Domingo, 28.05.17

 

Letra

 

[Refrão: Rael]
Não tem padrão nem clichê
A minha visão é livre
Há quem diga que a vida
Pra você não é ideal
Ideal, ideal, ideal
Mas vem comigo que eu te passo a visão

[Verso 1: Capicua]
És como sorvete, eu quero sorver-te
Eu quero derreter-te e ter-te por perto
Mas tu não sabes disso, que eu nunca te disse
Mas também não é preciso: olha o meu sorriso
É chocolate e menta, batimento aumenta
Tu deitas pimenta, e a receita bate certo
Mas sem compromisso que eu não gosto disso
É que o abstracto nisto, vai ser muito mais concreto

[Verso 2: Rael]
Olha os discos na minha prateleira, [?]
De contra-cultura maneira, que nem os punk
Mostrando a visão verdadeira, que não te tranque
Cê é louco cachorreira, Perera Funk
Te tiro de toda a sujeira... virtual
Te faço uma rima ligeira... marginal
Você se derrete inteira... natural
Tá bom, já entendeu que o meu mundo é ideal

 


[Refrão: Rael]
Não tem padrão nem clichê
A minha visão é livre
Há quem diga que a vida
Pra você não é ideal
Ideal, ideal, ideal
Mas vem comigo que eu te passo a visão

[Verso 3: Emicida]
Eu já vi mais infernos do que Constantine
Lutando por amor igual Patrine
[?] cair me seca as mágoas
Redefine a vida amarga, agora é sublime
Se entrega, se a poesia é boa a ferrugem não pega
Pois é, dizem que um homem precisa de um vício
Então vem ser o meu cigarro, meu café
Aquele beijo foi um pause, o que que eu faço?
To de mudança, eu vou morar no seu abraço
Cabuloso, Pixinguinha, carinhoso, tá delícia, tá gostoso
Eu vim chavoso pruns amasso
Uma pá de coisa má pra desunir
Pra resumir fiz sumir, por Uni Duni Tê
[?] na chegada, cata um vinho
Toca o "Fado" da Carminho, sai a rodada

[Refrão: Rael]
Não tem padrão nem clichê
A minha visão é livre
Há quem diga que a vida
Pra você não é ideal
Ideal, ideal, ideal
Mas vem comigo que eu te passo a visão

[Outro : Capicua]
Manjericão, abacaxi e chocolate
Morango, limão, maracujá e abacate
Baunilha, melão, café, avelã e menta
Coco com banana, caramelo com pimenta

Manjericão, abacaxi e chocolate
Morango, limão, maracujá e abacate
Baunilha, melão, café, avelã e menta
Coco com banana, caramelo com pimenta

Manjericão, abacaxi e chocolate
Morango, limão, maracujá e abacate
Baunilha, melão, café, avelã e menta
Coco com banana, caramelo com pimenta

 



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Quarta-feira, 17.05.17

sergio godinho.png

 

SÉRGIO GODINHO

EM PARIS COM CAPICUA E FILIPE RAPOSO

No próximo sábado, dia 20 de Maio, o festival parisiense “Chantiers d’Europe” recebe Sérgio Godinho para um concerto de características muito especiais – a acompanhar o “escritor de canções” estará o compositor e pianista Filipe Raposo e com o estatuto de “convidada” a rapper Capicua.

Tratar-se-á de um concerto inédito já que será a primeira vez que os três se cruzarão em palco ainda que esta não seja a primeira vez que Sérgio Godinho recebe Capicua nos seus espectáculos – em 2014 a rapper portuense participou nos concertos de apresentação de “Liberdade” no Rivoli – ou que é acompanhado pelo pianista com quem aliás tem realizado apresentações em Portugal e no estrangeiro ao longo do último ano.

Num artigo publicado na semana passada no Le Monde, o jornalista Patrick Labesse destaca no título que Sérgio Godinho “canta males e maravilhas” e evocando a biografia de Sérgio, nomeadamente a vivência em França quando do “Maio de 68”, descreve a sua experiência de assistir à apresentação realizada no passado dia 29 de Abril no âmbito do evento “Dias da Música” e de ter acompanhado Sérgio Godinho até Grândola para a inauguração da exposição “Sérgio Godinho – Escritor de Canções” que a edilidade local tem em exibição nos Antigos Paços do Concelho. 

De volta a Portugal, Sérgio Godinho efectuará uma apresentação no Porto integrada na iniciativa “Cultura em Expansão”, cujo objectivo é a descentralização dos eventos culturais, que terá lugar na Associação de Moradores da Bouça no bairro emblemático portuense com o mesmo nome.

 

AGENDA CONCERTOS:

20 MAI / CHANTIERS D’EUROPE / ESPACE PIERRE CARDIN / PARIS (com Filipe Raposo e participação especial de Capicua)

27 MAI / CULTURA EM EXPANSÃO / ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DA BOUÇA / PORTO (com Filipe Raposo)

03 JUN / NORTH MUSIC FESTIVAL / ESTÁDIO D. AFONSO HENRIQUES / GUIMARÃES (“JUNTOS” com Jorge Palma)

 



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Domingo, 02.04.17

 

Letra "Ela":
(Capicua)
Meu nome é Ana e sou viciada em música
É ela quem me chama quando eu já não estou lúcida
Quando o mundo desaba e o coração se quebra é ela
Que o cola e sara, ela é que me devolve à terra

Ella como Fitzgerald, dura como a battle
Eu gosto dela negra como heavy metal
Bela com som ou a capella, zuka como novela
Tuga como a minha terra ou afro como o Fela

Ela é como um exorcismo e eu cismo em viver dela
É imprevista como um sismo e eu finjo conhecê-la
Sê-la é o que eu faço hoje, foi a única saída
E foi um DJ, de facto, que salvou a minha vida

(Emicida)
Noite camufla
Sumo, supra-sumo
Eu, rumo ao abismo
Tipo Gizmo batismo

Domínio, uno
Luzes do globo
Cores do todo diz
Dá até a impressão que todo mundo é feliz

Os ladrão e as meretriz
Brindes de fel
Lembrei da voz do Blue
Os passarinho e as cascavel

Veneno é mel no inferno
Sou Xangô sem alarde
Minha alma não vai se fundir com os covarde

