Sexta-feira, 13.01.17

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Sábado, 14 de Janeiro | 22h00| Sala José Afonso

 

Raízes e Criação na Música Popular Portuguesa

 

POESIA E CANTO AO AMIGO ZECA

 

“Esta é uma pequena e simples, mas digna homenagem que todos queremos prestar a José Afonso que todos conhecemos bem e de quem eu era imensamente amigo. Aliás conheci-o em casa dos Dimas e foi pela nossa mão (Círculo de Estudos Humanísticos e Círculo Cultural de Setúbal) que José Afonso pôde dar o seu primeiro concerto em Setúbal totalmente livre. Porque já tinha colaborado com ele em diversos concertos antecedentes nos sítios mais incríveis, com outros cantores, divulgados só a meia-dúzia de pessoas e à última hora por causa da vigilância e da censura da PIDE.

Tito Lívio, poeta, crítico de teatro e de cinema, professor destas duas artes e dramaturgista e "diseur de poesia, direi poesia, entre ela dois belos poemas de José Afonso, acompanhado pela guitarra clássica da minha amiga Heloísa Monteiro que também cantará uma morna e uma coladeira, dado que é originária de Cabo Verde e professora de guitarra clássica.

Mário Piçarra, filho do cantor Luís Piçarra, que viu dois discos seus censurados antes do 25 de Abril pelo seu conteúdo contestatário, cantará duas canções de José Afonso e mais algumas do seu novo e belo disco a editar.

Ana Patacho, professora de poesia da Universidade Sénior de Oeiras e fundadora do colectivo de poesia "Oeiras Verde", dirá comigo um poema de Garcia Lorca, "Romance Sonâmbulo", eu em castelhano e ela em português.”

Tito Lívio

 

 

Casa da Cultura de Setúbal



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Terça-feira, 29.09.15

 

 

Letra

 

Minha mãe como não morro
À vista desta carnagem
Dou por mal paga a viagem
A tais foguetes não corro

Não sei dos meus lavagantes
Nem da mulher que me espera
Quero sair desta guerra
Mesmo agora neste instante

Ai carnes do meu padrinho
Podeis tremer à vontade
Que a vida do teu sobrinho
Vale bem a tua idade

E mais a tua canseira
Em me ensinares que não dorme
Aquele que mata a fome
A quem só tem caganeira

Livra-me dos teus cuidados
Rezo dois mil padre-nossos
Assim me cuidem dos ossos
Sejam eles mil diabos

Agora tenho cagaço
Como quando era menino
E me tolhiam os braços
Temores ao verbo Divino

Levanta ferro meu corpo
Vê se podes dar um passo
Valham-me todos os santos
Das caminhadas que faço

Tão pouco pode a natura
Nestas afrontas mortais
Que um homem morre mil vezes
Mil e uma é já demais

 



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Sexta-feira, 06.02.15

zeca.jpg

 

Auditório do conservatório de música de Coimbra

23 de Fevereiro de 2015

21:30

 

 

Tributo a Zeca Afonso  “28 Anos de Saudade”. Concerto promete encher sala.


Mário Mata & Amigos do Zeca prestam homenagem a Zeca Afonso.É já no próximo dia 23 de Fevereiro pelas 21h30m que o artista Mário Mata e os Amigos do Zeca sobem ao palco do Auditório do Conservatório de Música de Coimbra para um concerto em homenagem a Zeca Afonso.


"28 Anos de Saudade"  celebra o legado musical deixado por José Afonso.


A juntar-se ao palco estarão Rui Pato, Francisco Fanhais, António Ataíde,  Manuel Rocha e o Grupo Vocal Ad Libitum. 


Os bilhetes estarão à venda em data a anunciar  através da ticketline e no Conservatório de Música de Coimbra.



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Sábado, 05.04.14
Zeca Afonso interpretado por núcleo da UPorto nas comemorações do 25 de Abril

Zeca Afonso vai ser recordado no 40.º aniversário do 25 de Abril na peça de teatro Brado da Terra que o Núcleo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto (NEFUP) vai levar a palco a 24, no Teatro Helena Sá e Costa.

 

“Zeca Afonso é um dos grandes símbolos da liberdade em Portugal. Fiéis aos nossos objetivos de divulgação etnográfica, pesquisámos as canções tradicionais que ele interpretou e criámos um espetáculo constituído por um conjunto de histórias interligadas que revisitam o passado do país”, explica Helena Queirós, do NEFUP.

 

Este espetáculo foi construído com base em 15 canções populares tradicionais que integram a obra discográfica de José Afonso.

 

A expressão que dá nome ao espetáculo é da autoria do próprio músico (”Só Ouve o Brado da Terra”) e, segundo o NEFUP, “identifica também a preocupação que o grupo colocou na defesa da cultura popular tradicional em todos os trabalhos que apresenta”.

 

“Dentro do espírito da época, demo-nos toda a liberdade para escolhermos algumas da versões tradicionais, recriarmos as versões de José Afonso, criarmos as nossas próprias interpretações ou brincarmos entre diferentes versões populares, as do Zeca e as nossas”, explicou Helena Queirós.

