Quarta-feira, 27.08.14

 

Letra

 

que el tiempo se nos fue

que nada es como ayer

que te me escapas

 

ven

y dime de una vez

que ya no soy aquel

com quien soñavas

 

marchate

borra tus huellas de mi piel

sin lastro date prisa

que no te dentendre

 

corre

no dejes que te alcancen vida mia

no escuches aunque el corazón lo pida

a veces solo la melcancolia

de aquello que hubo un dia

 

si se murio el amor

talvez será mejor

la despedida

 

no

no pienses que hay rencor

es que esto de decirte adios

no lo esperaba

 

marchate

borra tus huellas de mi piel

sin lastro date prisa

que no te detendre

 

corre

no dejes que te alcancen vida mia

no escuches aunque el corazón lo pida

a veces solo la melcancolia

de aquello que hubo un dia

 

si se murio el amor

talvez será mejor

la despedida

 

si se murio el amor

talvez será mejor

la despedida

 

 



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Letra

 

Não encontrei a letra desta música



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Terça-feira, 26.08.14

 

 

Letra

 

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Letra

 

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Segunda-feira, 25.08.14

 

 

Letra

 

 

You spend most time
Trying to figure out why you can never figure out
Just what you're trying to figure out
Spend more time living

You spend most time
Searching for the love that'll be searching for your love
You love to save your love for love
Spend more time loving

You spend most time
Talking 'bout yourself and how it matters to your self
More than to anybody else
Spend more time listening

You spend most time
Judging everything as if you ever knew a thing
There's more to things than just one thing
Spend more time respecting

You spend most time
Worried 'bout what's to say about your silly little ways
Isn't that silly, anyway?
Spend more time flowing

You spend most time
Fussing, bluffing, hating all times
Bleeding




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Letra

 

 

É, morena, tá tudo bem
Sereno é quem tem
A paz de estar em par com Deus
Pode rir agora
Que o fio da maldade se enrola

Pra nós, todo o amor do mundo
Pra eles, o outro lado
Eu digo mal me quer
Ninguém escapa o peso de viver assim
Ser assim, eu não
Prefiro assim com você
Juntinho, sem caber de imaginar
Até o fim raiar

Eu digo mal me quer
Ninguém escapa o peso de viver...
Eu não
Prefiro assim junto com você
Até o fim raiar



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Domingo, 24.08.14

 

 

Letra

 

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Letra

 

 

Onde estiveres, eu estou,
Onde tu fores, eu vou,
Se tu quiseres, assim,
Meu corpo é o teu mundo
Um beijo e um segundo
E és parte de mim

Para onde olhares, eu corro,
Se me faltares, eu morro,
Quando vieres, distante,
Solto as amarras
E tocam guitarras
Por ti como dantes

Agarra-me esta noite,
Sente o tempo que eu perdi,
Agarra-me esta noite,
Que amanhã não estou aqui...

Agarra-me esta noite,
Sente o tempo que eu perdi,
Agarra-me esta noite,
Que amanhã não estou aqui...




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Letra

 

Não faço nada que alguém não tenha feito não
Não falo nada que alguém não tenha dito então
Não penso nada, nosso futuro é imprevisão
Alguém me de a mão

Nessa calçada vejo que os anos vão chegar
Cada pegada me mostra um jeito de encontrar
Todo esse nada, o medo de se machucar
Porque tudo isso então

Se não há nada porque todos temem perder
Todo esse nada será vontade de viver
Na mesma casa na mesa que reparte o pão
Por isso tudo então

Quem é você que se esconde
Atrás de um nome qualquer
Não aparece pra mim
Estende a mão trazendo a chuva
Tocando o som do trovão
Será que vamos saber

Não faço nada que alguém não tenha feito não
Não falo nada que alguém não tenha dito então
Não penso nada, nosso futuro é imprevisão
Alguém me de a mão

Se não há nada porque todos temem perder
Todo esse nada será vontade de viver
Na mesma casa na mesa que reparte o pão
Por isso tudo então

Quem é você que se esconde
Atrás de um nome qualquer
Não aparece pra mim
Estende a mão trazendo a chuva
Tocando o som do trovão
Será que vamos saber




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Sábado, 23.08.14

 

 

Letra

 

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Sexta-feira, 22.08.14

 

