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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

40 anos depois, Encontro da Canção volta ao Coliseu de Lisboa -

Será reeditado o espetáculo que a 29 de março de 1974 transformou "Grândola, Vila Morena" numa das senhas do 25 de Abril, avança a edição de hoje do jornal "Expresso".

 

A Associação José Afonso e a Casa da Imprensa preparam-se para reeditar o I Encontro da Canção Portuguesa que a 29 de março de 1974 juntou nomes como José Ary dos Santos, Fernando Tordo, Manuel Freire, Fausto, Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira. O espetáculo terá lugar a 28 de março deste ano, no Coliseu de Lisboa. 

A notícia é dada pela edição de hoje do "Expresso", que assegura que a edição comemorativa dos 40 anos do evento será pautada por várias ausências. "Alguns como José Barata Moura e Carlos Alberto Moniz nem chegaram a ser convidados. Outros, como Fausto, Fernando Tordo ou Vitorino estavam indisponíveis", refere o semanário. Também José Mário Branco e Luís Cília, que não estiveram presentes no Encontro de 1974 por se encontrarem fora do país, não deverão atuar este ano. A Associação José Afonso assegura, contudo, que todos os participantes de 1974 serão convidados a comparecer. 

No novo espetáculo, misturam-se gerações. Nomes como Filipa Pais, Amélia Muge, João Afonso e Ester Merino vão juntar-se aos "veteranos" Manuel Freire, Janita Salomé e Sérgio Godinho, entre outros. 

Em 1974, mais de cinco mil pessoas assistiram ao I Encontro da Canção Portuguesa, sob forte vigilância da polícia. "Grândola, Vila Morena", canção de José Afonso (incluída em Cantigas do Maio , de 1971, e interpretada pela primeira vez ao vivo em Santiago de Compostela, na Galiza) foi então entoada espontaneamente pela audiência e, posteriormente, escolhida por militares como uma das senhas de arranque da Revolução dos Cravos. 

Leia aqui a reportagem do diário "A Capital", na edição de 30 de março de 1974: 

"Cinco mil pessoas, de pé, deram os braços e em toda a sala do Coliseu se cantou, em coro com José Afonso, 'Grândola, Terra [sic] Morena'. (...) A multidão que já ouvira, na primeira parte do espectáculo, o quarteto de Marcos Resendo, o conjunto espanhol Vino Tinto, o duo Carlos Alberto Moniz-Maria do Amparo (...) Manuel José Soares, Carlos Paredes e o poeta José Carlos Ary dos Santos teve uma segunda parte em cheio. (...) Na segunda parte, subiram para o palco ao mesmo tempo, e depois da apresentação feita por Joaquim Furtado, Manuel Freire, José Barata Moura, José Jorge Letria, o quarteto Introito, Fernando Tordo, Adriando Correia de Oliveira e José Afonso. Cada um, por sua vez, chegou ao microfone e interpretou as suas canções. 

O público começou então a participar no espectáculo. De tal modo que, quando José Jorge Letria se preparava para cantar a sua segunda canção, foi ele que teve de acompanhar o espectacular coral de cinco mil pessoas que lhe impuseram a canção. As palavras que Letria disse antes de começar a cantar, quando referiu a necessidade de todos cantarem juntos, foram proféticas. De tal modo que, quando José Afonso se aproximou dos microfones e disse que só ia cantar uma canção, 'Grândola, Terra [sic] Morena', os seus companheiros de espectáculo aprocimaram-se, deram os braços e, de imediato, a sala toda se levantou, imitou-os e entoou com eles o canto alentejano, acompanhado a voz com o ritmado do corpo balançado. Filas e filas da plateia, das bancadas, dos camarotes, das galerias, eram massas de gente, de braços dados como que a participar de um fantástico cerimonial. Depois, José Afonso ainda cantou 'Milho Verde' e voltou a repetir-se 'Grândola', repetindo-se o mesmo espectáculo impressionante, com a sala às escuras com as luzes de gala do Coliseu acesas." 

Foto: Arquivo A Capital/IP

Retirado do Blitz

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