhecer o doce o amargo e o ácido
Ali tudo era salgado azulado e aquático
Partir o aquário deixar de vez o Atlântico
E rogava por ajuda dos marinheiros com o seu cântico
Mas seu cântico era grito que não suportavam
E só Ulisses vivera depois de a ter escutado
O seu canto era um feitiço carpido como o fado
que levava navios perdidos para outro lado

Eu tenho um búzio que me diz coisas estranhas ao ouvido
Eu tenho um búzio que me diz coisas estranhas ao ouvido
Eu tenho um búzio que me diz coisas estranhas ao ouvido
Eu tenho um búzio que me diz coisas estranhas ao ouvido

Sua voz era livre como ela não era
Como sempre quisera que o seu corpo fosse
E por cantar o sonho e a sua quimera
Era para as almas como um cumplice
Forte como um coice, como uma foice
trespassava gelada o silêncio fundo da noite
Enquanto a sua melodia como a maresia
Envolvia em maravilha a lonjura da sua corte
Chega a maré vazia para lavar em água fria
a sua melancolia e o medo da morte
Não é que a lágrima é da mesma água salgada
Gritava entre o mar e a estrela da madrugada

Eu tenho um coração de esponja que cresce com a tristeza
Eu tenho um coração de esponja que cresce com a tristeza
Eu tenho um coração de esponja que cresce com a tristeza
Eu tenho um coração de esponja que cresce com a tristeza

Sereia louca que vai deixar tentar deixar o mar
com a coragem de quem sai do seu habitat
Sereia louca que vai gritar, chorar,
bramir, esbracejar tentar até conseguir
Sereia louca que vai sentir a falta do mar
sentir a falta do ar que há neste lugar
Sempre que digam que é louca,
é melhor muda que rouca,
eu fico nua que é roupa que aperta o respirar
E grito ainda mais alto neste barco suspenso
que pior que o meu canto há-de ser o meu silêncio
pior que o meu canto há-de ser o meu silêncio

Eu tenho um búzio que me diz coisas estranhas ao ouvido
Eu tenho um búzio que me diz coisas estranhas ao ouvido
Eu tenho um búzio que me diz coisas estranhas ao ouvido
Eu tenho um búzio que me diz coisas estranhas ao ouvido


Eu tenho um coração de esponja que cresce com a tristeza
Eu tenho um coração de esponja que cresce com a tristeza
Eu tenho um coração de esponja que cresce com a tristeza
Eu tenho um coração de esponja que cresce com a tristeza

Não é que a lágrima é da mesma água salgada
Gritava entre o mar e a estrela da madrugada
E grito ainda mais alto neste barco suspenso
que pior que o meu canto há-de ser o meu silêncio



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Domingo, 05.01.14

Capicua

A rapper portuguesa Capicua anunciou que terá Gisela João e Aline Frazão como convidadas do seu segundo disco.

 

Depois do "Capicua Goes West (Mixtape Vol. 2)", lançado este ano, a cantora anunciou que "Sereia Louca" sairá em Março de 2014 pela editora Norte Sul.

 

Capicua reescreveu o tema "(A casa da) Mariquinhas para o disco de Gisela João e dado que trabalharam bem juntas, a rapper retribui-lhe o convite.

 

No facebook, a rapper explicou que parte do disco "nasceu no palco" e contempla versões acústicas de músicas de trabalhos anteriores, com Mistah Isaac e They're Heading West.

 

"Capicua (do catalão "cap i cua", que significa "cabeça e cauda") tem disco novo. Um disco que nasceu porque há sereias que gostam de sapatos. Um disco que fala das mulheres, da água, da morte e dessa coisa complicada que é o passar do tempo e da idade. Um disco de Rap que nos diz coisas estranhas ao ouvido e que, tal como as sereias, tem duas metades. Uma que se faz com produções de D-One, Conductor, Ride, Stereossauro, Xeg e Serial e que conta com a voz cúmplice de Gisela João, Aline Frazão e M7. E outra que nasceu no palco e se enche de versões acústicas de músicas de trabalhos anteriores, feitas com Mistah Isaac e They're Heading West. É nessas duas metades ("Cabeça" e "Cauda", como "cap i cua") que o disco se completa e que, de um sonho estranho, nasce música de uma sapataria. O disco chama-se "Sereia Louca" (ou "serei a louca", se quiserem) e será editado pela Norte Sul em Março de 2014.


