Domingo, 10 de Abril de 2011

 



Letra

 

A história que gente vos quer contar
Aconteceu um dia em lisboa
Aonde o tempo corre devagar

Chegamos era cedo à ribeira
Ainda todo o peixe respirava
E a outra carne aos poucos definhava

O gemido do cordame das amarras
Juntava-se ao lamento dos porões
E o que nos chega fora são canções

A gente viu sair muita gente que dançava
Um estranho bailado em tom dolente
Marcado pelo bater das corrente

Anda linda
Vamos p´ra ver se é verdade
Que lá se pode ouvir cantar
Anda linda
Vamos ao poço dos negros
P´ra ver quem pode lá morar

Mais tarde fomos ter àquela parte da cidade
Que é mais profunda do que maré baixa
E a lua só visita por vaidade

De novo a estranha moda se dançava
Agora com suspiros de saudade
Agora com bater de corações

Anda linda
Vamos p´ra ver se é verdade
Que lá se pode ouvir cantar
Anda linda
Vamos ao poço dos negros
P´ra ver quem pode lá morar

Batiam-se com barriga e roçavam-se nas coxas
Os corpos já dourados de suor
E as bocas já vermelhas dos amores

Quisemos nós saber qual é o nome desta moda
Respondeu-nos um velho já mirrado
Lundum mas se quiserem chamem-lhe fado

Anda linda
Vamos p´ra ver se é verdade
Que lá se pode ouvir cantar
Anda linda
Vamos ao poço dos negros
P´ra ver quem pode lá morar

 



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Sábado, 9 de Abril de 2011

 

 

Letra

 

Parava no café quando eu lá estava
Na voz tinha o talento dos pedintes
Entre um cigarro e outro lá cravava a bica
Ao melhor dos seus ouvintes

As mãos e o olhar da mesma cor
Cinzenta como a roupa que trazia
Num gesto que podia ser de amor sorria
E ao partir agradecia

[Refrão]
São os loucos de Lisboa
Que nos fazem duvidar
Que a Terra gira ao contrário
E os rios nascem no mar

Um dia numa sala do quarteto
Passou um filme lá do hospital
Onde o esquecido filmado no gueto entrava
Como artista principal

Compramos a entrada p'ra sessão
Pra ver tal personagem no écrã
O rosto maltratado era a razão de ele
Não aparecer pela manhã

[refrão]

Mudamos muita vez de calendário
Como o café mudou de freguesia
Deixamos de tributo a quem lá 
Pára um louco 
A fazer-lhe companhia

E sempre a mesma voz o mesmo olhar
De quem não mede os dias que vagueiam
Sentado la continua a cravar beijinhos
Às meninas que passeiam.

[refrão]

 



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Letra

 

Parava no café quando eu lá estava
Na voz tinha o talento dos pedintes
Entre um cigarro e outro lá cravava a bica
Ao melhor dos seus ouvintes

As mãos e o olhar da mesma cor
Cinzenta como a roupa que trazia
Num gesto que podia ser de amor sorria
E ao partir agradecia

[Refrão]
São os loucos de Lisboa
Que nos fazem duvidar
Que a Terra gira ao contrário
E os rios nascem no mar

Um dia numa sala do quarteto
Passou um filme lá do hospital
Onde o esquecido filmado no gueto entrava
Como artista principal

Compramos a entrada p'ra sessão
Pra ver tal personagem no écrã
O rosto maltratado era a razão de ele
Não aparecer pela manhã

[refrão]

Mudamos muita vez de calendário
Como o café mudou de freguesia
Deixamos de tributo a quem lá 
Pára um louco 
A fazer-lhe companhia

É sempre a mesma voz o mesmo olhar
De quem não mede os dias que vagueiam
Sentado la continua a cravar beijinhos
Às meninas que passeiam.

[refrão]

 



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Sexta-feira, 8 de Abril de 2011

 

 

Letra

 

Pelo céu ás cavalitas,
escondi nos teus caracóis,
a estrela mais bonita, que eu ja vi

eu cresci com um encanto,
de ser caçador de sois,
eu ja corri tanto, tanto para ti

fui um príncipe encantado
montado nos teus joelhos,
um eterno enamorado, a valer

lancelot de algibeira,
mas segui os teus conselhos
para voltar à tua beira
e ser o que eu quiser

Refrão (x3)
os teus olhos foram esperança
os meus olhos girassóis
fomos onde a vista alcança da nossa janela

já deixei de ser criança e tu dormes à lareira
ainda sinto a minha estrela nos teus caracóis



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Letra

Conta-me histórias,de tempos
A que eu gostaria de voltar,
Tenho saudades, de momentos,
Que nunca mais vou encontrar,
A vida talvez sejam só três dias
Eu quero andar sempre devagar, até a ti chegar

Ninguém é de ninguém mesmo quando se ama alguém
Ninguém é de ninguém quando a vida nos contém
Ninguém é de ninguém quando dormes a meu lado
Ninguém é de ninguém quando fico acordado, vendo-te dormir.

