Segunda-feira, 29.09.14

José Mário Branco recebe Prémio Tenco em outubro

O cantor, compositor e poeta José Mário Branco, de 72 anos, recebe em outubro, o Prémio Tenco 2014, atribuído pelo Clube Tenco, que procura homenagear a memória do cantor Luigi Tenco, que morreu em 1968.

”Esta distinção pretende destacar a carreira do cantautor português e a contribuição que a sua obra e ativismo tiveram no desenvolvimento das artes e da sociedade”, afirma em comunicado a promotora de José Mário Branco.

O músico recebe o prémio no próximo dia 2 de outubro, em San Remo, em Itália, e participará no espetáculo musical que se realiza no Teatro Del Casinò, e que contará ainda com a participação da cantora grega Maria Farantouri, do coletivo checo Plastic People Of Universe e do índio norte-americano John Trudell.

O Prémio Tenco existe desde 1974 e já foi entregue, em edições anteriores, aos portugueses Sérgio Godinho, em 1995, e Dulce Pontes, em 2004.

Leo Ferré, Vinicius de Moraes, Jacques Brel, Leonard Cohen, Sílvio Rodriguez, Tom Waits, Caetano Veloso e John Cale, são alguns dos nomes já distinguidos com este galardão.

José Mário Branco gravou o seu primeiro disco, "Seis Cantigas de Amigo", em 1967. A sua discografia inclui, entre outros trabalhos, "Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades" (1971), "A Cantiga é uma Arma" (1976), "Ser Solidário" (1982), "A Noite" (1985), "Correspondências" (1990) e "Canções Escolhidas" (1999).

José Mário Branco tem trabalhado com outros músicos e compositores, nomeadamente Amélia Muge, Gaiteiros de Lisboa, Camané, Rui Júnior e José Peixoto.

No álbum duplo "Maio Maduro Maio", gravado ao vivo e editado em 1995, surgiu ao lado de João Afonso e Amélia Muge a cantar temas de José Afonso. Dos seus concertos, há seis anos, no Centro Cultural de Belém, Teatro da Trindade, Coliseu do Porto e Teatro Académico Gil Vicenet surgiu o registo "José Mário Branco ao Vivo em 1997".

José Mário Branco apresentou-se, há muito tempo, como "português, pequeno burguês de origem, filho de professores primários, artista de variedades, compositor popular, aprendiz de feiticeiro".

Numa entrevista à Lusa afirmou-se como um “apaixonado por um ativismo intervencionista”.

 

Retirado do Sapo Música



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Quinta-feira, 24.07.14
Letra
Perfilados de medo, agradecemos
o medo que nos salva da loucura.
Decisão e coragem valem menos
E a vida sem viver é mais segura.

Aventureiros já sem aventura,
perfilados de medo combatemos
irónicos fantasmas à procura
do que não fomos, do que não seremos.

Perfilados de medo, sem mais voz,
o coração nos dentes oprimido,
os loucos, os fantasmas somos nós.

Rebanho pelo medo perseguido,
já vivemos tão juntos e tão sós
que da vida perdemos o sentido...


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Letra

 

 

Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte



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Terça-feira, 03.12.13

 

Letra

 

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz implorar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ungüentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo




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Segunda-feira, 20.05.13

 

Letra

 

Maio maduro Maio, quem te pintou? 
Quem te quebrou o encanto, nunca te amou. 
Raiava o sol já no Sul. 
E uma falua vinha lá de Istambul.

 

Sempre depois da sesta chamando as flores. 
Era o dia da festa Maio de amores. 
Era o dia de cantar. 
E uma falua andava ao longe a varar.

 

Maio com meu amigo quem dera já. 
Sempre no mês do trigo se cantará. 
Qu'importa a fúria do mar. 
Que a voz não te esmoreça vamos lutar.

 

Numa rua comprida El-rei pastor. 
Vende o soro da vida que mata a dor. 
Anda ver, Maio nasceu. 
Que a voz não te esmoreça a turba rompeu.



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Quarta-feira, 20.02.13

 

Letra

 

a cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

há canta por interesse
há quem cante por cantar
há quem faça profissão
de combater a cantar
e há quem cante de pantufas
para não perder o lugar

a cantiga é uma arma
eu não sabia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

O faduncho choradinho
de tabernas e salões
semeia só desalento
misticismo e ilusões
canto mole em letra dura
nunca fez revoluções

a cantiga é uma arma
(contra quem?)
Contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

Se tu cantas a reboque
não vale a pena cantar
se vais à frente demais
bem te podes engasgar
a cantiga só é arma
quando a luta acompanhar

a cantiga é uma arma
contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria


Uma arma eficiente
fabricada com cuidado
deve ter um mecanismo
bem perfeito e oleado
e o canto com uma arma
deve ser bem fabricado


a cantiga é uma arma
(Contra quem camaradas?)
Contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
de pontaria

a cantiga é uma arma
contra a burguesia
tudo depende da bala
e da pontaria
tudo depende da raiva
e da alegria
a cantiga é uma arma
contra a burguesia



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Sábado, 25.08.12

 

 

letra

 

(Refrão) 
Qual é a tua, ó meu? 
Andares a dizer "quem manda aqui sou eu"? 
Qual é a tua, ó meu? 
Nesse peditório o pessoal já deu. 