Depois é o palco, para a consumação.", expolicou a cantora no facebook.

Vídeo

Retirado de HardMúsica


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Sábado, 04.01.14

 

 

 

Letra

 

Tocam telefones a sala é cheia,
Agitada e ruidosa,
Com o rigor de uma colmeia,
Cada um no seu cubículo,
Fazem curriculum,
É quadriculado mas a vida anda em circulo,
Full-time job,
O salário não sobe,
É precário mas ouve,
Não há nada menos podre e não sais de casa dos pais,
Não vais longe,
Um dia melhorará mas não é hoje,
E a certa altura esqueces a licenciatura,
Esqueces que estudaste duro a pensar no teu futuro
E juras que nunca mais te vais esforçar para nada e que não vale a pena decorar a tabuada!

 

Refrão
Temos tudo o que é estudo…
Emprego zero,
O berço era de ouro mas foi posto no prego.
Na neurose do euro não seremos servos,
Seremos nós os heróis,
(nós) seremos nós os heróis,
(nós) nós os heróis!
Aqui não há fins-de-semana,
Apenas folgas,
Se querias ficar na cama pensa que é pior nas obras,
Pedem-te para ter esperança e ficas verde,
Pensas logo no recibo e em tudo o que a gente deve,
Para pagar a reforma à segurança social,
Promovem desta forma a insegurança laboral,
E é em portugal onde tu queres viver,
Tu não queres ter de emigrar,
Tu não queres ter de ceder,
Mas está difícil,
Subir de nível,
Quando crise atrás de crise há um muro intransponível,
Está difícil,
Quase impossível,
E só te oferecem estágio com salário invisível!

 

Refrão

Contrato de 6 meses,
1 ano, às vezes,
Se és africano esquece,
Eles só querem portugueses e o pior é que há trabalho,
Mas não emprego,
Carta fora do baralho vai parar ao desemprego,
Ouro no prego,
O crédito é especulativo,
É um nó cego e o débito acaba contigo,
Não há sossego no grémio do capitalismo,
O quadro é negro,
Ya sem eufemismo,
Mas tu és forte,
Tu não és a marioneta,
Cada dia na corrida,
Tu estás mais perto da meta,
Veloz como um cometa,
Cada dia na luta,
Semeias a revolta contra esses filhos da…

 

Refrão

Tu sonha alto e espera sempre o melhor e pensa que cada passo ultrapassa o anterior e que já não falta muito para mudar o rumo e vai ser o aluno o professor,
Tu não desistas,
Continua na procura e olha para cada dia como uma nova aventura,
Isto não dura sempre,
Há muito pela frente e quem se empenha e tenta vai e fura!



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Sexta-feira, 03.01.14

 

Letra

 


Vida de escritório das 9 às 5,
horas extraordinárias
de borla até às 20 e tal,
fora o fisco,
fora o risco
de ficar fora disto!

Cinto aperta é perto a jugular,
carta aberta é conta pra pagar,
a fome aperta é perto o limiar,
ferida aberta o abutre a voar!

Eureka deu merda moderna,
a moeda em queda e a meta,
medem a média e dá nada...
Euro e Europa e Euribor
e ouro e outro que é diesel,
cobre e coroa de níquel,
cobras cobram sacrifícios!

Cortam no que comes
e mantêm o vício,
o ministro fez a conta,
és desperdício
e agora tens a escolha
ntre o precipício
e a espada!

Eu insistia que queria esta vida
para mim um dia,
e se eu sabia que ia dar
em via sem saída,
será que ainda resistiria,
ficava ou fugia,
gritava com valentia
ou sorria para a fotografia?

A cidade é ácida,
a vida é ávida e rápida,
a idade é ápice
e há de passar
de dádiva a dívida!

Fera mecânica,
nesta era do pânico,
nesta mira automática,
a nossa ira é vulcânica.

Selva sintética,
nesta meca satânica,
nesta merda higiénica
a matemática é sádica!

Cinto aperta é perto a jugular,
carta aberta é conta pra pagar,
a fome aperta é perto o limiar,
 ferida aberta o abutre a voar! 

Espeta roda a faca e corta o pulso,
ou cerra o punho, faz discurso!

Espeta roda a faca e corta o pulso,
ou cerra o punho, faz discurso!