Um raio de sol, através de um vidro
Faz-me por vezes hesitar
A vontade de estar contigo 
Melodia, paira no ar, paira no ar

Ninguém é de ninguém mesmo quando se ama alguém
Ninguém é de ninguém quando a vida nos contém
Ninguém é de ninguém quando dormes a meu lado
Ninguém é de ninguém quando fico acordado, vendo-te dormir. (vendo-te dormir)



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JOÃO PEDRO PAIS  Em Digressão

JOÃO PEDRO PAIS

Em Digressão


João Pedro Pais irá presentear o público com os seus temas de sucesso, em versões renovadas de formato acústico. Grandes canções como “Ninguém (é de Ninguém)”, “Lembra-te de Mim”, “Mentira”, “Nada de Nada” ou ainda outras faixas do último e quinto disco de originais – “A Palma e a Mão” (2008) – serão apresentadas neste espectáculo com diferentes roupagens. Desde a sua estreia em 1997, João Pedro Pais construiu um percurso ímpar na música portuguesa e tornou-se um dos artistas mais carismáticos do país. Recentemente, conquistou o Disco de Ouro com o registo ao vivo “O Coliseu”, gravado na importante sala lisboeta, e rapidamente atingiu o 1º lugar do top de vendas. Ando sempre à procura do perfeccionismo, afirma o músico.

 

Natural de Lisboa, João Pedro Pais, compositor e intérprete, construiu um percurso ímpar na música portuguesa e tornou-se um dos artistas por / rock mais carismáticos do país, desde 1997, data do seu disco de estreia, um álbum de originais.

 

Ficou conhecido do grande público após a participação no programa Chuva de Estrelas, terminando em primeiro lugar. Na sua carreira, destaca-se o tema Mentira (1999), com que ganhou o Globo de Ouro para Melhor Canção e, em 2003, ter sido o músico convidado para 1ª parte da Tournée Ibérica de Bryan Adams.

 

Recentemente, conquistou o Disco de Ouro com o registo ao vivo O Coliseu, gravado na importante sala lisboeta, e que rapidamente atingiu o 1º lugar do top de vendas.

 

Teatro Municipal de Almada

16 de Abril

21h30

M/12




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Letra

 

Tenho livros e papeis espalhados pelo chão.
A poeira duma vida deve ter algum sentido:
Uma pista, um sinal de qualquer recordação,
Uma frase onde te encontre e me deixe comovido.

Guardo na palma da mão o calor dos objectos
Com as datas e locais, por que brincas, por que ris
E depois o arrepio, a memória dos afectos

Mmmmmm Que me deixa mais feliz.

Deixa-te ficar na minha casa.
Há janelas que tu não abriste.
O luar espera por ti
Quando for a maré vasa.

E ainda tens que me dizer
Porque é que nunca partiste...


Está na mesma esse jardim com vista sobre a cidade
Onde fazia de conta que escapava do presente,
Qualquer coisa que ficou que é da nossa eternidade.

Mmmmmmm Afinal, eternamente.

Deixa-te ficar na minha casa.
Há janelas que tu não abriste.
Deixa-te ficar na minha casa.
Há janelas que tu não abriste.

O luar espera por ti
Quando for a maré vasa.
E ainda tens que me dizer
Porque é que nunca partiste...

 



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Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

 

 

Letra

 

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.
Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.
Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.
Minha laranja amarga e doce
minha espada
poema feito de dois gomos
tudo ou nada
por ti renego
por ti aceito
este corcel que não sossega
a desfilada no meu peito
Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.
Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

 



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Mafalda Arnauth apresenta 'Fadas' em Itália
 
Mafalda Arnauth inicia na segunda-feira uma digressão por Itália que coincide com o lançamento naquele país do álbum 'Fadas', em que recria fados de artistas como Celeste Rodrigues, Fernanda Maria e Hermínia Silva.
 

Na segunda-feira, a fadista, acompanhada por Eurico Machado na guitarra portuguesa, Nelson Aleixo na viola e Daniel Pinto no baixo acústico, actua pelas 18h locais na Feltrinelli, em Roma.

 

Fadas, que em Itália é editado pela etiqueta Egea, inclui dois temas inéditos, um deles de autoria de Mafalda Arnauth, Só Corre Quem Ama, que canta no Fado Menor.

 

«Eu já tinha gravado um [Fado] Menor mas achei que deveria voltar a ele e gravei-o de uma forma muito despojada, sozinha em estúdio com o Ramon Maschio [viola], com quem trabalho já há muito tempo e me conhece muito bem», afirmou a fadista.

O outro tema inédito é E Se Não For Fado, de autoria de Tiago Torres da Silva e Francis Hime.

 

De Roma a fadista parte para Modena onde canta quarta-feira às 21h no Teatro Comunale Pavarotti, seguindo para Lucera onde actua quinta-feira à mesma hora no Teatro Garibaldi.

 

A artista portuguesa foi considerada pela revista italiana Musica & Contorni como umas das três mais populares em Itália, no passado mês de Março.

 

Esta digressão por terras transalpinas termina na sexta-feira em Ostuni onde canta às 21h no Teatro Roma.

 

«É para mim uma oportunidade importante de dar a conhecer o meu trabalho e o nosso fado, a um público ao qual esta música não é estranha», disse Mafalda Arnauth.

 

A fadista regressa aos palcos nacionais no dia 23 de Abril quando actuará no Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz às 22h.

Mafalda Arnauth, 35 anos, começou a cantar «por acaso» na universidade, em 1999, tendo editado o primeiro álbum nesse ano, que lhe valeu o Prémio Revelação do semanário Blitz.

 

Diário foi o terceiro álbum de originais da fadista, que editou, também em 2005, uma coletânea Best of intitulada Talvez se Chame Saudade, a que se seguiu Flor de Fado e em Outubro passado o álbum Fadas.

 

Via Sol



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Letra

 

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela

Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas as ocasiões

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela.

