Domingo, 21.08.16

 

Letra

 

Tira a mão dela
Que ela não te quer
P'ra te tocar

Faz pouco dela
Que ela só te fez
P'ra te poupar

Se não te chama
O nome à cama
Então que não se vai apaixonar
Só quer de ti o teu azar

Tira a mão dele
Que é a mão
Que ele te pode recusar

Faz pouco dele
Que ele fez pouco
P'ra te conquistar

Se não te chama
O nome à cama
Então é porque não se vai casar
Lá volta o raio do azar

 



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Segunda-feira, 16.05.16

 

Letra

 

Não encontrei a letra desta música

 



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Quinta-feira, 21.01.16

 

Letra

 

Queres ficar com a televisão
Queres ficar com o meu kit de prestidigitação
Queres ficar com o solar na Beira
Queres a minha velha cafeteira
Queres ficar com o Manel João
Queres ficar com o meu pobre coração

Tu queres tudo e eu dou-te tudo o que há para dar
Levas tudo o que há de mim
Só comigo é que não queres ficar

Aos teus pais dou-lhes teto e pão
Dou-te a minha irmã para o teu irmão

Queres ficar com a biblioteca
Queres ficar com os meus LP's do Zeca
Queres ficar com as vizinhas
Queres ficar com o porteiro
Primas minhas, tu tinhas que gostar do mundo inteiro
Queres ficar com os bilhetes do Vinícius
Queres as minhas coleções e os meus vícios
Queres ficar com a casa numa condição,
Ficares também com a adega e a plantação

Já só tenho mais um rim para te emprestar
O coração já levaste na pensão alimentar

Tu queres de tudo e eu dou-te tudo e dou-me a Deus
Cuido de mim, cuido de ti
Cuido dos meus e porque não dos teus.

 



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Letra

 

Fomos à Escócia e voltamos
Loucos por ficar a sós
Fomos mas nunca chegamos
A sair do meio de nós

Mas a Escócia que gostamos
Capadócia que cavamos
Não nos deu o que esperamos
Quando pensamos ser avós

Fomos à Escócia e deixamos
Três amores cada um
E o que da Escócia tiramos
Foi estar sem amor nenhum.

Ir e vir foi um regalo
O desamor sei forçá-lo
Mas se tão longe o buscamos
Perto já tinha havido algum

Não me leves tu a mal
Não me tentes convencer
Que o que havia em Portugal
Não chegava para saber

Dei-te um mês da minha vida
E um mês é de valor
E tu podes ser bastante querida
Mas não é preciso dor para provar o desamor

Por desamarmos deixamos
Seis amores em ter dó
E agora que regressamos
Não sei se nos sobra um só

É que havia certa esperança
Que podia ser só dança
Mas afinal a bonança
Era apenas beijo em pó

Não me leves tu a mal
Não me tentes convencer
Que o que havia em Portugal
Não chegava para saber

Dei-te um mês da minha vida
E um mês é de valor
E tu podes ser bastante querida
Mas não é preciso dor para provar o desamor

 



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Quarta-feira, 27.05.15

 

 

Letra

 

Primeira noite quente
mais uma lambreta na messe
Quem é que se apresenta
quem vai ver o que acontece
Leva a charanga toda
que essa bota já mexe
é é
mexe

As fardas vão de carro
e os paisanas seguem a ralé
Os outros passaram
para além do cais do sodré
O chegadinho é tal
que o povo canta todo em pé
é é
em pé:


A polícia fica louca
quando a canção cabe na boca


No meio da via
bacia com bacia
empurra em sintonia com o de trás
Apaziguam-se os agentes da paz
E a carícia intensifica a cada flash

Vermelho luzia
o suor escorria
e o povo que assistia
já sabia doutra vez:
Não dances onde não deves
senão comes onde não queres
Folga o resto da cidade sem vocês



Tantas forças numa parada
paradas para dançar
Tantas facas juntas sem queijo
sem queijo para mostrar
Deixam sempre uns quantos pintelhos
pintelhos por rapar
Ouve os meus conselhos
estou velho
e mais velho vou ficar

Sabes que o bigode
já não está na moda
nem com buços do vinho
dá mais música à bófia
Chegas para o pagode
já não está na hora
é mais um prego no preto
e um tirinho para a memória
dá música à bófia

Um tirinho para a memória
dá mais música à bófia


Sacode-a
Bota abaixo
Um passo em falso
e o cinto encaixa
Pega
Pega
a pegar no colega

Esfrega
Esfrega
a esfregar no colega

 



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Quarta-feira, 04.02.15

 

Letra

 

Não fica confuso
por coisa que o valha
Tens o teu amigo
O amor nunca atrapalha

Ouve o pardalinho
no meio da maralha
Leva o teu amigo
O amor nunca atrapalha


Lua nova e o mar a bater-nos
Saliva pela gruta
cacimba da boca
Peixinhos e pirilampos

Ou no mato
uma perna a fechar-se na gola
Maminhas maduras que espreitam
do meio do nevoeiro

No sofá
bom
No banho
convívio
Paleolítico contra o granito
ou no tojo ou nas escadas da sé

Maleducados
Deitados ao comprido
Mais místicos e dísticos
Ai ricos vícios por compreender


Depois não digas que não gostas
gostas
De mais perguntas que respostas
gostas
Ter as lembranças todas tortas
gostas
O mar pela frente e a cruz às costas
gostas
gostas


Na varanda
na cara do bairro
Coragem estamina
franguinhos meloas
Mirones e saltimbancos

Ou num barco
no mar da escandinávia
Uns dedões matulões que espreitam
do meio dos marinheiros

Já nem se fala das asneiras com as amigas
Tu com os copos
e elas perdidas
Barrigas que nunca mais vês

Quem diria que havia no meio do risco
um abrigo
Um consolo que fica contigo
e fermenta a valer


Tens o diabo no corpo e a voz da razão
(chega de tiros para o ar com pistolas de cartão)
Tens liberdades no bolso e algemas na mão
(chega de tiros para o ar com pistolas de cartão)


