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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

O Coro de Intervenção do Porto

As canções de intervenção tornaram-se numa marca das manifestações mais recentes em Portugal. No Porto, há um coro que se tem feito ouvir em vários protestos mas que quer cantar por outras causas.


O Coro de Intervenção do Porto existe desde setembro de 2012 e é orientado pela maestrina e cantora lírica Ana Maria Pinto. Se o nome não lhe é estranho, foi a senhora que cantou sozinha a canção “Firmeza”, de Fernando Lopes-Graça, nas comemorações do 5 de Outubro do ano passado. Agora, em coro, quer “despertar as consciências adormecidas”.

 

Numa terça-feira à noite, chegamos ao Grupo Musical de Miragaia e já ouvimos vozes do fundo das escadas íngremes. Ana Maria Pinto recebe-nos com um “olá” cantado de forma lírica. No palco, a sua voz limpa sobressai. Os integrantes do Coro rodeiam-na numa meia-lua e ensaiam para a próxima atuação.

 

É certo que é só um ensaio, porque nas atuações os palcos são outros. O último foi na Estação de São Bento, no Porto, dia 6 de abril, onde cantaram pela situação do país, atuação essa que ganhou mais significado por acontecer no mês da Revolução dos Cravos.

 

 

À medida que vão cantando os versos, a maestrina vai dando as orientações vocais aos presentes. “'Resiste' é a palavra importante de hoje. Resisto e não pago os impostos”, diz Ana, puxando pelo conjunto. “Ao que não amas resiste”, continuam em uníssono.

 

Do “Hino ao Homem”, de Fernando Lopes-Graça, passam para “Os Vampiros”, de José Afonso. O Coro não está a conseguir engrenar nos versos. “Vamos pensar numa caricatura”, diz a maestrina. Aí, seja qual for a caricatura em que pensaram, as vozes erguem-se bem alto, entre versos emotivos e gestos a acompanhar. “Eles comem tudo e não deixam nada”.

 

O Coro surgiu da vontade de Ana, que lançou um apelo no Facebook em setembro do ano passado. Responderam cerca de 30 pessoas, as que atualmente constituem o grupo. De várias idades e profissões, a maestrina acredita que todos procuram no projeto um objetivo comum: “a urgência de querer dizer algo, de ouvir e se fazer ouvir”.

 

Cantar por causas


O Coro já fez algumas intervenções, a mais mediática na manifestação de 2 de março. “A música é contagiante. Nesse dia, vimos a emoção das pessoas que estavam no passeio, depois elas sentiram-se também parte e seguiram o coro a cantar com eles, formou-se ali uma onda belíssima”, completa.

 

Uma experiência que pode voltar a repetir-se nesta quinta-feira, 25 de abril, às 14h30, no Largo Soares dos Reis, em Gaia, o local escolhido para mais uma atuação do Coro, com a promessa de “construir o futuro, cumprindo Abril”. No dia 26, sexta, o Coro canta na Avenida dos Aliados, às 18h, pela defesa na Feira do Livro do Porto.

 

O reportório conta com Zeca Afonso, Lopes-Graça, José Mário Branco e duas canções internacionais, uma espanhola e outra italiana. “Não é só Portugal que está a atravessar este mau momento, é a Europa em geral”, justifica.

 

A carreira de cantora lírica faz com que Ana se ausente muitas vezes dos ensaios mas refere que o objetivo é que o grupo seja independente. “O ideal é que o grupo seja independente, e não que seja eu a comandar o grupo”, completa.

 

Em maio, o Coro vai deslocar-se à região do Tua onde pretende chamar atenção para o abandono da linha ferroviária. “Quando vamos fazer uma ação estamos a acender uma luzinha, chamar a atenção para uma coisa que é genuína e verdadeira e que está a ser completamente arrasada”, diz Ana. Esta ação no Tua, a 11 de maio, é mais uma prova de que o Coro de Intervenção do Porto não pretende apenas ser mais uma voz nas manifestações, mas sim apelar às causas nas quais acredita.

 

Retirado do Sapo Música

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