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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

 

aurea

Quando se vem ao mundo com uma voz assim, uma pessoa só pode querer ser cantora, certo? No caso de Aurea, errado. Apesar de cantar desde pequena, foi preciso um amigo desafiá-la para interpretar um tema seu para que a música se insinuasse como opção. Agora não há volta a dar-lhe. Aos 23 anos, Aurea só pensa em "pisar os palcos a sério", para consolidar uma carreira que, "definitivamente", há de passar pela soul.

 

Para quem a ouve, a sua voz surpreende pela qualidade e pela maturidade da interpretação. Parece que tem toda uma carreira e uma experiência acumuladas, apesar da idade. Já se nasce com uma voz assim? (sorri) No meu caso, não tive qualquer tipo de formação. Estudei teatro, em Évora, e na universidade tínhamos, de facto, aulas de voz, mas numa perspetiva de representação. Coisas como projeção, controlo de diafragma... nada direcionado para o canto. Agora, é verdade que canto desde pequenina, em casa. O meu pai tocava e cantava fado, depois o meu irmão também aprendeu a tocar guitarra, e eu lá cantava outras coisas com ele, com as minhas amigas...

Nada muito a sério? Mais a sério só comecei há três anos, já com o CD como projeto, e é óbvio que durante este período sinto ter havido uma evolução, fruto do trabalho e da experiência que me foi possível ir adquirindo.

Porque, curiosamente, querer ser cantora não era um desejo... Não, não era. Comecei por querer ser parteira, em criança, depois durante muito tempo estava decidida a ser psicóloga, até que, na hora de escolher, acabei por seguir teatro.

Até acontecer este desvio... O que a fez mudar de ideias? Aconteceu durante o curso, depois de conhecer um amigo, o Rui Ribeiro, que estudava composição na mesma universidade. Ele tocava piano e eu tinha mais amigas que gostavam de música, por isso no final das aulas reuníamo-nos para cantar. Ele gostou da minha voz e fez um tema para eu interpretar. No início fiquei reticente. Não acreditava muito que valesse a pena, mas lá acabei por gravá-lo, e ainda bem, porque depois ele enviou a gravação para a Blim Records... e foi assim que tudo começou.

Foi tudo muito rápido, a partir daí? Demorou os tais três anos. Começámos por fazer uma primeira maqueta, ainda à procura de um estilo para o CD, depois a partir da gravação de um tema as pessoas perceberam que a minha voz estava a ganhar outros contornos e decidiram partir para a música soul.

Este disco de apresentação tem outra particularidade, penso eu que pouco vulgar no seu registo: a maior parte dos temas são originais. Quem são e como se cruzou com os seus compositores? Foi através desse mesmo colega, o Rui Ribeiro. O Ricardo Ferreira e o João Matos já estavam na produtora e, como os três são também músicos e compositores, foi uma coisa que surgiu naturalmente. Acho que tudo isto só foi possível por eu ter tido a sorte de trabalhar com muito boas pessoas e excelentes profissionais.

Ter crescido a ouvir tanta música também ajudou? Acho que sim. Sempre ouvi de tudo: fado, pop, rock... Nunca me tornei seletiva. Mas, dentro do estilo que canto, fui somando boas referências, que incluem Joss Stone, James Brown, Aretha Franklin, Otis Redding... São tantos, tantos nomes que podia ficar horas a listá-los.

E agora chegou a hora dos palcos a sério. No dia 31 de março dá o primeiro grande concerto, no São Jorge, em Lisboa. Está nervosa? Claro, é uma grande responsabilidade. Mas estou cá para trabalhar e para dar o meu melhor. É outra etapa. Durante algum tempo, eu cantei num bar, o que funcionou muito bem, para começar a ganhar cumplicidade com os músicos e, sobretudo, para ganhar mais à-vontade com o público. Nesse aspeto, os vários espetáculos que fui fazendo pelas Fnac também foram muito importantes.

A Aurea canta descalça. Diz que se sente mais confortável assim, mas essa pode ser também uma imagem de marca... Sim, acho que as pessoas me podem associar a esse facto. Mas a preocupação não é essa. Até porque isso não é uma coisa assim tão original, muita gente já o fez ou ainda o faz. Estar descalça deixa-me mais confortável, é mesmo só isso.

Mas a imagem também é um lado importante nesta indústria. Como é que lida com a sua? As pessoas que trabalham comigo sempre me deixaram muito à vontade para escolher a minha imagem. Eu gosto de me adaptar, conforme o estilo de música, e é óbvio que há um certo cuidado na forma como me apresento. Mas faço as minhas escolhas de acordo com o meu gosto pessoal, sejam as roupas, o penteado ou a maquilhagem.

Não há, por assim dizer, um "boneco"? Não. Sou eu. Tanto em cima do palco, naquilo que dou e na forma como canto, como no visual. O eyeliner carregado - como se vê [aponta para os olhos maquilhados] -, sou assim mesmo.

Tem recebido uma avalanche de críticas positivas. Está surpreendida ou estava preparada para tanto sucesso?Como nunca pensei que a minha vida desse esta volta, não criei expectativas à partida. Fui deixando acontecer...

E aconteceu o disco de ouro, por mais de 10 mil exemplares vendidos do CD "Aurea"... Pois é. Fico muito contente. Mas por ser um grande presente também para todas as pessoas que estão a trabalhar comigo. É uma recompensa para todos.

Imagino que também já a reconhecem na rua... É um lado divertido? Ajuda-a a fazer uma ideia sobre quem a ouve?As pessoas são muito agradáveis e, por acaso, tanto me abordam jovens como menos jovens e até pais a dizer que adormecem os seus bebés com as minhas músicas. Tem sido bom.

Independentemente dos elogios, como se vê e ouve como cantora? Essa é tão complicada de responder... Independentemente de ser o meu disco, adoro os temas que canto e admiro muito o trabalho que fizeram os compositores. Como cantora? Acho que ainda tenho muito para evoluir e espero fazê-lo a cantar e através dos concertos ao vivo.

Que são a sua grande prioridade no futuro mais próximo... Sim, sim. E espero que venham muitos.

Tudo o resto se verá a seu tempo? Até a hipóteses de uma carreira internacional? É isso. Não gosto de pensar nessa ideia de carreira internacional ou o que quer que seja. Acima de tudo, quero dar a conhecer o meu trabalho em Portugal, estou concentrada em construir aqui a minha carreira.

O seu caminho continuará a ser a soul? O meu caminho é com certeza a soul. Assim que ouvi pela primeira vez o instrumental do tema 'Busy' que percebi isso...

 

 

Via Expresso

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