 

O espetáculo inclui 15 canções tradicionais e quatro danças, mas é encenado teatralmente, percorrendo o país e muitas das suas tradições, mantendo sempre a cultura popular como pano de fundo.

 

O Brado da Terra aborda temas como o amor, guerra, emigração, tristezas e alegrias de uma época que marcou a história de Portugal.

 

“Não pretendemos recriar historicamente uma época, antes remeter para um imaginário pré-revolucionário que invoca também outras épocas passadas e nos faz refletir sobre o presente, afinal, tão próximo dos tempos de outrora”, concluiu.

 

Retirado do Sapo Música


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Quarta-feira, 04.12.13

 

letra

 

Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizao a viu morrer
Ceifeiras na manha fria
Flores na campa lhe vao pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que entao brotou
Acalma o furor campina
Que o teu pranto nao findou
Quem viu morrer Catarina
Nao perdoa a quem matou
Aquela pomba tao branca
Todos a querem p'ra si
O Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra
Bate as asas p'ra voar
O Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar



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Sexta-feira, 30.08.13
enquanto há força

enquanto há força

Concerto de Tributo à vida e obra de José Afonso integrado nas iniciativas de comemoração do 26º aniversário da Associação José Afonso

 De nada me arrependo                                                                                                                             

 Só a vida                                                                                                                                                            

 Me ensinou a cantar                                                                                                                                       

Esta cantiga”


In “Alegria da Criação” (José Afonso in “Galinhas do Mato”, 1985)


 “José Afonso é o nosso maior cantor de intervenção. Este elogio tão consensual e aparentemente tão generoso é a forma mais eficaz de liquidar a obra do grande mestre da música popular portuguesa no que ela tem de universal e de artisticamente superior. (…) Arrumar José Afonso na gaveta da canção de intervenção, é não compreender que a dimensão da sua obra está ao nível do que de mais importante se fez na música popular universal do século XX. E se não teve o impacto mundial que merecia, foi tão-somente porque ele nasceu onde nasceu.”


Guilhermino Monteiro | João Lóio| José Mário Branco | Octávio Fonseca in “José Afonso, Todas as Canções”.


Por tudo isto, no dia 20 de Outubro, pelas 21h, com o apoio empenhado da CASA DA MÚSICA (Porto) e de muitas outras entidades, “companheiros de estrada” do Zeca distraído e de óculos grandes – conjuntamente com gente nova que cresceu com o “poeta, andarilho e cantor” – prestam tributo a um amigo maior que o pensamento.


 Associação José Afonso 



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Quinta-feira, 01.08.13

 

Letra

 

Vejam bem 
que não há só gaivotas em terra 
quando um homem se põe a pensar 
quando um homem se põe a pensar 

Quem lá vem 
dorme à noite ao relento na areia 
dorme à noite ao relento no mar 
dorme à noite ao relento no mar 

E se houver 
uma praça de gente madura 
e uma estátua 
e uma estátua de de febre a arder 

Anda alguém 
pela noite de breu à procura 
e não há quem lhe queira valer 
e não há quem lhe queira valer 

Vejam bem 
daquele homem a fraca figura 
desbravando os caminhos do pão 
desbravando os caminhos do pão 

E se houver 
uma praça de gente madura 
ninguém vem levantá-lo do chão 
ninguém vem levantá-lo do chão 

Vejam bem 
que não há só gaivotas em terra 
quando um homem 
quando um homem se põe a pensar 

Quem lá vem 
dorme à noite ao relento na areia 
dorme à noite ao relento no mar 
dorme à noite ao relento no mar



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Sábado, 08.06.13

Espetáculo sobre Zeca Afonso estreia sábado em Carregal do Sal

ContraCanto é o nome do espetáculo de teatro e música do encenador António Leal, com estreia agendada para sábado, no Centro Cultural de Carregal do Sal, e que permite embarcar numa viagem ao universo do músico Zeca Afonso.


A estreia nacional está marcada para as 21:30 de sábado, "num concelho do interior profundo, onde é raro chegar em primeira mão um trabalho com este conceito", revelou Sandra Leal, que escreveu o guião em coautoria com António Leal.

 

A música e o universo alegórico de Zeca Afonso vão ser postos em palco por um elenco profissional de cantores-atores, que se fazem acompanhar por músicos e alguns figurantes recrutados em Carregal do Sal.

 

De acordo com Sandra Leal, "as encenações dos quadros musicais vão ser auxiliadas por elementos multimédia, nomeadamente projeções e vídeos, que servem de moldura às alegorias do autor".

 

O espetáculo, que pretende ser intimista de forma a estar em sintonia com a simplicidade e personalidade discreta de Zeca Afonso, vai "mostrar essencialmente o músico, sem rejeitar o tempo em que viveu e a contemporaneidade da sua temática".

 

"Se, por um lado, o próprio nome escolhido para o projeto - Contracanto - acolhe Zeca na sua vertente de música politizada, por outro lado, e muito especialmente, pretende ilustrar o seu eco no tempo", acrescenta.

 

A coautora do guião sublinha que Contracanto propõe como público-alvo aquele que pretende revisitar a genialidade musical de Zeca Afonso ou simplesmente conhecê-lo muito para além dos clichés e das frases-feitas.

