Terça-feira, 21.10.14

 

 

Letra

 

debruçada no parapeito
vestida com um certo desleixo
a sombra a giz desenhada no chão
apenas durmo mal

alguma informação
um mapa mal desenhado
serei suprema
nunca serei nada

todo o teatro inútil
o razoável insucesso
não tenho jeito para estas coisas
nunca devia ter hesitado

meti-me para dentro
roupa interior feia
a menina devia ser fuzilada
juntamente com as suas companheiras

 



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Quinta-feira, 08.05.14

 

Letra

 

A viúva bebe do cipreste
e é na orla da espuma,
na maré negra celeste
a estrela que se arruma

Fosco abat-jour de enfados,
falhas de luz desafinada,
um relógio de estragados
ponteiros em debandada.

Um saco de mercearia
nervosa de asa sem par:
um só prato para o jantar,

Água de Agosto cortada,
cimo de escada ofegante
e um livro fora da estante



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Segunda-feira, 05.05.14

 

 

Letra

 

Ele há gente que vive de si

Ele há vícios de que a gente se ri

Todos me falam nunca os conheci

Assisto ao seu enterro metam-nos pr'aí



Os meus sentidos pêsames

Que pena não viveres mais aqui



Ele há músicos qu'eu nunca ouvi

Ele há estilistas qu'eu nunca vesti

Ele há críticas que eu nunca percebi

E até managers de quem não recebi



Os meus sentidos pêsames

Sinceros parabéns por desistires de vencer

Os meus sentidos pêsames

Saudades de quem não se sabe vender aqui

Onde eu já vivi. Sem saber como nem quando. Onde eu já dormi

Condolências para quem continua sem saber. O que faz aqui

Como eu só vivi. Também já acordei um dia sozinho

E no entanto lembrei-me de ti. Aceita as

Condolências deixa-te morrer. Não fazes falta aqui.

Quando te fores haverá sempre elogios. E alguém

Que se riu de ti. Onde eu já vivi.




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Quarta-feira, 09.04.14

 

 

Letra

 

Porque tenho eu
Frieiras se nunca tiro as luvas?
Porque tenho eu arranhões
Se os meus gatos são meigos?

Como dizia uma pobre rapariga
Que era criada e mal sabia ler
Também eu vou dizer
Coração partido

Pé dormente
Vou para a cama
Que estou doente
Porque me traíste tanto

Se os meus gatos são meigos?
Porque me traíste tanto
Se eu nunca tiro as luvas?



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Terça-feira, 08.04.14

 

 

Letra

 

Está um rapaz a arder
em cima do muro,
as mãos apaziguadas.
arde indiferentemente à neve que o encharca

Outros foram capazes
de lhe sabotar o corpo,
archote glaciar
nunca ninguém apagou esse lume



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Quinta-feira, 20.03.14

 

 

Letra

 

A contas com o bem que tu me fazes 
A contas com o mal por que passei 
Com tantas guerras que travei 
Já não sei fazer as pazes 

São flores aos milhões entre ruínas 
Meu peito feito campo de batalha 
Cada alvorada que me ensinas 
Oiro em pó que o vento espalha 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer 
Qualquer coisa que eu devia perceber 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Ensinas-me fazer tantas perguntas 
Na volta das respostas que eu trazia 
Quantas promessas eu faria 
Se as cumprisse todas juntas 

Não largues esta mão no torvelinho 
Pois falta sempre pouco para chegar 
Eu não meti o barco ao mar 
Pra ficar pelo caminho 

Cá dentro inqueitação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer 
Qualquer coisa que eu devia perceber 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Cá dentro inqueitação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Mas sei 
É que não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer 
Qualquer coisa que eu devia resolver 
Porquê, não sei 
Mas sei 
Que essa coisa é que é linda



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Quinta-feira, 30.01.14

A Naifa

 

Álbum de versões, «As Canções d'A Naifa», dá origem ao novo espetáculo do grupo

 

O grupo A Naifa inicia a 8 de fevereiro, no Barreiro, uma nova digressão pelo país, que assinala dez anos de vida e um novo espetáculo, com o repertório do álbum «As Canções d'A Naifa».

