Quarta-feira, 11 de Abril de 2012

Festival Terras sem Sombra apresenta, a 14 de Abril, na Igreja Matriz de Almodovar, a primeira estreia moderna do Te Deum, de Marcos Portugal.

 

Para  José António Falcão, director do Departamento do Património da Diocese de Beja, responsável pelo Festival Terras Sem Sombra “Marcos Portugal é o mais famoso compositor português; as suas óperas rivalizavam nos palcos internacionais, em inícios do século XIX, com as de Rossini e Mozart, divulgando o nome do nosso país”.

 

Marcos Portugal, ou Marco Portogallo, como se tornou conhecido internacionalmente, nasceu em Lisboa em 1762 e faleceu no Rio de Janeiro em 1830. 


No ano em que se comemoram os 250 anos do seu nascimento, o “Terras sem Sombra”  presta-lhe homenagem  com a estreia moderna do seu “Te Deum”.

 

Esta peça musical será  interpretada pela Orquestra Filarmonia das Beiras e o  Coro da Universidade de Aveiro sob a direcção de António Vassalo Lourenço, o Coro da Universidade de Aveiro e a Orquestra Filarmonia das Beiras.

Trata-se de um Te Deum composto por Portugal em 1802 – o “Te Deum laudamus a quatro voci com piena orchestra” que resultou de uma encomenda da Casa Real para o baptismo do infante D. Miguel no palácio de Queluz. 

Embora originalmente fosse um hino litúrgico cantado em dias festivos do calendário religioso, o Te Deum passou também a ser usado nas cerimónias litúrgicas de acção de graças. 

 

Em Portugal, este género de música sacra ganhou especial importância no tempo de D. João V, que mandou celebrar um Te Deum todos os anos, a partir de 1718, no dia 31 de Dezembro, como agradecimento pelas graças divinas concedidas ao reino. 


Diríamos ser um sinal da aliança entre o Trono e o Altar.

 

Marcos Portugal, Domenico Cimarosa (1749-1801), figura destacada da escola napolitana, apresenta, na sua brilhante e vasta produção, muitos pontos de contacto com o nosso autor. 


Peças de um e de outro foram frequentemente intercaladas nos teatros da época e o compositor português acabou por impor-se, na sequência de Cimarosa, como uma referência-chave na vida musical europeia dos inícios do século XIX. 


É esta complementaridade que se valoriza no concerto, através de uma famosa composição de Cimarosa, o Requiem em Sol menor.

O tributo ao compositor português, que brilhou com luz própria nos palcos europeus, torna-se inevitável quando um dos propósitos do Terras Sem Sombra se prende com a valorização do património musicológico português. 

O concerto de Almodôvar é, segundo Paolo Pinamonti, director artístico do Festival, “extremamente simbólico, uma vez que a exaltação de um dos mais famosos compositores portugueses de todos os tempos se alia à interpretação de actuais e promissores agrupamentos e intérpretes nacionais, numa perfeita união do passado ao presente”. 


Seguindo os seus propósitos de complementar a música com a natureza o Terras Sem Sombra também quer apreciar esta zona do Alentejo, possuidora de um conjunto formidável de recursos biodiversos, que convém valorizar e preservar.
Tarefa, nunca é demais lembrá-lo, que assume a maior relevância no Alentejo, um dos territórios com mais altos índices de preservação da Europa, mas onde a desertificação do interior rural e a concentração no litoral levantam grandes desafios.

Ao abrigo de um protocolo com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e outras instituições presentes no terreno, o Terras sem Sombra promove acções-piloto para a salvaguarda da biodiversidade. 


Estas iniciativas permitem que voluntários de origens ou perfis muito diversos colaborem, ombro com ombro, em actividades úteis à conservação da natureza. 


Actividades simples, mas que encerram toda uma mensagem dirigida aos decisores e à opinião pública.

 

Em Almodôvar, músicos e espectadores juntam-se à comunidade local para, com o Parque Natural do Vale do Guadiana e o Centro de Excelência para a Valorização dos Recursos Silvestres Mediterrânicos, realizarem uma acção na bacia do Guadiana, no dia 15, pelas 10:30. 

Centrada na ribeira do Vascão, a iniciativa tem por alvo a sua diversidade biológica, com destaque para a ictiofauna, através da monitorização de espécies de peixes em risco (como o saramugo, hoje mais raro ameaçado do que o lince ou o panda) e a recolha de espécies exóticas, visando o estudo de parâmetros biofísicos. 

Outro pólo de atenção são as plantas aromáticas e medicinais, um extraordinário potencial da vegetação autóctone, sustentáculo de diversificação empresarial e de emprego.

 

 

Retirado de HardMúsica



publicado por olhar para o mundo às 21:01 | link do post | comentar

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