 

"Num panorama musical atual, que se acredita ser carente de referências maiores, procura-se relembrar o público em geral de um cancioneiro de inesgotável inspiração e sabedoria", sustenta.

 

ContraCanto tem como produtores a Fundação Lapa do Lobo e a Câmara Municipal de Carregal do Sal, tendo Carlos Martins, Ruben Madureira, Sissi Martins, Artur Marques e Joana Leal no seu elenco principal.

 

Retirado do Sapo Música



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Sexta-feira, 10.05.13

 

Letra

 

Mortos de cansaço
Adeus amigos
Nao voltamos cá
O mar é tao grande
E o mundo é tao largo
Maria Bonita
Onde vamos morar
Na barcarola
Canta a Marujada
- O mar que eu vi
Nao é como o de lá
E a roda do leme
E a proa molhada
Maria Bonita
Onde vamos parar
Nem uma nuvem
Sobre a maré cheia
O sete-estrelo
Sabe bem onde ir
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos cair
A beira de àgua
Me criei um dia
- Remos e velas
Lá deixei a arder
Ao sol e ao vento
Na areia da praia

Maria Bonita
Onde vamos viver
Ganho a camisa
Tenho uma fortuna
Em terra alheia
Sei onde ficar
Eu sou como o vento
Que foi e nao veio
Maria Bonita
Onde vamos morar
Sino de bronze
Lá na minha aldeia
Toca por mim
Que estou para abalar
E a fala da velha
Da velha matreira
Maria Bonita
Onde vamos penar
Vinham de longe
Todos o sabiam
Nao se importavam
Quem os vinha ver
E a velha teimava
E a velha dizia
Maria Bonita
Onde vamos morrer


Letra e musica de José Afonso



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Quinta-feira, 21.02.13

Grândola, a caminhada de um poema

Zeca Afonso deslumbrou-se com Grândola, onde conheceu Carlos Paredes, e fez um poema à terra.

 

Domingo, 17 de Maio de 1964. A Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, na continuação dos festejos do seu 52.º aniversário, promove "um espectáculo de fino gosto musical com que deliciará o público". Na primeira parte, o guitarrista Carlos Paredes, acompanhado à viola por Fernando Alvim, e não, como anunciado no cartaz, pelo ciclista Júlio Abreu. Depois dele, o "Dr. Zeca Afonso", descrito como um "inovador" com "belas e estranhas baladas".

 

Era impossível sabê-lo então, mas aquele concerto em Grândola foi uma data marcante para José Afonso. Foi ali que conheceu Carlos Paredes e se impressionou com o seu talento. E foi o contacto com a colectividade e o convívio com os grandolenses que o inspiraram a escrever um poema de homenagem à cidade. Quatro dias depois do concerto, remeteu-o a um dos dirigentes da colectividade. Tratava-se, como não será difícil de adivinhar, deGrândola, Vila Morena.

 

Passos no saibro do castelo


Sete anos depois, o poema vagueava pela Normandia, um entre os que seriam seleccionados para o novo álbum de José Afonso. No Strawberry Studio, montado num castelo em Herouville e por onde tinham passado os Pink Floyd e os Rolling Stones, José Afonso, que contava pela primeira vez com a direcção musical de José Mário Branco, gravava Cantigas do Maio.

 

Disco maior na história da música portuguesa, abrindo-a a novas influências e nova instrumentação, teve no seu centro uma canção despojada a nada mais que vozes e ritmo marcado por passos arrastados.

 

Grândola, Vila Morena, que desde 1964 tinha perdido uma estrofe ("Capital da cortesia / Não se teme de oferecer / Quem for a Grândola um dia / Muita coisa há-de trazer") e ganho outra ("À sombra de uma azinheira / Que já não sabia a idade / Jurei ter por companheira / Grândola, a tua vontade"), transpôs para som a homenagem do poema.

 

Como descrito no livro José Afonso – O Rosto da Utopia, de José A. Salvador, José Mário Branco sugeriu que fosse cantada à moda dos coros masculinos alentejanos, com cada quadra repetida por ordem inversa dos versos. Como acompanhamento, o som de pés arrastando-se pelo chão, aquele que os membros dos coros produziam no balanço que lhes marca o cantar.

 

Eis então, numa madrugada de Outubro de 1971, José Afonso, José Mário Branco, o guitarrista Carlos Correia (Bóris), Francisco Fanhais e restante equipa, "armados" com oito microfones, caminhando sobre o saibro que rodeava o castelo.

 

O poema tornava-se canção e, três anos depois, a canção tornava-se senha. Os passos gravados num castelo francês já eram outra coisa. A marcha dos militares no dia 25 de Abril.


A letra


Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

 

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

 

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

 

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

 

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

 

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade 

Retirado do Público



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Quinta-feira, 22.11.12

Memorial para José Afonso vai ser criado em Lisboa

A ideia foi lançada pela Associação José Afonso, no contexto do orçamento participativo da Câmara Municipal de Lisboa.

 

Zeca Afonso foi também homenageado esta quarta-feira em Paris DR


O cantor e compositor José Afonso, figura icónica da cultura portuguesa falecido há 25 anos, vai ter um memorial em sua honra na cidade de Lisboa.

