Quarta-feira, 10 de Abril de 2013

 Gémeos Luís e Fernando Costa

Gémeos Luís e Fernando Costa

 

Nasceram no mesmo dia e no mesmo local, fruto da mesma mãe... Fernando Costa (violoncelo) e Luís Costa (piano) são gémeos embora falsos. Têm, por isso, uma ligação muito forte que, dizem os críticos, se sente quando tocam juntos: "Quem está de fora diz que parece muito natural, mas não quer dizer que pensemos os dois da mesma forma, mas talvez seja mais fácil pelo entendimento. Temos mais confiança, discutimos mais as ideias", Luís diz já estar à espera do que Fernando vai fazer, já o conhece muito bem: "Conseguimos prever aquilo que vai acontecer". Fernando confessa que as críticas que lhe fazem quando toca com o irmão "são completamente diferentes no sentido da ligação".

 

Porém não há nenhum truque. "Quando trabalhamos em música de câmara o que é importante, no caso do duo, é que eu tenho de ser o instrumento dele e ele tem de ser o meu instrumento. Essa é a maior preocupação de qualquer pianista. Nós não pensamos no que vem a seguir, é natural", explica o irmão pianista. E trabalhar num bom ambiente é fundamental: "eu nunca trabalharia regularmente com uma pessoa com quem não me identificasse pessoalmente".

 

Para Fernando "a essência do trabalho de música de câmara é o trabalho regular, para se conseguir ganhar confiança, conhecerem-se uns aos outros, saber o que os outros pensam. É essencial todos saberem discutir e apresentarem as suas ideias". 

 

"É mais difícil trabalhar em música de câmara"


"Nunca perder o sentimento de música pela música.  E quando se trabalha em música de câmara, não podemos fazer com que as preocupações de junção e tempo nos desviem desse objectivo, e muitas vezes é isso que acontece, tornando-se em algo artificial. Devemos é acentuar o sentimento de partilha, entre os elementos do grupo, e também com o público, temos sempre de ser apaixonados e encarnar todo o mistério que envolve uma obra", sublinha Luis.

 

 

É, assim, mais difícil trabalhar em música de câmara do que a solo: "é também um trabalho de controlo, não estamos à nossa vontade e às vezes juntam-se dois galos no mesmo galinheiro". Fernando conta que o segredo pode estar no equilíbrio e humildade: "saber que estamos num grupo, se uma pessoa não ouvir os outros, vai haver problemas".

 

Primeiro CD antes do Verão


Não obstante estudarem música desde pequenos, os gémeos tiveram percursos bem diferentes e só há poucos anos é que se juntaram em duo de forma mais séria. "Ele desde pequenino que queria isto enquanto que eu tive uma fase em que não ligava muito, só mais tarde, quando mudei para os meus actuais professores é que dei a volta", conta Luís. O primeiro concerto  do duo aconteceu em 2012 na Casa da Música, onde voltaram este ano, precisamente no dia da nossa entrevista. Seguiram, depois, para a Fundação Engenheiro António d'Almeida, onde devem estar a concluir a gravação do primeiro CD, que deve chegar ao mercado ainda antes do Verão. 

 

Têm concertos marcardos na África do Sul, Namíbia e Canadá. Por cá, estarão no Teatro Campo Alegre, no encerramento do Ciclo Novos Talentos e no Festival de Ponte de Lima, em Julho. 

 

Há pouca música de câmara nas escolas 


As escolas profissionais de música têm dado um grande impulso no desenvolvimento da música de câmara em Portugal. Mesmo assim, para os dois irmãos, é muito pouco. "Há poucos grupos abaixo dos 18 anos e os que há é por iniciativa própria. De facto, há muita classe de conjunto nas escolas mas, muita vezes, é tudo fechado numa sala com intuito de apenas entrarem todos ao mesmo tempo. Muitos alunos não trabalham com o seu instrumento, embora isso também seja importante, A música de câmara pode ser uma forma de motivar as crianças para o instrumento a solo, se começaram a trabalhar em grupo encontram ajuda, cooperação". 

 

"Um músico sai melhor músico se trabalhar música de câmara. Tudo o que acontece ali, a junção, a combinação, a solidez é fundamental", acrescentam. Mas, acima de tudo, "é  preciso ter muio gosto naqulo que se faz e, se tiver esse gosto pela música, seja em música de câmara, seja como solista, as coisas acabam por se encaminhar". 