Como é que eu saio daqui?
Como é que eu saio daqui?
Como é que eu saio daqui?
Todos temos revolta.
Nós andamos à solta.
Todos vemos a porta!
O que é que falta?
O que é que falta?
O que é que falta?

Todos temos revolta.
Nós andamos à solta.
Todos vemos a porta!
O que é que falta?
O que é que falta?



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Sexta-feira, 01.02.13

Em ‘Capicua goes West

 

O registo, sucessor do seu álbum de estreia homónimo, inclui seis temas, “com letras inéditas e beats atrevidamente roubados a Kanye West”, e é hoje disponibilizado gratuitamente num novo site, que estreia em simultâneo.

 

“Em ‘Capicua goes West’, Capicua aproveita a versatilidade de Kanye West enquanto produtor, para se experimentar em registos diferentes e para continuar a trilogia começada em 2008 com ‘Capicua goes Preemo’, em que explorou o espólio do mítico Dj Premier, conseguindo alcançar mais de dez mil downloads em duas semanas”, pode ler-se em comunicado, sobre o registo, que contou com “a mestreia de D-One na gravação, mistura e pós-produção e tem três convidadas especiais: M7 (a grande companheira de palco deCapicua) Tamin (diva da Soul lisboeta e membro dos Cais do Sodré Funk Connection) e Eva (a Mc de freestyle com mais carisma e “buzz” da lusofonia)”.

 

No novo site, além da nova mixtape, também estará disponível para download gratuito toda a discografia da rapper do Porto, que inclui ainda os primeiros EPS, a primeira mixtape e o álbum homónimo.

 

“Capicua goes West” será apresentado em Lisboa e Porto nas próximas semanas: dia 22 de fevereiro na Galeria Zé dos Bois; e dia 1 de março no Plano B. Em palco, Capicua vai “consumar os novos sons ao vivo”, mas também “recordar os temas do último álbum e experimentar novas roupagens em algumas músicas, tocando-as em formato acústico”.

 

Sara Novais

 

 

Retirado do Sapo Música



publicado por olhar para o mundo às 12:23 | link do post | comentar

Segunda-feira, 13.08.12

 

 

Letra

 

Eles gostam um do outro como a rima da batida
Ele carrega no rec e ela canta divertida
Fazem vida com musica, ela e' a musa e o palco e' a cama onde se fundem em nupcias
Eles gostam um do outro como a tinta da parede, rosa e verde
Amor sem outline, rooftops sem rede
Eles pintam a manta, wildstyle na pele nua
Agitam as latas ate' colorir a lua
Eles gostam um do outro como a agulha do vinyl
Ela parte o oleado, ele no trato tem o skill
E segue o seu movimento (...) como scratchs
Ela rodopia quando ela fita a mixcrash
Eles gostam um do outro como o freestyle da batalha
Fazem horas de improviso enrolados na toalha
Tesao da competiçao, coraçao ao pe' da boca
Todo o dia a poesia, em respiraçao boca a boca
Eles gostam um do outro como o break da roda
Dança de acasalamento (...) da moda
No clube da cidade, atitude e cumplicidade
Sao Bonnie & Clyde, roubam palmas contra a gravidade
Gostam um do outro como o boom do (...)
O hip do hop, o r a p que dao o rap
Falam o mesmo idioma e quem os conta constata
Que sao tres e o terceiro e' laço que nao desata
Eles gostam um do outro como o cap do spray
O cabo do mic, o Mc do Djay
A mesma cara metade, vontade de ser melhor
A mesma fidelidade 'a nossa historia de amor



publicado por olhar para o mundo às 17:31 | link do post | comentar

 

Letra

 

Refrão
Um filho, um livro, um disco, uma árvore,
Dois amigos, dois umbigos unidos num chão de mármore,
Quatro tempos, quatro ventos, dentro de quatro paredes,
Debaixo de um céu de estrelas a nossa cama de rede.

 

Quero uma casa no campo como elis regina,
Plantar os discos,
Os livros e quem sabe uma menina,
Por mim até podem ser mais,
Um amor como os meus pais,
Os dias como os demais,
Sem serem todos iguais.