 

Foi Helena Carmo, do núcleo de Lisboa da Associação José Afonso quem o confirmou ao PÚBLICO. A associação concorreu ao orçamento participativo da Câmara de Lisboa, que desafia os cidadãos a apresentar ideias, e foi no seguimento dessa acção que viu a sua ideia ser uma das escolhidas. O projecto surgiu durante uma reunião do núcleo de Lisboa da associação, que depois lançou uma petição que viria a recolher sete mil assinaturas.

 

Agora, a câmara tem dois anos para concretizar a ideia. O local para a obra ainda não foi escolhido, mas a Avenida da Liberdade, o Jardim do Arco do Cego e a Cidade Universitária são algumas das zonas possíveis.

 

Entretanto, ontem, em Paris, no Théatre de la Ville, José Afonso foi alvo de uma homenagem num espectáculo com direcção musical de Júlio Pereira, no qual participaram músicos e cantores como Francisco Fanhais, António Zambujo, João Afonso ou Mayra Andrade. 

 

Noticia do Público



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Sexta-feira, 02.11.12

 

Letra

 

Que amor nao me engana
Com a sua brandura
Se da antiga chama
Mal vive a amargura
Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor nao se entrega
Na noite vazia?
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito
Muito à flor das àguas
Noite marinheira

Vem devagarinho
Para a minha beira
Em novas coutadas
Junta de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera
Assim tu souberas
Irma cotovia
Dizer-me se esperas
Pelo nascer do dia



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Quinta-feira, 27.09.12

José Afonso morreu em 1987, com 58 anosJosé Afonso morreu em 1987, com 58 anos (D.R.)

 

No ano em que se celebra o 25º aniversário da morte de um dos músicos mais ligados da revolução de 1974, Coimbra convidou vários artistas para prestarem homenagem a José Afonso.

 

Esta quinta-feira, o festival abre com artistas conimbricenses. A Banda Biopsia e o Coro Misto da Universidade de Coimbra são alguns dos nomes que actuam no Centro Cultural D. Dinis, a partir das 21h30.

Cordis e o Quarteto de Cordas da Orquestra Clássica do Centro actuam na sexta, dia 28, no Conservatório de Música de Coimbra. No sábado, sobem ao palco do Teatro Académico Gil Vicente, o Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra e outros músicos convidados como Rui Pato, Ricardo Dias, Janita Salomé, Vitorino e Cristina Branco, entre outros.

José Afonso nasceu em Aveiro em 1929 e formou-se em Coimbra, academicamente e musicalmente. Ainda caloiro da universidade, começou a cantar em serenatas e com o Orfeão Académico da Universidade de Coimbra, que integrara ainda antes de iniciar o ensino superior. É em 1964 que se inspira para escrever Grândola Vila Morena, uma das suas músicas mais conhecidas, que foi mote da revolução de 25 de Abril de 1974. Além de músico, José Afonso foi também um activista na luta contra a ditadura salazarista.

José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987, no Hospital de Setúbal, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

A presidente da câmara municipal de Coimbra, Maria José Azevedo, disse esta semana à Lusa, que foi um previlégio para Coimbra ter recebido José Afonso “ainda muito jovem, o que permitiu moldar-lhe o paradigma de um pensamento marcado por uma cultura vasta, uma inteligência irrequieta, um poder criativo, fecundo, enfim, uma paixão pela palavra escrita, cantada ou falada, tudo sem limites”.

 

Noticia do Público



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Sábado, 22.09.12

 

 

letra

 

A formiga no carreiro
Vinha em sentido cantrário
Caiu ao Tejo
Ao pé dum septuagenário
Larpou trepou às tábuas
Que flutuavam nas àguas
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Vinha em sentido diferente
Caiu à rua
No meio de toda a gente
Buliu buliu abriu as gâmbias
Para trepar às varandas
E de cima duma delas

Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro
A formiga no carreiro
Andava a roda da vida
Caiu em cima
Duma espinhela caída
Furou furou à brava
Numa cova que ali estava
E de cima duma delas
Virou-se prò formigueiro
Mudem de rumo
Já lá vem outro carreiro



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Sexta-feira, 27.07.12

“Tom de Festa” presta homenagem a José Afonso

 

Uma homenagem a José Afonso, "Terra da Fraternidade", que contará com a participação de nomes sonantes da música portuguesa, será o destaque da XII edição do “Tom de Festa”, que decorrerá de 26 a 28 de Julho, em Tondela.

 

Segundo José Rui Martins, autor e director da Associação Cultural de Tondela, em declarações à Lusa, o Festival “Tom de Festa”apostou este ano "na generosidade de amigos de sempre" para realizar um festival de qualidade "apesar das tremendas dificuldades financeiras".

 

Vitorino, Júlio Pereira, Francisco Fanhais, João Afonso, Carlos Clara Gomes, Manuel Freire ou, entre mais de duas dezenas de "amigos", Luís Pastor ou Zeca Medeiros, irão juntar-se no tributo a Zeca Afonso que terá lugar a 27 de Julho no palco da Acert.

 

"Só a generosidade de todas estas pessoas tornou possível este momento que é, para nós, Acert, um momento de tremenda emoção pela forma como nos identificamos desde o início com aquilo que era a humanidade, a dignidade, a decência que transbordava de tudo aquilo que o Zeca fazia", assegurou José Rui Martins.