Ai Ximena a vida é quarentena
Ai Ximena
Ai Ximena é o bicho da gangrena
Ai Ximena
Ai Ximena a idade do dilema
Ai Ximena
Ai Ximena afinal foi doce e plena
Ai Ximena
Ai Ximena

credits

from B Fachada

 



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Terça-feira, 03.02.15

 

Letra

 

Leva canalha a mão à descoberta
o pífaro levanta-te a poeira do caminho
Trazes navalha
queres guardar a serra
mas a farra lá de baixo já te apanha cá no cimo
Por todo o lado os fumos das panelas
levantam cornucópias como flores o rosmaninho
Cabras douradas levam-te pela trela
rumo a bombos e farturas de alemanhas
Põe mais lenha no cachimbo


Deixei a minha porta aberta
"Reich
ich bin ein Poltergeist"


A mata aperta
a noite escura
alguém respira ao teu ouvido
Segues alerta
ficas à escuta
e o teu rebanho cala-se contigo
Tresanda a festa
tresanda a ditadura
O vale é que projecta o teu castigo
Não sabem do mal que os espera
tens a vista turva
Tens cachimbo tens paixão
e já sentes a batida no umbigo

Do nada uma fogueira
e em volta 124 louras sem vergonha nem saias
Deitadas na eira
em caminhas de trevos
com os relevos às chamas encarnadas
Chocalha a tenda
E por cima das peitaças pifarinho aprende línguas bárbaras:
"Reich
ich bin ein Poltergeist"



Suar e lutar
nunca pensei
como me fica bem
Comer e mamar
ai nunca pensei
como me fica bem
Soprar a matar
ai ai nunca pensei
Como me fica bem
sair a pastar

credits

from B Fachada

 



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Sábado, 01.11.14

 

 

Letra

 

Já o tempo
Se habitua
A estar alerta
Nao há luz
Que nao resista
A noite cega
Já a rosa
Perde o cheiro
E a cor vermelha
Cai a flor
Da laranjeira
A cova incerta
Agua mole
Agua bendita
Fresca serra
Lava a língua
Lava a lama
Lava a guerra
Já o tempo
Se acostuma
A cova funda
Já tem cama
E sepultura
Toda a terra
Nem o voo
Do milhano
Ao vento leste
Nem a rota
Da gaivota
Ao vento norte
Nem toda
A força do pano
Todo o ano
Quebra a proa
Do mais forte
Nem a morte
Já o mundo
Se nao lembra

De cantigas
Tanta areia
Suja tanta
Erva daninha
A nenhuma
Porta aberta
Chega a lua
Cai a flor
Da laranjeira
A cova incerta
Nem o voo
Do milhano
Ao vento leste
Nem a rota
da gaivota
ao vento norte
Nem toda
a força do pano
todo o ano
Quebra a proa
do mais forte
nem a morte
Entre as vilas
E as muralhas
Da moirama
Sobre a espiga
E sobre a palha
Que derrama
Sobre as ondas
Sobre a praia
Já o tempo
Perde a fala
E perde o riso
Perde o amor

 



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letra

 

Zecas e fraternidades
a sujar-me o babete
Gastámos a flor da vontade
a preparar um come back
Afogam-se as velhas vaidades
em saudades do prec
Aos anos que nesta cabeça
já não pousa gilete

Ponho o camuflado a render
Curiosamente a malta paga para ver
Ponho o camuflado a render
Curiosamente a malta paga para o vir ver

Guerras e tréguas e gacs
ficam escritos na pedra
Amordaçam-se as vanguardas
pés assentes na berra
O touro marra com força
o porco fuça na merda
Não há pau que de tão grosso
não precise de uma esfrega

Ponho o camuflado a render
Consequentemente a malta paga para ver
Ponho o camuflado a render
Aparentemente a malta paga para o vir ver


Acima da média
a vida não pára
Um beijo na cara
e fica bem
Esfolados à séria
com as facas na brasa
O doce da casa
e fica bem


Nem danças nem conversas
nem cantas o mau e o feio
Chegas tarde vens às cegas
debicar-nos o peito
Já não ladram as feras
apertámos-lhes o freio
É sempre hora da sossega
há sempre tempo para fumeiro

Desculpado o tarrafal
resolvida a cena na guiné
Largo rumo à catedral
para ver outro a sair do pontapé
Mais touriga nacional
mais medronho mais tempo no café
A tv foi ao local
para ver outro na ponta do pontapé



"A ovelha bale bale"
Bale um balido badalado
e bale bale a do lado por sua vez
"A ovelha bale bale"
Bale um balido embalado
e bale bale bale a do lado

 



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Quarta-feira, 29.05.13

 

Letra

 

Viver sempre sossegado
Cada amor em cada lado
Mas ele mesmo, até morrer
Vá-se lá saber
O que sentia todo o dia, até anoitecer

Viveu sempre, em todo o lado
Com seus dons de namorado
Sempre, sempre a envelhecer
Vá-se lá dizer
O que fazia todo o dia, até amanhecer

É bom ter má fama
Dá para ter vazia a cama
E nesta solidão de Kant
Ser tido um grande amante

É bom ter de fundo
Que anda pelas bocas do mundo
E quem quizer acreditar
Ao menos não vem cá espreitar

Sobra-me tempo para cantar
O tempo para cantar
O tempo para cantar

Fez de tudo, até calçado
Mas seu jeito de empregado
Só deixava perceber
Para quem queria ver
De cada dia uma alegria, para desaparecer

Fez de tudo, de empregado
Só não fez do seu passado
Um segredo para esconder
Já não vai vencer
Mas respondia para se defender:

É bom ter má fama
Dá para ter vazia a cama
E nesta solidão de Kant
Ser tido um grande amante

É bom ter de fundo
Que anda pelas bocas do mundo
E quem quizer acreditar
Ao menos não vem cá espreitar