Vim pelo som
Meu bom, meu dom, meu deus
Zoom no piston, toca, alvo da fé dos ateus

Tonelada e mais tonelada de tretas, sujeira
Solidão como karma e a música de companheira
Fui

(Rael)
Ela surge como um vendaval
Força que me faz existir
És enredo do meu Carnaval
Ela é Jamelão, Zé Keti

Ela quem me afasta do mal
Me livra dos pé de breque
Minha oração, ritual
Ela é quem é

(Valete)
Pra mim biográfico, pra ti cinematográfico
Eu estava nos barracos dos bairros problemáticos
Meus putos estavam na batida do dinheiro rápido
A tentar sair do buraco através do narcotráfico

Meu mano Dida disse Viris, vê se te resguardas
Fica na retaguarda, nesta vida não te enquadras
Aquié só vender quartas, fugir dos guardas
Correria e esquadras, a tua cena são as quadras

Larguei a rua insana, resolvi rimar o panorama
Hoje sentes os quilogramas de versos que eu kamasutro
Divulgo a trama nesta minha rotina suburbana
Componho dramas tão vívidos, chamam-me de dramaturgo

Metade dos meus manos hoje estão encarcerados
Meu mano Osvaldo, baleado e enterrado
Tenho sempre as caras deles nos meus pesadelos
Se não me tivesse afastado teria acabado como eles

Hoje sou eremita, veículo da rima honesta
Compenetrado como um islamita na mesquita
E eu limo arestas nestas palavras funestas
Lágrimas e luto, não há festa nesta escrita

(Rael)
(4x)
Ela, ela é
Ela, ela, ela é quem é
Ela

Ela surge como um vendaval
Força que me faz existir



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Domingo, 26.03.17

 

Letra

 

Não encontrei a letra desta música

 



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Quinta-feira, 26.01.17

 

Letra

 

Não encontrei a letra desta música

 



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Segunda-feira, 23.01.17

 

Letra

 

Não encontrei a letra desta música

 

Tema: "A Cor da Rosa"
Letra e Voz: Capicua
Música: Pedro Geraldes

 



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Quarta-feira, 01.06.16

 

Letra

 


"Lúcia-lima cheira a limão
Com seu nome de menina
E casa bem com o Príncipe
Que dá nome à erva prima.
O Manjerico é tão cheiroso
Que todos passam a mão
E se tem a folha grande
Já vira Manjericão.
Camomila é uma flor
Que acalma o coração
Que deixa o cabelo loiro
Quando bate o sol no verão.
O Orégão cheira a pizza
Ou a pizza é que vice-versa
Tem a folha pequenina
Mas perfuma uma travessa!

No chá, no champô, na chiclete
No elixir, no xarope
Erva de cheiro cheirosa
Crescida no chão do bosque!

Senhor Coentro e Dona Salsa
São um casal caricato
Ele é um pacato alentejano
Ela baila salsa no prato.
O Funcho é como um luxo
Chamado de erva-doce
E na beira do caminho
Cheira a xarope da tosse.
O Louro largou as folhas
Lá o fundo da panela
Mas até imperadores
Faziam coroas delas.
A Hortelã é muito fresca
E usada em rebuçados
De mentol, menta, pimenta
Pra dar beijos perfumados.


No chá, no champô, na chiclete
No elixir, no xarope
Erva de cheiro cheirosa
Crescida no chão do bosque!

A Alfazema cheira bem
Como a gaveta da mãe
E deixa o melhor perfume
Que a natureza tem.
A Cidreira é erva boa
Que serve pra fazer chá
E só faz mal à pessoa
Se a pessoa for má!

No chá, no champô, na chiclete
No elixir, no xarope
Erva de cheiro cheirosa
Crescida no chão do bosque!"

 



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Domingo, 11.10.15

 

Letra

 

Tu fumas à janela, olho pra ti espelhado nela,
A noite é longa e dentro dela, a chuva pinta uma aguarela
Somos tu e eu, só tu e eu, tu e eu, só tu e eu...
E é quando me tocas que eu sei. Eu sei.
Porque é que eu ainda não te ultrapassei. E sei...
Que nada eu que eu vivi ou viverei
Pode ser maior que o nosso fogo e neste jogo todo és rei.
O lume, o fumo, o perfume, o cheiro...
O lume, o fumo, o perfume, o cheiro...
O lume, o fumo, o perfume, o cheiro...
O lume... o cheiro...
E é quando me falas que eu sinto...
Que as palavras são amargas como o tinto
E esses lábios doces cor de vinho
Só me mentem ao dizer “Eu não te minto”!
E nesses olhos verdes absinto
Eu só consigo ver um labirtinto.
E é quando tu te calas que eu penso...
Porque é que não és feito de silêncio?
Dás-me um copo que eu dispenso
Estendo o corpo e adormeço
sono tenso, sonho intenso
entre nós só fumo denso
fumo denso...
é só fumo denso...
fumo denso...
Dás-me um copo que eu dispenso
Estendo o corpo e adormeço
sono tenso, sonho intenso
entre nós só fumo denso
só fumo denso...
fumo denso...
é só fumo denso...
...
Tu fumas à janela, olho pra ti espelhado nela,
A noite é longa e dentro dela, a chuva pinta uma aguarela
Somos tu e eu, só tu e eu, tu e eu, só tu e eu...
O lume, o fumo, o perfume, o cheiro...
O lume, o fumo, o perfume, o cheiro...
O lume, o fumo, o perfume, o cheiro...
O lume... O cheiro...