 



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Letra

 

Fado Triste
Fado negro das vielas
Onde a noite quando passa
Leva mais tempo a passar
Ouve-se a voz
Voz inspirada de uma raça
Que mundo em fora nos levou
Pelo azul do mar
Se o fado se canta e chora
Também se pode falar

Mãos doloridas na guitarra
que desgarra dor bizarra
Mãos insofridas, mãos plangentes
Mãos frementes e impacientes
Mãos desoladas e sombrias
Desgraçadas, doentias
Quando à traição, ciume e morte
E um coração a bater forte

Uma história bem singela
Bairro antigo, uma viela
Um marinheiro gingão
E a Emília cigarreira
Que ainda tinha mais virtude
Que a própria Rosa Maria
Em dia de procissão
Da Senhora da Saúde

Os beijos que ele lhe dava
Trazia-os ele de longe
Trazia-os ele do mar
Eram bravios e salgados
E ao regressar à tardinha
O mulherio tagarela
De todo o bairro de Alfama
Cochichava em segredinho
Que os sapatos dele e dela
Dormiam muito juntinhos 
Debaixo da mesma cama

Pela janela da Emília
Entrava a lua
E a guitarra 
À esquina de uma rua gemia,
Dolente a soluçar.
E lá em casa:

Mãos amorosas na guitarra
Que desgarra dor bizarra
Mãos frementes de desejo
Impacientes como um beijo
Mãos de fado, de pecado
A guitarra a afagar
Como um corpo de mulher
Para o despir e para o beijar

Mas um dia,
Mas um dia santo Deus, ele não veio
Ela espera olhando a lua, meu Deus
Que sofrer aquele
O luar bate nas casas
O luar bate na rua
Mas não marca a sombra dele
Procurou como doida
E ao voltar da esquina
Viu ele acompanhado
Com outra ao lado, de braço dado
Gingão, feliz, levião
Um ar fadista e bizarro
Um cravo atrás da orelha
E preso à boca vermelha
O que resta de um cigarro
Lume e cinza na viela,
Ela vê, que homem aquele
O lume no peito dela
A cinza no olhar dele

E o ciume chegou como lume
Queimou, o seu peito a sangrar
Foi como vento que veio
Labareda atear, a fogueira aumentar
Foi a visão infernal
A imagem do mal que no bairro surgiu
Foi o amor que jurou
Que jurou e mentiu
Correm vertigens num grito
Direito ou maldito que há-de perder
Puxa a navalha, canalha
Não há quem te valha 
Tu tens de morrer
Há alarido na viela
Que mulher aquela
Que paixão a sua
E cai um corpo sangrando
Nas pedras da rua

Mãos carinhosas, generosas
Que não conhecem o rancor
Mãos que o fado compreendem
e entendem sua dor
Mãos que não mentem
Quando sentem
Outras mãos para acarinhar
Mãos que brigam, que castigam
Mas que sabem perdoar

E pouco a pouco o amor regressou
Como lume queimou
Essas bocas febris
Foi um amor que voltou
E a desgraça trocou
Para ser mais feliz
Foi uma luz renascida
Um sonho, uma vida
De novo a surgir
Foi um amor que voltou
Que voltou a sorrir

Há gargalhadas no ar
E o sol a vibrar
Tem gritos de cor
Há alegria na viela 
E em cada janela
Renasce uma flor
Veio o perdão e depois
Felizes os dois
Lá vão lado a lado
E digam lá se pode ou não
Falar-se o fado.

 

 



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Quarta-feira, 6 de Abril de 2011

 

 

 

Letra

 

No céu cinzento 
Sob o astro mudo 
Batendo as asas 
Pela noite calada 
Vem em bandos 
Com pés veludo 
Chupar o sangue 
Fresco da manada 

Se alguém se engana 
Com seu ar sisudo 
E lhes franqueia 
As portas á chegada 
Eles comem tudo 
Eles comem tudo 
Eles comem tudo 
E não deixam nada 

A toda a parte 
Chegam os vampiros 
Poisam nos prédios 
Poisam nas calçadas 
Trazem no ventre 
Despojos antigos 
Mas nada os prende 
Às vidas acabadas 

São os mordomos 
Do universo todo 
Senhores á força 
Mandadores sem lei 
Enchem as tulhas 

Bebem vinho novo 
Dançam a ronda 
No pinhal do rei 

Eles comem tudo 
Eles comem tudo 
Eles comem tudo 
E não deixam nada 

No chão do medo 
Tombam os vencidos 
Ouvem-se os gritos 
Na noite abafada 
Jazem nos fossos 
Vítimas dum credo 
E não se esgota 
O sangue da manada 

Se alguém se engana 
Com seu ar sisudo 
E lhe franqueia 
As portas á chegada 
Eles comem tudo 
Eles comem tudo 
Eles comem tudo 
E não deixam nada 

Eles comem tudo 
Eles comem tudo 
Eles comem tudo 
E não deixam nada

 



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Letra

 

Menina estás à janela
Com o teu cabelo à lua
Não me vou daqui embora
Sem levar uma prenda tua.

Sem levar uma prenda tua
Sem levar uma prenda dela
Com o teu cabelo à lua
Menina estás à janela.

INSTRUMENTAL

Os olhos requerem olhos
E os corações, corações
E os meus requerem os teus
Em todas as ocasiões.

Menina estás à janela
Com o teu cabelo à lua
Não me vou daqui embora
Sem levar uma prenda tua.