Entre fevereiro e maio, Mitó Mendes, Luís Varatojo, Sandra Baptista e Samuel Palitos celebrarão na estrada uma década d'A Naifa, que incluirá repertório de eleição de outros artistas, espelhado no mais recente álbum.

«As Canções d'A Naifa» reúne nove músicas, do pop rock português ao fado, entre as quais «Libertação», gravada por Amália Rodrigues, «Inquietação», de José Mário Branco, «Sentidos Pêsames», dos GNR, «Tourada», de Ary dos Santos e Fernando Tordo, e «Bolero do Coronel Sensível que Fez Amor em Monsanto», com letra de António Lobo Antunes.

Na digressão, o grupo irá ainda repescar temas dos álbuns «3 Minutos Antes de a Maré Encher», «Uma Inocente Inclinação Para o Mal» e «Não Se Deitam Comigo Corações Obedientes».

A digressão começa a 8 de fevereiro, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Barreiro, seguindo depois para Coimbra, Ponta Delgada, Évora, Estarreja, Seixal, Almada, Caldas da Rainha e Braga, a 10 de maio.



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Sábado, 18.01.14

 

Letra

 

apanhada a roubar
como uma criança
de vestido branco e sandálias
consertei a figurinha

um homem assim humilde
lançado aos cães
não sinto quase nada
uma ligeira dor de cabeça

gostavas de ser feliz
farei o que puder para te impedir
a cada novo dia o duro preço
não consigo resistir

nesse dia beijei muita gente
se te magoei não foi intencional
espero ainda que me perdoes
uma inocente inclinação para o mal



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Quinta-feira, 02.01.14

 

Letra

 

Ai como eu quero viver no plural
este singular é pior que mal
cavaleiro ignoto na eternidade
exílio nos mares da minha saudade


Ignorar em mim a maior solidão
mesmo na rua sem tecto nem chão
enganar o espelho com retratos de mim
não tenham certezas, eu não sou assim...

 

Achado no Espaço esquecido pelo mundo

não tenho cansaço, Sou Eco profundo

Quero ser plural, Crescente, minguante

Viver num segundo o Eterno instante


não tenham certezas, eu não sou assim...

não tenham certezas, eu não sou assim...

não tenham certezas, eu não sou assim...

não tenham certezas, eu não sou assim...


Nascer larva, morrer borboleta, lagarta
crisálida de cor violeta, ser águia, luar
com mãos de veludo, desta saudade de
nunca ser tudo

Lembrar de Deus a voz num jardim imenso
ser poeta do Espaço, do Ser que me penso
ser do Oriente da ave que me espalha
trazer comigo a Luz numa medalha

Achada no Espaço esquecida pelo mundo
não tenho cansaço, Sou Eco profundo
Quero ser plural, Crescente, minguante
Viver num segundo o Eterno instante

 

não tenham certezas, eu não sou assim...

não tenham certezas, eu não sou assim...

não tenham certezas, eu não sou assim...

não tenham certezas, eu não sou assim...

 



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Quarta-feira, 01.01.14

 

 

Letra

 

Eu que me comovo

Por tudo e por nada

Deixei-te parada

Na berma da estrada

Usei o teu corpo

Paguei o teu preço

Esqueci o teu nome

Limpei-me com o lenço

 

Olhei-te a cintura

De pé no alcatrão

Levantei-te as saias

Deitei-te no banco

Num bosque de faias

De mala na mão

Nem sequer falaste

Nem sequer beijaste

 

Nem sequer gemeste

Mordeste, abraçaste

Quinhentos escudos

Foi o que disseste

Tinhas quinze anos

Dezasseis, dezassete

Cheiravas a mato

À sopa dos pobres

 