 



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Terça-feira, 16.06.15

 

 

Letra

 

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Quarta-feira, 11.03.15

 

Letra

 

Hoje a minha dor é esta
No cosmo dos dois caminhos
Querer deitar fogo à floresta
sem queimar os ninhos
nem o sol da sesta

Tu conheces as minhas faces todas como a lua
E desconheces que a vida muda até a tua lupa
E que eu não sou a única que está diferente
E que não não há uma só critica ou vítima em julgamento
Eis o reconhecimento, vamos começar de novo
Reconhecermos os erros é conhecermos o outro
Faz o que é suposto recomeço é necessário
Seco as lágrimas do rosto em mais um aniversário

E confio que por muito que isto tudo seja um erro
Tem de haver a recompensa para se ser tão ingénuo
E eu juro finjo que páro, digo que saiu, mas não vou
Eu calo e quando falo eu nunca abro o jogo todo
Eu fico achando que arco mas depois mato o que restou
Não queimo então não chega porque amor para mim é fogo
Insisto, eu não desisto, ainda resisto a mais um teste
Senão é isto, não existe porque amor tem de ser este

E eu deitava fogo à casa com palavras se pudesse
Eu punha o pé na estranha e não voltava mais a ver-te
Eu rezava se soubesse, ou se desse algum resultado
E se houvesse alguma prece que mudasse o meu passado
Para não te ter tatuado a ferro quente no colo
Com a frieza de quem queima a mata com uma lupa ao sol
P'ra não te ter sempre ao lado em fantasma quando não estás
Sentindo que olhar para a frente, é voltar a andar para trás

Tatuado a ferro quente
Queima mata lupa ao sol
O passado à minha frente
E o fantasma no meu colo

Hoje a minha dor é esta
No cosmo dos dois caminhos
Querer deitar fogo à floresta
sem queimar os ninhos
nem o sol da sesta

Tatuado a ferro quente
Queima mata lupa ao sol
O passado à minha frente
E o fantasma no meu colo (2x)

Hoje a minha dor é esta
No cosmo dos dois caminhos
Querer deitar fogo à floresta
sem queimar os ninhos
nem o sol da sesta

nem o sol da sesta


E eu juro finjo que páro, digo que saiu, mas não vou
Eu calo e quando falo eu nunca abro o jogo todo
Eu fico achando que arco mas depois mato o que restou
Não queimo então não chega porque amor para mim é fogo

 



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Letra

 

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Terça-feira, 03.03.15

capicua_medusa.jpg

 

 

Capicua edita esta semana "Medusa", um álbum de remisturas de músicas do disco anterior, "Sereia louca", e que inclui duas canções inéditas, uma delas sobre violência contra as mulheres.

"É um disco coletivo, de remisturas feitas por várias tribos, e é para celebrar um ano de vida de 'Sereia Louca'", diz a rapper portuense.

O disco tem 14 remisturas e dois originais, 'Medusa', com Valete, e 'Egotríptico', com M7 e DJ Ride", explicou a artista à agência Lusa.

O álbum abre precisamente com "Medusa", um tema que inclui excertos de poemas ditos por Sophia de Mello Breyner Andresen: "Já queria escrever há muito tempo sobre a violência contra as mulheres, não só violência doméstica, mas sobre 'cyberbullying', sobre abuso sexual, sobre a liberdade sexual e como coletivamente a reprimimos, sobre a culpabilização da vítima".

Para o tema, Capicua recorreu à figura da Medusa, da mitologia grega, "uma história poderosa sobre a culpabilização da vítima, uma mulher que foi castigada e transformada num monstro [cujo cabelo foi transformado em serpentes e cujo olhar petrifica]. E a medusa remete também para o universo aquático da 'Sereia louca'".

Segundo a artista, o tema "Medusa" representa também aquilo que esteticamente quer fazer no futuro: "Uma escrita com mais silêncios, entre um rap e a 'spoken word'".

O álbum de remisturas agora editado conta com a participação de vários DJ e produtores, que reinventaram alguns dos temas de "Sereia Louca" (e também do álbum anterior), tendo apenas por base a voz de Capicua.

Entre os convidados estão os Octa Push, White Haus (João Vieira), Sam The Kid, DJ Ride, Expeão e DJ Marfox, na reinvenção de temas como "Vayorken", "Mão Pesada", "Lupa" e "Soldadinho", este com a participação de Tamin, vocalista dos Cais Sodré Funk Connection.

"Medusa", "um disco mais elétrico, mais dançável", sai um ano depois de "Sereia louca", álbum que fez chegar o rap a "públicos muito diferentes, a muitas tribos urbanas e que teve uma expansão geográfica maior", recorda a artista.

O disco de remisturas serve ainda para Capicua - nome artístico de Ana Matos Fernandes - voltar à estrada, com o arranque de uma nova digressão pelo país marcado para 11 de abril na Casa da Música, no Porto, e, no dia 16 desse mês, na discoteca Lux, em Lisboa.



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Letra

 

(Capicua)
Ela é medusa.
A vítima que toda a gente acusa.
E de quem a vida abusa.
Ela é Medusa e recua e recusa
E resiste, ele insitiste e arranca-lha a blusa e usa-a
Escusa, ela acua, sozinha na rua
Seminua
Semi-sua
Semi- morta
Porque mais ninguém se importa!
Ela é Medusa
O corpo pra que toda a gente aponta
Que posta, não gosta,
faz troça, desmonta
Comenta, ali exposta na montra,
De fita métrica pronta
Examina-se a carne
E critica-se a “coisa”.
O resto não conta
É uma sombra...
É uma sombra...
É uma sombra...
_

Por cada vítima acusada
E transformada em monstro
Em cada casa, cada caso,
Cada cara e cada corpo
Em mais um dedo apontado ao outro,
Cresce a ira da Medusa que me vês no rosto
_

(Valete)
Em cima da ponte está a tua irmã desaparecida
em interação com aqueles instintos suicidas
abatida na depressão duma história nunca esquecida
vencida por um trauma de uma violação aos 15
Em cima da ponte está a mulher que bombardeiam
Por usar a liberdade sexual tão proclamada
Degolada por tantas ofensas que vocês fraseiam
Exterminada por aquele nojo daqueles que a rodeiam
Em cima da ponte está Maria Conceição
Vítima de uma relação e de um amor tirano
Marcada pela opressão e traumatismos cranianos
Golpeada por quase 20 anos de agressão doméstica
Em cima da ponte está a tua vizinha acanhada
Há muito aniquilada por esperanças que se esfumam
Há muito rebaixada por vexames que se avolumam
Envergonhada pelo próprio corpo que todos repugnam
Em cima da ponte...
_