Com trinta por uma linha 
Esburacaste a Liberdade 
E a Alegria 
É só puxar a Pontinha 
Cai o Carmo e a Trindade 
No mesmo dia 

Com tanta Ladra no mundo 
O teu Rato andava à caça 
de Sapadores 
Quanto mais a dor Dafundo 
Menos a gente acha Graça 
Aos ditadores 

(Refrão) 

O Intendente semeou 
O Desterro e o Calvário 
Sem nenhum dó 
Mas Santa Justa acordou 
Porque a Voz do Operário 
Não Fala-Só 

Pedes Ajuda e Mercês 
Mas só Palhavã vais pondo 
No nosso prato 
Engarrafa-se o Marquês 
E cai o Conde Redondo 
Mais o Beato 

(Refrão) 

Sem Socorro, ardeu-te a tenda 
E tu ficas Entrecampos 
A ver se escapas 
Mas como não tens Emenda 
Vais com Baixa de sarampo 
Para a Buraca 

Não é possível meter 
Águas Livres numa Bica, 
Como tu queres 
Quem pensa assim, podes crer, 
Campo Grande onde Benfica 
É nos Prazeres 

(Refrão) 



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Sexta-feira, 24.08.12

 

 

letra

 

Quando o avião aqui chegou
Quando o mês de maio começou
Eu olhei para ti
Então entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou

Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha na outra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
Pra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos cantei
Foram feitos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão

Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei pra ti
E então entendi
Foi um sonho lindo que acabou
Houve aqui alguém que se enganou

Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi pra esta força que apontou

E então olhei à minha volta
Vi tanta mentira andar à solta
Que me perguntei
Se os hinos que cantei
Eram só promessas e ilusões
Que nunca passaram de canções

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

Quando eu finalmente eu quis saber
Se ainda vale a pena tanto crer
Eu olhei para ti
Então eu entendi
É um lindo sonho para viver
Quando toda a gente assim quiser

Tenho esta viola numa mão
Tenho a minha vida noutra mão
Tenho um grande amor
Marcado pela dor
E sempre que Abril aqui passar
Dou-lhe este farnel para o ajudar

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou p´ra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

E agora eu olho à minha volta
Vejo tanta raiva andar a solta
Que já não hesito
Os hinos que repito
São a parte que eu posso prever
Do que a minha gente vai fazer

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei prá aqui chegar
Eu vou pra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar



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Quarta-feira, 25.04.12

 

Letra

 

EU VI ESTE POVO A LUTAR
(Confederação)

Letra e música: José Mário Branco

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

Sobre as águas calmas
Um vulcão de fogo
Toda a terra treme
Nas vozes deste povo

Mesmo no silêncio
Sabemos cantar
Povo por extenso
É unidade popular

Somos sete rios
Rios de certeza
Vamos lá cantando
No fragor da correnteza

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

A fruta está podre
Já não se remenda
Só bem cozidinha
No lume da contenda

Nós queremos trabalho
E casa decente
E carne do talho
E pão para toda a gente

Ai, meus ricos filhos
Tantos nove meses
Saem do meu ventre
Para a pança dos burgueses

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

Alça meu menino
Vê se te arrebitas
Que este peixe podre
Só é bom para os parasitas

Só a nosso mando
É que há liberdade
Vamos lá lutando
P’ra mudar a sociedade

Bandeira vermelha
Bem alevantada
Ai minha senhora
Que linda desfilada

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão





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Domingo, 18.03.12

 

Letra

 

Inquietação

 José Mário Branco

 

A contas com o bem que tu me fazes 
A contas com o mal por que passei 
Com tantas guerras que travei 
Já não sei fazer as pazes 

São flores aos milhões entre ruínas 
Meu peito feito campo de batalha 
Cada alvorada que me ensinas 
Oiro em pó que o vento espalha 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer 
Qualquer coisa que eu devia perceber 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Ensinas-me fazer tantas perguntas 
Na volta das respostas que eu trazia 
Quantas promessas eu faria 
Se as cumprisse todas juntas 

Não largues esta mão no torvelinho 
Pois falta sempre pouco para chegar 
Eu não meti o barco ao mar 
Pra ficar pelo caminho 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer 
Qualquer coisa que eu devia perceber 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Mas sei 
É que não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer 
Qualquer coisa que eu devia resolver 
Porquê, não sei 
Mas sei 
Que essa coisa é que é linda