Sobra-me tempo para cantar
O tempo para cantar
O tempo para cantar

É bom ter má fama
Dá para ter vazia a cama
E nesta solidão de Kant
Ser tido um grande amante

É bom ter de fundo
Que anda pelas bocas do mundo
E quem quizer acreditar
Ao menos não vem cá espreitar

Sobra-me tempo para cantar
O tempo para cantar
O tempo para cantar



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Terça-feira, 28.05.13
Letra
Etelvina Com Seis Meses Já Se Tinha De Pé
Foi Deixada Num Cinema Depois Da Matinée
Com Um Recado Na Lapela Que Dizia Assim:
"Quem Tomar Conta De Mim
Quem Tomar Conta De Mim
Saiba Que Fui Vacinada
Saiba Que Sou Malcriada"

Etelvina Com Dezasseis Anos Já Conhecia
Todos Os Reformatórios Da Terra Onde Vivia
Entregaram-Na A Uma Velha Que Ralhava Assim:
"Ai Menina Sem Juízo
Nem Mereces Um Sorriso
Vais Acabar Num Bueiro
Sem Futuro Nem Dinheiro"

Eu Durmo Sozinha À Noite
Vou Dormir À Beira Rio À Noite À Noite
Acocorada Com O Frio À Noite À Noite

Etelvina Era Da Rua Como Outros São Do Campo
Sua Cama Era Um Caixote Sem Paredes Nem Tampo
Sua Janela Uma Ponte Que Dizia Assim:
"Dentro Das Minhas Cidades
Já Não Sei Quem É Ladrão
Se Um Que Anda Fora Das Grades
Se Outro Que Está Na Prisão"

Etelvina Só Gostava Era De Andar Pela Cidade
A Semear Desacatos E A Colher Tempestade
A Meter Com Os Ricaços A Dizer Assim:
"Você Que Passa De Carro
Ferre Aqui A Ver Se Eu Deixo
Venha Cá Que Eu Já O Agarro
Dou-Lhe Um Pontapé No Queixo"

Eu Durmo Sozinha À Noite ...

Etelvina Já Cansada De Viver Sem Ninguém
A Não Ser De Vez Em Quando Amores De Vai E Vem
Pôs Um Anúncio No Jornal Que Dizia Assim:
"Mulher Desembaraçada
Quer Viver Com Alma Irmã
De Quem Não Seja Criada
De Quem Não Seja Mamã"

Etelvina Já Sabia Que Não Ia Encontrar
Nem Um Príncipe Encantado Nem Um Lobo Do Mar
Só Alguém Com Quem Pudesse Dizer Assim:
"O Amor Já Não É Cego
Abre Os Olhinhos À Gente
Faz Lutar Com Mais Apego
A Quem Quer Vida Diferente"

O Seu Homem Encontrou-O À Noite
A Dormir À Beira Rio À Noite À Noite
Acocorado Com O Frio À Noite À Noite


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Sábado, 06.04.13

 

Letra

 

Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 3]

Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes

(Que força...)

(Vi-te a trabalhar...)

Que força é essa [bis]
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo [bis]
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo [bis 10]



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Sexta-feira, 05.04.13

 

Letra

 

Andava há já vinte dias
ao frio, ao vento e à fome
às escondidas da sorte
um dia fraco, outro forte
qu'o dia em que se não come
é um dia a menos pr'á morte
Um dia fraco, outro forte
Um dia fraco, outro forte

Quando um barulho de cama
a voltar-se d'impaciente
me fez parar de repente
era noite e o casarão
não tinhas lados nem frente
dentro havia luz e pão
Me fez parar de repente
Me fez parar de repente

Ó da casa, abram-m'a porta
fiz as luzes se apagarem
cheguei-me mais à janela
vi acender-se uma vela
passos de mulher andarem
e uma mulher muito bela
chegou-se mais à janela
chegou-se mais à janela

Não tenhas medo, eu não trago
nem ódio nem espingardas
trago paz numa viola
quase que não fui à escola
mas aprendi nas estradas
o amor que te consola
Trago paz numa viola
Trago paz numa viola

Meu marido foi pra longe
tomar conta das herdades
ela disse "Companheiro"
eu disse "Vem", ela "Tu primeiro"
"Tu que me falas de estradas"
"E eu só conheço um carreiro"
Ela disse "Companheiro"
Ela disse "Companheiro"

A contas com a nossa noite
afundados num colchão
entre arcas e um reposteiro
descobrimos um vulcão
era o mês de Fevereiro
e o Inverno se fez Verão
Descobrimos um vulcão
Descobrimos um vulcão

E eu que falava de estradas
e só conhecia atalhos
e ela a mostrar-me caminhos
entre chaminés e orvalhos
pela manhã, sem agasalhos
voltei a rumos sozinhos
E ela a mostrar-me caminhos
E ela a mostrar-me caminhos

Andarei mais vinte dias
ao frio, ao vento e à fome
às escondidas da sorte
um dia fraco, outro forte
qu'o dia em que se não come
é um dia a menos pr'á morte
Um dia fraco, outro forte
Um dia fraco, outro forte
Um dia fraco, outro forte
Um dia fraco, outro forte
Um dia fraco, outro forte
Um dia fraco, outro forte



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Letra

 

Paula, vem cá, os teus olhos verdes 
Guarda-os na viola com quem vou partir 
Rugas a mais te percorrem quando 
Pões a memória no que está pra vir 
Sentas-te e à volta as laranjas abrem 
Portas que dão para a tua boca 
E a vida é minha e a tristeza é tua 
cantas comigo e a canção sai rouca

 

Trazes em ti mais do que te dei 
Trazes em ti mais do que te dei 
Paula até já 
Paula até já

 

Paula, vem cá, os teus olhos verdes 
Guarda-os na viola com quem vou partir 
Rugas a mais te percorrem quando 
Pões a memória no que está pra vir

 

Vais à janela, estou em baixo a olhar 
Ergues a mão por cima do rosto 
Fazes de conta que não és daqui 
Ficas no corpo com o meu fogo posto

 

Trazes em ti mais do que te dei 
Trazes em ti mais do que te dei 
Paula até já 
Paula até já



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Sexta-feira, 15.02.13

 ~

 

Letra

 

Tenho zero safadeza, faço a cama, ponho a mesa p'ra jantar.
Nunca fui de ponta-e-mola, nunca me baldei à escola p'ra passear.
Sou um puto diferente, até já li o Gil Vicente sem nunca me queixar.
Tomo conta das Irmãs e p'las manhãs sou o primeiro a acordar.