 

Segundo o director da Acert, pela primeira vez anos o "Tom de Festa" não conta com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura e a organização foi confrontada com "a necessidade de avançar com um terço do orçamento habitual, possível porque a Câmara de Tondela permaneceu solidária com a história do Tom de Festa".

 

José Rui Martins acredita, no entanto, que "este pode ser o maior momento, pelo menos para quem é Acert, das mais de duas décadas pelas quais se estende o festival". 

 

Noticia do HardMúsica



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Segunda-feira, 19.03.12

No dia 5 de Maio a Aula Magna veste-se de gala para receber um grande espectáculo de homenagem a Adriano Correia de Oliveira e José Afonso.


Em 2012 completam-se trinta anos após a morte de Adriano e os vinte e cinco anos do desaparecimento do Zeca. O Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, relembra ambos os aniversários num espectáculo que contará com as participações de Sérgio Godinho, Vitorino, Janita Salomé, Brigada Victor Jara, Jorge Cruz, entre outros, que subirão ao palco para interpretar alguns dos temas com que se construiu a história da música em Portugal!

 

Bilhetes à venda em:

www.ticketline.pt

 

Retirado de Praça das flores



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Segunda-feira, 27.02.12

A autarquia de Coimbra apresentou esta quinta-feira a programação da edição 2012 do Festival José Afonso, iniciativa realizada pela primeira vez em 1989, dois anos depois da morte do cantor e que consta de três espetáculos musicais, escreve a agência Lusa.

«Coimbra tem a obrigação cívica, de cidadania, cultural e social de evocar e homenagear Zeca Afonso», disse aos jornalistas Maria José Santos, vice-presidente da Câmara Municipal.

Embora adiantando que José Afonso «não necessita de pretextos» para ser homenageado, a autarca lembrou que passam 25 anos sobre a morte do cantor, ligado a Coimbra enquanto estudante e autor de canções de intervenção.

Sobre o festival propriamente dito, Maria José Santos disse que existiu a «preocupação» de evocar a obra de Zeca Afonso «entre o ontem, hoje e amanhã», revisitando as suas canções em três concertos de 27 a 29 de setembro.
Vitorino, Janita Salomé e Cuca Roseta participam nos concertos que recordarão a obra do músico falecido há 25 anos

 

O espetáculo inaugural, intitulado «Jovens Músicos de Coimbra recriam Zeca Afonso» vai decorrer no Centro Cultural D. Dinis, na alta universitária.

Coimbra organiza Festival José Afonso em setembro

 

Do alinhamento consta a banda Biopsia, formada por alunos de Biologia e Psicologia da Universidade de Coimbra, o Grupo de Cordas Castiças de São Frutuoso, o Coro Misto da Universidade, João Queirós (guitarra e voz) e a poesia de Rui Damasceno.

A 28 de setembro, no auditório do Conservatório de Música de Coimbra, atua o Grupo Cordis, que se define pelo «diálogo constante entre o piano e a guitarra portuguesa», a que se juntam músicos de fado, jazz e rock, o Quarteto de Cordas da Orquestra Clássica do Centro e as cantoras Sofia Vitória, Cuca Roseta e Ana Sofia Varela.

Por último, a 29 de setembro, o Teatro Académico de Gil Vicente recebe o Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra para uma evocação da biografia musical de José Afonso.

Em palco estarão ainda músicos e cantores contemporâneos de Zeca Afonso, como Octávio Sérgio, Rui Pato, Vitorino e Janita Salomé e «um conjunto de coralistas que ao seu lado cantaram no então Orfeon Académico», lê-se num documento da produção.

De acordo com Maria José Santos o espetáculo inaugural tem entrada gratuita e os dois seguintes bilhetes a cinco euros para o público em geral e 2,5 euros para estudantes, revertendo a receita para duas associações da cidade.

 

Via IOL



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Quinta-feira, 23.02.12

 

Letra

 

Canção de Embalar

 Zeca Afonso

 

Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada

Outra que eu souber será pra ti 
ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô ô (bis) 
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme quinda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer



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25 anos depois: Reedição da obra e espetáculos lembram Zeca Afonso

Lisboa, Grândola, Barreiro, Coimbra, Braga, Açores, Barcelona e Newark são alguns dos locais onde os 25 anos da morte de José Afonso são lembrados na quarta-feira, para manter “vivo o espírito do Zeca e a lição de dignidade” que transmitiu a todos, como disse à agência Lusa Francisco Fanhais, companheiro de cantigas e de estrada de José Afonso, no período antes do 25 de abril de 1974 e atualmente dirigente da Associação José Afonso.


Considerado durante muito tempo um músico de intervenção, José Afonso é, para Francisco Fanhais e para o jornalista Viriato Teles, “muito mais do que um cantor ou um músico de intervenção”.


Essa designação serve mesmo, para Francisco Fanhais, “para menosprezar toda a parte poética e musical que José Afonso revelou e é um álibi muito bom para que os divulgadores de música o possam banir com toda a tranquilidade”.


