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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

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Quarteto Vintage apresenta novo CD

Um CD dedicado à música francesa não podia ser apresentado num lugar melhor do que o bar “Era uma vez em Paris”, no centro da cultura do Porto, nas Galerias de Paris. Foi num ambiente informal e descontraído, em véspera de Páscoa, que o Quarteto Vintage apresentou o seu segundo disco - Clair de Lune.

 

“Temos consciência de que isto é um repertório erudito mas o facto de ser um CD muito ecléctico, com a colaboração de um actor, com textos, foi pensado para chegarmos a um público mais abrangente”, explica Iva Barbosa do Quarteto Vintage.

 

Clair de Lune é uma homenagem aos compositores franceses que se interessaram particularmente pelo clarinete, como Roger Boutry e Jean Françaix. “A formação de quarteto de clarinetes tem muita literatura de compositores franceses. Quanto mais os compositores escrevem mas o instrumento se desenvolve e fica conhecido”, sublinha.

 

E a realização desta ideia foi ainda reforçada aquando a época da gravação, em 2012, ano em que se comemorou os 150 anos do nascimento de Debussy e 75 anos da morte de Ravel, dois compositores em destaque no CD, que conta também com obras de Pierre Passereau, Jacques Bondon, Thoinot Arbeau e Eric Satie.

 

Este disco é também uma aposta na internacionalização do Vintage: “achamos também que este projecto, por ser de música francesa, pudesse ser mais internacional do que o nosso primeiro álbum, que tinha música portuguesa, mais conhecida do público em geral”

 

“O quarteto quer, a caneta sonha, o texto nasce”


De Ravel apresentam um arranjo da “Suite ma mère l’óye”, com textos de Mário João Alves e narração do actor António Durães. O original foi escrito por Ravel para piano a quatro mãos, mais tarde com versão para orquestra, e foi dedicado a duas crianças amigas da família.

 

“O quarteto quer, a caneta sonha, o texto nasce. O Ravel é sublime e o quarteto também. As palavras que a voz grave do Durães gravou neste disco encontrei-as na música, nas entrelinhas, já lá estavam, não tive que inventar muito”, garante Mário João Alves a propósito dos contos que escreveu para a “Suite ma mère l’óye”.

 

“Um projecto arrojado, um acto de coragem”


Não obstante ser dedicado à música francesa, este trabalho é 100 por cento português, além dos intérpretes Iva Barbosa, José Eduardo Gomes, João Moreira e Ricardo Alves, todos os colaboradores são portugueses.

 

“Nesta altura em que quase desconfiamos do nosso país, que estamos numa fase menos boa, também tentamos contribuir para valorizar a nossa arte. O facto de concretizarmos este sonho mostra que ainda há gente que tem vontade e força para continuar porque é difícil, a dinamização é pouca. É um projecto arrojado, um acto de coragem, que fica caro”, afirmam.

 

Apesar dos apoios, o Quarteto Vintage não conseguiu a totalidade do financiamento. A quantia em falta foi investida pelos próprios membros do grupo, tal como muitos outros projectos semelhantes de música erudita. Iva Barbosa diz que é mais um motivo para as pessoas comprarem: “Eu compro os CD’s dos meus colegas portugueses, sobretudo quando sei que é assinatura de autor”.

 

Concertos no Porto e em Itália


Outro dos investimentos do grupo passa pelo agenciamento, que praticamente não existe em Portugal, na área da música erudita. A agência que os representa (Artway) tem agora o papel de divulgar e promover o disco: “Temos esperança que este ar fresco que a Artway está a tentar criar dê frutos”.

 

Assim, é já em Junho, no dia 22, que o Quarteto Vintage fará um concerto de apresentação do Clair de Lune, no auditório da FEUP, no Porto. Um mês mais tarde, no dia 28 de Julho, repetem o programa em Assis, Itália.

 

Quarteto Vintage


O Quarteto Vintage foi fundado há 12 anos e integra alguns dos mais representativos músicos de uma magnífica geração de clarinetistas portugueses. Os seus elementos possuem uma sólida carreira profissional e foram premiados em numerosos concursos em Portugal, Espanha, República Checa, Roménia, EUA e Japão.

 

Aborda já um repertório muito alargado, desde a Música Antiga, passando pela Música Barroca, Clássica, até à Música Contemporânea e Popular. Explorando sempre as várias possibilidades idiomáticas do instrumento, o Quarteto Vintage utiliza os vários instrumentos da família do clarinete (clarinete em sib, requinta, Cor de Basset, clarinete alto e clarinete Baixo). A interpretação de obras acompanhadas por instrumentos de percussão surge na constante procura de novos ambientes e coloridos tímbricos – os percussionistas Luís Oliveira e Luís Neiva colaboram regularmente com o Quarteto.

 

Com inúmeros concertos realizados, destacam-se as participações nos eventos: "Noites de Massarelos", "Festival Internacional de Música para Jovens de Gaia", "Festival Foz do Cávado" (Esposende), "Clarinetfest 2005" (Tama-Tokyo), "Festival do Palácio da Bolsa 2006", "Encontros Internacionais de Música da Guimarães", "Clarinetfest 2007" (Vancouver), EURORADIO 2008", "European Festival for Clarinet Ensembles 2008" (Gent-Bélgica), Festival de música de Grosseto (Itália) e “ClarinetFest 2009” (Porto).

 

O Quarteto dedica particular importância à experimentação sonora, à criação de novas obras e ao diálogo com os compositores. Foram-lhe dedicadas as peças "Ostinando" de Bruno Ribeiro, "Fado a Quatro" e "Tributo a Zeca" de Vítor de Faria, e a adaptação para quarteto de clarinetes, marimba e vibrafone da peça de Luís Tinoco "Short Cuts", estreada no primerio CD com o percussionista Pedro Carneiro. 

 

Retirado de Dacapo

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