 

Fernando Costa


Fernando Costa, natural de V.N. Gaia, nasceu em 1991. Iniciou os seus estudos de Violoncelo em 1998 com o Professor Valter Mateus, no Conservatório Regional de Gaia. Conclui o curso complementar de violoncelo com nota máxima, no ano lectivo de 08/09. Frequenta o 3º ano de Licenciatura na ESMAE na classe de Violoncelo de Jed Barahal. Em 2010 e 2011 foi distinguido com bolsa de mérito do Instituto Politécnico do Porto e em 2011 foi-lhe atribuída uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Actualmente, mantém contacto regular com o prestigiado violoncelista Lluis Claret, em Barcelona e trabalhou com outros professores como José Augusto Pereira de Sousa, Jed Barahal, Ernst Reijseger, Paulo Gaio Lima, Dimitri Ferschtman, Romain Garioud, Márcio Carneiro, Anne Gastinel, Natalia Gutman, Pavel Gomziakov, Filipe Quaresma, António Meneses, entre outros.

 

Obteve o 1º Prémio no Concurso Interno de Cordas do Conservatório Regional de Gaia (2004); 1º Prémio no 13º Concurso Santa Cecília (2011); 1º Prémio no Prémio Jovens Músicos 2011, Categoria Violoncelo, Nível Superior; 1º Prémio no “Prémio Helena Sá e Costa” (2012); Menção honrosa no Prémio Jovens Músicos 2009, Categoria de Violoncelo, Nível Médio. Foi laureado com o 1º Prémio no ConCursos 2012 (Música de Câmara); 2º Prémio do Prémio Jovens Músicos 2012, Categoria de Música de Câmara Nível Superior; 3º Prémio do Prémio Jovens Músicos 2007, Categoria de Música de Câmara Nível Médio.

 

Apresentou-se como solista acompanhado pela Orquestra Gulbenkian, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, Orquestra Sinfónica da Esmae, Filarmonia de Gaia e Orquestra Clássica do Conservatório de Gaia. Integrou a Orquestra Sinfónica do Porto - Casa da Música, Orquestra Clássica de Espinho, Orquestra Sinfonieta da Esmae, Orquestra Verazin, Orquestra Filarmonia de Gaia e Orquestra Clássica do Conservatório Regional de Gaia. Em 2007, trabalhou em estágio numa orquestra de jovens pertencentes à União Europeia, BISYOC. 

 

Luís Costa


Nascido em 1991, em Vila Nova de Gaia, teve o primeiro contacto com o piano aos 8 anos. Apesar de um percurso nem sempre bem definido é aos 17 anos que se dedica totalmente ao piano, quando inicia os seus estudos com o ainda actual professor e grande inspiração Álvaro Teixeira Lopes. Estuda na Universidade de Aveiro desde 2009. Detentor de prémios em vários concursos como Concurso Ibérico do Alto Minho, Concurso Internacional Santa Cecília, ConCursos CMA, Paços Premium, Prémio Jovens Músicos (Música de Câmara) tendo sido também laureado com prémios de melhor interpretação de obras de Maria Assunción Codina, Schumann, Chopin e Eugénio Amorim.

 

Conta com recitais por todo o país, bem como no estrangeiro onde destacaria os mais recentes concertos na Alemanha (Darmstadt, Reutlingen, Romrod, Filseck) onde a crítica o descreveu como um “pianista musicalmente sofisticado”(Fulder Zeitung). Gravou para a rádio e televisão portuguesas (RTP1 e Antena 2. Foi aceite para a classe de Friedemann Rieger na Hochschule Für Musik der Kunst Stutgartt no ano de 2012, onde concluiu com classificação máxima.

 

Dedica também grande parte do seu tempo à música de câmara, tendo trabalhado com músicos como António Meneses, Lluis Claret, Hans-Peter Stenzl e António Chagas Rosa. Tem uma intensa actividade em duo, com o irmão violoncelista Fernando Costa. Actualmente é também aluno do prestigiado pianista Joaquin Soriano, com quem trabalha regularmente em Madrid. Dos próximos projectos fazem parte vários concertos, entre eles no Festival Percursos da Música, Ciclo Novos Talentos do Teatro Campo Alegre, e concertos em Itália, África do Sul e Canadá.

 

 

Retirado de DACAPO



publicado por olhar para o mundo às 10:39 | link do post | comentar

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