Quarta-feira, 13 de Março de 2013

Álbum duplo de Carlos Paião assinala 25 anos da morte do cantor

O editor discográfico David Ferreira, que assina o texto que acompanha o álbum, afirma que Carlos Paião tinha “tanto talento que ainda hoje, vinte e cinco anos depois de ter deixado de nos surpreender com canções novas, nos confunde ele não ter sabido administrar melhor esse extraordinário dom”.


David Ferreira, que conviveu com o músico, sublinha o seu talento, para quem “parecia tudo tão fácil”.

 

Conta o editor que, numa sexta-feira, foi pedido a Paião um hino não-oficial para a seleção nacional de futebol “e, à segunda[-feira], veio o ‘Bamos lá cambada’, limpinho irresistível, em português corrente e ‘futebolês’ fluído”.

 

Ferreira assinala a “delícia” que são as letras de Paião, as melodias “irresistíveis” e “o casamento perfeito entre as palavras e a música”, nas suas canções.

 

“Aqui e ali, a cavalo de um trocadilho que parece inocente, ressalta a capacidade de observação de um verdadeiro cronista de tiques, clichés e costumes”, afirma David Ferreira.

 

Em termos melódicos, David Ferreira atesta que Carlos Paião tem lugar no “panteão” onde estão compositores como Frederico Valério e Raul Ferrão.

 

O álbum duplo “Carlos Paião – 25 anos depois”, editado pela EMI Music, reúne 37 canções de sua autoria, entre as quais “Souvenir de Portugal”, “Não há duas em três” ou “Cegonha”, todas interpretadas por Paião.

 

Neste conjunto de 37 canções as exceções são o tema “Vinho do Porto (vinho de Portugal)” que canta com Cândida Branca Flôr, falecida em 2001, “Quando as nuvens choram”, que interpreta com Dina, “Mar de Rosas”, com o Trio Odemira, e “O Foguete”, cuja autoria da letra, música e a interpretação partilha com António Sala e Luís Arriaga.

 

No texto, David Ferreira refere a perspicácia do produtor Mário Martins, que “não se deixou enganar (…) enquanto os outros demoraram a perceber” o talento de Carlos Paião.

 

“Tínhamos artista. Afinal Carlos Paião não era só um tipo com piada. Tínhamos canções. Grandes canções”, remata David Ferreira.

 

A quando da sua morte, em 1988, aos 30 anos, o produtor Mário Martins afirmou: “Na sua aparente fragilidade ele foi mais forte do que a morte que não jogou limpo e perdeu, porque o Carlos Paião ficará sempre vivo na memória dos que o conheceram e admiraram”.

 

Do rol de canções escolhido para integrar esta edição, dividida em dois CD – um de “rápidas” e outro de “lentas” – constam temas como “Ga-gago”, “Marcha do ‘Pião das Nicas’”, “Cinderela”, “Os namorados”, “História linda” ou “Versos de amor”.

 

Carlos Paião venceu o Festival da Canção do Illiabum Clube, em 1978, ano em que já tinha escrito mais de duzentas canções. Em 1980, concorreu ao Festival RTP da Canção, não tendo sido apurado, mas, no ano seguinte, venceu este certame com “Playback”, representando Portugal no Festival da Eurovisão, em Dublin.

 

Em 1983, licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa, mas decidiu-se pela carreira musical. No ano anterior tinha editado o seu primeiro álbum, “Algarismos”.

 

Em 1985, foi um dos 18 selecionados para participar no Festival Mundial de Música Popular de Tóquio.

 

Colaborou com o humorista Herman José e escreveu para outros artistas, nomeadamente Amália Rodrigues, Lenita Gentil, Mísia, José Alberto Reis, Alexandra e Vasco Rafael, entre outros.

 

 

Retirado do Sapo Música



publicado por olhar para o mundo às 12:41 | link do post

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