 

Letra

 

 

Mar de mágoas sem marés 
Onde não há sinal de qualquer porto 
De lés a lés o céu é cor de cinza 
E o mundo desconforto 
No quadrante deste mar que vai rasgando 
Horizontes sempre iguais à minha frente 
Há um sonho agonizando 
Lentamente, tristemente 

Mãos e braços para quê 
E para quê os meus cinco sentidos 
Se a gente não se abraça não se vê 
Ambos perdidos 
Nau da vida que me leva 
Naufragando em mar de trevas 
Com meus sonhos de menina 
Triste sina

Pelas rochas se quebrou 
E se perdeu a onda deste sonho 
Depois ficou uma franja de espuma 
A desfazer-se em bruma 
No meu jeito de sorrir ficou vincada 
A tristeza de por ti não ser beijada 
Meu senhor de todo o sempre
Sendo tudo não és nada.




olhar para o mundo às 17:32 | link do post | comentar

 

 

Letra

 

 

Meus lindos olhos, qual pequeno deus
Pois são divinos, de tão belos os teus.
Quem, tos pintou com tal feição
Jamais neles sonhou criar tanta imensidão.

De oiro celeste,
Filhos de uma chama agreste
Astros que alto o céu revestem
E onde a tua história é escrita.

Meus lindos olhos, de lua cheia
Um esquecido do outro, a brilhar p´rá rua inteira.
Quem não conhece o teu triste fado
Não desvenda em teu riso um chorar tão magoado.

Perdões perdidos
Num murmúrio desolado
Quando o réu morava ao lado
Mais cruel não pode ser.

Este fado que aqui canto
Inspirou-se só em ti
Tu que nasces e renasces
Sempre que algo morre em ti
Quem me dera poder cantar
Horas, dias, tão sem fim
Quando pedes só pra mim
Por favor só mais um fado.




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Quinta-feira, 21.08.14

 

 

Letra

 

 

Ando cansada das horas que não vivo
de calar dentro de mim a solidão
das promessas e demoras sem motivo
e de sempre dizer sim em vez de não


Morro em cada despedida ao abandono
paro o tempo à tua espera nos desejos
a estação da minha vida é o outono
não existe primavera sem teus beijos


Ergo a minha voz aos céus teimosamente
e depois deste meu rogo ao deus senhor
não sei se te diga adeus ou, simplesmente
deva dizer-te até logo, meu amor



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Letra

 

 

Com o seu chicote o vento
Quebra o espelho do lago
Em mim foi mais violento o estrago
Porque o vento ao passar
Murmurava o teu nome
Depois de o murmurar, deixou-me

Tão rápido passou
Nem soube destruír-me
As mágoas em que sou tão firme
Mas a sua passagem
Em vidro recortava
No lago a minha imagem de escrava

Ó líquido cristal
Dos meus olhos sem ti
Em vão o vendaval pedi
Para que se quebrasse
O espelho que me enluta
E me ficasse a face enxuta

Ai meus olhos sem ti sem ti
Em mim foi mais violento, o vento




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Quarta-feira, 20.08.14

 

 

Letra

 

 

 

O FADO DE CADA UM
Letra: Silva Tavares
Música: Frederico de Freitas
Repertório: Amália Rodrigues


Bem pensado
Todos temos nosso fado
E quem nasce mal fadado
Melhor fado não terá
Fado é sorte
E do berço até à morte
Ninguém foge, por mais forte
Ao destino que Deus dá

No meu fado amargurado, a sina minha
Bem clara se revelou
Pois cantado, seja quem for adivinha
Na minha voz, soluçando
Que eu finjo ser quem não sou

Que bom seria poder um dia, trocar-se o fado
Por outro fado qualquer
Mas a gente, já traz o fado marcado
E nenhum mais inclemente
Do que este de ser mulher




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Letra

 

 

Por la blanda arena
Que lame el mar
Su pequeña huella
No vuelve más
Un sendero solo
De pena y silencio llegó
Hasta el agua profunda
Un sendero solo
De penas mudas llegó
Hasta la espuma.

Sabe Dios qué angustia
Te acompañó
Qué dolores viejos
Calló tu voz
Para recostarte
Arrullada en el canto
De las caracolas marinas
La canción que canta
En el fondo oscuro del mar
La caracola.