Aprendi da maneira complicada a moral aprimorada do Papá.
Sei que não posso roubar, nem a dormir nem a sonhar com as alegrias que aqui não há.
Vou tentando cuidar de entender a propriedade e porque é que há malta má.
Mas se por cada coisa boa vou ficar melhor pessoa porque não ser mau p'ra já?

Às vezes dou por mim com cada mariquice que a família põe-se logo 'abusar.
Levar com a sexta mordidela e ser bonzinho p'rá cadela já me está a chatear.
Ver a infância passar co'este medo de errar, "olha o exemplo, olhas as Irmãs".
Vem a Avó e vem a Tia; todas pregam todo o dia. Não pedi por mais Mamãs.

Porque é que o bom é melhor que o mau?
Porque é que o Mal é pior que o Bem?
Porque é que é certo ser cara-de-pau, mas está mal ser filho-da-mãe?

Porque é que o bom é melhor que o mau?
Porque é que o Mal é pior que o Bem?
Porque é que é certo ser cara-de-pau, mas está mal ser filho-da-mãe?



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Quarta-feira, 26.12.12

 

 

letra

 

não divido os meus milhões

nem troco de cinzeiro

com poetas sem canções

largam vícios por dinheiro

testo sempre as aptidões

enrolas tu fumo eu primeiro

estás num círculo de patrões

todos mandam por inteiro

é que nesta roda andam fora de moda

ninguém vende o seu lugar

não se lêem jornais

só sabemos da poda

gira à roda até podar.

 

não há redes nem há votações

não há pares para te apertar os cordões

lentamente vou chegando às conclusões

se algum dia te baixarmos os calções

tapa a tusa do reality show

para poderes acompanhar o flow.

 

tapa a tusa do reality show
para poderes acompanhar o flow.

 

puxa

passa

não tem graça

passa

puxa

roda a chucha

 

puxa
passa
não tem graça
passa
puxa
roda a chucha

 

puxa
passa
não tem graça
passa
puxa
roda a chucha

é que nesta roda

andam fora de moda

ninguém vende o seu lugar

não se lêem jornais

só sabemos da poda

gira à roda até podar.



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Terça-feira, 25.12.12

 

letra

 

jantar com gente em roda

trabalhar até o final

muita mama e pouca moda

é excep-cional

mas papar a ver a bola

reformar por bater mal

mais ampôlas para a cachola

é normal.


mandar no subalterno

carregar no ilegal

é como ter frio no inverno

é natural

dez mil anos de patrões

a comerem-te os colhões

que estrutura social


é normal


leva o resto eu já estou cheio


é normal


domingo é dia de passeio


é normal


o teu inferno o meu recreio

maralhal

só quem pode é que não veio

é normal.


cai um velho capitão

numa guerra de salão

e já nada fica igual

só o normal


estás na boca do canhão

logo atrás do teu irmão

mas deu no telejornal

que a situação

é normal


leva o resto eu já estou cheio

é normal

domingo é dia de passeio

é normal

o teu inferno o meu recreio

maralhal

só quem pode é que não veio

é normal.

jantar com gente em roda

trabalhar até o final

muita mama e boa foda

é excepcional

mas papar a ver a bola

reformar por bater mal

mais ampolas para a cachola

é normal.



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Quarta-feira, 19.12.12

Três concertos e O Fim para a despedida de B Fachada

Hoje toca em Coimbra, amanhã em Lisboa, sexta-feira em Castêlo da Maia. Depois, sairá O Fim, o seu último disco antes da sabática sem discos e sem concertos

 

B Fachada estava em estúdio a dias do primeiro dos três concertos que dará antes de uma sabática que o afastará dos discos e dos palcos durante "um ano, dois no máximo". Já previra esta pausa quando falámos com ele pela primeira vez, há quatro anos, oito discos e uma vida. Hoje toca no Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra (21h30), amanhã no B Leza, em Lisboa (22h), e sexta na Tertúlia Castelense, em Castêlo da Maia (23h30). Depois, o recolhimento.

Mas não, isto não será o fim. B Fachada construiu nos últimos cinco anos um percurso impressionante pela obra criada (13 discos) e pela personalidade musical que fomos descobrindo, entre o entusiasmo com a lírica inesperada e as melodias certeiras e o fascínio pelo risco que ia assumindo ao transformar-se de registo a registo: ora puxando da viola braguesa, ora caindo sobre o piano, ora chamando banda para gravar um disco para crianças, ora sendo lo-fi e depois hi-fi. Por fim, no último Criôlo, destaque da produção musical deste ano, apresentou-se como homem-orquestra sintetizada que abraça funanás e memórias da década de 1980 para revelar a Afro-xula em gloriosa dança com o país todo na cabeça - isto sem esquecermos o álbum de revisita a Os Sobreviventes, o disco de estreia de Sérgio Godinho, que assinou com Francisca "Minta" Cortesão e João "Julie & The Carjackers" Correia.

B Fachada está nos estúdios Golden Pony, na zona da Sé, em Lisboa, a mostrar-nos aquilo que será O Fim, o seu último álbum antes da sabática. Decisão tomada e mais que ponderada. Explica: "A paragem faz ainda mais sentido agora, porque os discos foram sendo feitos como uma família, protegiam-se uns aos outros. Ao contrastar muito, estava a justificar o que vinha atrás e ao mesmo tempo a preparar o que se seguiria. Agora, a melhor protecção será não acrescentar mais, não aumentar a entropia. E deixar assentar os discos, que [ao ritmo de dois por ano] foi coisa que nunca aconteceu. Vai-lhes fazer bem a eles e a mim".