A infância sem quarto

A suor a chiclete

Saíste do carro

Alisando a blusa

Espiei da janela

Rosto de aguarela

Coxa em semifusa

Soltei o travão

 

Voltei para casa

De chaves na mão

Sobrancelha em asa

Disse: “fiz serão”

Ao filho e à mulher

Repeti a fruta

Acabei a ceia

Larguei o talher

 

Estendi-me na cama

De ouvido à escuta

E perna cruzada

Que de olhos em chama

Só tinha na ideia

Teu corpo parado

Na berma da estrada

Eu que me comovo

Por tudo e por nada



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Sexta-feira, 08.11.13

 

Letra

 

Alfama

de cacos pintados
de tintas e trocas

e ventos no rio 

 

no rio
de pontos picantes

e pontas de faca 
com laca e alpaca


Alfama

com alma e alfafa
e gente de fama

que cai na galhofa 


do pátio da esquina

da feira da ladra
de cacos picantes

e contas correntes 


de tretas e pintas

de gente com laca 
nas pontas da fama

e ventos de faca

que cortam Alfama

em portas pintadas
com a fama do fado

com a fama de alfama

 

com alma e alfafa
e gente de fama

que cai na galhofa 


do pátio da esquina

da feira da ladra
de cacos picantes

e contas correntes 


de tretas e pintas

de gente com laca 
nas pontas da fama

e ventos de faca

que cortam Alfama

em portas pintadas
com a fama do fado

 

com a fama de do fado



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Quinta-feira, 07.11.13

A naifa

«As Canções d'A Naifa» inclui temas celebrizados por Fernando Tordo, Simone de Oliveira, GNR e Amália Rodrigues

 

Chegou esta semana às lojas «As Canções d'A Naifa», novo disco em que a banda de Maria Antónia Mendes (voz), Luís Varatojo (guitarra portuguesa), Sandra Baptista (baixo) e Samuel Palitos (bateria) interpreta clássicos da música portuguesa celebrizados por Fernando Tordo, Simone de Oliveira, GNR e Amália Rodrigues, entre outros.

O single de apresentação escolhido foi «A Tourada» (letra de Ary dos Santos e música de Fernando Tordo), cujo tema original representou Portugal no festival da Eurovisão, em 1973.

«Sentidos Pêsames» (GNR), «Libertação» (Amália Rodrigues), Desfolhada Portuguesa (Simone de Oliveira), «Inquietação» (José Mário Branco) e «Subida aos Céus» (Três Tristes Tigres) são outras das canções de um disco composto por nove temas que têm feito parte dos concertos ao vivo d'A Naifa durante os quase dez anos do grupo.

«As Canções d'A Naifa» sucede a «Não Se Deitam Comigo Corações Obedientes», álbum distinguido pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) com o Prémio Autores para Melhor Disco de 2012.

O próximo ano será de celebração de uma década de vida d'A Naifa e levará a banda aos principais teatros do país numa digressão nacional de apresentação de «As Canções d'A Naifa».

Retirado de Iol Música


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Quarta-feira, 06.11.13

 

Letra

 

Não importa sol ou sombra 
camarotes ou barreiras 
toureamos ombro a ombro 
as feras. 
Ninguém nos leva ao engano 
toureamos mano a mano 
só nos podem causar dano 
espera. 

Entram guizos chocas e capotes 
e mantilhas pretas 
entram espadas chifres e derrotes 
e alguns poetas 
entram bravos cravos e dichotes 
porque tudo o mais 
são tretas. 

Entram vacas depois dos forcados 
que não pegam nada. 
Soam brados e olés dos nabos 
que não pagam nada 
e só ficam os peões de brega 
cuja profissão 
não pega. 

Com bandarilhas de esperança 
afugentamos a fera 
estamos na praça 
da Primavera. 

Nós vamos pegar o mundo 
pelos cornos da desgraça 
e fazermos da tristeza 
graça. 

