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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

 

Letra

 

Lá em baixo ainda anda gente 
apesar de ser tão noite 
há quem tema a madrugada 
e no escuro se afoite 
há quem durma tão cansado 
nem um beijo os estremece 
de manhã acordarão 
para o que não lhes apetece 
e há quem imite os lobos 
embora imitando gente 
há quem lute e ao lutar 
veja o mundo a andar para a frente 

E tu Maria diz-me onde andas tu 
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous 
qual de nós viu a noite 
até ser já quase de dia 
é tarde, Maria 
toda a gente passou horas 
em que andou desencontrado 
como à espera do comboio 
na paragem do autocarro 

Lá em baixo ainda anda gente 
apesar de ser tão tarde 
há quem cresça no escuro 
e do dia se resguarde 
há quem corra sem ter braços 
para os braços que os aceitam 
e seus braços juntos crescem 
e entrelaçados se deitam 
e a manhã traz outros braços 
também juntos de outra forma 
de quem luta e ao lutar 
a si mesmo se transforma 

E tu Maria diz-me onde andas tu 
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous 
qual de nós viu a noite 
até ser já quase de dia 
é tarde, Maria 
toda a gente passou horas 
em que andou desencontrado 
como à espera do comboio 
na paragem do autocarro 

Lá em baixo ainda há quem passe 
e um sonho que anda à solta 
vem bater à minha porta 
diz a senha da revolta 
vou plantá-lo e pô-lo ao sol 
até que se recomponha 
é um sonho que acordado 
vale bem quem ele sonha 
lá em baixo, até já disse 
que é que tem a ver comigo 
e no entanto sobressalto 
se me batem ao postigo 

E tu Maria diz-me onde andas tu 
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous 
qual de nós viu a noite 
até ser já quase de dia 
é tarde, Maria 
toda a gente passou horas 
em que andou desencontrado 
como à espera do comboio 
na paragem do autocarro 

Lá em baixo ainda anda gente 
e uma cara desconhecida 
vai abrindo no escuro 
uma luz como uma ferida 
como a luz que corre atrás 
da corrida de um cometa 
e vejo vales e valados 
no sopé duma valeta 
lá em baixo ainda anda gente 
e uma cara conhecida 
vai ateando noite fora 
um incêndio na avenida 

És tu Maria, eu sei, já sei, és tu 
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous 
qual de nós viu a noite 
até ser já quase de dia 
é tarde, Maria 
toda a gente passou horas 
em que andou desencontrado 
como à espera do comboio 
na paragem do autocarro

 

Letra e música: Sérgio Godinho 

 

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