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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

 

Era uma vez um país
"Lá num canto desta velha Europa,

era uma vez um país
vivia à beira do mal "prantado",

mas apodrecia na raíz


Reza a história que foi saqueado

mesmo por debaixo do nariz
Triste sina, oh que triste fado,

era uma vez um país


Os mandantes que por lá passavam

eram só ares de "bon vivant"
Viviam à grande e à francesa

como se não houvesse amanhã


Havia quem avisasse o povo

p´ra não dar cavaco a imbecis
Mas caíram na asneira de novo,

era uma vez um país


Esta fábula do imaginário

tão próxima do que é real
Canção de maledicente escárnio

à república do bananal


Que se encontrava em tão mau estado,

andava a gente tão infeliz
E o polvo já tão infiltrado,

era uma vez um país


E lá se vão sucedendo os casos,

grita o povo: "agarra que é ladrão!"
Mas passam belos dias à sombra do loureiro
Enquanto o Duarte lima as grades da prisão


E nunca se esgotam personagens

neste faz de conta que é assim
Raposas com passos de coelho no mato
e até um corta relvas de madeira no jardim


Entre campeões de assalto à vara

e filósofos de pacotilha
Entram nas portas dos submarinos azeiteiros de oliveira às costas
com o ouro da nação p'ra por nas ilhas Cai-mão, cai-pé, 

baixa os braços e as calças e a cabeça e o nariz, 
aqui finda esta história que não tem final feliz"
(era uma vez um país)


Prémio Ary dos Santos -- Poesia 
Tema -- Era uma Vez um País 
Autor - Miguel Calhaz 
Intérprete -- Miguel Calhaz

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