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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

Novo álbum de Sérgio Godinho sai em Setembro
O músico Sérgio Godinho vai editar a 12 de Setembro um novo álbum, 'Mútuo Consentimento', revelou a editora Universal, e o lançamento coincide com os 40 anos de escrita de canções do autor.

Sérgio Godinho tem pela frente uma data redonda, os 40 anos desde a edição de 'Sobreviventes', mas o músico nunca foi muito dado a efemérides e por isso prepara-se para lançar um álbum de originais que inclui vários convidados.

 

«Nada melhor do que onze novas canções para celebrar 40 anos», disse o músico hoje em Sines, onde esteve a participar numa sessão de leitura do livro de poesia 'Sangue por um fio', no âmbito das actividades paralelas do festival Músicas do Mundo de Sines.

 

'Mútuo Consentimento' foi gravado entre Março e Abril e contou com a participação de Bernardo Sassetti, Noiserv, Francisca Cortesão (Minta), o percussionista António Serginho, Roda de Choro de Lisboa e Hélder Gonçalves, dos Clã.

 

Juntam-se aos Assessores, o grupo de músicos que tem acompanhado Sérgio Godinho nos últimos anos, em estúdio e ao vivo.

 

A produção e a direção musical voltou a ser de Nuno Rafael, mas a participação de artistas tão diferentes - da música melancólica de Noiserv ao chorinho dançante da Roda de Choro de Lisboa - faz antever uma nova sonoridade nas canções de Sérgio Godinho.

 

Algumas das canções do novo disco foram antecipadas ao vivo em novembro passado, quando Sérgio Godinho as apresentou, ainda em rascunho, ao vivo em Lisboa e no Porto.

 

Na altura, já se adivinhava que Bernardo Sassetti entraria na equação do novo álbum, porque o pianista fez uma versão de «O primeiro dia' e tocou uma tema inédito, 'Em dias consecutivos'.

 

Nesses concertos, Sérgio Godinho tocou ainda os inéditos 'Vida Sobresselente', 'Intermitentemente', além de 'Bomba-Relógio', que Cristina Branco já tinha gravado, e 'Faz Parte', estreada nos espetáculo 'Três Cantos', mas não se sabe se todos eles entrarão no novo álbum, porque a editora não revelou o alinhamento.

 

Na altura dos concertos de novembro, o músico disse que «valia a pena partilhar com as pessoas, em primeiríssima mão, algumas dessas canções. Cantando-as e tocando-as, e conversando sobre a sua génese, a sua feitura, dos primeiros acordes ao final de rascunho».

 

'Mútuo Consentimento' sairá cinco anos depois de 'Ligação Directa' (2006). Em 2008 saiu o disco ao vivo 'Nove e Meia no Maria Matos'.

Sérgio Godinho cumpre 40 anos de canções desde que gravou, em 1971, o álbum de estreia, 'Os sobreviventes'.

 

Além do álbum, Sérgio Godinho está a preparar, em parceria com João Paulo Cotrim, um livro que reúne 40 letras de canções interpretadas visualmente por outros tantos ilustradores, «a nata» da ilustração.

 

Retirado do Sol

O rock chegou a Portugal através do realizador Leitão de Barros, que organizava umas festas à noite no Jardim da Estrela 

Antes do "Chico Fininho", a história do rock português já ia longa. Primeiro no MySpace e depois em secretas edições em vinil, a Groovie Records anda a desenterrar a história ignorada, mas épica, do tempo em que o rock ainda era "pouco edificante"

Quem tem memória visual de Lisboa nos anos de viragem 80-90 só pode lembrar-se dessa figura exótica e camaleónica de Luís Futre (primo do ex-jogador, e também ele vindo do Montijo), que encarnava com exuberância de acessórios e indumentária numa expressão petrificada, o imaginário marginal do rock. Luís Futre nunca tocou numa banda, mas apadrinhou a existência de várias e a sua colecção de discos anda por aí espalhada aos quatro ventos, a divulgar o rock e a inspirar a criação de novas bandas. Aos 44 anos, agora com o cabelo curto, uns óculos de massa e roupa mais discreta, a fazer lembrar os mods dos anos 60, Futre trabalha com Edgar Raposo na Groovie Records - que no mês passado esteve no Atelier Real, em Lisboa, promovendo uma série de encontros e sessões de trabalho com figuras centrais e marginais do rock português desde os anos 50.

Rock português, anos 50. Isso existe? Para a geração do Futre e do Edgar, que cresceu a ouvir dizer que o pai do rock português era o Rui Veloso, parece uma incongruência, mas a história do rock é um conto de fadas ruidoso e a realidade confunde-se com as lendas. A Groovie Records tem vindo a desenterrá-las do esquecimento. Primeiro no MySpace, depois em secretas edições em vinil, a editora anda a revelar o rock que se praticou em Portugal na transição para os anos 60 (Portuguese Nuggets), e também o que era tocado em Angola, Moçambique, África do Sul, Madagáscar (Cazumbi)! Em 2008, quando morreu Joaquim Costa, esse renegado do rock'n'roll, publicaram-lhe o primeiro disco.