Por cada vítima acusada
E transformada em monstro
Em cada casa, cada caso,
cada cara e cada corpo
em mais um dedo apontado ao outro, Oh!’
Cresce a ira da Medusa que me vês no rosto
_
(Capicua)
Ela é Medusa
A miúda de que toda a gente fala.
Na rua, na sala de aula, e à baila
Vem ela, a cadela, a perdida, sem trela,
Vadia, cautela com ela,
Que é livre, e vive
A vida dela
Como se atreve?
Aquela...
Como se atreve?
Aquela...
Como se atreve?
Aquela...
Ela é Medusa
Aquela de que mais ninguém tem pena
Que apanha, sem queixa, que deixa e aguenta
Aquela que pensa que o amor é pra sempre,
E na crença, sofre em silêncio...
Só.
Completamente só.
Esconde a nódoa negra com o pó.
Só.
Completamente só.
Esconde a nódoa negra com o pó.
_

Por cada vítima acusada
E transformada em monstro
Em cada casa, cada caso,
cada cara e cada corpo
em mais um dedo apontado ao outro, Oh!’
Cresce a ira da Medusa que me vês no rosto
é a minha ira, a nossa ira, a ira...
a minha ira, a nossa ira, a ira...
a minha ira, a nossa ira, a ira...

 



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Quarta-feira, 10.12.14

 

Letra

 

Não encontrei a letra desta música

 



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Terça-feira, 03.06.14

 

letra

 

Quando for grande, vou ser prof. de windsurf
E quando danço, rodo e faço "brinc-dance"
Que como a Jane Fonda, é de Vayorken
E Vayorken, a gente diverte-se imenso! (x2)

Era para ser Artur e nasci Ana
(Ana quê?) Ana só.
(Ana só?) Sim, sou a Ana.
Era percentil noventa nos anos oitenta
E entre colheradas chorava sempre faminta
Sempre vestida como um mini comunista
Com roupas que a mãe fazia com modelos da revista
Eu queria ser pirosa, vestir-me de cor-de-rosa
Vestir Jane Fonda na ginástica da moda
Com sabrina prateada, licra collant
Cria de pequeno pónei bem escovadas, espampanante
Tinha a mania de pôr as cores a condizer
No meu entender, rosa com vermelho não podia ser
Uma noctívaga que não dormia a sesta
E, de manhã, sempre quis menos conversa
Uma covinha só de um lado da bochecha
Adormecia com o pai e a mesma canção do Zeca
"Dorme, meu menino, a estrela-d'alva"

Era sempre mais Mafalda do que Susaninha
Ai de quem dissesse mal do Sérgio Godinho!
Ainda tenho alguns postais para a gentil menina
Enviados pelos pais de um qualquer destino
E se alguém me perguntar pelo pai, pela mãe
Eu sei, sei, foram para Vayorken, Vayorken
Foram para Vayorken, Vayorken, Vayorken

Quando for grande, vou ser prof. de windsurf
E quando danço, rodo e faço "brinc-dance"
Que como a Jane Fonda, é de Vayorken
E Vayorken, a gente diverte-se imenso! (x2)

Com dois anos, o primeiro palavrão
Cheia de medo, em cima do escorregão
Mau feitio bravo, vício de gelado
Todo sábado sagrado, mesmo durante o inverno
Acabava com a arca do café ao pé do prédio
Ainda comi os gelados que eram do meu primo Pedro
Ana da bronca, sempre do contra!
E coragem de fechar duas miúdas na arrecadação
Às escuras, pobres criaturas!
Por me serem impingidas como amigas à pressão
(Ó Ana, onde é que está a Rita e a Joana?)
(Sei lá! Não sei.)


No infantário dei o meu primeiro beijo
Ainda me lembro como se fosse hoje
Contei à minha avó que tanto se riu
Que até debaixo da mesa com vergonha me escondi eu
O tal espigueiro e o gato amarelo
No meu poema, no novo caderno
Muito elogio pela redacção
E muita paciência para o poder de argumentação

Quando for grande, vou ser prof. de windsurf
E quando danço, rodo e faço "brinc-dance"
Que como a Jane Fonda, é de Vayorken
E Vayorken, a gente diverte-se imenso! (x2)

O "brick-dance" vem de Vayorken
O graffiti vem de Vayorken
O hip-hop vem de Vayorken
Vayorken, Vayorken, Vayorken, Vayorken
O "brick-dance" vem de Vayorken
A Jane Fonda vem de Vayorken
O windsurf não,
O windsurf não vem de Vayorken

Quando for grande, vou ser prof. de windsurf
E quando danço, rodo e faço "brinc-dance"
Que como a Jane Fonda, é de Vayorken
E Vayorken, a gente diverte-se imenso! (x4)



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Quinta-feira, 10.04.14

Capicua no Musicbox: Histórias do mar, da terra e do ar

 

São vários os atributos que podemos encontrar reunidos num MC. Uns mais importantes do que outros (uma análise que é sempre subjetiva), mas, ao mesmo tempo, todos indispensáveis. No que toca ao storytelling,Capicua já atingiu uma destreza notória. De tal forma que nos deixamos ser sequestrados pelas suas narrativas, partindo em viagens longas e cativantes, pautadas pelo seu especial à vontade nos domínios da palavra. A verdade é que Ana Matos Fernandes, nome que figura no seu bilhete de identidade, consegue transmitir aquilo que sente de forma direta, sem truques, pura e transparente como a água que canta em "Líquida". Que o digam aqueles que lotaram por completo o Musicbox, no fim-de-semana passado, aquando da apresentação oficial de "Sereia Louca", o segundo disco de originais de Capicua.

 

Tal e qual como no álbum, o espetáculo dividiu-se em duas metades completamente distintas. A primeira, ligada à mesa de mistura de D-One, DJ que acompanha a artista ao vivo, trouxe canções do novo álbum; a segunda, acústica, secundada pela viola de Mistah Isaac, repescou temas antigos. Mas, como todas as boas histórias, esta também teve um início. E foi através de um discurso pré-gravado que Capicua introduziu o concerto, relatando aos presentes o sonho que deu origem a "Sereia Louca", e lançando-se, logo de seguida, à faixa-título do álbum, provocando os primeiros acompanhamentos vocais da noite.