Sem levar uma prenda tua
Sem levar uma prenda dela
Com o teu cabelo à lua
Menina estás à janela.

INSTRUMENTAL

Menina estás à janela
Com o teu cabelo à lua
Não me vou daqui embora
Sem levar uma prenda tua.

Sem levar uma prenda tua
Sem levar uma prenda dela
Com o teu cabelo à lua
Menina estás à janela.

INSTRUMENTAL

Menina estás à janela
Com o teu cabelo à lua
Não me vou daqui embora
Sem levar uma prenda tua.

Sem levar uma prenda tua
Sem levar uma prenda dela...

 



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14.º Festival de Jazz de Valado dos Frades

14.º Festival de Jazz de Valado dos Frades

 

O Festival de Jazz de Valado dos Frades é um dos mais concorridos do país. A mais-valia é a aposta forte na divulgação dos músicos nacionais e de novos projectos. A 14.ª edição decorre entre os dias 8 e 16 de Abril.

 

A abertura é feita logo com nota alta: Bernardo Sassetti Trio, uma das mais importantes formações do jazz português. Em causa está a apresentação de "Motion", o sucessor de "Nocturno". No dia seguinte, apresenta-se o quarteto liderado por Felipe Melo (piano) e Bruno Santos (guitarra), "habitués" do festival. A tarde de domingo segue o embalo de dois combos: da Academia das Artes da Nazaré e da Escola de Jazz do Porto.

 

O segundo fim-de-semana arranca a 14 de Abril com Miguel Amado Group. Na liderança de um quinteto, o contrabaixista dá a conhecer o novo trabalho, "This Is Home", composto por temas originais. Para dia 15, está marcado o encontro com outro quinteto: o de Susana Santos Silva. O festival termina com um brilho semelhante ao do início, graças à presença de uma das mais singulares vozes do jazz português. Maria João sobe ao palco para explicar em que consiste o seu mais recente projecto, As Aventuras das Abelhas, partilhado com João Farinha (Fender Rhodes e electrónica) e André Nascimento (programações).

 

Programa

 

Dia 8 - Bernardo Sassetti Trio

Dia 9 - Quarteto Santos/Melo

Dia 10 - Combo da Academia Municipal das Artes da Nazaré e Combo da Escola de Jazz do Porto

Dia 14 - Miguel Amado Group

Dia 15 - Susana Santos Silva Quinteto

Dia 16 - Maria João + As Aventuras das Abelhas

 


262577302
Valado dos Frades, Biblioteca de Instrução e Recreio - R. Prof. Xavier Coelho
De 08-04-2011 a 16-04-2011
Quinta a domingo
€5 a €10.
http://www.jazzvalado.net

 

Via PÚBLICO



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Letra

 

1ªparte
Como no som do Jay "I Still Can Smell You In My Clothes",
A melodia do teu riso – digna de um Fender Rhodes
Mergulhei nos teus cabelos de ouro, grandes, ondulados
nadei no teu sexo até ficarmos esgotados
O suor passeava do teu corpo para o meu do meu corpo para o teu
já não sabia se era eu
quem gemia, estremecia, a carne não adormecia
e de repente, a noite ficou dia
Lá fora o barulho já acordou a cidade
e a fantasia deu enfim lugar à realidade 
Carrega stop, faz rewind, por favor, volta para trás
não quero sair daqui, nunca mais, não sou capaz 
Quero

Refrão:
Ficar contigo, agora e para sempre
Nadar no teu corpo eternamente
Teus sonhos os meus serão 
Meus sonhos os teus serão

Quero 

Ficar contigo, agore e para sempre
Nadar no teu corpo enternamente
Teus sonhos os meus serão
Meus sonhos os teus serão

2ª parte
Sinto-me de novo um teenager inconsciente, 
adolescente irreverente com vontade de ser diferente
Passava tardes no meu quarto fechado à chave 
tentava descobrir a vida – a minha cama era a nave
com o (meu) primeiro amor fazia planos a dois 
trocava juras e carinhos e não pensava e se depois não der certo?
‘tava carregado de certezas
a nossa paixão deixava as almas acesas
Não havia ciúme, nem sequer desconfiança,
apenas inocência e muita esperança
O mundo inteiro brilhava e sorria para nós
Lembro-me perfeitamente de ouvir a tua voz:
Quero

Refrão:
Ficar contigo, agora e para sempre 
Nadar no teu corpo – eternamente 
Teus sonhos os meus serão
Meus sonhos os teus serão

 



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Terça-feira, 5 de Abril de 2011

 

 

Letra

 

a caminho da essencia eu verifico a cadencia
da materia que se mostra mim livre de regencia
mato a dor de sentir demais, d amar demais, de pisar demais
em convençoes fundamentais
encho a cabeça mas n ha' carga nos contentores
digo ola' aos meus amores, benvidas novas cores
da utopia eu crio a filosofia todo o dia quando a apatia
senta no meu colo e arrelia
eu faço a liturgia da verdadeira alegria
musica nos meus ouvidos agua benta em benta pia
a caminho com prudencia eu nao esqueço a violencia
que levou alguns dos melhores da minha existencia
mata a saudade de curtir demais,de tirar demais, de pisar demais
em convençoes fundamentais
eu uso o tacto pra tazer a agua da minha fonte
hoje em dia nem sequer preciso de atravessar a ponte
tenho a palavra escrita a tinta negra na minha pele
menina dos meus olhos, oce como o mel
palavra puxa palavra poe.me disponivel pra amar
tudo aquilo que me seja sensivel
e nao sao poucos aqueles que eu quero sem querer os poder ver
foi tanto o que me deram para nunca mais esquecer
palavra de honra, guardo a a palavra no meu bolso
na parede, no conforto de uma cama de rede
PALAVRA DE HONRA