Entram velhas doidas e turistas 
entram excursões 
entram benefícios e cronistas 
entram aldrabões 
entram marialvas e coristas 
entram galifões 
de crista. 

Entram cavaleiros à garupa 
do seu heroísmo 
entra aquela música maluca 
do passodoblismo 
entra a aficionada e a caduca 
mais o snobismo 
e cismo... 

Entram empresários moralistas 
entram frustrações 
entram antiquários e fadistas 
e contradições 
e entra muito dólar muita gente 
que dá lucro as milhões. 

E diz o inteligente 
que acabaram asa canções. 



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Quinta-feira, 31.10.13

 

Letra

 

Não digas nada - a tua boca já me pertenceu
E agora tenho ciúmes das palavras. o que
Disseres será um beijo pousado nos lábios de
Outra mulher, dor e mais dor, traição maior
Para quem acreditou que o teu amor era para
A morte. não fales - tenho também ciúmes

Da tua voz; ouvir-te é ficar só uma vez mais.



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Quarta-feira, 30.10.13

 

Letra

 

amanhã serei
jornais antigos
doente de amor
fabriquei um romance

amanhã morrerei
em voz baixa
pequena de destino
no banco traseiro

ama com egoísmo
começarei por mim própria
imagino-me mais alta
na página seguinte

filha de cabeleireira
sinto-me sempre culpada
a técnica minuciosa
nunca me serviu de nada

amanhã serei
sem abrigo
banco de jardim
com vista para o mar

amanhã morrerei
lição de história
o corpo da criada
ao serviço da casa




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Sexta-feira, 25.10.13

A Naifa reinterpreta canções alheias no novo álbum

A Naifa edita a 4 de novembro um novo álbum, no qual revisita canções da música portuguesa, do pop rock ao fado, e cujas escolhas traçam também a identidade musical da banda.

"As canções d'A Naifa" reúne nove músicas, entre as quais "Libertação", gravada por Amália Rodrigues, "Inquietação", de José Mário Branco, "Sentidos Pêsames", dos GNR, e "Subida aos céus", gravada pelos Três Tristes Tigres.

"Desde 2004 que temos vindo a fazer versões de uma ou outra canção, para os espetáculos ao vivo. Como já tínhamos algumas, decidimos gravar, mas num registo que fosse mais ao vivo", afirmou à agência Lusa o guitarrista Luís Varatojo.

O álbum apresenta canções escolhidas "segundo o critério de gosto" dos músicos - "tinha de ser assim, músicas que gostamos de ouvir" - e que "corresponde também ao percurso da banda", explicou.

São canções que tanto os acompanham desde sempre como fazem parte de afinidades recentes: "No fundo, também são as nossas canções, emprestadas dos outros artistas".

Para primeiro tema a divulgar, A Naifa escolheu "A tourada", de Fernando Tordo, com letra de José Carlos Ary dos Santos, metáfora sobre situação social da ditadura do Estado Novo em 1973, que a censura deixou escapar. "Escolhemos por, entre outras razões, ter uma leitura mais exata do que se passa hoje no país", afirmou Luís Varatojo.

O quarteto apropriou-se ainda, por exemplo, de "Bolero do coronel sensível que fez amor em Monsanto", de Vitorino, com letra de António Lobo Antunes, "Imenso", de Paulo Bragança, e "Desfolhada portuguesa", que Simone de Oliveira interpretou com letra de Ary dos Santos e música de Nuno Nazareth Fernandes.

Para Luís Varatojo, o álbum poderá ser um exercício interessante para os que já conhecem as canções, mas também se dirige aos mais novos, que possivelmente desconhecem este repertório.

O disco, que será lançado oficialmente no dia 30, no Bar Popular, em Alvalde, Lisboa, é editado cerca de um ano depois do álbum "Não se deitam comigo corações obedientes".