Muitos minutos depois, Fachada lançava uma gargalhada. Perguntáramos se estes quase seis anos de carreira não ganharam dimensão de muitos mais, pela produção constante, pelo que mudou desde que o vimos, ainda imberbe musicalmente, a tocar para uma dúzia de pessoas, até este presente em que corre o país de norte a sul, em que recolhe elogios de monstros sagrados como Sérgio Godinho, em que inspira uma nova geração de nomes como Éme ou Pega Monstro? "Estes foram os meus 30 anos de carreira. Já fiz a piada que ia fazer a caixa B Fachada - Seis anos de carreira". Não são apenas seis anos: "É a vida toda".

O Fim, pelas duas canções que ouvimos, às quais faltavam ainda coros e sintetizadores, é um disco descarnado, orgânico. É Fachada a regressar lá atrás, aos tempos de Viola Braguesa, EP de 2008 e aquele que revelou a sua especificidade, excepcionalidade. A regressar, mas diferente. "Quando passei do primeiro B Fachada (2009) para Há Festa na Moradia (2010), fiquei sempre com aquela sensação: "Um dia vou voltar a fazer um como aquele". Mas a verdade é que nunca regresso. Andamos em frente e a música muda de ano para ano, tal como os nossos ouvidos e a nossa sensibilidade".

De novo a viola braguesa

Em O Fim, que será disponibilizado após os três concertos desta semana, primeiro online, mais tarde em edição física, vamos encontrá-lo novamente com uma viola braguesa nos braços. Uma braguesa eléctrica que ouvimos dedilhada e com um som aberto, quase etéreo na sua gentileza. Fachada canta sobre como transformou a braguesa na sua kora (harpa africana) porque misturar é preciso e hoje temos o mundo todo tão próximo. Canta também sobre a impossibilidade de doutrinar gente supostamente séria e importante. São, afinal, meros oficiais de propaganda.

Não lhe interessa criar música que jogue simplesmente com referências musicais, antes música que seja também "um retrato de um tempo e de um espaço". O seu tempo e os seus espaços: o íntimo, que utiliza de forma desarmante, e o público, exposto perante todos. "A minha maior dedicação é o trabalho com a palavra, o registar de uma língua, de uma expressão". Música e palavra reunidas até que ambas sejam parte de um mesmo corpo. Até "que a forma seja também retrato". Em resumo: "Faço com o que tenho".

B Fachada chegou (e participou) no momento em que uma nova geração estreitou novamente laços com a língua, com a tradição como matéria em permanente construção, enfim, com a vontade de cantar de aqui e para aqui. Esse contexto é-lhe indissociável. "Estamos a perder a ingenuidade e percebemos que provincianos somos todos. Os Beatles são provincianos, os Beach Boys são provincianos, o Tom Waits é provinciano e a nossa província é tão província como as outras". Caem essas barreiras e as reacções são, diz, transversais. Sente-se na música, na literatura, no cinema. E dessa consciência brotam formas muito diferentes, conforme a sensibilidade de cada um. Refere o Gonçalo Tocha de É na Terra, não é na Lua e acrescenta: "O [João] Salavisa não vai fazer um road-movie no Texas". Isto para dizer: "Interessa-me muito mais a relevância que tenho para as pessoas que me ouvem do que a relevância que terei em potência para quem não me vai ouvir". A sua relevância, patente na aclamação crítica, patente no sucesso dos concertos e na circulação crescente da sua música no espaço público, cibernético ou não, é hoje evidente.

Cantautor num novo mundo, o da crise da indústria discográfica e do emergir de novas formas de relacionamento com a música, Fachada olha em frente e tudo nele é optimismo. "A queda de estatuto do músico, de que a indústria tanto se queixa, vai continuar até ao nível onde deveria estar. Todas as pessoas que aparecerem a partir de agora já sabem que a música não é um sítio para enriquecer financeiramente. É para enriquecer porque se criou património. Não para gerar património e ser latifundiário, muito menos no século XXI, em que já toda a gente sabe que para haver alguns com muito, tem que haver muitos com pouco".

Agora, porém, é tempo para O Fim de B Fachada. E depois? "Quando voltar, terei praticamente 30 [anos] e espero que esteja, na minha vida, a entrar numa década mais calma, mas estável e, se calhar, mais complexa e com outra profundidade". O frenesi dos últimos anos, confessa, foi "também fruto da "tenrice", de ser novo". Quando regressar, Fachada quer que a música reflicta mais do que o "apetite" da juventude.

Aguardemos. Quando regressar, logo lhe diremos que apetite é aquele. Por agora, fechou o seu primeiro capítulo. Quase seis anos com o tempo de uma carreira inteira.

 

Noticia do Público



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Segunda-feira, 10.12.12

B Fachada atua em Castelo da Maia antes de ano sabático

O ano de 2013 para B Fachada vai ser marcado por um período sabático, uma vontade anunciada pelo próprio músico após aquilo que a promotora dos últimos concertos do artista considera ter sido o ritmo "fulgurante" dos últimos quatro anos.


"O Fim" é o nome da noite de despedida dos concertos por tempo indeterminado e do novo e último conjunto de canções gravado enquanto tal, que será disponibilizado gratuitamente e na internet nos dias seguintes ao concerto.

 

O músico vai este mês subir ao palco do Teatro Académico Gil Vicente, em Coimbra, no dia 19 de dezembro. O último espetáculo está agendado para o dia 21 de dezembro na Tertúlia Castelense, em Castelo da Maia.

 

Pelo meio, a 20 de dezembro, B Fachada escolhe o B.Leza no Cais do Sodré, em Lisboa, para o fecho de um ciclo. Ainda não é conhecido o nome convidado pelo músico para abrir a noite, mas, de acordo com a promotora, o concerto será constituído por uma primeira parte só com as novas canções.