 



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Letra

 

Menina estás à janela
Com o teu cabelo à Lua
Não me vou daqui embora 
Sem levar uma prenda tua

Sem levar uma prenda tua
Sem levar uma prenda dela
Com o teu cabelo à Lua
Menina estás à janela

Estás à janela
Com o teu cabelo à Lua
Não me vou daqui embora 
Sem levar uma prenda tua

Sem levar uma prenda tua
Sem levar uma prenda dela
Com o teu cabelo à Lua
Menina estás à janela

Menina estás à janela
Com o teu cabelo à Lua
Não me vou daqui embora 
Sem levar uma prenda tua

Sem levar uma prenda tua
Sem levar uma prenda dela
Com o teu cabelo à Lua
Menina estás à janela

Uma prenda tua
Sem levar uma prenda dela
Com o teu cabelo à Lua
Menina estás à janela

Cabelo à Lua
Menina estás à janela x6

 



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Letra

 

E como tudo que é coisa que promete
A gente vê como uma chiclete
Que se prova, mastiga e deita fora, se demora
Como esta música é produto acabado
Da sociedade de consumo imediato
Como tudo o que se promete nesta vida,chiclete

Chiclete, ah!(5x)
Ah!(5x (chiclete)

E nesta altura e com muita iquietação
Faço um reparo e quero abrir uma
excepção
Um cassetete nunca será não, chiclete

Chiclete, ah!(5x)
Ah!(5x) (chiclete)

E como tudo que é coisa que promete
A gente vê como uma chiclete,
Que se prova, mastiga, dita fora, se
demora
Como esta música é produto acabado
Da sociedade de consumo imediato
Como tudo o que se promete nesta vida,
chiclete

Chiclete ah!(5x)
Ah!(5x)

Chiclete
Chiclete (prova)
Chiclete (mastiga)
Chiclete (deita fora)
Chiclete (sem demora)

 



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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
Laginha, Burmester e Sassetti voltam ao CCB
 
Mário Laginha, Pedro Burmester e Bernardo Sassetti voltam a reunir-se a 25 de Novembro no Centro Cultural de Belém (CCB), Lisboa, para um único concerto a três pianos.
 

Após lotarem dois dias consecutivos o CCB em 2006 naquele que a crítica considerou um dos melhores concertos do ano, os pianistas regressam agora a esta sala lisboeta com novo repertório.

 

Os três pianistas deverão ainda trazer a Lisboa um cheirinho a Brasil dado terem sido convidados para três concertos em outras tantas salas brasileiras no estado de São Paulo.



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Letra

 

Noites frias de marfim
Noites frias ao luar
A conversa já no fim
Matas-me com o teu olhar. 
Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.

Sabes que esta vida corre
Como a sombra pelo chão
Nada fica, tudo foge
Ouve a voz do coração.

Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.

São como cubos de gelo
Que eu sinto ao tocar
As palavras têm medo
Matas-me com o teu olhar.

Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.

Com o teu olhar.

Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar.
Matas-me com o teu olhar
Matas-me com o teu olhar. 
Com o teu olhar.

 



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Letra

 

Sopra o vento, sopra o vento,
Sopra alto o vento lá fora,
Mas também meu pensamento
Tem um vento que o devora.
Há uma íntima intenção
Que tumultua o meu ser
E faz do meu coração
O que um vento quer varrer;
Não sei se há ramos deitados
Abaixo no temporal,
Se pés do chão levantados
Num sopro onde tudo é igual
Dos ramos que ali caíram
Sei só que há mágoas e dores
Destinadas a não ser
Mais que um desfolhar de flores.
Sopra o vento, sopra o vento,
Sopra alto o vento lá fora,
Mas também meu pensamento
Tem um vento que o devora.

 



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Domingo, 3 de Abril de 2011

Joana Amendoeira canta ‘Sétimo Fado’ em Guimarães

 

A fadista Joana Amendoeira actua no próximo sábado, 9 de Abril, em Guimarães, para apresentação do seu novo disco de originais, ‘Sétimo Fado’. 


O espectáculo, com início previsto para as 22h00 no cine-teatro São Mamede, tem bilhetes à venda a 10 euros (pla-teia) e a 15 euros (balcão).

Novos poetas com novos compositores

Ao lado de Pedro Pinhal (viola) e Filipe Raposo (piano) a fadista assina a produção e concepção musical do trabalho, reunindo uma série de letristas ou poetas, sejam eles o caso de João Fezas Vital, João Monge, Vasco Graça-Moura, Rosa Lobato Faria, José Luis Peixoto, Pedro Tamen, Fernando Girão, Amélia Muge, Tiago Torres da Silva, Helder Moutinho, Pedro Assis Coimbra e Pedro Rapoula.

