Letra
Deixa a lebre correr,
Não vás lá indagar.
Vais deitar tudo a perder
Por uma lebre a correr.
Não vais poder tornar
Para junto do criador,
As deserção vai propagar
E quebrar-lhes o torpor.
A realidade que nos chega aqui
São sombras da caverna de Platão,
A minuciosidade de quem nos planta aqui
E quer que nunca cheguemos à razão.
És um peão perdido
Desta mesa de xadrez,
Maior risco consentido
Com superior nitidez.
Não vais poder voltar
Ao conforto de então,
Bem-vindo ao salutar
Penoso trilho da razão.
Eu não vou deixar de me permitir
A não jogar por regras de outrem.
E sendo verdade, se deus não existe,
Não há que temer mais ninguém.
A melhor escola da vida é a prisão, afinar as cordas da mente com o coração.
Manda quem vier ao resgate à puta que os pariu
O teu sonho é o teu próprio anzol,
E quando tudo acabar mais ninguém viu
O que tu viste a caminho do sol.
Eu não vou deixar de me permitir
A não jogar por regras de outrem.
E sendo verdade, se deus não existe,
Não há que temer mais ninguém.
Deixa que as palavras formem frases sem sentido.
Deixa que essas frases formem homens com sentido.