Para os concertos, Luís Varatojo, Mitó Mendes (voz), Sandra Baptista (baixo) e Samuel Palitos (bateria) preparam um alinhamento focado sobretudo no novo álbum, ao qual adicionarão algumas canções do repertório original.

 

Retirado do Sapo Música



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Quinta-feira, 24.10.13

 

Letra

 

 José Mário Branco

 

A contas com o bem que tu me fazes 
A contas com o mal por que passei 
Com tantas guerras que travei 
Já não sei fazer as pazes 

São flores aos milhões entre ruínas 
Meu peito feito campo de batalha 
Cada alvorada que me ensinas 
Oiro em pó que o vento espalha 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer 
Qualquer coisa que eu devia perceber 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Ensinas-me fazer tantas perguntas 
Na volta das respostas que eu trazia 
Quantas promessas eu faria 
Se as cumprisse todas juntas 

Não largues esta mão no torvelinho 
Pois falta sempre pouco para chegar 
Eu não meti o barco ao mar 
Pra ficar pelo caminho 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer 
Qualquer coisa que eu devia perceber 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Mas sei 
É que não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer 
Qualquer coisa que eu devia resolver 
Porquê, não sei 
Mas sei 
Que essa coisa é que é linda



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Domingo, 15.09.13

 

Letra

 

Inquietação

 José Mário Branco

 

A contas com o bem que tu me fazes 
A contas com o mal por que passei 
Com tantas guerras que travei 
Já não sei fazer as pazes 

São flores aos milhões entre ruínas 
Meu peito feito campo de batalha 
Cada alvorada que me ensinas 
Oiro em pó que o vento espalha 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer 
Qualquer coisa que eu devia perceber 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Ensinas-me fazer tantas perguntas 
Na volta das respostas que eu trazia 
Quantas promessas eu faria 
Se as cumprisse todas juntas 

Não largues esta mão no torvelinho 
Pois falta sempre pouco para chegar 
Eu não meti o barco ao mar 
Pra ficar pelo caminho 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer 
Qualquer coisa que eu devia perceber 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei 
Porquê, não sei ainda 

Cá dentro inquietação, inquietação 
É só inquietação, inquietação 
Porquê, não sei 
Mas sei 
É que não sei ainda 

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer 
Qualquer coisa que eu devia resolver 
Porquê, não sei 
Mas sei 
Que essa coisa é que é linda



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Terça-feira, 23.10.12

A Naifa despede-se dos palcos nacionais com digressão de Outono

 

O grupo que reúne Mitó Mendes, Luis Varatojo, Sandra Baptista e Samuel Palitos deu a conhecer o seu novo trabalho que originou uma digressão de apresentação nacional.

 

Entre Março e Maio, A Naifa passou por 14 dos principais Teatros e cidades portuguesas.

 

No verão, a banda marcou presença em diversos Festivais e eventos do norte ao sul do país. Entre a Festa do Fado no Castelo de S. Jorge (Lisboa), o Festival Bons Sons de Tomar, o Festival Noites Ritual (Porto), o Festival do Crato e a Festa do Avante!, A Naifa esteve presente com concertos a saber a calor.

 

Agora, já no final do ano, é altura d'A Naifa regressar aos teatros. Será uma nova digressão de Outono que marcará a sua despedida dos palcos de Portugal.

 

2013 será para a banda o ano dedicado à consolidação da carreira internacional.

 

As próximas datas agendadas são: a 31 de Outubro em Tondela (Acert), 03 de Novembro em Sintra (Misty Fest), 09 de Novembro em Castelo Branco (Teatro Avenida) e 30 de Novembro em Leiria (Teatro José Lúcio da Silva).

 

Em Dezembro, vão estar presentes em mais três concertos para finalizar a tournée: Santarém a 06 (Teatro Sá da Bandeira), Setúbal a 07 (Forum Municipal Luísa Todi) e Figueira da Foz a 15 (casino).