Te vas Alfonsina
Con tu soledad
¿Qué poemas nuevos
Fuíste a buscar?
Una voz antigüa
De viento y de sal
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar.

Cinco sirenitas
Te llevarán
Por caminos de algas
Y de coral
Y fosforescentes
Caballos marinos harán
Una ronda a tu lado
Y los habitantes
Del agua van a jugar
Pronto a tu lado.

Bájame la lámpara
Un poco más
Déjame que duerma,
nodriza en paz
Y si llama él no le digas que estoy
Dile que Alfonsina no vuelve
Y si llama él no le digas nunca que estoy
Di que me he ido.

Te vas Alfonsina
Con tu soledad
¿Qué poemas nuevos
Fueste a buscar?
Una voz antigüa
De viento y de sal
Te requiebra el alma
Y la está llevando
Y te vas hacia allá
Como en sueños
Dormida, Alfonsina
Vestida de mar.




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Terça-feira, 19.08.14

 

 

Letra

 

 

De que túnel de que árvore
De que zero de remorso
De que rasura do vento
De que núpcias de mármore
De que fresta de que pórtico
Saíste neste momento

Para que praia que porto
Que fugitiva garupa
Que torre desconhecida
Que mãos que braços que rosto
Que tempestade difusa
Te encontras já de partida

Não és de nenhum sossego
Vives no gume do ser
Na fronteira do devir
E assim me tornas eu mesma
Entre nascer e morrer
Entre chegar e partir





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Letra

 

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Segunda-feira, 18.08.14

 

 

Letra

 

 

Este amor não é um rio
Tem a vastidão do mar
A dança verde das ondas
Soluça no meu olhar

 

Tentei esquecer as palavras
Nunca ditas entre nós
Mas pairam sobre o silencio
Nas margens da nossa voz

 

Tentei esquecer os teus olhos
Que não sabem ler nos meus
Mas neles nasce a alvorada
Que amanhece a terra e os céus

 

Tentei esquecer o teu nome
Arrancá-lo ao pensamento
Mas regressa a todo o instante
Entrelaçado no vento

 

Tentei ver a minha imagem
Mas foi a tua que vi
No meu espelho, porque trago
Os olhos rasos de ti

 

Este amor não é um rio
Tem abismos como o mar
E o manto negro das ondas
Cobre-me de negro o olhar

 

Este amor não é um rio
Tem a vastidão do mar





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Letra

 

 

Adeus oh minha gente
Vou fazer-me à dura estrada
Minh’alma ardentemente
Quer erguer-se e está prustrada
Longe está meu horizonte
Uma luz resta-me ao longe
Qual fogueira em alto monte

Adeus oh minha gente
A quem vejo arrependidos
As mãos que me negaram
Já me as deram como amigos
Mas dentro de mim arde
Um sossego abrasador
Do Alentejo em fim de tarde

Adeus oh minha gente
Venham ver-me à despedida
Nasci no lado errado
No lado errado da vida
Partindo fico ausente
Nem memória vou guardar
Ai! Adeus oh minha gente…



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Domingo, 17.08.14

 

Letra

 

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Letra

 

Não encontrei a letra desta música



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Sábado, 16.08.14

 

 

Letra

 

Não encontrei a letra desta música



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Letra

 

Mora num beco de Alfama
E chamam-lhe a madrugada
Mas ela de tão estouvada
Nem sabe como se chama.
Mora numa água-furtada,
Que é mais alta de Alfama
A que o sol primeiro inflama
Quando acorda a madrugada.

Nem mesmo na Madragoa
Ninguém compete com ela,
Que do alto da janela
Tão cedo beija Lisboa.
E a sua colcha amarela
Faz inveja à Madragoa:
Madragoa não perdoa
Que madruguem mais do que ela.

Mora num beco de Alfama
E chamam-lhe a madrugada,
São mastros de luz doirada
Os ferros da sua cama.
E a sua colcha amarela
A brilhar sobre Lisboa
É como estátua de proa
Que anuncia a caravela...