“Cada uma das canções de José Afonso faz parte de um conjunto de grande valor musical e poético que, penso, está ainda por descobrir”, disse Francisco Fanhais.


Também o jornalista Viriato Teles, autor do livro “As voltas de um andarilho – Fragmentos da vida e obra de José Afonso”, considera que José Afonso “está ao nível de um dos grandes criadores musicais do mundo”.


“Ao contrário do que habitualmente fazemos, que é comprarmos os portugueses com artistas estrangeiros, eu acho que o Pete Seeger é o Zeca Afonso norte-americano”, disse o jornalista, sublinhando que José Afonso “está ao nível de um Bob Dylan, John Lennon, Léo Ferré ou mesmo de um Jacques Brel”.


Considerar a obra de José Afonso apenas do ponto de vista da cantiga de intervenção “é do mais redutor que existe, até porque mesmo nesse campo ele esteve sempre à frente do tempo dele”, disse Viriato Teles à Lusa, acrescentando que a obra musical de José Afonso era “tão complexa do ponto de vista poético como musical”.


“Talvez por não ter formação musical, a obra de José Afonso era bastante complexa, já que ela mudava de compasso a meio das cantigas e isso tornava tudo bastante difícil e especial”, frisou.


Viriato Teles não hesita mesmo em afirmar que José Afonso era “um génio, tal como Carlos Paredes” e que, por isso mesmo, quando José Afonso morreu “Paco Ibañez disse que Zeca teve azar de ter nascido português”.

 

“Se tivesse nascido nos Estados Unidos estaria ao nível desses grandes criadores mundiais”, disse, na altura, Paco Ibañez, lembrou Viriato Teles. O jornalista invoca mesmo o facto de a obra de José Afonso ser a obra de um cantor português “mais divulgada a nível mundial”.


“Basta ver a quantidade de versões de canções do Zeca, e não apenas a de 'Grândola vila morena', que existem no estrangeiro”, disse, exemplificando com os casos de Charlie Haden e Carla Bley, Nara Leão ou as de Pi de la Serra e Luis Pastor. “Pi de La Serra e Luis Pastor consideram mesmo que José Afonso foi o pai da nova música espanhola”, sublinhou. “Se há de facto um músico português que se universalizou foi o Zeca, se calhar tanto ou mais do que Amália, embora esta tenha tido mais visibilidade”, frisou Viriato Teles.


Viriato Teles e Francisco Fanhais concordam ainda num outro ponto: “Apesar de reconhecido, José Afonso não tem ainda hoje o estatuto que devia ter na música”.

 

Zeca relembrado e remasterizado


Para assinalar os 25 anos da morte de José Afonso, a Movieplay vai editar agora – com a etiqueta Art'Orfeumedia - versões remasterizadas, com notas adicionais aos originais, assinadas pelo jornalista Gonçalo Frota, os onze álbuns que José Afonso editou para a Orfeu, disse à Lusa fonte da editora.


Na primeira semana de abril sairão “Cantares do andarilho” e “Contos velhos, novos rumos”, enquanto na primeira semana de maio sairão “Traz outro amigo também”, “Cantigas do Maio” e “Eu vou ser como a toupeira”.


Em outubro regressam “Venham mais cinco”, “Coro dos tribunais” e “Com as minhas tamanquinhas” e, em abril de 2013, será a vez de “Enquanto há força”, “Fura, fura” e “Fados de Coimbra”.


Entre os espetáculos que, um pouco por todo o país, assinalam o quarto de século da morte de José Afonso, destaca-se o que decorre na quarta-feira na Academia de Santo Amaro, em Lisboa. Organizado pelo núcleo de Lisboa da Associação José Afonso, o reúne, entre outros, cantores como Zeca Medeiros, Francisco Naia e Francisco Fanhais ou o duo Couple Coffee, que recria temas de José Afonso.


Nascido a 02 de agosto de 1929, em Aveiro, José Afonso morreu a 23 de fevereiro de 1987, em Setúbal, aos 57 anos, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

 

Retirado de Sapo Música



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Quarta-feira, 22.02.12

Zeca Afonso recordado em Portugal e Espanha

Esta quinta-feira terão passado 25 anos sobre a morte de José Afonso, cantor que usou a música e a poesia como armas políticas. Zeca, como era carinhosamente conhecido, marcou várias gerações, que esta semana o recordam um pouco por todo o país e, até, em Barcelona, Espanha.

Academia de Coimbra com homenagem a Zeca

A semana de celebrações tem início em Coimbra, cidade onde José Afonso estudou e iniciou a sua atividade musical e política. A Associação Académica de Coimbra lançou, dia 20, a semana "Zeca Afonso - O rosto da Utopia", durante a qual estará patente uma exposição discográfica do autor.

O programa inclui ainda uma tertúlia, esta quinta-feira, dia 23, no café Santa Cruz, às 21h30, que conta com o músico e sobrinho de Zeca Afonso, João Afonso, e atuações da Tuna e do Orfeão Académico da Universidade de Coimbra.

Mas não é só em Coimbra que a memória de Zeca Afonso ainda se encontra viva. Um pouco por todo o país, desde o Algarve ao Minho, vários municípios prestam o seu tributo ao músico de intervenção, que morreu precocemente em 1987, apenas com 57 anos, vítima de uma doença neurodegenerativa progressiva.