Para além dos fados tradicionais, onde cabem as palavras escritas por alguns nomes referidos conta-se com uma série de novos fados com assinatura de vários compositores, como Bernardo Sassetti, Pedro Pinhal, Paulo Paz, Pedro Amendoeira, Fernando Girão, Filipe Raposo, Davide Zaccaria, e a própria Joana Amendoeira que assina aqui também duas das composições escolhidas uma ao lado de Pedro Pinhal e outra onde a dupla convida o guitarrista Ricardo Parreira

 

Aqui a alma e o pensamento servem-se com toda a sua essência e cumplicidade, numa viagem onde a chegada é sempre um ponto de partida.
“A fadista propõe, como no disco, uma reflexão sobre todo o seu percurso, declarando toda uma maturidade, na contenção e peso que entrega às palavras”, refere uma nota da produção, a que o CM teve acesso.

Sete discos em nome próprio e concertos pelo mundo fora

Joana Amendoeira apresenta-se em palco, de acordo com a idade e experiência na arte que reconhece sua, pois contam-se agora sete discos em nome próprio, para além das várias participações, e uma mão cheia de grandes concertos pelo mundo fora — em algumas das mais importantes e prestigiadas salas nacionais e internacionais, a solo e ao lado de grandes vultos das várias culturas espalhadas pelo globo.

Partindo de uma formação com base na guitarra portuguesa, viola e contrabaixo, Joana Amendoeira volta a convidar outros instrumentos, neste caso o piano, o acordeão, o violoncelo e uma percussão em dois te-mas, para aquela que será uma nova etapa após os seus dez anos de carreira, acrescenta ainda a mesma nota.

 

Via Correio do Minho



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Letra

 

(Segunda-feira 
trabalhei de olhos fechados 
na terça-feira 
acordei impaciente 
na quarta-feira 
vi os meus braços revoltados 
na quinta-feira 
lutei com a minha gente 
na sexta-feira 
soube que ia continuar 
no sábado 
fui à feira do lugar 
mais uma corrida, mais uma viagem 
fim-de-semana é para ganhar coragem) 

Muito boa noite, senhoras e senhores 
muito boa noite, meninos e meninas 
muito boa noite, Manuéis e Joaquinas 
enfim, boa noite, gente de todas as cores 
e feitios e medidas 
e perdoem-me as pessoas 
que ficaram esquecidas 
boa noite, amigos, companheiros, camaradas 
a vida é feita de pequenos nadas 
a vida é feita de pequenos nadas 

Somos tantos a não ter quase nada 
porque há uns poucos que têm quase tudo 
mas nada vale protestar 
o melhor ainda é ser mudo 
isto diz de um gabinete 
quem acha que o casse-tête 
é a melhor das soluções 
para resolver situações 
delicadas 
a vida é feita de pequenos nadas 

E o que é certo 
é que os que têm quase tudo 
devem tudo aos que têm muito pouco 
mas fechem bem esses ouvidos 
que o melhor ainda é ser mouco 
isto diz paternalmente 
quem acha que é ponto assente 
que isto nunca vai mudar 
e que o melhor é começar a apanhar 
umas chapadas 
a vida é feita de pequenos nadas 

(Segunda-feira 
trabalhei de olhos fechados 
na terça-feira 
acordei impaciente 
na quarta-feira 
vi os meus braços revoltados 
na quinta-feira 
lutei com a minha gente 
na sexta-feira 
soube que ia continuar 
no sábado 
fui à feira do lugar 
mais uma corrida, mais uma viagem 
fim-de-semana é para ganhar coragem) 

Muito boa noite, senhoras e senhores 
muito boa noite, meninos e meninas 
muito boa noite, Manuéis e Joaquinas 
enfim, boa noite, gente de todas as cores 
e feitios e medidas 
e perdoem-me as pessoas 
que ficaram esquecidas 
boa noite, amigos, companheiros, camaradas 
a vida é feita de pequenos nadas 
a vida é feita de pequenos nadas 

Ouvi dizer que quase tudo vale pouco 
quem o diz não vale mesmo nada 
porque não julguem que a gente 
vai ficar aqui especada 
à espera que a solução 
seja servida em boião 
com um rótulo: Veneno! 
é para tomar desde pequeno 
às colheradas 
a vida é feita de pequenos nadas 
boa noite, amigos, companheiros, camaradas 
a vida é feita de pequenos nadas.

 



publicado por olhar para o mundo às 17:22 | link do post | comentar

 

 

 

Letra

 

Foge comigo Maria, foge comigo Maria
Para longe desta terra
Meu amor, p´ra toda a vida, meu amor p'ra toda a vida
É a paixão que nos leva

Refrão

Foge comigo Maria (2x)
Foge comigo Maria, já

Se tu fosses girassol, se tu fosses girassol
Eu seria beija-flor
Nesta cama sem lençol, nesta cama sem lençol
Se repete o nosso amor

Refrão

Deita fora esse lenço, deita fora esse lenço
Não te quero a chorar
Se o teu pai é burro-velho, se o teu pai é burro-velho
Só nos resta não voltar

Refrão


Foge já...

De quem são estas palavras
Que me escreves meu amor
Se o vento seca as lágrimas
Não me cala esta dor...