 

Capicua adora contar-nos histórias, adora que as oiçamos e esforça-se ao máximo para que as suas ideias nos cheguem de forma clara. Por isso mesmo, recorreu à componente visual para ilustrar as suas músicas, através da veia artística de Dário Cannatá, que deu asas à imaginação e ilustrou, live on tape, recorrendo à tecnologia e a uma tela montada na traseira de palco, as temáticas abordadas (principal destaque para a recriação da "Casa no Campo", de Capicua).

 

Acompanhada na voz por M7, a artista percorreu "Sereia Louca" de lés a lés, contagiando o Musicbox que, completamente à pinha, não se poupou nos aplausos. "Dia 12 de abril vou estar no Jardim de Inverno do teatro São Luiz", adiantou a anfitriã, pedindo à plateia para transmitir aos amigos que não conseguiram marcar presença no Musicbox que haverá mais uma hipótese de a ouvirem ao vivo. "Vai ser um concerto com os They're Heading West, a convite do Sérgio Godinho, num formato mais acústico", acrescentou, servindo de mote para o momento que se seguiu, em que foi possível ouvir temas como "Casa no Campo", "Vinho Velho" e "Luas" a ganharem novas roupagens, confirmando a excelência de Capicua no campo da poesia falada ("Jugular", cantada a cappella, rematou o momento com chave de ouro).

 

Até ao final do concerto ainda houve tempo para o público se deliciar com "Medo do Medo", um dos primeiros testemunhos da grandeza lírica da rapper portuense, "Soldadinho", que contou com a participação de Gisela João (a fadista viria a oferecer um ramo de flores à MC, já em tempo de descontos) e um regresso ao passado com "Lingerie", "Maria Capaz" e "Tabu". Mas seriam "Mão Pesada", com Dário a desenhar a silhueta de Frida Kahlo na tela, "Vayorken", tema autobiográfico que encerra "Sereia Louca", e "Pedras da Calçada" os últimos temas a serem ouvidos no Musicbox, colocando, assim, um ponto final na passagem da artista por Lisboa. Para aqueles que não conseguiram ir, não há que desesperar. Para além da atuação do próximo dia 12, no teatro São Luiz, Capicua prometeu um regresso a Lisboa no próximo mês de maio. Resta esperar.

 

Manuel Rodrigues

 

Retirado de Palco Principal



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Sábado, 15.03.14

 

 

Letra

 

Menina dos olhos tristes

o que tanto a faz chorar

o soldadinho não volta

do outro lado do mar

do outro lado do mar

 

Pequeno soldadinho grande

tenho saudades tuas

desses teu olhos brilhantes

sedentos de aventuras

da tua elegância britânica

num pijama anil

da tua candura titânica

mas quase infantil

mesmo se os ossos tivessem envelhecido

mesmo se os olhos tivessem escurecido

já te fui conhecer entre a morte e a tua mãe

quem te trouxe foi a música que amaste também

à livraria fui comprar o quero arte pra ti

tudo pra te dar a estrada e a liberdade

 ...... de saída aninhei-me naquela árvore

e ainda mais esquesita foi a vida ali buscar-me

 

Menina dos olhos tristes

o que tanto a faz chorar

o soldadinho não volta

do outro lado do mar

do outro lado do mar

 

Só querias ir pra casa

mas nunca te queixaste

para poupar os teus pais e os demais nunca choraste

amaste o mundo mesmo quando foi injusto

e só te restava o o sonho como um último reduto

mostraste que a ternura é a bravura de um homem 

e que ser forte é ser doce mesmo se as horas nos comem

bravo soldado grande diante da morte

delicado com o outro quando o teu corpo sofre

porque quando nada importa é quando importa de facto

saber sorrir para a sombra que mora no mesmo quarto

na luta ou no luto lado a lado de laço apertado

ali até que o luzir muda até ser escuro até ser vácuo

 

Menina dos olhos tristes

o que tanto a faz chorar

o soldadinho não volta

do outro lado do mar

do outro lado do mar

 

Já curta outros laços

e .. de muito luto

já me levou os seus braços

pra abraçar o outro mundo

mas tu foste ainda mais cedo

e a perda custa-nos muito

a batalha que travaste

foi de longe a mais injusta puto

nem tive tempo pra te ensinar palavrões a sério

pra te ouvir a praguejar alto e a gritar impropérios

pra te ver despenteado corado à gargalhada

vim tarde mas cheguei antes e devo-te um obrigada

quando está escuro ainda volto àquela árvore

onde a um pouco mais esquisita ainda  a vida vai buscar-me

na luta ou no luto lado a lado do laço apertado

na luta ou no luto lado a lado do laço apertado

na luta ou no luto lado a lado do laço apertado

ali até que o ser mude até ser escuro até ser vácuo

 

Menina dos olhos tristes

o que tanto a faz chorar

o soldadinho não volta

do outro lado do mar

do outro lado do mar

 



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Letra

 

passa o passe pelo torniquete

espera que o portão abra assim que a hora chegue

para que o barco saia

ainda é de madrugada

o ar frio corta-lhe a cara

e no cais os sons metálicos são a banda sonora

 um grito de gaivota

um puto chora de com sono

enquanto a mãe tenta calá-lo

com um biberão de leite morno

e ela lembra-se dos filhos

que ficaram sós em casa

e dos filhos da patroa

pra cuidar na outra margem

já se vê Lisboa ao fundo

que amanhece sonolenta

e o motor do barco reza numa lenga lenga lenta

 

come bolacha Maria

ali sentada entre as mulheres

e na revista Maria fica a par dos fadi vers

mão gretada da lixivia

pele negra cabelo curto

saudade de Cabo Verde 

vontade de um mundo justo

porque é sempre mais difícil

pra ela que tem ... escolher a solidão

entre um bebado e um adulto

entre o pó e a sanita

vai limpar também as lágrimas 

e vai rezar também a Fátima

prá filha não estar grávida.

