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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

 

 

Letra

 

Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos, 
E o meu destino apareceu-me na alma como um precipício. 
A minha vida passada misturou-se com a futura, 
E houve no meio um ruído do salão de fumo, 
Onde, aos meus ouvidos, acabara a partida de xadrez. 

Ah, balouçado 
Na sensação das ondas, 
Ah, embalado 
Na ideia tão confortável de hoje ainda não ser amanhã, 
De pelo menos neste momento não ter responsabilidades nenhumas,

De não ter personalidade propriamente, mas sentir-me ali, 
Em cima da cadeira como um livro que a sueca ali deixasse. 

Ah, afundado 
Num torpor da imaginação, sem dúvida um pouco sono, 
Irrequieto tão sossegadamente, 
Tão análogo de repente à criança que fui outrora 
Quando brincava na quinta e não sabia álgebra, 
Nem as outras álgebras com x e y's de sentimento. 

Ah, todo eu anseio 
Por esse momento sem importância nenhuma 
Na minha vida, 
Ah, todo eu anseio por esse momento, como por outros análogos —

Aqueles momentos em que não tive importância nenhuma, 
Aqueles em que compreendi todo o vácuo da existência sem
inteligência para o 
Compreender 
E havia luar e mar e a solidão, ó Álvaro.

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