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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

Noidz


Sobreviventes do holocausto de um planeta desconhecido de uma outra galáxia a 20.000 anos luz encontraram a sua terra prometida em Portugal. Como bons seres que são nunca pensaram em dominar e esmagar a nossa cultura, pelo contrário, os Noidz assimilaram o que de mais tradicional temos em termos de musica e incorporaram com aquilo que já estava incutido no seu ADN forjado no rock e musica electrónica.


Esta mistura de rock com electrónica já teve e tem diversos intérpretes dispersos ao longo da história - o desafio maior é exactamente colocar o tradicional português na equação, um desafio que além de ser inovador para muitas mentalidades pode até ser transgressor e causador de alguma repulsa. Será mau isso acontecer? Provavelmente não porque quem inova e desbrava novos caminhos encontra sempre a dificuldade que é abri-los.


Já uma vez disse que provavelmente daqui a 20 anos vamos estar a perceber a real dimensão daquilo que os Noidz procuram, daquilo que tentam inovar com a sua produção cuidada e contaminada por instrumentos tradicionais portugueses, pelos nossos ritmos elevados a uma dimensão que não estávamos habituados. Algo tão difícil de entender como simples de sentir pelo menos por quem mexe realmente com estes universos como é o caso de Júlio Pereira que participou já ao vivo e em estúdio no tema “Message” e sobre o qual o músico conhecido pela sua exigência disse “Os Noidz entraram em minha casa em formato MP3!

 

«Ó Júlio, gostaríamos que participasses numa música nossa!»

Pus o player a tocar e o chão tremeu. O subwoofer curtiu e a vizinha queixou-se.

Boa onda, boa produção, boa energia!

Nem hesitei! Já estava a gravar!”

Julio Pereira

 

A Katia Guerreiro não teve igualmente receio de fazer uma experiência com um dos temas mais delicados do universo do fado “Estranha Forma de Vida” que ganha aqui uma nova dimensão. A fadista que também já partilhou o palco com os Noidz nunca sentiu que estaria a trair o seu mundo ao juntar percussão, electrónica e guitarras pesadas.

 

"A mim interessa-me o que é novo, o que provoca surpresa e estranheza ao mesmo tempo, o que faz mexer as tradições projectando-as para o futuro, e o que imagino poder ser também um projecto meu. Os NOIDZ são isso tudo!


O desafio foi-me lançado, e ainda sem sequer ter ouvido, imaginei-me a cantar no meio de uns seres alienígenas, absorvida por sons estranhos ao Fado, mas a acrescentar sabor e dimensão a um tema tão clássico e que impõe tanto respeito como o "Estranha Forma de Vida". Apetece-me mais!"

Katia Guerreiro

 

Neste disco existe ainda mais outro momento delicado uma versão de “O Pastor” dos Madredeus, um dos projectos nacionais mais internacionais de sempre e que criaram um universo próprio. Sobre esta versão Pedro Ayres Magalhães escreveu uma carta à banda depois de ter ouvido o tema com a forma que os Noidz lhe deram:

 

Caros Membros dos " NOIDZ"


Gostei muito de ouvir a nova versão de "O Pastor" pelos NOIDZ, do arranjo das guitarras, da complexidade das percussões, da abertura com a sanfona, da construção do impacto instrumental e da naturalidade e energia melódica do canto...


Gostei ainda mais que aquele refrão,"... Ao Largo Ainda Arde, a Barca da Fantasia..." voltasse a ser cantado por uma banda portuguesa, já que " O Pastor " é um hino ao sentimento de esperança que mora em nós, quando cultivamos na nossa vida desperta a fantasia dos nossos sonhos e o fazemos tão a sério, que transformamos o que parecia impossível em diária acção, praticando permanentemente a coragem de nos procurarmos, o que constitui, em si mesmo, uma forma de libertação.


Agradeço-vos muito o facto de terem sabido reconhecer a poesia e a força desta canção e conseguido produzir uma nova versão tão orgulhosamente ancorada no arranjo original dos Madredeus. É uma mensagem que passa...


Desejo-vos as maiores alegrias pelo longo caminho dos vossos concertos.

Um grande abraço,

Pedro Ayres Magalhães

 

Quantos músicos nacionais gostariam de ter recebido do autor de uma canção a que tivessem decidido dar uma nova vida?

 

2.0.1.3. é o segundo disco dos Noidz onde além dos temas que já mencionei existem outros tantos carregados de pormenores de produção incríveis. Ao contrário do que vai sendo a regra nos dias de hoje, o som é grande e aberto chegando quase a parecer uma mega produção a que a masterização de Howie Weinberg, um dos magos das masterizações, não é alheio. Howie Weinberg que já tinha feito o mesmo para o álbum “Nevermind” dos Nirvana, Brain Drain dos Ramones, “Future Shock” de Herbie Hancock, a lista é longa e lá pode-se encontrar mais alguns nomes importantes como White Stripes, Tom Waits, Rammstein, Aerosmith, Mars Volta, Spoon ou Public Enemy.


Para além dos temas feitos para este disco é recuperado o tema “Root Sounds From Earth” do primeiro disco.


Reforço a ideia que ficou atrás: nada disto acontece por acaso, é necessário um enorme conhecimento e pesquisa para conseguir adicionar à música tradicional portuguesa o universo das guitarras e da electrónica.


Não poucas vezes dizemos que esta ou aquela banda segue claramente as pisadas de qualquer outra, pois aqui está um caso onde a originalidade e coragem de misturar o que não deveria ser misturado existe, criando assim algo de novo, arrojado e porque não dizê-lo até estranho. Ser estranho é mau? Não necessariamente! Recordo-me bem de quando o João Aguardela apareceu com o projecto Megafone, era no mínimo diferente, arrojado e inovador. O João não teve a vida facilitada ao juntar o tradicional com a electrónica. Não eram muitas as portas que se abriam descaradamente apesar de ter já o peso do seu nome agarrado. Depois do seu desaparecimento precoce muita gente escreveu que era genial, na altura não ouvi pelo menos no universo da rádio muita gente que tivesse aberto livremente a porta dos seus programas ou playlists ao Megafone. Espero que o mesmo não seja necessário para se poder ouvir a música dos Noidz sem preconceitos.


Há uns anos atrás os Sepultura marcaram diferença no mundo do metal ao incluírem na sua música os ritmos e precursões brasileiras, transformaram-se numa das bandas mais interessantes do seu tempo. Já me esquecia esses são brasileiros e podem fazer tudo, nós é que continuamos a ser caretas e cada um tem de ser o que o rótulo diz.


2.0.1.3. é um disco para quebrar barreiras e para levar as fronteiras da música para locais diferentes, tivemos a sorte destes aliens se apaixonarem pela cultura portuguesa e fazerem dela também a sua bandeira.

Quer ver a sua banda ou espectáculo divulgados aqui?,
envie um email para: olharparaomundo (arroba) sapo.pt
Se tem alguma letra que eu não tenha encontrado, pode enviar para o mesmo email

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