Luís Futre conheceu Joaquim Costa (1936-2008) em 1985, na Feira da Ladra. "Estava com uma camisola dos Cramps, um cota veio ter comigo e perguntou: ‘Não me consegues arranjar a compilação ‘Rockabilly Psychosis', que tem o Phantom?' Fiquei fascinado pela pessoa, em virtude de acompanhar o rock'n'roll e a cena underground desde a década de 50." Joaquim Costa contou-lhe a história do rock português, a esquecida, a ignorada e a desconhecida. Ficou a saber que o rock chegou a Portugal através do cinema, e que foi o realizador Leitão de Barros a divulgá-lo, através das noites de Verão que organizava no Jardim da Estrela. Com o dinheiro que ganhou a actuar nessas festas, Joaquim Costa financiou sessões no estúdio da Rádio Graça, fez três acetatos e criou as capas dos discos que haveriam de ficar inéditas até ao ano da sua morte. Futre ficou assim a conhecer aquele que foi um pioneiro da ética de trabalho "do-it-yourself" , que ele mesmo haveria de fomentar em meados dos anos 90 com a editora Beekeeper, quando, associado a Elsa Pires, lançou o álbum "Teenagers from Outerspace".

Edgar Raposo, fundador da Groovie Records, era vizinho de Joaquim Costa. Actualmente trabalha com Pedro Carvalho Costa num documentário sobre ele: "O Joaquim foi um punk na atitude ‘do-it-yourself', na rebeldia, no anti-sistema. Dizia que o rock era para ser cantado em inglês, que cantar rock em português era uma palhaçada. Tinha uma opinião muito própria e um conhecimento muito vasto sobre a história do rock'n'roll." 

 

Via Público

 

Letra

 

Quero ver o pôr-do-sol provar o sal do mar em Agosto numa praia repleta
Vamos ver os tubarões dançar ao som do mar em Setembro numa ilha deserta
Quero fugir, quero sair destas 4 paredes que me cercam a alma
Vamos a voar depressa inalar ar puro para tentar manter a calma
Quero vislumbrar-te ao longe, fingir-me de monge, fazer subir teu ego em flecha
Sentir a adrenalina chegar, a pulsação a aumentar dar-nos a volta à cabeça

Escolher-te ao acaso
Vai ser um prazer
Nadar a teu lado
Até mais não querer

Quero fazer rock n´roll, matar a minha fome de palco num concerto profano,
Vamos ver os furacões tentar deitar abaixo as palmeiras num cenário insano
Quero fugir, quero sair destas 4 paredes que me cercam a alma
Vamos a voar depressa inalar ar puro para tentar manter a calma

Escolher-te ao acaso
Vai ser um prazer
Nadar a teu lado
até mais não querer

Sem falsas promessas de amor

Escolher-te ao acaso
Vai ser um prazer
Nadar lado a lado
até mais não querer

Ingénuas promessas de amor

Mas se ele não existe em estado puro
Sâo ecos de uma lenda falsa
Começa a criar teu próprio muro
Não entres na farsa, não entres na farsa
Porque quando é a doer
É matar ou morrer, matar ou morrer, matar ou morrer, matar ou morrer, matar ou morrer

Letra
Anda comigo ver os aviões levantar voo
A rasgar as nuvens
Rasgar o céu

Anda comigo ao porto de leixões ver os navios
a levantar ferro
 rasgar o mar

Um dia eu ganho a lotaria
Ou faço uma magia
(mas que eu morra aqui)
Mulher tu sabes o quanto eu te amo,
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti

Anda comigo ver os automóveis à avenida
A rasgar as curvas
 queimar pneus

Um dia vamos ver os foguetões levantar voo
A rasgar as núvens
 rasgar o céu...

Um dia eu ganho o totobola
Ou pego na pistola
Mas que eu morra que aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à lua
Nem que eu roube a lua,
Só para ti

Um dia eu ganho o totobola
Ou pego na pistola
Mas que eu morra que aqui
Mulher tu sabes o quanto eu te amo
O quanto eu gosto de ti
E que eu morra aqui
Se um dia eu não te levo à América
Nem que eu leve a América até ti

João Mascarenhas

A dupla de pontas-de-lança da electrónica esquisita portuguesa, Kubik e Stealing Orchestra, voltam ao activo com os respectivos terceiros discos: menos frenéticos, mais polidos e mais certeiros. E o caríssimo leitor, vai continuar a não lhes ligar nenhuma?

Ali no final do século XX, início do século XXI, mesmo a seguir à música electrónica ter tido um dos seus picos de exposição, dois rapazes portugueses puseram cá para fora coisas tão estranhas que assim à primeira vista quase pareciam estrangeiros.

Primeiro, em 1998, surgiu Kubik, que se estreou com "Oblique Music", uma distopia de colagens que inventava um mundo apocalíptico pós-Amon Tobim. Kubik surgia como uma espécie de costureira do demo, resgatando blocos de música ultra-obscura e colando-as numa estratégia de choque e pavor. Uns anos depois Mike Patton, sujeito com um cérebro anormal, admirou a beleza comovente dos bichos que Kubik criava.