Sofia Silva 

 

Retirado do HardMúsica



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Sexta-feira, 13.07.12

 

Letra

 

na aula de dança
a audácia do par
um grande assombro
tomou conta de nós

um íntimo remorso
à porta do vizinho
uma discreta condenação
serve-me de castigo

não quero o amor
o que me entusiasma é a boa imitação
que ideia tenho eu das coisas
meu ingénuo coração

meu ingénuo coração

 

na aula de dança
a audácia do par
um grande assombro
tomou conta de nós

tento ler nos lábios
por detrás do espelho
um sorriso contrafeito
a tirar a aliança do dedo

 

não quero o amor
o que me entusiasma é a boa imitação
que ideia tenho eu das coisas
meu ingénuo coração

meu ingénuo coração

 

um íntimo remorso
à porta do vizinho
uma discreta condenação
serve-me de castigo

 

não quero o amor
o que me entusiasma é a boa imitação
que ideia tenho eu das coisas
meu ingénuo coração

meu ingénuo coração



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Letra

 

O Ar Cansado Dos Meus Vestidos

 A Naifa

 

 

o ar cansado
dos meus vestidos
a minha mão perdida
antes de tudo isto

no teu corpo adormecido
imóvel e silencioso
desenho um mapa
do nosso grande amor

 

já te ensinei o amor
agora há pouco a fazer
a seguir vem o sono
e eu que tinha tanto tanto para te dizer

 

o ar cansado
dos meus vestidos
a minha mão perdida
antes de tudo isto

os lábios ainda incertos
ao fim de cada dia
um lugar na minha cama
agora ocupado

já te ensinei o amor
agora há pouco a fazer
a seguir vem o sono
e eu que tinha tanto tanto para te dizer

 

no teu corpo adormecido
imóvel e silencioso
desenho um mapa
do nosso grande amor

 

já te ensinei o amor
agora há pouco a fazer
a seguir vem o sono
e eu que tinha tanto tanto para te dizer



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Sexta-feira, 29.06.12

 

letra

tenho uma estátua fluorescente da virgem maria
que me dá confiança e brilha à noite.
tenho os joelhos magoados.
o calvário dos fiéis devia ser menos árduo.

tenho trezentos e sessenta e cinco santos numa
caixa calendário daquelas em que cada dia
tem um chocolate.

tenho um lencinho branco onde limpo as
lágrimas enquanto assisto a uma vigília via tv

tenho uma estátua fluorescente da virgem maria
que me dá confiança
e brilha à noite.
tenho os joelhos magoados.
o calvário dos fiéis devia ser menos árduo.

às vezes quando o vapor é muito,
tenho o salvador no espelho.

deito-me de consciência limpa,
não me esqueci das velinhas, nem de
deixar a moedinha na caixa

dormirei o sono dos justos e talvez não acorde
quando o galo da minha vizinha cantar três
vezes e o meu senhorio o tentar apedrejar.
sinto-me bem e deus queira que consiga não
me masturbar.

tenho uma estátua fluorescente da virgem maria
que me dá confiança
e brilha à noite.
tenho os joelhos magoados.
o calvário dos fiéis
devia ser menos árduo.

tenho uma estátua fluorescente da virgem maria
que me dá confiança
e brilha à noite.
tenho os joelhos magoados.
o calvário dos fiéis
devia ser menos árduo.



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Quarta-feira, 13.06.12

A Naifa atua com Paulo Bragança no Castelo de S. Jorge

De regresso ao Castelo de S. Jorge e à Festa do Fado, A Naifa apresenta um espetáculo especial com a participação de Paulo Bragança.

No ano de lançamentos do seu quarto álbum de originais, intitulado “não se deitam comigo corações obedientes”, e depois de uma digressão que passou pelos principais Teatros do País, A Naifa aposta num novo espetáculo. 