 

avé Maria cheia de graça

o senhor é convosco

bendita sois vós entre as mulheres

 

este balanço do barco

lembra o mar de Santiago

e ao largo do Barreiro

quase vê a ilha de Maio

quase sente o mesmo cheiro

e vai crescendo o seu desejo

de seguir no cacilheiro

é ir até Pedra Badejo

até que vê a ponte Salazar ali ao lado esquerdo

ou 25 de Abril como agora é bom dizer

e percebe que mesmo que façam pontes sobre o rio

ele é demasiado grande para que possam unir-nos

e ali no meio do Tejo

debaixo do céu azul

deu conta que até Cristo

virou as costas ao Sul

 

Ali no meio das mulheres

do barco da madrugada

sente a fadiga da lida

da faxina e da faina pesada

sofre da dupla jornada

pra por comida na mesa

com a força de matriarca

que arca com a despesa

e entre toda aquela gente

ela é só mais uma preta

só mais uma emigrante

empregada da limpeza

só mais uma que de longe vê a imponência imperial

do tal Terreiro do paço da Lisboa capital

mais uma que À chegada vai dispersar da manada

enquanto a cidade acorda

já elas estão na batalha à muito tempo

por que o metro, comboio, o autocarro

podem-nos faltar à gente

mas não a gente ao trabalho

são os outros cacilheiros

outras pontes do povo

porque a grande sobre o rio

mesmo se o estado é novo

tem nome de um grande herói da história colonial

e ela  mais uma heroína que não interessa a Portugal

em comum só este barco o mesmo rio o mesmo mar

e a mesma fé que esta vida foi feita pra navegar

em comum só este barco o mesmo rio o mesmo mar

e a mesma fé que esta vida foi feita pra navegar

 

navegar é preciso viver não é preciso

navegar é preciso viver não é preciso

navegar é preciso viver não é preciso

 

O barco

meu coração não aguenta

tanta tormenta



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Sexta-feira, 07.03.14

 

Letra

 

Todos os dias faz anos que foram inventadas as palavras

é preciso festejar todos os dias o centenário das palavras

o preço de uma pessoa vê-se na maneira como gosta de usar as palavras

lê-se nos olhos das pessoas

as palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um

nós não somos do século de inventar as palavras

as palavras já foram todas inventadas

nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas

há palavras que fazem bater mais depressa o coração

cada palavra é um pedaço do universo

um pedaço que faz falta ao universo

todas as palavras juntas formam o universo

as palavras querem estar nos seus lugares

gasto os dias a experimentar lugares e posições para as palavras

é uma paciência de que eu gosto

é o meu gosto

agarrei uma mão cheia de palavras e espalhei-as por cima da mesa

ficaram nesta posição



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Letra

 

Não encontrei a letra desta música



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Terça-feira, 04.03.14

 

Letra

 

Eu calo as palavras, poupo o vocabulário, é que
Pró meu silêncio ainda não há um dicionário
E eu não falo sem pensar e não quero pensar demais
Não espero interpretações ou traduções emocionais.
Como todas as mulheres quero sentir que sou diferente
Sou todo o cliché da vida toda pela frente.
Sou carente q.b. como um domingo persistente em que
Não sei porquê a gente tem olhar ausente.
Amiga como tu tenho medo da rejeição
Chorei deitada no chão, achei que era em vão e não
Havia solução a ferida ficaria aberta,
É certo que te marca mas não mata só desperta.
Também sou insegura ponho a lupa nos defeitos,
Tenho a fúria do espelho, muitas dúvidas no peito
Ás vezes não me valorizo, não grito quando é preciso
Não tenho juízo e vivo em função doutro indivíduo
Como tu não sou perfeita mas esse é o nosso carisma
E quem cisma e não respeita não consegue ver um cisne.
A beleza não se finge é aquilo que tu emanas, mana
Como uma esfinge fica sólida a uma deusa humana.
Somos assim cheias de contradições como as tradições sem fim que nos atiram pra depois.
Vestem-nos de cor de rosa pra enfeitar um mundo que é cinzento,
Querem-te vistosa mas cagam em como estás por dentro
E não tens tempo pra te amares a ti
Tens de ser loira, boa, magra, sensual e com Q.I.
Claro que assim manter uma auto-estima dá muito trabalho.
Não sou a super-mulher e mando o mundo po caralho!
Carta fora do baralho mas serei dama de copas,
Serei rainha como tu um dia, topas?
E quando fraquejares vais repetir num sussurro
Aquilo que eu canto pra sorrir um dia escuro.


Eu cheiro a alfazema, eu sou poema
Eu sou aquela que tu querias ao teu lado no cinema



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Segunda-feira, 03.03.14

 

 

letra

 

"Provo da tristeza como um vinho velho
E mesmo assim eu espero, não partir o espelho, e digo
Que confio no teu bom conselho
Mas se for preciso ainda consigo esmurrar um joelho e sigo
Sinal vermelho é verde tinto, se o meu instinto
Me diz que sim, sigo o que sinto
E nem por isso serei impulsiva
E posso ser tão otimista que até Deus duvida
Eu só desisto quando há fumo branco, até à solução, pondero até à cisma
Eu ultrapasso a lebre num instante, na competição, sou tartaruga ninja
Como uma esfinge, eu finjo que sou de pedra, que sou dura na queda, mas a perda eu evito
E como a vida é como a tal caverna, nesta alegoria eu queria ter uma lanterna e um livro
Pa' ser livre é preciso ter coragem
E muitas vezes sou cobarde e suavizo na dosagem
Com eufemismo na boca, como um felino na toca
Evitando uma troca de olhar e não se nota
Que me esquivo do conflito e que finto a ruptura
Eu não domino o desapego e cedo ao peso da culpa
É que para mim é tortura ter de partir um coração
Para ser mulher madura ainda falta aventura e saber dizer que não
Não! Eu não sei dizer que não

O vinho velho, o tabaco cubano, o meu pai e o mano, a teresa e a mãe
A tua barba, a cama e a carta, as palavras da marta e toda a gente que vem
Pra ver no palco o que digo bem alto
Enquanto vejo se espanto este medo que tenho
E o papel perfumado com que tenho forrado
A gaveta do quarto onde guardo além
De uma foto do bicho, um vestido e um livro, um relógio e aquilo que tenho escrito também