Casa no campo com a porta sempre aberta para deixar entrar amigos,
Partir à descoberta,
Ter a minha cama grande com a colcha predileta e um cão desobediente dorme em cima da coberta.
Quero uma casa completa com um pedaço de terra,
E com o espaço quero o tempo para adormecer na relva,
Longe da selva de cimento,
Eu acrescento que quero cultivar mais do que mero conhecimento,
Quero uma horta do outro lado da porta e quero a sorte de estar pronta quando a morte me colher,
Quero uma porta do outro lado da morte,
Ter porte de mulher forte quando a vida me escolher.
Quero uma casa no campo que cheire a flores e frutos,
A gomas e sugus,
A doces e sumos,
Cozinhar para quem quer comer,
Comer como sei viver,
Com apetite já disse que não quero emagrecer.
Comer de colher sopa,
Fazer pão,
Estender a roupa,
Eu faço pouco das bocas que me dizem para crescer,
Eu quero rasgar janelas nas paredes cujas pedras eu carregar com as mãos que uso para escrever.
Casa no campo com lareira e fogo brando,
Que ilumine todo o ano,
O sorriso de quem amo,
Quero uma casa no campo que pode ser na cidade,
Mas tem de ser de verdade,
Mesmo não tendo morada…



publicado por olhar para o mundo às 08:29 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Quarta-feira, 18.07.12

 

 

Letra

 

Ouve o que eu te digo,
Vou-te contar um segredo,
É muito lucrativo que o mundo tenha medo,
Medo da gripe,
São mais uns medicamentos,
Vem outra estirpe reforçar os dividendos,
Medo da crise e do crime como já vimos no filme,
Medo de ti e de mim,
Medo dos tempos,
Medo que seja tarde,
medo que seja cedo e medo de assustar-me se me apontares o dedo,
Medo de cães e de insectos,
Medo da multidão,
Medo do chão e do tecto,
Medo da solidão,
Medo de andar de carro,
Medo do avião,
Medo de ficar gordo velho e sem um tostão,
Medo do olho da rua e do olhar do patrão e medo de morrer mais cedo do que a prestação,
Medo de não ser homem e de não ser jovem,
Medo dos que morrem e medo do não!
Medo de deus e medo da polícia,
Medo de não ir para o céu e medo da justiça,
Medo do escuro, do novo e do desconhecido,
Medo do caos e do povo e de ficar perdido,
Sozinho,
Sem guito e bem longe do ninho,
Medo do vinho,
Do grito e medo do vizinho,
Medo do fumo,
Do fogo,
Da água do mar,
Medo do fundo do poço,
Do louco e do ar,
Medo do medo,
Medo do medicamento,
Medo do raio,
Do trovão e do tormento,
Medo pelos meus e medo de acidentes,
Medo de judeus, negros, árabes, chineses,
Medo do “eu bem te disse”,
Medo de dizer tolice,
Medo da verdade, da cidade e do apocalipse,
O medo da bancarrota e o medo do abismo,
O medo de abrir a boca e do terrorismo.
Medo da doença,
Das agulhas e dos hospitais,
Medo de abusar,
De ser chato e de pedir demais,
De não sermos normais,
De sermos poucos,
Medo dos roubos dos outros e de sermos loucos,
Medo da rotina e da responsabilidade,
Medo de ficar para tia e medo da idade,
Com isto compro mais cremes e ponho um alarme,
Com isto passo mais cheques e adormeço tarde,
Se não tomar a pastilha,
Se não ligar à família,
Se não tiver um gorila à porta de vigília,
Compro uma arma,
Agarro a mala,
Fecho o condomínio,
Olho por cima do ombro,
defendo o meu domínio,
Protejo a propriedade que é privada e invade-me a vontade de por grade à volta da realidade, do país e da cidade,
Do meu corpo e identidade,
Da casa e da sociedade,
Família e cara-metade…
Eu tenho tanto medo…
Nós temos tanto medo…
Eu tenho tanto medo…

O medo paga a farmácia,
Aceita a vigilância,
O medo paga à máfia pela segurança,
O medo teme de tudo por isso paga o seguro,
Por isso constrói o muro e mantém a distância!
Eles têm medo de que não tenhamos medo.