Quinta e Sexta-feira com espetáculos de tributo

A grande maioria dos eventos é divulgada e apoiada pela AJA - Associação José Afonso, formada em torno da "memória e do exemplo" do cantor português.

Quinta-feira é o dia principal das comemorações e será marcado, em Lisboa, por um espetáculo na Academia de Santo Amaro, às 21h, a cargo do encenador Hélder Costa (d'A Barraca). Em palco estarão nomes como Francisco Fanhais, Zeca Medeiros, Francisco Naia, Pedro Branco ou Couple Coffee.

Ainda em Lisboa, às 18h, o jornalista e escritor Viriato Teles organiza uma sessão de evocação do nome de Zeca, na Biblioteca-Museu da República e Resistência, na Cidade Universitária.

No mesmo dia, a cidade onde o músico faleceu, Setúbal, vai dar lugar, no La Bohème, à leitura de poemas de José Afonso, por António Galrinho e Rui Lino, a ter início às 22h.

A norte, o grupo Canto D'Aqui e a declamação de Camilo Silva e Maria Torcato fazem parte da programação do Theatro Circo, em Braga. A homenagem que se repete já há alguns anos, é desta vez prestada em dois dias, quinta e sexta, não só a Zeca Afonso mas também a Adriano Correia de Oliveira, outro importante nome da música de intervenção que desapareceu há 30 anos. Ambos os espetáculos têm início às 21h30.

As cidades de Aveiro, Lagos, Lisboa, Coimbra, Setúbal e Grândola vão, ainda no dia 23 de fevereiro, estar unidas num programa especial da TSF, transmitido a partir das 9h30, e que pode ser assistido em direto pelos habitantes dos municípios.

Na sexta-feira é a vez de Luís Pires, Pedro Branco e Vítor Sarmento atuarem no restaurante O Bispo, Seixal, à hora do jantar. Também no Barreiro, o restaurante O Pial vai receber as canções tocadas pela associação "Grupo dos Amigos do Barreiro Velho".

Barcelona com concertos de homenagem

A memória de Zeca chega também a Espanha, país com uma já larga tradição de tributos ao cantautor.

O espaço L'Auditori, na cidade catalã de Barcelona, vai receber, no dia 25 de Fevereiro e no dia 3 de Março, dois concertos que evocam o músico português. O primeiro é organizado pelo grupo de portugueses Drumming e o segundo pelo projeto "20 canções para Zeca Afonso".

A página da AJA, onde constam informações sobre as várias atividades que têm lugar esta semana, pode ser consultada AQUI.

 

Via Boas Notícias



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Segunda-feira, 31.10.11

Letra

 

Nao há velório nem morto
Nem círios para queimar
Quando isto der prò torto
Nao te ponhas a cavar
Quando isto der prò torto
Lembra-te cá do colega
Nao tenhas medo da morte
Que daqui ninguém arreda
Se a CAP é filha do facho
E o facho é filho da mae
O MAP é filho do Portas
Do Barreto e mais alguém
As aranhas anda o rico
Transformado em democrata
As aranhas anda o pobre
Sem saber quem o maltrata
As aranhas te vi hoje
Soldado, na casamata
Militares colonialistas
Entram já na tua casa
Vinho velho vinho novo
Tudo a terra pode dar
Dêm as pipas ao povo
Só ele as sabe guardar
Vem cá abaixo ó Aleixo
Vem partir o fundo ao tacho
Quanto mais lhe vejo o fundo
Mais pluralista o acho

Os baroes da vida boa
Vao de manobra em manobra
Visitar as capelinhas
Vender pomada da cobra
A palavra socialismo
Como está hoje mudada
De colarinho a Texas
Sempre muito aperaltada
Sempre muito aperaltada
Fazendo o V da vitória
Para enganar o proleta
Hás-de vir comigo a glória
O Willy Brandt é macaco
O Giscard é macacao
O capital parte o coco
Só nao ri a emigraçao
De caciques e de bufos
Mandei fazer um sacrário
Para por no travesseiro
Dum cura reaccionário
Nao sei quem seja de acordo
Como vamos terminar
Vinho velho vinho novo
Viva o Poder Popular



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Sexta-feira, 03.06.11
Letra
No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada

Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada [bis]

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas

São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei

Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhe franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada


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Segunda-feira, 25.04.11

 

 

Letra

 

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena

Em cada esquina um amigo
Em cada rosto igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto igualdade
O povo é quem mais ordena

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade

 

Zeca Afonso

 



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Quarta-feira, 23.02.11

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Uma manhã como a de hoje em que a chuva tinha finalmente cessado. Chegada ao local de trabalho, todos ostentavam tristeza. Percebi então que o nosso Zeca nos tinha deixado. O último concerto no coliseu revelava-o debilitado pela doença, mas com uma vontade férrea que tão bem o caracterizava. Só alguém de quem se gosta e cuja presença ficará como património cultural tem direito a ser tratado por diminutivo. É bom evocar datas que trazem sorrisos, mas também não se pode relegar para o esquecimento esta figura marcante. Completam-se hoje 24 anos sobre a sua morte relativa, pois a música continua a ser ouvida e – atrever-me-ia a arriscar – para sempre, mesmo em pequenos detalhes como a belíssima casa de Belmonte onde viveu e que só há dias tive o prazer de admirar.