 

Os novos temas foram escritos e interpretados num regresso ao formato "voz e viola braguesa", desta feita eletrificada (foi aplicado um pick up ao instrumento acústico) e a passar por um 'delay' de fita analógica.

 

A segunda parte do concerto vai ter como pano de fundo um 'set' no seu formato eletrónico habitual recente (voz, programações, teclados), a tocar o mais recente disco da sua carreira - "Criôlo" - aliada a uma seleção do seu reportório até hoje.

 

As portas do B.Leza estarão abertas a partir das 22:00, com bilhetes à venda apenas no local e na própria noite ao preço único de cinco euros, indica a promotora.

 

Retirado do Sapo Música



publicado por olhar para o mundo às 21:29 | link do post | comentar

Quarta-feira, 28.11.12

 

 

letra

 

Perdes tempo reparar na cara feia
que é bonita de alguém
De repente até um porco
é engraçado também
Porque vive, mexe e morre
e nasce filho de uma mãe
Porque a lógica lá dele
não faz sentido a mais ninguém

Perdes tempo de beijinhos
a pensar onde meter cada mão
Mas o outro só quer mesmo
é estar contigo, e então
Vê se deixas a ciência
que perdeste a noção
Uma coisa são instintos
outra coisa é intenção

Se vais jogar até morrer
habilitas-te a perder
Se não há nada para ganhar
o que é que tu queres apostar
E diz-me lá tu nesta história
esperas que tipo de vitória 
Se vais jogar até morrer
habilitas-te a perder
Se vais jogar até morrer
habilitas-te a perder
Se vais jogar até morrer
habilitas-te a perder

Perdes tempo a reparar na cara feia
que é bonita de alguém
De repente até um porco
é engraçado também
Porque vive, mexe e morre
e nasce filho de uma mãe
Porque a lógica lá dele
não faz sentido a mais ninguém



publicado por olhar para o mundo às 17:34 | link do post | comentar

Sexta-feira, 09.11.12

 

 

letra

 

Olhe p’ra aqui uma vez
Senhor Marquês
do bairro da lata
está a gente farta
Senhor Marquês
e o nosso fim do mês?

Passe p’ra cá a carteira
da sua algibeira
carteira em couro
relógio de ouro
não lhe faz falta
e faz-nos jeito à malta

Ó da guarda, ladrões
pelos meus brazões
ai meu Deus socorro
Jesus que morro
grita o Marquês
ninguém vem desta vez

Venha por aqui ver isto
Senhor Ministro
que estes bandidos
uns mal-nascidos
ainda sem dentes
e já delinquentes

Meta aqui o nariz
Senhor Juiz
nós somos bandidos
ou mal-nascidos?
Senhor Ministro
perdoe se insisto

Se nós somos ladrões
temos razões
que não são as suas
são minhas, tuas
e de outros mais
de muitos, muitos mais

Olhe p’ra aqui uma vez
Senhor Marquês
do bairro da lata
está a gente farta
Senhor Marquês
e o nosso fim do mês?

Passe p’ra cá a carteira
da sua algibeira
carteira em couro
relógio de ouro
não lhe faz falta
e faz-nos jeito à malta
p’ró nosso fim do mês



publicado por olhar para o mundo às 17:06 | link do post | comentar

 

letra

 

Vi-te a trabalhar o dia inteiro 
construir as cidades pr´ós outros 
carregar pedras, desperdiçar 
muita força p´ra pouco dinheiro 
Vi-te a trabalhar o dia inteiro 
Muita força p´ra pouco dinheiro 

Que força é essa 
que força é essa 
que trazes nos braços 
que só te serve para obedecer 
que só te manda obedecer 
Que força é essa, amigo 
que força é essa, amigo 
que te põe de bem com outros 
e de mal contigo 
Que força é essa, amigo 
Que força é essa, amigo 
Que força é essa, amigo 

Não me digas que não me compr´endes 
quando os dias se tornam azedos 
não me digas que nunca sentiste 
uma força a crescer-te nos dedos 
e uma raiva a nascer-te nos dentes 
Não me digas que não me compr´endes 

(Que força...) 

(Vi-te a trabalhar...) 

Que força é essa 
que força é essa 
que trazes nos braços 
que só te serve para obedecer 
que só te manda obedecer 
Que força é essa, amigo 
que força é essa, amigo 
que te põe de bem com outros 
e de mal contigo 
Que força é essa, amigo 
Que força é essa, amigo 
Que força é essa, amigo 
Que força é essa, amigo



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Segunda-feira, 05.11.12
B Fachada regravou Os Sobreviventes de Sérgio Godinho
Canção a canção B Fachada remodela os originais do primeiro álbum de Sérgio Godinho

É uma ponte entre dois tempos, uma conversa entre dois compositores: um acenando do passado com o primeiro passo da sua obra, o outro imprimindo-lhe hoje a sua criatividade para lhe dar nova leitura. B Fachada e Sérgio Godinho. Fachada já tinha inscrito em Há Festa na Moradia a referência: Os discos do Sérgio Godinho era uma das canções no alinhamento. Agora, dia 12, a relação estreita-se. Os Sobreviventes, álbum de estreia de Godinho, gravado em 1971 e editado em Portugal no ano seguinte, vai ser revisto canção a canção por B Fachada.

O álbum-espelho de Os Sobreviventes foi gravado pelo autor do recente Criôlo em 2011, após a edição do EPDeus Pátria & Família e imediatamente antes do álbum homónimo saído no final desse ano, e conta com a colaboração de Francisca Cortesão (Minta & The Brook Trout) e de João Correia (baterista dos Julie & The Carjackers). Nele, a julgar pelas canções reveladas à imprensa (as versões de Que força é essa? e de Senhor Marquês), o trio, prosseguindo a saudável ausência de queda para a reverência de Fachada, remodela os originais até que deles nasça um outro corpo: sobressaem harmonias vocais, introduzem-se novos ritmos e Godinho embrenha-se verdadeiramente em território fachadês.

