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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

 
João Monge estreia-se na escrita para teatro, sem esquecer a música. Inspirado em Alfredo Marceneiro, criou um espectáculo com Maria João Luís e Manuela Azevedo

"E quem és tu para destruir este mundo só meu? Quem és tu para acreditares em mim e me falares de esperança?" Maria Sem é uma mulher que sente e vive muitas coisas. Evoca paixões, desilusões, desamores, encantos e desencantos. "Fala com um grande sabedoria de quem aprendeu com o que viveu e acha que as coisas valem a pena ser vividas. Fala com grande orgulho, até, do sofrimento de que foi protagonista e tem, apesar de tudo, esperança no futuro", explica Manuela Azevedo.

"A Lua de Maria Sem" é um espectáculo escrito por João Monge e interpretado por Maria João Luís, que acumula a função de encenadora, e Manuela Azevedo, vocalista dos Clã, que estreia hoje no Teatro Municipal de São Luiz, Lisboa, e fica em cena até domingo.

Esta é a primeira peça escrita por João Monge, letrista de bandas como Trovante ou Ala dos Namorados ou artistas como Rui Veloso e Camané, entre muitos outros. Inspirado nos fados de Alfredo Marceneiro, Monge escreveu a história de Maria Sem e as letras para as composições deixadas pelo fadista. Os arranjos têm o dedo de José Peixoto. 

Durante uma hora, Maria João Luís é Maria Sem, cujo pai lhe deixou a lua de herança. Manuela Azevedo também é Maria Sem. Uma diz as palavras, a outra canta-as: "Sempre gostei muito dos textos do Monge. Quando ele me falou deste projecto, das pessoas envolvidas e a partir do que era feito, fiquei muito contente, muito entregue ao projecto. E para mim o fado sempre foi o Marceneiro, a Hermínia Silva, o fado da viela, da rua, profundo. O Marceneiro transporta-nos, pelo menos a mim e à minha geração, a um universo mais povo, mais carne viva", conta Maria João Luís.

Já para Manuela Azevedo, o "sim" não surgiu logo, apesar de se ter apaixonado pelo texto: "Fiquei com receio de não ser capaz de entrar nesse universo do fado do Marceneiro. Mas o facto de os fados terem letras do Monge, um território onde me senti identificada e à vontade, e com a releitura que o Peixoto fez desses arranjos, achei que não ia ter esse peso de estar a interpretar uma coisa com a força, a história e a tradição que o fado tem."

Maria João Luís e Manuela Azevedo nunca se tinham encontrado. As apresentações foram feitas numa pequena reunião logística pré-espectáculo. A empatia foi instantânea: "Há um grande entendimento e confiança mútua. Eu sinto isso, mesmo nos momentos em que estava mais aflita, mais insegura, sentia da parte da Manuela uma disponibilidade e confiança que me davam muita força também para acreditar", explica Maria João Luís.

Encarnar personagens é o dia--a-dia da actriz. Mas para a cantora não é assim tão diferente: "Temos canções que têm mulheres que deixam os homens a babar e durante os três minutos da canção posso imaginar-me assim, com 1,80 m, poderosíssima. Esse exercício de interpretação é uma coisa que já vou desenvolvendo com os Clã. Aqui é pedido com uma consistência maior, até porque é a mesma personagem durante o tempo todo da peça."

Em palco, as duas mulheres estão vestidas de forma masculina. A ideia é de Maria João Luís: "Pensei como é que podemos fazer com que estas duas mulheres sejam anjos, como é que podemos fazê-las almas em vez de corpo? Ou punha umas asinhas, o que seria um bocadinho estranho, ou então tirava-lhes o género, quase, a feminilidade. Uma coisa que fosse assexuada, uma androginia que me interessa explorar. E está lá, no texto, essa alma acima do género."
 
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