Quarta-feira, 4 de Maio de 2011
Reviver memórias dos anos 60

O novo "supergrupo" composto por membros dos Delfins, Bombazines, Wraygunn e por Gomo editou esta semana o seu álbum de estreia.

 

Miguel Ângelo, antigo vocalista dos Delfins; Paulo Gouveia, que desenvolve actividade na música sob o nome Gomo; Selma Uamusse, vocalista nos Wraygunn (grupo liderado por Paulo Furtado) e em nome próprio; e Marta Ren, ex-Sloppy Joe e Bombazines, são os Movimento, novo colectivo na música nacional, apostado em reavivar memórias do Portugal das décadas de 50 e 60.

 

O grupo, que surgiu por intermédio de Pedro Tenreiro (associado à Valentim de Carvalho) e concepção dos directores musicais Francisco Rebelo e João Cabrita não se considera, no entanto, "uma banda de versões". A intenção, com o álbum de estreia (auto-intitulado) editado esta semana, é, segundo os membros do grupo, em entrevista ao DN, "uma actualização" do som clássico da pop e do R&B clássico português, associado ao imaginário do Festival da Canção e dos conjuntos de baile.

 

"A ideia inicial era fazer um projecto com canções dos anos 80", diz Miguel Ângelo, cujos Delfins são uma referência definidora dessa época. "Mas esse espólio já está tão gasto que a dada altura sugeri utilizarmos canções dos anos 60, era que ficou colada aos festivais e ao contexto político, mas da qual vieram grandes canções, com grandes letras escritas por grandes poetas como [David] Mourão-Ferreira ou Ary dos Santos."

 

É a vertente mais dançável e divertida desses tempos, então, que Movimento pretende evocar, segundo Miguel Ângelo: "Achámos que era interessante ter um projecto novo com pessoas novas, que se distinguisse um pouco dos outros colectivos da música portuguesa actual, como os Amália Hoje, por exemplo. Para isso, demos uma linguagem contemporânea às músicas, que às vezes até nem são propriamente famosas."

 

Nunca isto é aqui tão claro como em Perto, o primeiro single retirado do álbum. Esta canção é uma reinterpretação de Tell me Bird, dos Sheiks (de Paulo de Carvalho, Fernando Chaby, Carlos Mendes e Jorge Barreto), por sinal até um dos clássicos menores do grupo. Outros dos temas contidos no álbum são Louco, do Conjunto Académico João Paul, ou a aula de aeróbica em linguagem R&B intitulado Psst -Psst All Around Lisbon, editado pelo Thilo's Combo (de Thilo Krassman), em 1965.

 

 

Se para Miguel Ângelo (frequentemente associado a manifestações do fenómeno mod, originário da Inglaterra dos anos 60, em Portugal) a transição da pop para os idiomas da música negra foi fácil, para Gomo (é assim que assina também neste álbum) a história já foi diferente, diz o próprio.

 

"A princípio achei que entrar num projecto destes só mesmo se fosse louco", diz o músico ligado ao pop-rock mais contemporâneo, e "quis perceber no fundo até que ponto é que conseguia corresponder às exigências deste tipo de música, não só a nível vocal. Não estava habituado a cantar este tipo de música nem neste registo".

 

"Nem nesta língua", remata Selma Uamusse, só meio a brincar, já que a carreira de Gomo, até agora, continha apenas canções escritas e interpretadas na língua inglesa: "Sim, e tive de estudar português, o que não foi fácil", responde Gomo,desta vez mesmo a brincar.

 

"De qualquer forma, encaro sempre estes desafios de forma séria", continua, "e a gravação deste disco foi uma verdadeira oportunidade de crescimento para mim, com o Francisco Rebelo, com o João Cabrita, com as coisas desta altura que o Pedro Tenreiro me vai mostrando, até porque muitas destas canções eu desconhecia completamente", termina o músico, que ao lado de Rodrigo Leão já tinha dado provas do lado crooner que aqui exibe de forma mais evidente. É sua, aliás, a prestação vocal em Perto.

 

A produção contemporânea de Movimento tem ecos óbvios do trabalho do produtor britânico Mark Ronson a solo ou para artistas como Amy Winehouse, mas relembra também artistas do "estábulo" da editora Stones Throw como Mayer Hawthorne ou Aloé Blacc. Miguel Ângelo, aliás, considera a coincidência sonora e estética com estes grupos uma marca da canção pop dos últimos tempos.

 

"Hoje em dia assiste-se ao regresso da construção de canções, talvez na ressaca do electro, em que um público cada vez mais jovem começa a perceber o gozo que é ouvir uma banda ao vivo", diz Miguel Ângelo. "Lembro-me desta história no Festival Super Bock Super Rock do ano passado, quando os The National estavam no palco principal a tocar para uma multidão de pessoas de 30 ou 40 anos, os Sharon Jones & The Dap Kings [grupo de música R&B] estavam a dar o concerto do festival para um público, sobretudo, de gente na faixa dos 20 anos."

 

Acerca do futuro, que passará numa primeira fase em encetar uma digressão nacional com uma banda de 12 elementos, os membros do projecto não põem de parte uma existência para lá deste disco, que poderá passar também por temas originais.

 

 

Via DN



publicado por olhar para o mundo às 19:18 | link do post | comentar

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