Traz outro amigo também

No comboio descendente

Foto: página de imprensa de Pedro Laranjeira

 

Retirado de Dias que voam

 

 


 



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Sábado, 19.02.11

 

 

Letra
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade 

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena 

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade 

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena 

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade 

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

 

 



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Sexta-feira, 18.02.11

 

 

Letra
 
A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina, à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada à covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação

 

 



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Quinta-feira, 17.02.11

 

 

Letra
Que amor nao me engana
Com a sua brandura
Se da antiga chama
Mal vive a amargura
Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor nao se entrega
Na noite vazia?
E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito
Muito à flor das àguas
Noite marinheira

Vem devagarinho
Para a minha beira
Em novas coutadas
Junta de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera
Assim tu souberas
Irma cotovia
Dizer-me se esperas
Pelo nascer do dia

 



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Quarta-feira, 16.02.11

 

 

Letra
Olha o sol que vai nascendo 
Anda ver o mar 
Os meninos vão correndo 
Ver o sol chegar 

Menino sem condição 
Irmão de todos os nus 
Tira os olhos do chão 
Vem ver a luz 

Menino do mal trajar 
Um novo dia lá vem 
Só quem souber cantar 
Vira também 

Negro bairro negro 
Bairro negro 
Onde não há pão 
Não há sossego 

Menino pobre o teu lar 
Queira ou não queira o papão 
Há-de um dia cantar 
Esta canção 

Olha o sol que vai nascendo 
Anda ver o mar 
Os meninos vão correndo 
Ver o sol chegar 

Se até da gosto cantar 
Se toda a terra sorri 
Quem te não há-de amar 
Menino a ti 

Se não é fúria a razão 
Se toda a gente quiser 
Um dia hás-de aprender 
Haja o que houver 

Negro bairro negro 
Bairro negro 
Onde não há pão 
Não há sossego 

Menino pobre o teu lar 
Queira ou não queira o papão 
Há-de um dia cantar 
Esta canção

 

 



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Terça-feira, 15.02.11

 

Letra
Aldeia da Meia Praia
Ali mesmo ao pé de Lagos
Vou fazer-te uma cantiga
Da melhor que sei e faço

De Montegordo vieram
Alguns por seu próprio pé
Um chegou de bicicleta
Outro foi de marcha à ré

Quando os teus olhos tropeçam
No voo de uma gaivota
Em vez de peixe vê peças de oiro
Caindo na lota

Quem aqui vier morar
Não traga mesa nem cama
Com sete palmos de terra
Se constrói uma cabana

Tu trabalhas todo o ano
Na lota deixam-te nudo
Chupam-te até ao tutano
Levam-te o couro cabeludo

Quem dera que a gente tenha
De Agostinho a valentia
Para alimentar a sanha
De enganar a burguesia

Adeus disse a Montegordo
Nada o prende ao mal passado
Mas nada o prende ao presente
Se só ele é o enganado

Oito mil horas contadas
Laboraram a preceito
Até que veio o primeiro
Documento autenticado

Eram mulheres e crianças
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
quem diz o contrário é tolo

E se a má língua não cessa
Eu daqui vivo não saia
Pois nada apaga a nobreza
Dos índios da Meia-Praia

Foi sempre tua figura
Tubarão de mil aparas
Deixas tudo à dependura
Quando na presa reparas

Das eleições acabadas
Do resultado previsto
Saiu o que tendes visto
Muitas obras embargadas

Mas não por vontade própria
Porque a luta continua
Pois é dele a sua história
E o povo saiu à rua

Mandadores de alta finança
Fazem tudo andar para trás
Dizem que o mundo só anda
Tendo à frente um capataz

Eram mulheres e crianças
Cada um com o seu tijolo
Isto aqui era uma orquestra
Que diz o contrário é tolo

E toca de papelada
No vaivém dos ministérios
Mas hão-de fugir aos berros
Inda a banda vai na estrada

 

 



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Segunda-feira, 14.02.11

 

 

Letra
 
Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já 
Do branco ou tinto, se o velho estica eu fico por cá 
Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no a andar 
De espada à cinta, já crê que é rei d’aquém e além-mar

Não me obriguem a vir para a rua
Gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa
E zarpar

Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, 2X 
Tiiiiiiiiiiiiii paraburibaie ...
Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, 2X

A gente ajuda, havemos de ser mais
Eu bem sei
Mas há quem queira, deitar abaixo
O que eu levantei 

A bucha é dura, mais dura é a razão
Que a sustem só nesta rusga
Não há lugar prós filhos da mãe

Não me obriguem a vir para a rua
Gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa
E zarpar 

Bem me diziam, bem me avisavam
Como era a lei
Na minha terra, quem trepa
No coqueiro é o rei 

A bucha é dura, mais dura é a razão
Que a sustem só nesta rusga
Não há lugar prós filhos da mãe

Não me obriguem a vir para a rua
Gritar
Que é já tempo d' embalar a trouxa
E zarpar

 

 



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