David Mourão Ferreira



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Sexta-feira, 15.08.14

 

 

Letra

 

 

Primeiro foram as mãos que me disseram
que ali havia gente de verdade
depois fugi-te pelo corpo acima
medi-te na boca a intensidade 
senti que ali dentro havia um tigre
naquele repouso havia movimento
olhei-te e no sol havia pedras
parámos ambos como se parasse o tempo
parámos ambos como se parasse o tempo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

atrevi-me a mergulhar nos teus cabelos
respirando o espanto que me deras
ali havia força havia fogo
havia a memória que aprenderas
senti no corpo todo um arrepio
senti nas veias um fogo esquecido
percebemos num minuto a vida toda 
sem nada te dizer ficaste ali comigo
sem nada te dizer ficaste ali comigo

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas

falavas de projectos e futuro
de coisas banais frivolidades
mas quando me sorriste parou tudo
problemas do mundo enormidades
senti que um rio parava e o nevoeiro
vestia nos teus dedos capa e espada
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse no fundo preciso
queria tanto que um olhar bastasse
e não fosse preciso dizer nada

é tão dificil encontrar pessoas assim bonitas
é tão dificil encontrar pessoas assim pessoas



olhar para o mundo às 17:55 | link do post | comentar

 

 

Letra

 

 

já são horas meus senhores 
de lançar o grão à terra 
n´é com ercas da regueira 
que a gente ganha a guerra 

verdes campos verdes prados 
p´la ´nha mão aqui plantei 
vejo estevas vejo cardos 
crescerem des´qu´abalei 

a cavar em terra allheia 
ganho pedras não sementes 
não sei fazer pão de pedras 
p´ra fome que a gente sente



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Quinta-feira, 14.08.14

 

 

Letra

 

 

Notei pelos sítios fora,
nos abraços que me davam
malta daqui e de agora,
daqueles que não voltavam.

Eram homens e mulheres
de muitos anos ou não
feitos Portugal de novo
na escuta de uma canção

(Refrão)
Mas lugar, precisa-se
Para albergar esta nação...
Lugar, lugar, precisa-se
Para receber e entender esta multidão.

Não sei onde, sessenta e tal.
Para fugir naquela altura
Deixei filhos e mulher,
o pai, a mãe e o irmão.
Passei vida muito dura
a pensar neles, lá longe,
as saudades a roer
aqui dentro, não sei onde,
mas perto do coração.

(Refrão)

Paris, mil novecentos e setenta e dois,
e eu, eu sou o Antunes
pedreiro de profissão.
Na terra, aquilo não dava nada,
mal pagava o próprio pão...
As forças vão indo fracas
que isto do "bâtiment" é muito duro!
Vivo pior do que... do que um cão,
passa-se mal nas barracas...

(Refrão)

Bruxelas, mil novecentos e setenta e três.
Eu cá, chamo-me Augusto
e vim para aqui da Beira Baixa
e um dia, pensei comigo:
- Isto, agora, ou vai ou racha!
E agarrei na mala pobre,
carteira lisa e um pão,
vim de salto e aqui estou.
Trabalho com um camião...

(Refrão)

Neimegan, mil novecentos e setenta e cinco.
Eu, por acaso, até estou bem.
Mulher e filhos, tudo, tudo felizmente.
Só tenho uma coisa na vida
que me faz sentir doente:
é a lembrança lá da aldeia,
do meu sol, do meu rincão, 
dos outeiros, das ribeiras,
de tudo o que aqui não tenho, não...

(Refrão)

Somos muitos mil no mundo
com uma história sempre igual
de trabalho e, lá no fundo,
saudades de Portugal...
de trabalho e, lá no fundo,
Saudades de Portugal!

Mas lugar... precisa-se!



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Letra

 

 

Porque nasceste, vives 
Porque vivias cresceste 
Porque cresceste tiveste 
A sorte que não sabias 
Porque estudaste aprendeste 
As coisas de se saber 
E outras inúteis de sobra 
As coisas de se esquecer 
As coisas de se esquecer 

Porque cumpriste fizeste 
O que te mandaram fazer 
Os padres o pai a mãe 
O professor o mais velho 
O sargento o comandante 
O senhorio a porteira 
O ministro o governante 
O cobrador o pedreiro 
- esteja cá na terça-feira! 
O bancário o carpinteiro 
O homem do gás da luz 
Da água do pão do leite 
E acabaste cumprindo 
Cumprindo tudo a preceito 