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Quarta-feira, 14.03.12

 

Letra

 

Esta merda é toda minha,
esta terra ainda não tinha
uma Mc de jeito,
virei abelha rainha,
meu nome hoje é Vitória,
faço mossa, faço história,
faço troça dessa escória
que só coça a micose e quer glória!
Queres escola eu dou-te,
cala a boca e ouve,
isto implica compromisso e um full-time é pouco.
Eu dou o litro, tiro isto do físico, sai do corpo
e filtro com o espírito crítico típico do Porto!
Oh! Está tudo louco,
lambem as botas aos tropas,
cada um pior que o outro!
Oh! Está tudo mouco,
não me comparam com eles,
mas eles são muito pouco,
com eles pelos cabelos por dizerem mal do jogo,
se o rap é assim tão reles muda de estilo para outro!

Refrão:
Eu sou Mc, eu sou Maria Capaz,
no R A P sou eu que reino rapaz,
eu sou Mc, eu sou Maria Capaz,
no R A P sou eu que reino rapaz...

São do disse-que-disse,
vieram para o pic-nic,
se têm muito apetite
dançamos cheek to cheek,
mas no fim eu já te disse,
contigo não asso beef,
eu não sou azo a convite,
eu só carrego delete!
Mando calar esse freak,
com muita sede no pote,
mando papar miluvite,
entrego ao papá no bote,
é que eu passo no passe-vite
esse teu tique de snob,
é que eu desfaço-te e não o faço por mim,
mas é assim o Hip Hop!
Levas tampa tipo tupperware,
não sou mulher para aturar dreads com bugs no software.
Tua rima é oca,
tu não fazes rap, tocas berimbau de boca,
só esse teu ego ocupa-te a cama toda,
para ti quatro palavras... muita, broa, muita, sopa!

Refrão

Aqui fresca vira frígida,
duvidas estás em dívida,
o meu rap trava línguas,
de tristes tipos à mingua.
Desiste sou esdrúxula,
calo voz aguda como Úrsula,
ficas surda-muda como a última!
Eu sou a única, escrevem o meu nome com maiúsculas,
daqui as tuas letras são minúsculas.
Pingas na cueca, a sueca é escatológica,
teu rap é uma merda, mega pegada ecológica.
Insisto em ser o cúmulo,
nesta gravação eu gravo a pedra do teu túmulo,
sou como um skater cada queda é um estímulo,
dar o máximo é o mínimo,
o máximo é o mínimo!

MC é Maria Capaz!
MC é Maria Capaz!
Maria Capaz!

Refrão

Maria Capaz, Maria Capaz. Maria Capaz, Maria Capaz.



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Quinta-feira, 08.03.12

 

 

Capicua: Rap no feminino e com sotaque do Porto

 

 

 

Desde pequena que adora escrever rimas e na adolescência entrou no mundo do hip-hop. O rap sempre foi um «hobby» para Ana que hoje se apresenta como MC Capicua.


A sigla MC tem um duplo significado para Capicua. MC de mestre de cerimónias e MC de Maria Capaz – nome do primeiro single do seu novo álbum. Esta rapper do Porto sabe que a mulher pode parecer um elemento estranho num mundo dominado por homens.

 

«É melhor do que muitos rappers que andam por aí» ou «para uma rapariga até está muito bom» foram alguns comentários que Capicua já ouviu no seu percurso musical. «Faz parte do processo de habituação à diferença e acho que com o tempo estas estranhezas vão deixar de fazer sentido», sublinha.

 

Depois de dois EP’s em coletivo e de uma mixtape a solo, o álbum «Capicua» é um retrato do dia-a-dia desta MC de 29 anos. «Tentei explorar aquilo que foram as vivências, opiniões e emoções que preencheram os últimos anos da minha vida», conta. “Este álbum destaca-se do trabalho que fiz anteriormente que nunca teve um cariz tão autobiográfico”, refere.

 

O local da entrevista (ver vídeo) foi escolhido, a pedido do SAPO Música, pela própria Capicua.

 

Porquê o mercado do Bolhão? «Porque é o coração da cidade, é o templo das mulheres tripeiras por excelência», explica Capicua. «Normalmente as pessoas associam o mercado do Bolhão à mulher do Porto e nesse aspeto é um ícone muito importante da cidade», diz a rapper que também é doutorada em sociologia.

 

O sotaque do Porto e a «alma tripeira» estão presentes nas suas músicas e seria impossível não estarem. «Apesar de ter estudado em Lisboa, ter vivido em Barcelona e gostar muito destas duas cidades, o Porto é o Porto. É a minha casa», remata Capicua.

 

 

Via Sapo Música



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