Refrão

Foge comigo Maria
Morre comigo Maria
Foge comigo Maria, já

 



publicado por olhar para o mundo às 10:19 | link do post | comentar

Sábado, 2 de Abril de 2011

 

Letra

 

Tu sabes bem, que o amor se perdeu
Não o faças refém, foi meu e teu
Foi o que foi, o que nós deixamos
Inocentes os dois, culpados ficamos

Refrão

A lágrima caiu, sem tu saberes
Por ti caiu, a última vez

A flor da saudade, que nasce selvagem
Daninha se espalha, por toda a paisagem
Por todos os locais, em todos os cheiros
Há histórias reais, de um cativeiro

Refrão

A lágrima caiu, sem tu saberes
Por ti caiu, a última vez

Um dia talvez, possamos lembrar
De novo talvez, falar sem gritar

Refrão( 2x)

 



publicado por olhar para o mundo às 17:47 | link do post | comentar

Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

Há um mundo novo a descobrir nos Aquaparque

 

Os Aquaparque de André Bel e Pedro Magina não são comparáveis a nada do que tenhamos ouvido ou que estejamos a ouvir. Apesar da estranheza que suscitam, são música imediata, na boa tradição pop, e só os cantaremos quando aprendermos a ouvi-los. "Pintura Moderna", o seu magnífico segundo álbum, acaba de ser editado

 

O palco não era bem palco porque não existia qualquer obstáculo físico a separar o público da banda. O palco, de resto, não era necessário. A maioria dos que assistiam estava sentada no chão, quieta e atenta. No palco que não era bem palco, estavam dois músicos. Um deles cuspia palavras com as mãos nas teclas, largava as teclas e aproximava-se do povo sentado. O corpo contorcia-se enquanto as palavras se libertavam num cantar visceral, irreprimível. O corpo que cantava não era intérprete de coisa nenhuma, não se movia e não cantava assim para o público que o via e ouvia. Fazia-o para si, fazia-o porque não precisa de alternativa ao "ter que fazer".

Quem cantava era Pedro Magina. Que tanto foi aquela urgência irreprimível quanto uma visão pop, tão estranha quanto reconfortante, em que se misturam e confundem a guitarra acústica de uma intensa delicadeza, uma electrónica indefinida (tecno sonâmbulo?; memórias 80s devassadas?; um ser anti-Eno preso num loop?) e teclados de sintética majestosidade. Ali, no sótão do Kolovrat 79, atelier da estilista Lidija Kolovrat, em Lisboa, os !Calhau!, que acabavam de lançar o seu primeiro LP, "Quadrologia Pentacónica", já tinham actuado. Depois deles, os Aquaparque de Pedro Magina e André Abel apresentavam o seu novo álbum, o segundo. Chama-se "Pintura Moderna" e o título assenta-lhe bem. Ouvimo-lo e sentimos esse desmoronar de certezas que o moderno implica. Ouvimo-lo, nessa indefinição/cruzamento de estéticas e de memórias, ouvimos aquelas letras, da autoria de André Abel, que fluem em narrativa surpreendente sem cair no jogo semântico gratuito, ouvimos esta música de "Pintura Moderna", dizíamos, e é um sobressalto. "Não acho que o título ['Pintura Moderna'] feche, que signifique 'é isto'. O título abre [várias possibilidades]. Não há nele qualquer caução conceptual. Sugeri-o porque senti que era o título ideal. Nem argumentei." André Abel, que formou os Aquaparque com Pedro Magina em 2007 (editaram o álbum de estreia, "É Isso Aí!", dois anos depois), põe a tónica no sítio certo.

Os Aquaparque não fecham, não definem uma nova estética. Abrem possibilidades. Novas e estimulantes possibilidades pop - poderíamos dizer que, apesar da estranheza que suscitam, são música imediata, na boa tradição pop, e só os cantaremos quando aprendermos a ouvi-los. Porque os Aquaparque são "filhos" do entusiasmo criativo espoletado há alguns anos por bandas como os Loosers, Fish & Sheep ou Frango, uma galeria como a ZDB, ou um festival como o agora consolidado Out.Fest, mas não emanam de uma cena e não são comparáveis ao que quer que seja que tenhamos ouvido ou estejamos a ouvir. E não vale, dizem, englobá-los na nova música portuguesa, na nova vaga que canta em português, que explora e trabalha sobre aquilo que nos é peculiar.

"Por muito que tente, não consigo ver a música como sendo portuguesa ou estrangeira. Actualmente, não faz sentido. Música portuguesa é o fado, são músicas de cariz regional que têm uma cultura envolvida, muito vincada relativamente a uma terra e a uma região", aponta Pedro Magina. Até podemos ser assaltados, ao ouvi-lo, por reminiscências de António Variações, dos Ocaso Épico, do glamour reinventado do "Sonho azul" de Né Ladeiras, mas são isso mesmo, reminiscências, farrapos de uma memória comum que se materializa - de resto, também passa por ali romantismo soft-rock resgatado aos anos 70, a transversalidade dos Gang Gang Dance, resquícios dub e techno, planagens cósmicas dos alemães de outrora, desejo de transcendência que reconhecemos em Panda Bear. Isto para dizer que percebemos perfeitamente o que diz e porque o diz Magina.

Do egoísmo como ética

Os Aquaparque nascem de um espaço criativo íntimo, o espaço partilhado por Abel e Magina, amigos desde a infância, músicos em bandas perdidas na memória de Santo Tirso, onde se conheceram, músicos depois nos Dance Damage, que apanharam a revitalização pós-punk de início da década passada, antes de perceberem que prosseguir esse caminho era um beco sem saída e reformularem tudo. Ao segundo álbum dos Aquaparque, nem sabem bem como se definir.

No concerto de apresentação,o público manteve-se sereno e sentado, mesmo quando a música revelava uma força vital que o impeliria a erguer-se e a dançar. André Abel: "Não sabemos o que as pessoas que estão interessadas e que seguem o que fazemos acham ser o melhor 'setting' para nós. Se era aquele sótão, se será um clube. Isso será decorrente de uma certa ambiguidade estética da música. Como é que é que tem de ser um concerto?". Não chega a responder: "Em nem sei se somos mesmo uma banda. Se calhar estamos mais próximos de um duo sertanejo, como Lucas & Mateus, ou um duo tecno, como Burger & Voight".

