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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

 

cintura

 

CINTURA

O radialista inglês John Peel disse uma vez que “uma cena musical só é madura e criativa quando o mainstream e o alternativo convivem sadiamente; quando a comunidade mainstream sabe valorizar o alternativo e a comunidade alternativa sabe valorizar o mainstream”;

 

Os Cintura parecem provar que a cena musical portuguesa atingiu finalmente essa maturidade. O seu som é “pop mainstream” e, no entanto, mereceu o aplauso de alguns dos “opinion makers” da nossa música, geralmente mais conotados com o “rock” e com a música alternativa: Zé Pedro dos Xutos & Pontapés, Miguel Pedro dos Mão Morta e Mundo Cão, João Carvalho do Festival Paredes de Coura, Jorge Romão dos GNR, Nuno Calado da Antena 3, Rui Santos da Universidade FM e Vitor Figueiredo da SIC formam o júri do concurso “Rock Nordeste”, que na edição de 2010 deu a vitória unânime a este trio de Penafiel.

 

O que levou um júri deste calibre a incentivar um trio sem guitarras, com um som preponderante de teclas e com um apurado sentido melódico?

 

Segundo o guitarrista dos Xutos & Pontapés «os Cintura foram sem nenhuma dúvida a banda mais coerente e mais segura que apareceu no Rock Nordeste deste ano. O facto de cantarem (e terem boas letras) em português, foi sem dúvida uma grande vantagem. Também o júri foi unânime em achar que os Cintura seriam a banda que melhor iria aproveitar este prémio e que mais segurança tinha no seu projecto. Ainda bem que assim aconteceu. Foi a melhor banda da noite e a prova está nesta primeira proposta dos Cintura». A opinião do baterista Miguel Pedro, é similar:«O que ouvi foi uma excelente base harmónica, boas opções melódicas, o que resulta em canções bem estruturadas e bem cantadas». O radialista Nuno Calado escreve no prefácio do disco: «As primeiras impressões marcam sempre e neste caso foram sempre as melhores desde o início. Os Cintura entraram em palco de uma forma discreta embora com vontade de mostrar o que este trio vale e pode vir a ser uma banda a ter em conta na “pop” nacional. E foi o que fizeram».

 

 

As origens

Se a cena musical portuguesa percorreu um longo caminho para chegar a este estágio, o mesmo fizeram os Cintura, que deram os primeiros acordes em 2003. Na altura era formado apenas pelo teclista Helder de Carvalho e o baterista Bruno Tavares, que desde o início buscaram uma sonoridade diferente explorando melodias ao piano.

 

Os dois têm influências e vivências diferentes. Enquanto Helder ouviu Sting e Jamie Cullum, Alicia Keys e Bjork, Muse e Gorillaz para saber o que fazer e o que não fazer, Tavares bebeu no “punk” e no “grunge” até chegar à “pop”, ao “jazz” e à “bossanova”. Se o teclista foi incentivado a aprender música pelos pais, foi o irmão pianista quem levou Bruno Tavares a reunir latas e dedicar-se à bateria. Se Helder começou a ter formação musical e aulas de teclado aos 8 anos, o baterista decidiu-se aos 10 anos e foi auto-didacta durante 6; o primeiro optou por seguir formação em piano no Conservatório de Vila Nova de Gaia, enquanto o segundo decidiu evoluir matriculando-se na Escola de Jazz do Porto.

 

Mais tarde, na Academia de Paredes, Helder Carvalho faz as primeiras tentativas de compor ao piano e passa por várias bandas de amigos, sendo o projecto 100 Segredos o que mais longe chegou. Enquanto isso, Tavares passava por grupos como os LinkFash e os Airlines.

 

Quatro anos depois de começarem a experimentar juntos com teclas, programações e bateria, um convite da Academia Contemporânea do Espectáculo do Porto torna tudo mais sério. Os resultados de 4 anos de experimentação iam ser apresentados ao vivo a 5 de Maio de 2007 e o som merecia um reforço. É assim que Eduardo Peixoto completa o trio. E é também diferente o percurso do baixista até chegar aos Cintura. É influenciado por «tudo o que seja bom e bem tocado. Escolhi o Baixo e o Contrabaixo pela sonoridade e por serem essenciais nos estilos de música que mais gosto». Começou com Filthy Filters (one man band), como baixista nos Gram Positivo, Zoë e como contrabaixista nas orquestras da Escola Profissional de Música de Espinho e da Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo. No seu currículo consta também a passagem pela Escola de Jazz do Porto como aluno de Filipe Teixeira e Pedro Barreiros.

 

O presente

O trabalho passa a ser feito a 3, implicando uma nova dinâmica que se atreve a sair da sala de ensaios com maior regularidade. Sem editora, management ou agenciamento, é solitária e calmamente que os Cintura revelam progressivamente as suas canções. Não apenas em áudio mas também em videoclips elegantes e inteligentes e um site – cinturapt.com – repleto de “posts” suficientemente enigmáticos para impelir ao clique e à descoberta, primeiro de “Nó Da Gravata” e depois de “Um Café Só”.

 

Aliás, a utilização com mestria das redes sociais levá-los-ia a conquistar passo a passo uma base de apoio constituída por um caloroso apoio de fãs em blogs e “word-of-mouth”. Mas foi com surpresa que constataram liderar constantemente a lista das canções favoritas da reputada rede social de música ReverbNation. Talvez tenha sido também por aqui que uma das maiores multinacionais de publishing tenha chegado aos Cintura, superando novamente as expectativas do grupo. Com contrato com a BMI, noutros tempos seria de esperar uma chuva de convites das discográficas mas a opção do trio manteve-se: crescer organicamente e ao seu próprio ritmo, sem pressões sobre as suas experiências na sala de ensaios ou nos mais de 20 palcos entretanto pisados.

 

Em 2010 a inscrição no Rock Nordeste surge apenas como isso: mais uma oportunidade para se fazerem ouvir. Porque o contrato mundial de publishing, o feedback das redes sociais e das actuações, o telefonema da TVI para incluir “Nó Da Gravata” na banda-sonora da novela “Sedução” já lhes conquistara a auto-confiança necessária para não se afastarem do conceito artístico alcançado em 6 anos.

 

É o que encontra no EP “Cintura”, com edição de autor distribuída às lojas portuguesas em Novembro de 2010 pela Compact Records e descrito na perfeição por outro jurado do Rock Nordeste, o radialista Rui Manuel Santos da Universidade FM: «Letras bem escritas e com uma métrica perfeita, um bom domínio dos instrumentos e do espaço que cada um deles ocupa nas músicas e um vocalista que sabe não só cantar como transmitir emoções a quem ouve os Cintura. Numa altura em que muitas bandas procuram fazer o single da "moda", os Cintura preferem fazer canções que são intemporais».

 

 

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