Domingo, 8 de Maio de 2011

Clã e o disco voador

 

"Disco Voador", o mais recente CD dos Clã, é dedicado aos 'supernovos'. Depois de o apresentar em Lisboa, a banda dará novo concerto na Casa da Música, no dia 4. Um espetáculo diferente, mas fiel à alma rockeira do grupo

 

Trás, pás, zum... Um "Disco Voador" acabou de aterrar no mercado, em forma de CD, e as músicas que nele se ouvem falam a linguagem das crianças e têm o ritmo da sua energia. Não é um disco qualquer. O mais recente projeto dos Clã é dedicado aos 'supernovos', mas tem a sonoridade a que a banda de Manuela Azevedo nos habituou. O segundo espetáculo de apresentação de "Disco Voador"será na Casa da Música (Porto), a 4 de maio. Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves explicam melhor o porquê deste trabalho.

Que "Disco Voador" é este? O resultado de um relógio biológico que 'atacou' os Clã?

Manuela Azevedo - Sim e não. O que aconteceu, por força do relógio biológico de muita gente nos Clã, é que começámos a ter filhos, e isso, aliado ao facto de sermos músicos, fez-nos olhar o mundo e a música de outra forma, fez-nos pensar no que gostávamos de mostrar às nossas 'crias'. Por encontrarmos pouca coisa interessante na música pensada para crianças em Portugal, tínhamos vontade de fazer algo. Mas fomos adiando, adiando, até ao dia em que nos desafiaram a fazer um espetáculo para crianças em Vila do Conde, no âmbito de um megafestival chamado Estaleiro.

Hélder Gonçalves - Esse espetáculo resultou tão bem que daí partimos para a ideia do disco.

Em termos artísticos, no que foi diferente a produção deste CD?

H.G. - Só o início, quando nos sentámos para pensar o que queríamos fazer, que conceito trabalhar e como passá-lo. Pretendíamos algo que fosse consistente para mais velhos e mais novos. A parte da música foi menos difícil, porque logo à partida decidimos manter o nosso som, o nosso rock.

É verdade que este CD é muito coerente com o vosso estilo? Prova que, lá por ser para crianças, não é forçoso cair nas fórmulas do costume...

M.A. - Com tudo muito explicadinho, mais calminho...

H.G. - Claro que só depois de 'testar' as músicas foi possível ter certezas, mas nós acreditamos nisso. As crianças que vemos à nossa volta não gostam necessariamente dessas músicas ditas para crianças. Gostam também, e muito, da música que nós ouvimos.

Mas houve um grande cuidado com as letras...

M.A. - Que resultou do encontro feliz com a Regina Guimarães, com quem já tínhamos feito coisas antes e que nos pareceu a cúmplice ideal. Como nós, ela achou bem não fazer uma escrita 'de adultos para crianças' mas passar ao papel histórias que falassem da realidade delas, do que as inquieta, do que as apaixona.

H.G. - Mesmo musicalmente, insistimos numa certa 'fonética musical' que procura aproximar-se dos sons que os miúdos inventam. Uma espécie de onomatopeias musicais.

Ou seja, divertiram-se muito.

M.A. - Sim, claro, e ao longo de todo o processo. Até porque, não sendo este disco o sucessor natural de "Cintura", partimos para o projeto de uma forma mais livre, mais solta.

Este projeto implica que para já não pensem noutro CD?

M.A. - Pois, não vai sobrar espaço para mais nada

H.G. - Se houver tempo, começarei a compor, para gravarmos lá mais para a frente o nosso próximo disco 'para adultos'.

Por outra experiência nova passou a Manuela, ao fazer este mês a peça "A Lua de Maria Sem". Como correu?

M.A. - Quando recebi o convite do João Monge, o autor da peça, e percebi que tinha de cantar fados do Marceneiro, confesso que a minha primeira reação foi: "Não, isso é demasiado sério para mim..." Mas estava envolvida a Maria João Luís, o José Peixoto, e eu achei que devia pelo menos ler o guião. Fiquei apaixonada pelos textos, e então a coisa ficou ao contrário. Eu disse: "Vou mandar-te umas maquetes para ouvires o que posso fazer com os fados e depois logo dizes se posso entrar na equipa." Não pretendo estar a tornar-me atriz só por ter trabalhado com pessoas do teatro, mas foi um trabalho muito enriquecedor.

Os Clã Tëm uma carreira de vários anos eatravessaram um período em que parece ter havido uma reconciliação com a música portuguesa . Sentem-no? Como o explicam?

H.G. - Apareceram mais projetos escritos em português, o que torna as coisas mais próximas das pessoas. Outra razão para a música portuguesa estar a crescer, acredito eu, prende-se com o facto de as rádios, hoje, passarem mais música nacional. A isso foram obrigadas, mas se calhar foi preciso para a própria música evoluir e subir de qualidade. Também se começa a deixar de olhar para o nosso país como uma coisa pequenina e fechada. A nossa arte pode ser expandida e, na música, não necessariamente só pelo fado ou música mais tradicional.

 

Via Expresso 

 

 

 

 

 

 



publicado por olhar para o mundo às 11:23 | link do post | comentar

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