Era suposto ser eu no pós-doc, ele no pós-rock
E ainda mais uns trocos nisto
Mas o destino trocou essas voltas e a "sereia louca"
Ficou com a lavoura e o com um disco de hip hop
E chegada à encruzilhada ficou claro que fui eu que chamei por tudo isto
E que não há nada de nada, nem uma chapada na cara que não derive daquilo que pedimos
No rap tenho trabalhado muito e tenho tido sorte
E tenho sido forte para continuar
Tendo como suporte, aquele velho mote
"Cuidado com o desejo, pode-se concretizar"
E se há coisa que me tira do sério
É se me tiram o êxito e duvidam do mérito
É que as minhas conquistas, são de rimas em pistas
De batalhas sofridas e o suor de um exército
E é por isso que as gavetas de cima são das mães
São sempre de quem, tomou primeiro a iniciativa
O trabalho é recompensado pela comodidade de não teres de ajoelhar perante vida
E a verdade da cômoda é incomoda
Mas já tenho esta gaveta cá em cima
E por norma eu trabalho para a vitória
Chego a casa, abro a mala e guardo e medalha que é minha

O vinho velho, o tabaco cubano, o meu pai e o mano, a teresa e a mãe
A tua barba, a cama e a carta, as palavras da marta e toda a gente que vem
Pra ver no palco o que digo bem alto
Enquanto vejo se espanto este medo que tenho
E o papel perfumado com que tenho forrado
A gaveta do quarto onde guardo além
De uma foto do bicho, um vestido e um livro, um relógio e aquilo que tenho escrito também



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Sexta-feira, 28.02.14

 

 

Letra

 

Não encontrei a letra desta música



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Letra


''O mundo é cheio de pessoas e os dias cheios de infinitos  mas tão infimas as possibilidades de nascer um mito, e para fazer por isso, podemos tentar tornar o dia do outro mais bonito. Ele escolheu começar no dia dos namorados, uma rosa e um recado confiando no acaso mas ela não respondia e algum tempo passado na falta de um mais-que-tudo o compromisso foi selado. Com o mundo e se no fundo o amor é quotidiano faz sentido que o altar seja o metropolitano todos os dias do ano na última carruagem devoto na oferenda uma flor e uma mensagem. Escrevia como para ela, em vida paralela e vinha de Santa Polônia sentado a janela e quando tocava o Marques para a linha amarela já trazia uma flor a menos na lapela. E lá estava o seu bilhete pendurado, no sinal de alarme como combinado, para lembrar a quem passava que o amor é inesperado, e que, como o perigo pode estar em todo o lado. O destino dele era o coração e todos dias ele seguia na carruagem a mesma circulação e cada dia era comprido com dedicação a rotina que fazia da sua vida uma missão. E como retribuição ele recebeu respostas, na caixa de correio chegaram muitas propostas, mulheres dispostas a tudo, lisboetas de todo o mundo mas que no vagão do fundo sonhavam com futuro inspiradas no romance, sem chance, ele só queria uma e esta não estava ao alcance. 365 dias depois, depois de 365 poemas e flores chegada ao fim da promessa e despedida, era a última tulipa, a última tentativa. No sinal de alarme na tarde de S.Valentim, a paixão é o início  o amor é o fim e já sem nenhuma esperança que ela lhe respondesse tingiu de algumas lágrimas esse último bilhete, foi de coração cinzento que na manhã seguinte tudo foi surpreendente mal saiu do número 20, haviam flores e frases espelhadas pelas ruas. Nos postes, nos semáforos, nos carros, nas gruas, palavras nas paredes, pétalas por todo o lado, poemas e papoilas e RAP a passar na rádio. Ele ia embasbacado no caminho da estação que passou a primavera com as flores no corrimão e até na bilheteira se davam outros bilhetes, de admiradores secretos do metro nos seus ''flirts'', ele foi descendo a escada na entrada da carruagem penduradas no alarme uma flor e uma mensagem. Pela primeira ele era o destinatário.. era o 15 de fevereiro, o seu aniversário. Cheirou a rosa vermelha enquanto abria a carta, a paixão é uma janela o amor é uma porta e ao lado estava uma entreaberta, e no recado era conhecida a letra, espreitou para a cabina e era ela! No lugar do maquinista a sua espera! E ele vai em direção a ela com o beijo de cinema, a paixão é uma flor o amor é um poema ele vai em direção a ela com o beijo de cinema porque a paixão é uma flor o amor é um poema.''


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Quinta-feira, 27.02.14

 

 

Letra

 

"Eu sou a víbora, o meu nome é Dalila,
mal te vi colei em ti em modo Miss Simpatia querida,
eu quero tudo o que tens,eu sou a sonsa,
eu não sou amiga de ninguém para além da onça,
mira de ave de rapina, pratico uma boa intriga,
na trica conspirativa, traíra competitiva,
viva o mau-olhado e a facada dada nas costas,
santa do pau oco com olho gordo nas notas,
sorrindo brindo à nossa, aceitam-se apostas,
afinal qual das hipócritas sabe lamber mais botas,
eu mereço um óscar, o cachê e o poster,
sem mim a tua vida era um filme do Kevin Kostner!

Judas e Dalilas, cínicos, cobras criadas, línguas afiadas, frios, amigos das horas vagas.

Chibo-me acerca do coitado para quem me fiz passar por bom amigo.
Se eles me apanham, vou contar e sair da esquadra limpo.
Com o cadastro imaculado. Enfim,
tens sido útil, mas vais ser mais útil
a apodrecer na prisão por mim.
E agora que sais de cena, talvez seja desta que eu
desonro a tua irmã e guardo o que era teu.
Colega, isto é só love.
Espalhar a semente como um soldado.
Quando voltares, já fui com um plano novo,
concentrado noutra cidade.
Ouve, eu violo a sociedade morta que definiu as normas
antes de eu nascer e estar presente para dar a minha proposta.
Lamento, mas quando ficar rico, eu recompenso. Agora,
o que me importa é sacanear a minha situação daqui para fora.

Ah! Ah! Judas e Dalilas!" 



publicado por olhar para o mundo às 08:54 | link do post | comentar

Quarta-feira, 26.02.14

Capicua apresenta novo álbum em Lisboa e Porto

Já são conhecidas as datas de apresentação ao vivo do novo álbum de Capicua, “Sereia Louca”.

 

O disco, com edição prevista para o próximo dia 3 de março, vai ser interpretado no Plano B, no Porto, a 29 de março e, a 5 de abril, no Musicbox, em Lisboa.

