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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

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Terras Sem Sombra regressa para promover musicalmente o Alentejo


Terras Sem Sombra regressa para promover musicalmente o Alentejo

O maior festival de música sacra português está de regresso ao Alentejo. Com início este sábado, na igreja de Santo Ildefonso, matriz de Almodôvar, o programa do Festival Terras Sem Sombra (FTSS) para 2013,ora apresentado no CCB, revela a supremacia dos notáveis intérpretes que tornarão os monumentos religiosos do Baixo Alentejo, já bem conhecidas pela riqueza artística e acústica, um palco privilegiado para escutar obras-primas de Mozart, Pergolesi, Machaut, Haydn, Schönberg, Takemitsu e Ligeti, entre outros. 

Esta edição foi apresentada no CCB, na terça-feira passada, pelo director-geral do evento José António Falcão que salientou que este ano existirá uma aposta na divulgação dos produtos regionais e pensam mesmo criar um vinho com nome do festival.

Do leque diversificado de intérpretes, figuras maiores no universo da grande música, fazem parte o agrupamento italiano laReverdie, o ensemble francês de Pierre Hamon ou o Cuarteto Casals, o mais celebrado quarteto de cordas espanhol. 
Do país vizinho virá igualmente a Camerata Boccherini, de Massimo Spadano, que tem vindo a brilhar nos principais palcos europeus. 
Donato Renzetti e Giovanni Andreoli, famosos pela sua actuação como maestros, à frente da Chicago Opera House e da Arena de Verona, respectivamente, são outros destaques da presente edição, a par de protagonistas do meio artístico português, como o tenor Mário João Alves e o barítono Luís Rodrigues.

Traçando um percurso da Idade Média à contemporaneidade, o Terras sem Sombra adopta como tema-chave de 2013, a polifonia. 
Algo que assume um significado muito especial para a região, numa altura em que o cante alentejano retomou a sua candidatura a Património Cultural Imaterial da Humanidade. 

Como salienta o director artístico do Festival, Paolo Pinamonti, "o cante destaca-se como uma das mais importantes formas de polifonia vocais, por ter sido um dos percursores do seu género." 
Para os mais curiosos, o musicólogo Rui Vieira Nery, da Universidade de Évora, aprofundará o mesmo tema no dia 18 de Maio, na conferência temática inserida no programa deste ano.

Esta viagem cultural, que passa também por Santiago do Cacém, Grândola, Vila de Frades, Beja, Castro Verde, Carvalhal e Sines, ao associar de forma directa a música ao património da região, traz outro fôlego a igrejas notáveis mas que, em tempos de dificuldades, clamam pela sua preservação. "Queremos despertar novos olhares e novas vivências em torno da música sacra, dando vida a este extraordinário legado religioso, que vibra com intensidade entre nós", explica José António Falcão, director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, o promotor da iniciativa. 

Para tal, estabeleceu uma rede de parcerias com o turismo, autarquias, misericórdias, paróquias e empresas da região. Ao Teatro Nacional de São Carlos, entidade co-produtora do FTSS, cabe também papel de realce, através da presença do seu Coro e da Orquestra Sinfónica Portuguesa e por isso mesmo foi assinado um protocolo de colaboração entre as duas entidades por João Vila-Lobos do TNSC e José António Falcão.

Uma novidade de 2013 será a abertura à vertente pedagógica da música como factor de inclusão: meio milhar de crianças, dos três aos 10 anos, das escolas de Melides, Carvalhal e Comporta, integradas nos agrupamentos de Grândola e Alcácer do Sal, estão a corresponder, durante este ano lectivo, ao desafio que o Festival lhes lançou para um programa lectivo com abrangência nas áreas das artes e da educação ambiental.
O projecto centra-se no musical "O Principezinho", de Victor Palma, adaptação da obra de Saint-Exupéry, e conta com a colaboração empenhada da Fundação Herdade da Comporta e dos dois municípios abrangidos. 

Terá a apresentação final num dos concertos do FTSS, no dia 29 de Junho, no Carvalhal. 
Os actores e os figurantes serão os alunos locais, dirigidos pelo maestro Nuno Lopes, do Teatro de São Carlos, e acompanhados pelo Coro Juvenil de Lisboa. A direcção coreográfica é de María Luisa Carles, da Companhia Nacional de Bailado. 
Pela primeira vez, o Festival extravasa a geografia da Diocese de Beja (Alcácer faz parte da Arquidiocese de Évora).

Este é, como se vê, um festival com causas. À semelhança de anos anteriores, o domingo seguinte a cada concerto será dedicado a acções de defesa da natureza e biodiversidade locais, juntando artistas, espectadores e residentes em torno da preservação da paisagem e dos recursos naturais da região. 
Por iniciativa da UNESCO, este ano celebra-se o Ano Internacional de Cooperação pela Água, e o TSS vai consagrar especial atenção à salvaguarda dos recursos aquáticos e à sustentabilidade dos recursos biodiversos que dependem desse património fundamental. 
Da frente atlântica à bacia do Guadiana e à transumância na área do Alto Sado, serão focados actividades e sítios estratégicos da relação homem/natureza. 
Um conjunto de acções que conta com o envolvimento do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e de associações locais.

Outro aspecto importante do ADN do Terras sem Sombra diz respeito à sua vocação para dar a conhecer os produtos regionais de excelência, como o vinho, a cortiça, o mel, o azeite, a carne e o peixe, o café, o pão, a fruta, a doçaria e o artesanato. 
Estes e os demais recursos económicos e sociais do território contarão, ao longo da temporada, com acções promocionais específicas. 

Terçar armas por um desenvolvimento equilibrado e sustentável do Alentejo constitui o repto lançado à vasta comunidade do Festival. “Sem economia não há pessoas e sem pessoas não há património, pelo que é nosso dever estar na primeira linha do combate à desertificação do interior”, referiu José António Falcão durante a apresentação no CCB.

O Prémio Internacional Terras sem Sombra, que todos os anos distingue três personalidades ou instituições que se destacaram nas áreas da música, do património e da biodiversidade, tem este ano como patrona a infanta D. Pilar de Borbón, Duquesa de Badajoz, irmã do rei D. Juan Carlos I de Espanha, que virá presidir à cerimónia da sua entrega, na Comporta, no dia 06 de Julho. É um sinal da forte ligação do Festival a Espanha, que constitui o País Convidado do TSS em 2013.

 

retirado do HardMúsica

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