O país, ingrato, borrifou-se para Kubik e borrifar-se-ia igualmente para a Stealing Orchestra, que se estrearia em 2000 com "Stereogamy", seguido do EP "É Português? Não Gosto!", de 2001. Vampiros vorazes, os moços da Stealing Orchestra pegavam na música de cartoons, no easy-listening, espancavam estes e outros géneros e devolviam-nos com amor e carinho, devidamente esquartejados.

(Um pequeno aparte: isto estava a acontecer em Portugal. Deviam ter tido laudas, poemas épicos, groupies a rasgar a roupa, estátuas pagas por autarcas corruptos. Mas não. Apenas meia-dúzia de tolinhos atentos - possivelmente gente que não toma banho -, manifestamente pouco para tanta criatividade.)

Kubik era o "alias" de Victor Afonso, professor de música da Guarda nascido em 1969, escassos anos mais velho que João Mascarenhas, o cérebro retorcido que conduz a Stealing Orchestra aos becos mais labirínticos da mente humana. Afonso e Mascarenhas não pertencem apenas à mesma geração, são antes uma espécie de gémeos siameses criados em lares adoptivos diferentes.

As diferenças entre eles 

 

Via Público

Letra
Acordei de manha
Ainda meio baralhado
Teres sido tu a estrela
Daquele filme alugado

Deixámos o Bruce Lee
Entregue às artes marciais
Quando olhaste para mim
Sem efeitos especiais

A Marte
Vou a Marte
Se é o que tu queres eu vou a Marte
A Marte
Vou a Marte
Se é o que tu queres eu vou a Marte

Fui ter contigo ao café
Não me cansei de olhar para ti
Disseste mata-me a sede
Tira-me daqui

A loucura subiu
E eu não sou de pedra
Para uma Vénus como tu
Não à água nesta terra

A Marte
Vou a Marte
Se é o que tu queres eu vou a Marte
A Marte
Vou a Marte
Se é o que tu queres eu vou a Marte

Estou em Terra
Senão me engano
Fizeste de mim
Um verdadeiro marciano

A Marte
Vou a Marte
Se é o que tu queres eu vou a Marte
A Marte
Vou a Marte
Se é o que tu queres eu vou a Marte


Letra
Dás-me mil razões
Para não gostar de ti
Dizes-te desinteressante
E que eu não estou em mim

Mas quando eu te vejo
Consigo ver alguém
Que se calhar nunca viste
Mas que eu conheço bem

Deixa-te descobrir por mim
Deixa-me contar-te o que eu vi
Levo-te pela mão e no fim
Vais ver que tens fogo em ti

Sentas-te ao meu lado
À espera que me cale contigo
Nem deixas que a conversa
Chegue perto do teu umbigo

Mas quando eu te oiço
Consigo ouvir alguém
Que se calhar nunca ouviste
Mas que eu percebo bem

Deixa-te descobrir por mim
Deixa-me contar-te o que eu vi
Levo-te pela mão e no fim
Vais ver que tens fogo em ti

Deixa-te descobrir por mim
Deixa-me contar-te o que eu vi
Levo-te pela mão e no fim
Vais ver que tens fogo em ti

Tens medo de acender
O fósforo de arriscar
É tarde, já está a arder
É o que me está a queimar

Deixa-te descobrir por mim
Deixa-me contar-te o que eu vi
Levo-te pela mão e no fim
Vais ver que tens fogo em ti

Letra
Selvagem tosco
Acomodei-me ao posto de violento animal
E afeiçoei-me ao gosto da carne ao natural

Se me excedi com as presas
Nem sempre foi por mal

Virgem grotesto
O sabor do sangue fresco levanta-me o moral
Diz nos livros que é nefasto
Mas o êxtase é total

Quando entre dentes sorvo
A golfada final

E aprendo
Com o aroma de extinção de cada exemplar banal
Que a vida sem maldade é vulgar e sempre igual
Sou cem por cento fiél à degustação carnal

 

Letra

 

Dos teus braços
Cresceram os meus dedos
Na tua boca
O pecado mais cruel
Os teus ombros
Planearam meus cabelos
Na minha pele,
Restos da tua pele

 

Da tua boca se embriagou a minha boca,
E o teu silencio inventou a minha prece
Dos teus sentido a poesia anda louca
Pela tua boca minha boca se emudece...

 

Os teus olhos
Abrigaram meus receios
O teu Outono
Derramou o meu perfume
O teu desenho
Enfeitiçou meus desejos
O teu corpo
Incendiou o meu lume

 

Do teu nome Deus criou o meu nome
Nos teus cabelos debruçou o meu abraço
Pelo destino o teu amor encontrou-me
Serei sempre tua em teus braços meu regaço...

 

Do teu nome Deus criou o meu nome
Nos teus cabelos debruçou o meu abraço
Pelo destino o teu amor encontrou-me


Serei sempre tua em teus braços meu regaço
Serei sempre tua em teus braços meu regaço
Serei sempre tua em teus braços meu regaço...

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