 

Enquanto não chega às lojas, o segundo álbum da artista portuense, do qual já se conhecem os singles Mão Pesada e Sereia Louca, pode ser ouvido, em primeira mão, no Meo Music, durante esta semana.

 

Recorde-se que o registo está dividido em duas partes. A primeira inclui produções de D-One, Conductor, Ride, Stereossauro, Xeg e Serial e conta com as vocais de Gisela João, Aline Frazão e M7. A segunda incorpora versões acústicas de músicas de trabalhos anteriores de Capicua, feitas com Mistah, Isaac e They’re Heading West.

 

É “um disco que fala das mulheres, da água, da morte e dessa coisa complicada que é o passar do tempo e da idade”, pode ler-se em comunicado.

 

retirado do Sapo música



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Letra

 

Não encontrei a letra desta música



publicado por olhar para o mundo às 17:51 | link do post | comentar

Quinta-feira, 20.02.14

 

 

Letra

 

 

Dou-te com a mão pesada, 
quando é carinho ou quando é castigo
Olho de cara lavada 
quando te digo que sou perigo
Eu só tenho uma palavra
dita na tua cara, clara como a água
Eu agarro, eu não abraço,
dás o dedo, quero o braço

Rosa dos ventos no cabelo, estrela polar ao peito
Porte de mulher do norte, forte, ar de respeito
Jeito de quem traça a eito, comanda a valsa, 
Feito de ter graça, raça é o conceito
Manda na praça e não disfarça que é rainha altiva
Menina matriarca marca de cidade-diva
Busto de granito esculpido no fio da navalha
Curto é o pavio em rastilho, fagulha brava!

(M7)
Quem é que encanta com o sorriso de catraia
Tem mão na anca, se preciso roda a saia 
Laia levada da breca, senão te curte é direta
Não consegue pôr cara de quem recebe uma caneca
Se o homem não se comporta, troca o canhão da porta
E depois sai louca pa beijar na boca à carioca
Porque tem pêlo na venta, Kahlo como a Frida 
Na vida, não se lamenta, aguenta de cabeça erguida.

A prosa que enfeitiça, maga manha que conquista
Dengosa sem preguiça, atiça a cobiça à vista
Tem alma cigana, cigarra atarefada
Sem calma comanda a cidade à desgarrada.

(M7)
Guerreira, arregaça as mangas e chega onde quer
Veio mudar por estas bandas, o conceito de Mulher
Antes só a fumar charros na banheira
Que ficar a ganhar pó, com dó de si na prateleira
Tripeira, com muito orgulho, tripa por qualquer bagulho
Evita dizer "tem calma!", senão assumes barulho
Quando ama é por inteiro, ergue à volta uma muralha
Mas pensa nela primeiro, não se fica por migalha.

Para onde aponta a bússola, é o azimute
Para quando a afronta é explicita, é atitude
Não iludo trago música translúcida no clube
O zumbido ao teu ouvido é o efeito da altitude
Grito sou guerreira, desnorteio, sou nortenha
E impero porque carrego o meu sonho convicta
Tripo, sou tripeira, de ferro sou ferrenha
E não nego que mantenho o meu trono invicta!



publicado por olhar para o mundo às 20:46 | link do post | comentar

Terça-feira, 04.02.14

 

 

Letra

 

Quando não estou luminosa, todos me acham invisível,
mas é aí que eu me renovo, mulher nova, invencível, procuram pela antiga face, mas são fases e eu mudo, não são disfarces simplesmente não ostento tudo, tenho um outro lado como todo o mundo lá no fundo, por outro lado não me escondo e até me exponho muito, saio destacada para quem me quer ver, mas não tentes encaixar-me, quadrada nunca hei-de ser, crescendo e minguando
como os ciclos da vida, posso ser incandescente ou
andar desaparecida, vejo passar as estrelas como carros na avenida, assim não estou perdida não me esqueço que estou viva, sou poderosa tenho a força da fecundidade,
sou orgulhosa de ser fruto da realidade, já tenho idade, tenho marcas no corpo, crateras no peito, mas sem desconforto e isso é pouco ser penso nos outros (pouco), e isso é tanto se penso nos anos (tanto), ao meu sufoco eu faço ouvidos moucos, eu não sou diferente, loucos somos todos, todos! Loucos somos todos! Atraio os solitários, atraio os apaixonados, ilumino o espaço e os passos desorientados, os gatos e os telhados, os fados e dedilhados, os casos e rendilhados dos corpos enrodilhados, faço de estrela mas a luz não é minha e finjo sê-la para não estar sozinha, sou imperfeita mas sei ser divina, sou diva, sou livre, sou Vénus, felina, mulher vivida, mulher da vida, altiva sou tida por ser mulher fina, só sei ser rainha, menos não posso, há tantas estrelas e eu brilho sem esforço... e todos para me verem vão levantar o pescoço... todos para me verem vão levantar o pescoço ...

Refrão
como a lua sou de luas, aluada do lado de lá da lua, sou a tua lua cheia, a tua lua escura, eu sou a cura e escondo a face de quem me procura, sou a loucura que não esquece quem foge à aventura, e como a lua sou a chefe desta noite nua e faço dançar as marés e as mulheres da rua! E como a lua sou a chefe desta noite nua e faço dançar as marés e as mulheres da rua!

Lua cheia, lua nova, lua cheia, lua nova,
lua cheia, lua nova...
Refrão



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Quinta-feira, 16.01.14

Capicua lança novo álbum em março

Chega às lojas em março próximo o novo álbum de Capicua, “Sereia Louca”.

 

O registo, “Sereia Louca”, está dividido em duas partes. A primeira inclui produções de D-One, Conductor, Ride, Stereossauro, Xeg e Serial e conta com as vocais de Gisela João, Aline Frazão e M7. A segunda incorpora versões acústicas de músicas de trabalhos anteriores de Capicua, feitas com Mistah, Isaac e They’re Heading West.

 

É “um disco que fala das mulheres, da água, da morte e dessa coisa complicada que é o passar do tempo e da idade”, pode ler-se em comunicado.

 

O single de avanço já foi revelado e pode ser ouvido aqui.

 

Retirado do Sapo Música



publicado por olhar para o mundo às 12:37 | link do post | comentar


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