As canções do projeto ganham assim uma outra vida e preparam-se para receber também a voz única e a originalidade de Paulo Bragança. Neste concerto serão revisitados os quatro álbuns d'A Naifa, bem como algumas das canções que marcaram a carreira de Paulo Bragança, o mote para uma noite que poderá incluir outras abordagens.

22 de Junho( 6ªf): Castelo de São Jorge (Lisboa), 22h00

 

Bilhetes: 12,5€ 

 

Retirado de Sapo Música



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letra

 

Esta apólice, o vizinho de cima
a puxar o autoclismo
a bater na mulher e nos filhos

A água da torneira com cheiro a lexivia
sempre a pingar
o televisor com uma avaria

Talvez o canteiro das flores
sujas e maltratadas
estas zangas por tudo e por nada

QUESTÃO DA NOITE

Questão da noite
do programa que acontece
em Portugal, neste fim de século,
navegar é preciso ?
resposta:
se morar no Barreiro, sim



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Quinta-feira, 10.05.12

 

letra

 

Viste que os dias não passavam disto,

e viste bem.

Desse lado do céu,

tens o melhor miradouro

sobre a madrugada.

 

Se encontrares o pintainho

que sepultámos,

em segredo e lágrimas, 

pede-lhe o arco

da sua asa

 

entretanto,

vou montando

o telescópio,

 põe-te à vista

combinamos um gelado

 

viste que os dias

não passavam disto

e viste bem 

desse lado do céu

tens o melhor miradouro

sobre a madrugada

 

remete-me, quando puderes

nas noites de lua nova

pacotes de chuva miúda,

gosto de a ver

decalcar a terra

 

entretanto,

vou montando

o telescópio,

 põe-te à vista

combinamos um gelado

 

entretanto,

vou montando

o telescópio,

 põe-te à vista

combinamos um gelado

 



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Sexta-feira, 13.04.12
Letra
Curiosa a tribo que formamos, sós
que somos sempre e à noite pardos,
fuzis os olhos, garras como dardos,
mostrando o nosso assanho mais feroz:

quando me ataca o cio eu toda ardo,
e pelos becos faço eco, a voz
esforço, estico e, como outras de nós,
de susto dobro e fico um leopardo

ou ando nas piscinas a rondar –
e perco o pé com ganas sufocantes
de regressar ao sítio que deixei

julgando ser mais fundo do que antes.
A isto assiste a morte, sem contar
as vidas que levei , que levei ou já gastei.
quando me ataca o cio eu toda ardo,
e pelos becos faço eco, a voz
esforço, estico e, como outras de nós,
de susto dobro e fico um leopardo
quando me ataca o cio eu toda ardo,
e pelos becos faço eco, a voz
esforço, estico e, como outras de nós,
de susto dobro e fico um leopardo

ou ando nas piscinas a rondar –
e perco o pé com ganas sufocantes
de regressar ao sítio que deixei
julgando ser mais fundo do que antes.
A isto assiste a morte, sem contar
as vidas que levei 
ou ando nas piscinas a rondar –
e perco o pé com ganas sufocantes
de regressar ao sítio que deixei
julgando ser mais fundo do que antes.
A isto assiste a morte, sem contar
as vidas que levei que levei ou já gastei


publicado por olhar para o mundo às 17:30 | link do post | comentar

Segunda-feira, 09.04.12

 

Letra

 


tão cansada de engolir
comprimidos sem dormir
do meu sexo que se embota
do meu coração que se esgota
esticado na horizontal
sob uma agulha sensual
e a sopa na panela
embacia-me a janela


se há uma falha um abalo
Dickinson Plath Woolf Kahlo
onde foram estavam loucas
queriam coisas eram ocas
queriam chique eram pedras
queriam arte eram merdas
tentando o voo eram estacas
punho em riste eram farpas