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Quinta-feira, 28.07.11
Letra
Numa ruela de má fama 
faz negócio um charlatão 
vende perfumes de lama 
anéis de ouro a um tostão 
enriquece o charlatão 

No beco mal afamado 
as mulheres não têm marido 
um está preso, outro é soldado 
um está morto e outro f´rido 
e outro em França anda perdido 

É entrar, senhorias 
a ver o que cá se lavra 
sete ratos, três enguias 
uma cabra abracadabra 

Na ruela de má fama 
o charlatão vive à larga 
chegam-lhe toda a semana 
em camionetas de carga 
rezas doces, paga amarga 

No beco dos mal-fadados 
os catraios passam fome 
têm os dentes enterrados 
no pão que ninguém mais come 
os catraios passam fome 

É entrar, senhorias 
a ver o que cá se lavra 
sete ratos, três enguias 
uma cabra abracadabra 

Na travessa dos defuntos 
charlatões e charlatonas 
discutem dos seus assuntos 
repartem-se em quatro zonas 
instalados em poltronas 

P´rá rua saem toupeiras 
entra o frio nos buracos 
dorme a gente nas soleiras 
das casas feitas em cacos 
em troca de alguns patacos 

É entrar, senhorias 
a ver o que cá se lavra 
sete ratos, três enguias 
uma cabra abracadabra 

Entre a rua e o país 
vai o passo de um anão 
vai o rei que ninguém quis 
vai o tiro dum canhão 
e o trono é do charlatão 

Entre a rua e o país 
vai o passo de um anão 
vai o rei que ninguém quis 
vai o tiro dum canhão 
e o trono é do charlatão 

É entrar, senhorias 
a ver o que cá se lavra 
sete ratos, três enguias 
uma cabra abracadabra


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Quinta-feira, 16.06.11
José Mário Branco e Camané cantam os poetas portugueses
José Mário Branco e Camané abrem hoje o Festival Silêncio, em Lisboa, com um espectáculo em que interpretarão poemas de Ruy Belo, Sophia de Mello Breyners Andersen, Fernando Pessoa ou Natália Correia.

Em Música de Palavra(s), no cinema São Jorge, os músicos José Mário Branco e Camané interpretação repertório de ambos, com novas versões e arranjos feitos a pensar no Festival Silêncio, disse à Lusa fonte da produção.

 

A acompanhá-los estarão o contrabaixista Carlso Bica, o guitarrista José Peixoto e o pianista Filipe Raposo.

 

A base do espectáculo é a palavra, a poesia portuguesa, com uma nova abordagem, tendo sido incluídos ainda textos de David Mourão-Ferreira, Antero de Quental e Manuela de Freitas.

 

A terceira edição do Festival Silêncio estender-se-á até ao dia 25 nas três salas do cinema são Jorge e no Musicbox, em Lisboa, e este ano reforça a ligação da palavra e do silêncio à música e à literatura, cruzando as duas áreas em espectáculos encomendados para o evento.

 

Além do espectáculo de abertura, também o de encerramento foi encomendado pela organização: no dia 25 Moradas do Silêncioterá uma homenagem ao poeta Al Berto com Sérgio Godinho, JP Simões, João Peste, Rui Reininho e Noiserv, projeto de David Santos.

 

Lee Ranaldo, guitarrista dos Sonic Youth, terá uma actuação despoken word no domingo no Musicbox, e o histórico jamaicano Linton Kwesi Johnson, poeta e fundador da dub poetry, apresenta-se no dia 22 no cinema São Jorge.

 

Sobre a palavra na literatura, haverá Conversas do silêncio que desafiarão escritores portugueses e estrangeiros no mesmo palco.

 

Foram convidados Afonso Cruz, José Eduardo Agualusa, João Tordo, Richard Zimler e também Zoran Zivkovic, autor sérvio de A Biblioteca que apresentará em Lisboa O último livro, e a escritora francesa Maylis de Kérangal, autora do romance Nascimento de uma ponte, Prémio Medicis 2010.

 

Via Sol



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Sexta-feira, 03.06.11
Letra
No céu cinzento sob o astro mudo
Batendo as asas pela noite calada

Vêm em bandos com pés de veludo
Chupar o sangue fresco da manada
Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhes franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada [bis]

A toda a parte chegam os vampiros
Poisam nos prédios poisam nas calçadas
Trazem no ventre despojos antigos
Mas nada os prende às vidas acabadas

São os mordomos do universo todo
Senhores à força mandadores sem lei
Enchem as tulhas bebem vinho novo
Dançam a ronda no pinhal do rei

Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

No chão do medo tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos na noite abafada
Jazem nos fossos vítimas dum credo
E não se esgota o sangue da manada

Se alguém se engana com seu ar sisudo
E lhe franqueia as portas à chegada
Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada

Eles comem tudo eles comem tudo
Eles comem tudo e não deixam nada


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