Já sabíamos que aquilo que se canta em Os Sobreviventes nunca caiu no estatuto de peça de época, mas as verdades que encerra ressoam com especial pungência no presente. A revisitação daquele repertório será, portanto, tanto homenagem e celebração quanto alerta.

 

Retirado do Ipsilon



publicado por olhar para o mundo às 21:19 | link do post | comentar

Terça-feira, 09.10.12

Misty Fest


B Fachada
 O cantor de uma geração

Dia 10 de Novembro | Centro Cultural Olga Cadaval | 22:00h


 

Apelidado como o "maior escritor de canções em Português de uma geração", B Fachada já dispensa apresentações.


No seu mais recente disco - Criôlo - não se cansa de nos ir entregando a musica que prece jorrar de dentro de si como uma força que justifica que o apelidem como "maior cantor de uma geração".

Cheia de luz, a musica de B Fachada continua a surpreender em cada passo. O novo concerto do cantautor tem por isso uma bagagem reforçada com o imenso material dos discos anteriores. Mas afinal de contas, como explica em "criôlo", B fachada pode recuar até 98 para traçar um percurso que não tem parado de crescer em termos de reconhecimento e de aplausos.

Tem mais balanço este B Fachada de 2012, cada vez mais um autor de corpo inteiro que a partir dos ecos das obras de Sérgio Godinho, Fausto, ou Zé Mário, traçou a sua própria identidade a traço vincado pela originalidade.

O Misty Fest leva B Fachada ao Centro Cultural Olga Cadaval, dia 10 de Novembro, pelas 22:00h



publicado por olhar para o mundo às 18:46 | link do post | comentar

Sábado, 06.10.12

 

 

letra

 

viver no lixo ou na cama

casar na cama ou na capela

putas vinho e cinderela

caça ao fim-de-semana

ganhar o pão de gravata

a chafurdar-me na lama

ficar para sempre com a manuela

ou não se ama

como calha

por que é que não é tudo como calha

nem mesmo no acaso

a culpa falha

bem que podia ser tudo como calha.

 

matar a velha das finanças

ou ser verde e amoroso

no andanças

a encher as freaks todas de esperanças

e lembranças uma vida de caganças

juntar-me a um homem lindo

ou fingir que vou dormindo

onde calha

por que é que não é tudo como calha

nem mesmo no acaso

a culpa falha

bem que podia ser tudo como calha.

 

fica sempre tanta gente para trás

ou é para a frente nem me lembro

agora tanto faz

os ofícios

as rotinas que escaparam

rapaz as mentiras

as meninas que deixaste em paz

as leituras

as viagens as carreiras

que deixaste em paz

já perdeste um companheiro

e estás inteiro

sem os sonhos que deixaste em paz

a velha ganância

a namorada de infância

a casa no bairro

o carro

e tudo o que não volta atrás

do karma

que deixaste em paz.



publicado por olhar para o mundo às 21:43 | link do post | comentar

Quarta-feira, 01.08.12

 

 

Letra

 

meu querido amor de agosto

quantas noites para acabar

quantos dias sem dormir

quantas tardes por passar

pelos nossos cantos só de agosto

quantos cantos por cantar

enquanto nós experimentamos namorar

começa aos poucos a vida compensar

o esforço

e quando o pai vier buscar

deixo o sol posto

no meu querido mês de agosto


se para o ano eu ainda estiver

a teu gosto

e se o cosmos me quiser ver bem-disposto

tu vais ser minha mulher durante agosto

de corpo e rosto é suposto para o que der e vier


se nos rirmos do desgosto

amanhã ele vai passar

mas se te souber esquecer

já não sobra o que lembrar

de queimarmos o almoço

aos amigos a dançar

há tanta coisa para falar

de cada agosto


começa aos poucos o adulto a conquistar

lugar ao moço

mas quando a noite começar

um sonho-posto

eu vou querer amor de agosto


se para o ano

eu ainda estiver a teu gosto

e se o cosmos me quiser ver bem-disposto

tu vais ser minha mulherdurante agosto

de corpo e rosto é suposto para o que der e vier.



publicado por olhar para o mundo às 20:34 | link do post | comentar

Domingo, 29.07.12

 

 

Letra

 

com as cadeiras na batida e o cabelo ao som

se te foge a rapariga volta sem batom

bota a boca na botija que eu seguro o som

uma desculpa e de seguida já está bom

não te apanhe a dormir

que a morena vai conseguir

pôr a gente a mexer

o poeta não te vai valer

que o mar já está velho para voltar

felizmente ainda há prazer

navegar navegar navegar

a nação a renascer

afro-xula para dançar.


se estás com medo da matilha liga ao tio maçon

ele que mande o regicida desligar o som

guarda bem a tua amiga isto não é o fon-fon-fon

estou a vê-la convencida que afro-xula é mesmo bom

não te apanhe a curtir

o que é que vem a seguir

a morena a aquecer

e a guerrilha a pedir para ver então

assim se faz revolução

o menino em barafunda a dar beijinhos no mamão

o mamão já na segunda a ser mamífero porque não

vão chegando mais amigos

nem sequer há inspeção

cada um purga castigos

vai batendo com a mão


o aníbal a comer

o polícia a cozinhar

toda a gente sem poder

e ninguém a trabalhar.


sei que a cada homem cada sonho

sou mais uma presa do medronho

pedem-me um roteiro de viagem

mas eu nunca cantei uma mensagem

felizmente ainda há prazer

navegar navegar navegar

a nação a renascer

afro-xula para dançar.


o aníbal a comer

o polícia a cozinhar

toda a gente sem poder

e ninguém a trabalhar. 


retirado de http://bfachada.bandcamp.com/album/cri-lo



publicado por olhar para o mundo às 22:40 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Segunda-feira, 16.07.12

 

 

Letra

 

Se vamos juntos passear
O olhar faz parecer vão o que eu disser
Se te provoco com o que à noite te fiz, sorris

 

Já só te falta seres mulher.