 

e a sopa na panela
embacia-me a janela

e sorbo mas sem palato

sem ter forças para o salto

 

tão cansada de engolir
comprimidos sem dormir
do meu sexo que se embota
do meu coração que se esgota
esticado na horizontal
sob uma agulha sensual

do meu sexo que se embota
do meu coração que se esgota


e a sopa na panela
embacia-me a janela

e sorbo mas sem palato

sem ter forças para o salto



Margarida Vale de Gato, Talvez a injecção letal 



publicado por olhar para o mundo às 21:33 | link do post | comentar

Segunda-feira, 26.03.12

A naifa, não se deit6em comigo corações obedientes

«não se deitam comigo corações obedientes» - A Naifa

O projeto A Naifa nasceu em 2004 pela mão de João Aguardela e Luís Varatojo, músicos associados à pop portuguesa dos anos 80 e 90, aos quais se juntou uma nova voz, Maria Antónia Mendes. O repertório, totalmente original, resulta de letras de novos poetas portugueses e temas com base em referências da música de raiz portuguesa. Em cinco anos editaram três álbuns e realizaram espetáculos dentro e fora de Portugal. O ano de 2012 marca a saída do seu 4º álbum de originais, intitulado "não se deitam comigo corações obedientes", agora com uma formação nova (que inclui Sandra Baptista no baixo e Samuel Palitos na bateria) e com 11 canções compostas a partir de textos de Adília Lopes, Ana Paula Inácio, Margarida Vale de Gato, Maria do Rosário Pedreira e Renata Correia Botelho.

 

Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha


31 março, 21:30


 

Retirado de Sapo Música



publicado por olhar para o mundo às 23:13 | link do post | comentar

Quarta-feira, 14.03.12

 

Letra

 

Estou à espera

mais uma vez

de ser gentilmente votada

ao meu lugar de amante

intensa, grata e gozada

 

e é melhor

que fique assim,

 

nem me queixo, inconveniente

sou para todo o protocolo

e além disso algo demente;

 

tenha embora certo interesse

falta-me um tudo-nada, charme

 

aliás,

agradeço que entre portas

me deixem dedicar mil vezes,

no meio dos uivos e lodos,

a minha vulnerabilidade-

 

- mas se por acaso, só desta vez,

for mesmo da minha cabeça

e acontecer de outro modo,

que hei-de agradar-vos a todos.

 

tenha embora certo interesse

falta-me um tudo-nada, charme

 

tenha embora certo interesse

falta-me um tudo-nada, charme

charme  e desprendimento

 

tenha embora certo interesse

falta-me um tudo-nada, charme

 

tenha embora certo interesse

falta-me um tudo-nada, charme

charme e dreprendimento

 

 



publicado por olhar para o mundo às 23:41 | link do post | comentar

Terça-feira, 13.03.12

 

Letra

 

ÉMULOS

 

Foi como amor aquilo que fizemos
 sem manhã sujeitos ao presente;
os dois carentes
foi logro aceite quando nos fodemos.

 

Foi circo ou cerco, gesto ou estilo

o termos juntos

sexo com ternura

Foi candura
num clima de aparato e de sigilo

 

num clima de aparato e de sigilo

num clima de aparato e de sigilo.

 

Se virmos bem

ninguém foi iludido
de que era a coisa em si – só o placebo
com algum excesso

com algum excesso que acelera a líbido.

 

E eu palavrosa, injusta desconcebo
o zelo de que nada fosse dito
e quanto quis

e quanto quis tocar em estado líquido.

 

Foi circo ou cerco, gesto ou estilo

num clima de aparato e de sigilo

Foi circo ou cerco, gesto ou estilo

num clima de aparato e de sigilo

Foi como amor aquilo que fizemos
os dois carentes
foi logro aceite quando nos fodemos.


publicado por olhar para o mundo às 23:25 | link do post | comentar


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maravilhosa!!Adorei!
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Gostooo💜💜
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http://luisasobral.com/pt/aqui tem as letras! :)
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Muito fixe
Gostei da musica da Telma Lee (https://canalkizomb...
olha so parece que bebes mt agua
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