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A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

A Música Portuguesa

Em terras Em todas as fronteiras Seja bem vindo quem vier por bem Se alguém houver que não queira Trá-lo contigo também

Na edição de 2013 Sines festeja a memória dos dias felizes

43 concertos das mais variadas geografias.

Quando, em 1999, arrancou o primeiro Festival Músicas do Mundo, só uma aspiração optimista permitiria sonhar que, passadas 15 edições, estar-se-ia a celebrar o percurso de um dos mais importantes acontecimentos internacionais da world music. Os sete concertos dessa primeira edição, para sete mil visitantes, deram lugar ao impressionante acumulado de quase 250 actuações e uma média anual entre os 80 mil e os 90 mil espectadores. Por isso o programador Carlos Seixas fala de 2013 como "uma espécie de memória dos dias felizes". Essa chamada de atenção para a história do FMM - começa hoje e prolonga-se até 27 - parte de um convite a vários dos artistas que deixaram em Sines concertos memoráveis, casos de Rokia Traoré, Hermeto Pascoal ou Amadou & Mariam.

 

Muitos outros haveria desde que, a partir de 2001 e 2003, o FMM deu um pulo de crescimento, estimulado pelas presenças inéditas em Portugal dos jamaicanos Black Uhuru e Skatalites. Foram as primeiras de muitas enchentes no interior do Castelo de Sines, de que Seixas se vale para afirmar que este é "um festival de serviço público", desde logo por cumprir com uma das principais funções que se atribui a tal missão: a criação de novos públicos. Nesse ponto, foi seguida uma estratégia tão simples quanto eficaz: cada noite misturavam-se linguagens longínquas, podendo viajar-se no espaço de cinco horas por blues do deserto, música caribenha e jazz.

 

A partir de 2003, acabava-se a sensação de que todos os rostos eram familiares e o FMM transformava-se na presente romaria de largos milhares de curiosos em busca de músicas ausentes da agenda mediática. "Aqui não há uma questão comercial a ditar a programação", afirma Seixas. "Sobrepôs-se sempre a tentativa de mostrar a ponte cultural entre os vários meridianos e os paralelos do mundo". Por outro lado, o sucesso tem também sido alimentado por uma ligação de proximidade entre organização e músicos. Essa intenção acabaria por cativar os artistas, promovendo o festival num passa-palavra com outros músicos, mas possibilitaria também uma criação de afectos com o público potenciadora de devotos cultos. "Estes músicos que não acedem aos grandes festivais mais mediáticos sentem que há aqui um público que gosta deles - e isso cria ânimo nos próprios artistas".

 

Prestes a arrancar a 15.ª volta ao mundo sem sair de Sines, Seixas mantém a fé inicial no futuro de um FMM que até hoje era suportado sobretudo por um programa do QREN para o Litoral Alentejano (em fim de vida) e pela autarquia liderada pelo independente Manuel Coelho (que atingiu o limite de mandatos e sairá em Outubro). Por isso, um aviso esperançoso: "Por termos andado a navegar à bolina estes anos todos, correndo riscos de toda a natureza, mas chegando a um ponto de termos - a equipa, a organização, a cidade e o público - temos de alcançar um porto seguro. É uma pena se um jovem de 14/15 anos não tiver futuro". Mecenato, crise, sustentabilidade e resistência são, ainda assim, palavras para depois de dia 27: "Não nos deixemos mergulhar nesta onda negativa de que não se pode gastar em festa porque tem de se gastar em pão. A festa também é pão, é a catarse da nossa própria falta de pão".

 

Retirado do Público

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