André Abel, naquela sexta-feira em que os Aquaparque apresentaram "Pintura Moderna" no sótão de madeira desse espaço Kolovrat com pequena janela aberta sobre a cidade, lá ao fundo, e móveis antigos espalhados aqui e ali, era o músico à esquerda do palco. Ao contrário de Magina, manteve uma pose imperturbável. Dedilhando a guitarra, acertando as programações, tocando as teclas, cantando como um anti-Brian Ferry - nada de glamour aristocrata, todo o charme de uma serena discrição.

Alguns dias depois dos concertos (a seguir a Lisboa, actuaram no Porto, no Clubbing da Casa da Música), sentado com Magina numa esplanada, André Abel exclamará isto quando falamos do que era "É Isso Aí", o primeiro álbum, e do que é agora "Pintura Moderna": "É um bocado desinteressante explicar o porquê. Não trabalhamos com signos e símbolos de uma forma tão definida. Entre intenção e necessidade, escolhemos a necessidade."

É um pormenor importante. Quando editaram "É Isso Aí", afirmaram que era "só o primeiro álbum": "É um caminho." Agora, continuam. Caminham caminhando. Exploram por temperamento e por necessidade - não só nos Aquaparque, assinale-se: André Abel tem também os Tropa Macaca, que partilha com Joana da Conceição, autora da arte gráfica dos Aquaparque, e Magina editou no ano passado o álbum a solo "Nazca Lines". Exploram, portanto.

Em "Pintura Moderna", a guitarra acústica surgiu para transformar o tom e o temperamento da música. Surgiu porque André Abel queria, primeiro, "quebrar o molde formulaico que o processo [criativo nos Aquaparque] estava a tomar". Para o conseguir, pensou comprar um MPC [instrumento electrónico que processa samples], "mas não tinha dinheiro para isso". Então, "bateu-lhe" a guitarra, Magina ouviu aquele instrumento "estranho" à banda e respondeu ao estímulo. "Pensamos a música de forma egoísta", resume Pedro Magina. "É um processo nosso, e nasce de uma necessidade de nos estimularmos. Aborrecemo-nos facilmente", confessa.

Quando editaram o primeiro álbum, André já descera de Santo Tirso até Lisboa, Pedro Magina mantinha-se a Norte. Neste momento, vivem ambos na capital. Ainda assim, "Pintura Moderna" foi gravado no ambiente bucólico com urbanismo próximo de uma casa em Rebordões, aquela que o duo utiliza há anos para ensaios. A música, e isto somos nós a extrapolar, parece reflectir também essa indefinição: a gentileza de alguns arranjos e da guitarra acústica, contraposta ao tom mais nocturno e inquieto das programações. É, de certa forma, o mesmo que sentimos ao atravessar as letras de André Abel, que reflectem um certo "mal de viver", um desejo de algo que agite, que desperte, que nos obrigue a sentirmo-nos vivos - e isso é cantado por gente que agita, que desperta, que está certamente muito viva em toda a actividade que desenvolve.

Talvez o segredo esteja então nisto que cantam em "Ultra suave": "seguimos convictos de que nada deste tempo nos agrada". Se não nos der para mergulhar na depressão, torna-se mais fácil agir, agitar, sentirmo-nos vivos quando carregamos essa convicção. É o que nos diz e o que ouvimos nesta magnífica e surpreendente "Pintura Moderna" dos Aquaparque.

 

Via Público

 

 

 

 



publicado por olhar para o mundo às 23:08 | link do post | comentar

 

 

Letra

 

Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou - bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar
Despedir
E ainda se ficam a rir

Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir
Encontrar
Mais força para lutar...
Mais força para lutar...
Mais força para lutar...
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir

Ainda espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar
A enganar
o povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força para lutar
Mais força para lutar...
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão

(Refrão)
Senhor enginheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira 
E quem me anda a ...

Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Dê-me um pouco de atenção...

 



publicado por olhar para o mundo às 17:35 | link do post | comentar

 

 

Letra

 

Há luz na artéria principal,
Ardem as chamas de dois sois.
Há luta na arena artificial,
Corre o sangue, bato-me primeiro e a ti depois.

Al huir de una investida,
Es como saltar una hoguera,
La barrera de fuego,
Una frontera.

Ao fugir da própria vida
Sem correr e sem saltar,
Oculto sangue que tenho para dar.

Flores como lo sangre,
Correrán entre mis venas,
Arden como el deseo,
Tu visión en mis cadenas,
Ao fugir da própria vida
Sem correr e sem saltar,
Oculto sangue que tenho para dar.

Al huir de una investida,
Es como saltar una hoguera,
La barrera de fuego,
Una frontera.

Ao fugir duma investida,
É como saltar a fogueira,
À barragem de fogo,
Uma fronteira.


Al dejar  la própria vida
Sin volver la vista atrás,
Guardaré la sangre
Que tengo para dar.

 

Al huir de una investida,
Es como saltar una hoguera,
La barrera de fuego,
Una frontera.

 

Ao fugir da própria vida
Sem correr e sem saltar,
Oculto sangue que tenho para dar.

 



publicado por olhar para o mundo às 08:27 | link do post | comentar

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