Segunda-feira, 7 de Março de 2011

Nuno Maló

 

Acaba de ser distinguido em Los Angeles com o prémio "Compositor Revelação". Nuno Maló sempre sonhou fazer da música uma memória da imagem

 

O sonho de fazer música para cinema acompanha Nuno Maló desde a infância.

Lembra-se de ficar encantado com os filmes de Steven Spielberg quando tinha 4 ou 5 anos, não só com o que a tela mostrava, mas também com a magia do som. Mais tarde, aos 12 anos, quando já tinha começado a aprender a tocar guitarra, tomou consciência de que ser compositor de bandas sonoras podia ser uma profissão. "Sempre gostei de contar histórias com a música e entendi a música como um paralelo às nossas vidas, como um espelho da existência", disse ao Ìpsilon numa conversa telefónica a partir de Los Angeles, onde reside desde 2000. A música como algo que nos ajuda a mergulhar num universo e que nos "traz à memória de imediato as cenas que acompanha" sempre o fascinou. Foi já com o plano de vir a criar música para filmes que ingressou na Escola Profissional de Música de Arcos do Estoril (que já não existe) aos 14 anos e foi depois para Londres fazer o curso superior de composição e o mestrado e a seguir para Los Angeles, "a capital da música para cinema".

 

Hoje, tem 33 anos e foi distinguido pela Associação Internacional de Críticos de Música para Cinema com o prémio "Compositor Revelação" pela banda sonora "Amália - O Filme", de Carlos Coelho da Silva, passando à frente de Daft Punk, "scar Araujo, Arnau Bataller e Herbert Gronemeyer. As criações originais concebidas pelo jovem compositor português para "Amália" (disponíveis num CD da New Movie Score Media) encontravam-se também entre as nomeações para melhor banda sonora num filme dramático ao lado de "Cisne Negro" e de "O Discurso do Rei" (premiado).

"Escolhi viver em Los Angeles pois queria estar próximo do mundo que sempre admirei e dos compositores que sempre me inspiraram", conta. "Mas o mais importante foi poder fazer o curso da University of Southern California na área da música para cinema. Já tinha as bases académicas da composição e esta formação, intensa, deu-me a experiência prática no terreno, fazíamos peças e estas eram montadas de imediato no estúdio profissional da Paramouth."

 

A primeira oportunidade profissional surgiu em 2001, quando Joaquim Sapinho o convidou a fazer a banda sonora de "A Mulher Polícia". "Fiz a partitura aqui em Los Angeles e fomos gravar com orquestra à Hungria. Na altura não era habitual o trabalho com orquestra em bandas sonoras de filmes portugueses. Há excepções como a música de António Pinho Vargas para os filmes de José Fonseca de Costa ['O Fascínio' e 'Cinco Dias, Cinco Noites'] mas, pelo menos desde os anos 70, creio que não era prática corrente", conta. "A seguir trabalhei num filme do Luís Galvão Teles e comecei a ter cada vez mais propostas vindas de Portugal. Aqui na América é mais difícil pois há um grande mercado e muita gente a compôr para cinema, os realizadores recebem centenas de CDs."

 

 

Mesmo assim, já fez música para produções internacionais como "A Profecia Celestina" (2006), de Armando Mastroianni, e "The Lost and Found Family" (2009), de Barnet Bain, e para diversos filmes portugueses, entre os quais "Assalto ao Santa Maria", de Francisco Manso, "Contraluz", de Fernando Fragata, "O Julgamento" e "A Arte de Roubar", de Leonel Vieira, e "Filme da Treta", de José Sacramento. Em breve irá trabalhar em "No God No Master", de Terry Green.

 

A receita e a inovação


"Cada projecto coloca desafios diferentes", diz. "Actualmente a parte técnica de sincronização com as imagens é fácil devido ao auxílio da tecnologia. O desafio maior é encontrar a mensagem e a emoção central do filme e a partir daí criar o tipo de cores, temas, texturas e a orquestração mais adequada para cada cena. Como nos grandes filmes históricos gostaria que quem ouve a música mais tarde, separadamente, se lembre logo da cena do filme."

 

Sobre o processo de criação, diz que, depois de ver o filme com o realizador, começa por improvisar ao piano até encontrar uma ideia forte. Pode ser apenas um motivo, um ritmo, uma progressão de acordes ou um tema completo. "Aprendi guitarra, algumas flautas e outros instrumentos de sopro como o duduk [tradicional do Médio Oriente]. Colecciono instrumentos étnicos e vou aprendendo a tocá-los. Gosto de combinar a orquestra, que dá uma emocional forte e é versátil, com os sons mais inesperados de instrumentos exóticos. Mas não os uso de maneira étnica ou como cor local, tento incorporar os sons na dramaturgia musical." Na fase seguinte experimenta as várias ideias no sequenciador e com o auxílio de vários computadores que reproduzem secções diferentes da orquestra testa-as em pontos cruciais do filme.

 

Entre os compositores de bandas sonoras que Maló mais admira encontram-se John Williams e Thomas Newman, mas também gosta de Morricone, John Barry ou John Powell. "Prefiro os compositores que levam material original para o cinema, pois às vezes a música torna-se repetitiva e quando há um filme com sucesso os que se seguem tendem a imitar a fórmula. Dou valor a compositores com voz individual reconhecível.

 

Considero Thomas Newman, que fez a banda sonora de 'American Beauty', um dos mais originais, pois conseguiu quebrar com o passado e trazer novos elementos que resultam em função do filme e não como efeitos gratuitos."

Em relação à possível influência da música erudita contemporânea nas composições para cinema, acha que, em geral, são mundos separados. "Uma excepção é o minimalismo, que teve um impacto grande. Há filmes que têm utilizado música de Philip Glass, por exemplo 'As Horas', mas é raro encontrar influências mais radicais." Recorda o exemplo de John Corigliano, que levou linguagem da música contemporânea para bandas sonoras dos anos 80 como "Altered States", mas que num filme mais recente como "The Red Violin" usou uma linguagem mais tonal e menos experimental. "Hoje há menos espaço para esse tipo de ousadias pois o cinema está a ficar cada vez mais comercial, pelo menos na América. Privilegia-se o trabalho de receita em vez da inovação. Espero nunca cair nessa armadilha e procurar sempre o meu caminho individual."

 

 

Via Público



publicado por olhar para o mundo às 12:35 | link do post | comentar

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