 

Dou-te um abraço e vai-se o embaraço
E em pouco espaço vou dar-te aquilo que eu quiser.
E eu quero tanto
Qual não foi o meu espanto


Pelo teu encanto

Só te falta seres mulher.

 

Faça eu o que fizer não vou fazer de ti uma mulher.

Eu posso até querer entregar-me
Lançar-me a ver aquilo que vier
Mas eu gostar da tua masculinidade é maldade,
A merda é só não seres mulher.

 

É que tu tens o charme para poderes virar-me
Sabes conquistar-me
Dás-me a lascívia de talher como dizer-te então
Tens escrito "homem" no coração
E infelizmente querido
Eu, perdão, só me apaixono por mulher

 

Faça eu o que fizer não vou fazer de ti uma mulher.



publicado por olhar para o mundo às 10:57 | link do post | comentar

Segunda-feira, 02.07.12

B Fachada abre concertos de verão no Museu do Chiado

O músico B Fachada inaugura, a 5 de julho, a nova temporada das «Noites de verão», um ciclo de concertos e DJ set no Museu do Chiado, em Lisboa, e de entrada gratuita, informou a promotora Filho Único.


O ciclo acontecerá todas as quintas-feiras de julho e agosto no jardim do Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado.

 

O primeiro concerto ficará por conta de Bernardo Fachada, músico português que tem editado dois registos por ano e que se prepara para editar álbum novo intitulado »Criôlo», que terá o selo da independente Mbari.

 

No dia 12 de julho, atua o IKB Ensemble, um coletivo de 14 músicos liderado por Ernesto Rodrigues em torno da música improvisada e esteticamente inspirado no artista plástico Ives Klein.

 

O músico belga Lieven Martens apresenta-se no Museu do Chiado no dia 19 de julho, enquanto fundador de Dolphins Into The Future, projeto de paisagens sonoras da música new age contemporânea, com recurso a gravações de sons da natureza, como do mar e das aves.

 

Lieven Martens editou recentemente o álbum «Canto do Arquipélago», gravado e produzido nos Açores e que deverá servir de mote para a performance em Lisboa.

 

O último concerto de julho, no dia 26, ficará por conta de Éme (nome artístico de João Marcelo), um dos fundadores da editora independente portuguesa Cafetra e do grupo «Os Passos em Volta».

 

A solo, o músico editou no ano passado o EP de estreia «Passa-se alguma coisa estranha aqui» e este mês o álbum folk pop «Gancia».

 

Em agosto, todas as atuações serão em formato de DJ set, com os «Slight Delay», formados pelos lisboetas Tiago Miranda e Alcides no dia 2, com o jornalista e crítico de música Rui Miguel Abreu no dia 9, com o vocalista dos 'Pop Dell'Arte', João Peste, no dia 19, e com o guitarrista Norberto Lobo no dia 23, em vésperas de lançar um novo álbum, «Mel Azul».

 

Tal como abriu, a temporada «Noites de verão» fechará com 'B Fachada' a pôr música no jardim do Museu do Chiado.

 

Rafael Toral, Sei Miguel, Red Trio, JP Simões, Jorge Lima Barreto e Kimi Djabaté foram alguns dos artistas que atuaram em anos anteriores nesta série de concertos de verão, gratuitos e ao ar livre.

 

Retirado de Sapo Música



publicado por olhar para o mundo às 12:49 | link do post | comentar

Sábado, 11.02.12

O amor acontece nos corredores da Baixa-Chiado PT Bluestation

O amor vai percorrer os corredores da Baixa-Chiado PT Bluestation entre os dias 11 e 14 de fevereiro.

 

Para comemorar a chegada do Dia dos Namorados estão previstas várias iniciativas, como uma festa para solteiros, umconcerto intimista de B Fachada, ‘performances’ de tango, oferta de doces, entre outras. A entrada é livre.

 

A primeira iniciativa tem lugar às 23:55 de sábado, 11 de fevereiro. Os apresentadores do programa «5 Para a Meia-Noite» (RTP2), Pedro Fernandes e Luísa Barbosa vão convidar amigos e amigas solteiras, respetivamente.

 

Às cinco para a meia-noite, precisamente, a viagem começa. Duas carruagens do metro de Lisboa vão cruzar-se de forma diferente. Eles chegam do lado do Cais do Sodré (linha verde) e elas chegam do lado dos Restauradores (linha azul). O ponto de encontro é a Baixa-Chiado PT Bluestation, onde os dois comboios vão chegar em simultâneo e homens e mulheres vão conhecer-se.

 

Mais tarde, a festa continua noite dentro pelo Bairro Alto, em Lisboa, com música e animação.

 

No dia seguinte, domingo, 12 de fevereiro, pelas 17:00, B Fachada vai tocar ao vivo numa ambiência diferente da habitual. Com nove discos editados desde 2007, B Fachada conquistou o público e a crítica desde o seu primeiro álbum.

 

Videoclip do tema «Tó-Zé»

 

Em comunicado enviado ao SAPO Música, a organização adianta que, neste dia específico, vai haver oferta de chá afrodisíaco, «num apelo ao romantismo e à partilha de momentos a dois».

 

A tarde de segunda-feira, 13, vai ser marcada pela distribuição de rebuçados, pipocas e algodão doce a todos aqueles que passarem pela Baixa-Chiado PT Bluestation, entre as 16:00 e as 20:00.

 

Por fim, e já na terça-feira de de São Valentim, violinistas e violoncelistas enchem a estação com música romântica e vários pares de bailarinos vão dançar o tango. Numa interação constante com os utentes da estação, músicos e bailarinos vão tornar este dia num dos mais românticos na Baixa-Chiado PT Bluestation.

 

Via Sapo Música



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