Encomendaste gravatas 
Fatos novos e sapatos 
Dedicaste-te ao chinquilho 
Talvez ao king 
Fizeste um filho e outro filho 
Nas horas livres, às vezes, 
Em havendo futebol 
Sentiste-te homem de tasca 
Sentiste que eras uma besta 
Mas segunda-feira cedo 
Bem cedo bem matinal 
Te achavas de novo pronto 
Partindo para o mesmo emprego 
Comprando o mesmo jornal 

E sempre todos os dias 
Cobiçaste a secretária 
Do teu chefe o sr. Sousa 
Para à noite pernas moídas 
Tomares o trinta e sete 
O carrinho ou a bicicleta 
E regressando cansado 
Do barulho e da ausência 
Sentires-te reencontrado 
Da solidão na indolência 
De um canapé recostado 
Pijama e televisão 
Aquecedor e decência 
Tudo muito bem ligado 
Tudo muito bem sentado 
Em conforto e concordância 
Em conforto e anuência 

Nas férias grandes redecoraste-te 
Bizarro na concepção 
E arriscaste um figurino 
Foste às compras de calção 
E sorriste aos teus parceiros 
De barraquinha na praia 
E à senhoria vizinha 
Que nunca tirou a saia 
Calculem só os senhores 
Agosto inteiro com saia 

Aturaste a pequenada 
Brigas brirras fraldas caca 
Apreciaste o traseiro 
Da amiga do teu amigo 
Rechonchudinha mulata 
- já é preciso ter lata! 
Viraste a cara em decoro 
Não vão os putos ver isto 
Espalhaste óleo pelas espaldas 
Enquanto a tua mulher 
Um pouco desconfiada 
Desabrida e despeitada 
Te exigiu 
- Ó silva tu muda as fraldas! 

Depois à noite porreiro 
Caminhaste na avenida 
Muito fresco e prazenteiro 
Com a pança bem comida 
Às vezes de um frango inteiro 
Que não és homem dos fracos 
Dos fracos não reza a história 
E o Silva é alguém na vida 
Homem de bem de memória 
Contabilista da firma 
Tal e tal rua da Glória 
- Sempre que quiser já sabe 
É uma casa às suas ordens… 

E depois pelo caminho 
Regressas gritas dás ordens 
Recuas gritas dás ordens 
E ameaças o outro 
Que ginou para este lado 
- se calhar querias coitado! 
E o camião chateado 
De se ver ultrapassado 

Regressas mais bronzeado 
Mais gordo talvez mais magro 
Mais velho um mês e quem sabe 
Mais cansado que à partida 

Regressas ao rame rame 
Enquanto suspirarás 
Todo o ano por um mês 
Todo o mês por outra vida 
Toda a vida por viver 
Algo que te valha a pena 
Ou então tu já nem sentes 
E mentes-te enquanto sentes 
E mentes e já não sentes 
E já não sentes mas mentes 

Ano a ano te esfolharam 
Te roubaram prestações 
Letras fantasmas viagens 
Cromos selos colecções 
Hálito fresco e saudável 
Graxa sabão brilhantina 

Mudaste a cor do salão 
De azul para verde marinho 
Do verde para um branquinho 
E enfim para um castanho 
- o que é que achas? – mais clarinho… 
E ao fim de tanto trocares 
Baralhares e confundires 
Acabas por rebentar 
Evitando pelo menos 
Teres enfim de destruir 
Tudo o que creste ser belo 
Ser lindo ser valioso 
Acabaste confundindo 
Viver com reeducar-te 

Passaste o tempo calcando 
O que podias ter sido tu 
Nu inteiro e pessoal 
Pois que assim afinal 
Foste um entre milhões 
Que de morte natural 
Tem uma cruz lega uns tostões 
E cai podre numa cova 
Em funeral 

Não te ficou nem um gesto 
Que não façam mais milhares 
Não te ficou nem um risco 
Um grito para espalhares 
Não te ficou nem uma sobra 
Uma intenção uma raiva 
Isto é caso pra dizer 
Parvo incapaz e castrado 
Rastejante e tão honrado 
Foste um escravo do dever 
Um pobre mais um na selva 

Repousa em paz bom rapaz. 

“Balada do desespero”, Pedro Barroso (Do lado de cá de mim) 



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Quarta-feira, 13.08.14

 

 

Letra

 

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