Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

Lula percebeu que tinha de desenvolver uma procura interior Lula percebeu que tinha de desenvolver uma procura interior  (Miguel Madeira)


Há dois anos, aquando do lançamento do seu segundo e último álbum, Troubador, dizia-nos que quando está em palco gosta de sentir-se livre para o imprevisto e dava um exemplo: "Se estiver alguém na plateia que queira tocar comigo estou disponível."

 

Por norma, Lula Pena apresenta-se sozinha. Mas hoje, às 22h, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, não vai ser necessário requisitar alguém da plateia, porque vai estar acompanhada. Com ela vai estar o músico guineense Mû. Conheceram-se há muitos anos em Barcelona, uma das cidades por onde Lula andou. 

Nessa altura, estava de partida para Bruxelas e Mû, depois de ter assistido a um concerto seu, resolveu oferecer-lhe uma canção em homenagem. A partida para a capital belga inviabilizou qualquer colaboração, mas um dia, acidentalmente, em Lisboa, voltaram a cruzar-se. E agora cumprem o ensejo de tocarem lado a lado. Ela vem com a voz e o violão, e toda a poesia do silêncio em redor, enquanto ele toca simbi, tonkorongh e tambor de água.

Silêncios

As canções são as dela, em particular do álbum Troubador, mas com novos ritmos, respirações e, claro, silêncios. Se, a solo, a sua música já é uma confluência de geografias indeterminadas e de espiritualidades emocionantes, acompanhada é-o ainda mais. Se a solo o seu apetite para improvisar já se faz notar, a dois há ainda mais espaço para criar momentos únicos e irrepetíveis.

Lula é uma personagem misteriosa no contexto da música feita em Portugal. O álbum de estreia, Phados, foi lançado há 13 anos, tendo sido distribuído por uma editora belga. Em Portugal, era uma desconhecida. Havia fado por ali, e morna, e bossa nova, mas de uma forma singular. Depois sucederam-se alguns concertos e um longo hiato até chegar o segundo disco. As canções estão cheias de memórias, alusões e citações. Luna tucumanade Atahualpa Yupanqui, A noite de meu bem, de Dolores Duran, ou Partido alto, de Chico Buarque, acabam por constituir alguns desses micro-apontamentos no meio das canções, sendo reconhecíveis por todos, incorporadas de forma orgânica.

Ela nunca teve pressas. Foi procurando entender qual o seu lugar e percebeu que não podia obedecer a imposições de fora, mas sim que tinha de desenvolver uma exigente procura interior. Não surpreende que a sua música respire uma série de linguagens (fado, tango,chanson francesa, morna, flamenco ou bossa nova), sem ser nada disso em particular, diluídas num cosmos muito particular, ondulando na superfície da sua voz e viola.

A maior parte das canções ignora fronteiras, caminhando descalças pelo Mediterrâneo, atravessando com leveza o oceano para o Atlântico Sul, numa mistura de emoções e memórias que vão desembocar, hoje, em Lisboa.

 

Noticia do Público

Quer ver a sua banda ou espectáculo divulgados aqui?,
envie um email para: olharparaomundo (arroba) sapo.pt
Se tem alguma letra que eu não tenha encontrado, pode enviar para o mesmo email